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Forsøk 2: Kuldebad med sirkulasjon fra luftbobling

A repercussão gerada pelos projetos vencedores de concurso, como o Teatro de Piracicaba e a Secretaria de Agricultura, e a publicação de obras construídas, como a residência Tereza Martino, dão rápida projeção ao arquiteto. E, em 1970, com apenas 30 anos, Arnaldo é convidado a ministrar aulas de Projeto na FAU-Santos, onde permanecerá até o ano seguinte, quando é convidado pela FAU-USP.

3.6.2 FAU-USP

No princípio de sua carreira na Faculdade, em 1972, Arnaldo ainda se sente um pouco aluno, privilegiado por estar muito próximo de seus antigos professores: Carlos Lemos, Nestor Goulart, Gian Carlo Gasperini, Abelardo de Souza, Pedro Paulo Saraiva, entre outros.

Porém, com o embrutecimento da política de repressão do regime e o afastamento de Vilanova Artigas, Paulo Mendes, Jon Maitrejean, Sergio Ferro e Flávio Império entre 1969 e 1977, Arnaldo Martino, Eduardo de Almeida e Abrahão Sanovicz tornam-se algumas das principais figuras do departamento de Projeto.

O alijamento desses importantes professores altera o clima da Faculdade. A posição radical tomada pelos alunos contra a manutenção do “projeto” enquanto proposta desenvolvimentista esvazia as pranchetas dos estúdios da FAU. Tempos difíceis, em que poucos eram os alunos que se dedicavam às aulas de Projeto.

Nós pegamos a fase mais cruel da política nacional. A exclusão dos líderes intelectuais e uma situação adversa da ideologia dos jovens, que se aplicava no sentido negativo, do não fazer, do não construir, porque isso significaria colaborar com a ditadura... E conseguimos, com isso tudo, segurar a barra, nós fizemos acontecer apesar de tudo (MARTINO, 24 mar. 2012).

Também a falta de projetos expressivos nos escritórios, principalmente no final dos anos 1970, quando se encerram os efeitos positivos do Milagre Econômico, tornava difícil o estímulo às discussões sobre projetos em sala de aula.

Tentávamos transmitir que eles estavam se formando para serem arquitetos de uma nação, que, para ir em frente, se desenvolver, nós tínhamos que participar desse processo. O que estava acontecendo era um período ruim, mas não podíamos nos abster por conta disso, essa era uma visão curta, tínhamos que nos preparar para o desenvolvimento. Mas as respostas eram sempre muito emocionais (Ibidem).

Nesse mesmo período, a cadeira de Projeto vai perdendo espaço na hierarquia da FAU.

Esse vazio de lideranças abriu espaço para uma disputa política interna, que foi muito prejudicial para a disciplina de Projeto na FAU. As subáreas de Projeto começaram a disputar poder, que significava, espaço, tempo, recursos, até o ponto em que a área de Projeto ficou comprimida entre as áreas que deveriam ser auxiliares [...] Isso porque os arquitetos entravam para dar aula, com sua experiência profissional; enquanto os outros professores tinham interesses acadêmicos, se titularam e foram conseguindo postos na estrutura de comando da Faculdade; e nós passamos a ser minoria. (MARTINO, 28 jan. 2013).

Contudo, Arnaldo participa de uma série de comissões durante sua docência, que contribuíram para a organização de departamentos, disciplinas e instituições, como a disciplina de Trabalho Final de Graduação (TFG), depois de ser assistente de Artigas, quando foi indicado como coordenador do TFG, “que era dada de forma muito solta, sem regras ou pré-determinações claras para regê-la” (MARTINO, 24 mar. 2012). “Então, pela primeira vez fizemos as normas, dividimos em TFG I e II, definimos os procedimentos, as entregas, os conteúdos dos trabalhos, as formas de avaliação, e acho que perduram até hoje.” (MARTINO, 28 jan. 2013).

Quando foi presidente da Fundação para Pesquisa em Arquitetura e Ambientes (Fupam), Arnaldo auxiliou em sua reestruturação “normatizando as regras para execução de projetos pelos professores da Faculdade, em que a experiência deveria ser trazida para a FAU. Os alunos deveriam trabalhar nesses projetos, assim como os professores assistentes, alimentando os laboratórios de Projeto...” (Ibidem). Com isso, procurava fazer com que a instituição se tornasse um efetivo centro de apoio e desenvolvimento de pesquisas e aplicação de projetos arquitetônicos, como forma de complementação da formação.

Arnaldo participou de muitas reformas curriculares; uma delas, num longo processo de

retomada do espaço das disciplinas de Projeto dentro da FAU: “A grande luta foi retomar a uma estrutura em que os tempos, e os conteúdos, fossem proporcionais à importância dos temas no ensino de arquitetura” (Ibidem).

Além das disciplinas obrigatórias, Arnaldo passa a ministrar aulas em disciplinas por ele idealizadas, em optativas e na pós-graduação, voltadas para o ensino do projeto enquanto sistema construtivo, industrialização na construção e metodologia do projeto de edifícios, o projeto sistêmico16 e o metaprojeto. O arquiteto procura transmitir seu método de raciocínio

projetual, a síntese, tão corriqueira e espontânea em sua forma de projetar, e estender aos alunos temas também abordados em sua tese e dissertação.

16  Em que os elementos construtivos devem ser pensados, desde sua forma de produção, a partir da natureza de cada material e sua finalidade. Cria-se um sistema de componentes coordenáveis de varie- dade reduzida (facilitando sua reprodução), porém com larga variedade de agrupamentos, em subsiste- mas, de forma a tornar a construção mais racionalizada, econômica, sustentável e, por fim, acessível.

 57 Marcelo Suzuki, um de seus alunos, estudante de graduação entre 1974 e 1980, comenta o interesse e a impressionante capacidade de percepção do projeto que Arnaldo transmitia, num período em que a maioria dos alunos acreditava tratar-se de um assunto irrelevante.

[Arnaldo] tinha uma capacidade impressionante de captar imediatamente seu projeto. Você mal

desenrolava a prancha, e ele já tinha entendido o projeto e começava a fazer apontamentos,

comentários sempre muito precisos. Bem quieto e resguardado, não me lembro de nenhuma aula que ele deu para a classe inteira, falava individualmente. Mas num projeto, com a prancheta, ele discutia quase que incansavelmente. Nesse período, havia um grupo numeroso, a maioria dos estudantes da FAU, que era contra o projeto, então os alunos interessados acabavam tendo um convívio mais intenso com os professores, e isso me marcou muito. (SUZUKI, 2012).

A grande carga burocrática imposta ao arquiteto nos últimos anos de exercício de docência, o escritório próprio, que também o estava exigindo muito, e a presidência do IAB-SP fazem Arnaldo solicitar, em 2005, a aposentadoria (com 65 anos, cinco anos antes do período compulsório).