Anatomistas e antropologistas classificaram a humanidade em diversos grupos raciais, levando em consideração, principalmente, suas características craniométricas, o que enfatiza a existência de uma enorme variedade de biotipos faciais (ALTEMUS, 1968).
Nos dias atuais, as áreas metropolitanas de todos os países tem uma população muito mais diversificada, o que nos faz reconhecer que um único padrão de estética facial não é apropriado para servir como base no diagnóstico e planejamento para o tratamento ortodôntico de pacientes de diversas origens étnicas (MIYAJIMA et al., 1996).
Não é de hoje, que um crescente número de japoneses procura por tratamento ortodôntico, cirurgia ortognática, ou mesmo cirurgia plástica no Japão ou mesmo em outros países (ALCALDE et al., 1998). Assim, torna-se importante
100 Discussão
determinar padrões cefalométricos para brasileiros com ascendência japonesa, bem como para os mestiços que vivem em nosso país, a fim de assisti-los com base em tratamentos individualizados.
A finalidade do tratamento ortodôntico consiste em alcançar uma oclusão funcional adequada, combinada com o equilíbrio e harmonia facial. Há um consenso em definir uma oclusão ideal, conhecido como as seis chaves da oclusão propostas por Andrews (1976), porém é bastante difícil definir o objetivo de um tratamento baseado em um perfil facial ideal, isso porque pessoas de diferentes etnias apresentam diversas percepções de beleza. A atratividade facial está ligada a vários fatores como, por exemplo, a idade, o gênero, grupo étnico, região e nível sócio- econômico. Em particular as diferenças raciais têm um papel importante no julgamento da beleza e da estética facial (KURODA et al., 2009).
Os meios de comunicação, cada vez mais globalizados, exercem grande influência sobre os conceitos faciais de beleza e talvez por isso, a percepção do belo possa estar mudando para um estereótipo mais internacionalizado.
Sabemos que a população japonesa apresenta padrões cefalométricos característicos como um perfil facial mais convexo em função de uma posição mais retruída da maxila e especialmente do mento em relação ao násio. Apresentam um nariz menos proeminente, e os lábios, tanto superiores quanto inferiores, são mais anteriorizados, dando uma característica de biprotrusão labial (REITZ et al., 1973; MIYAJIMA et al., 1996; ALCALDE et al., 1998; ALCALDE et al., 2000; SCAVONE et al., 2006; IOI et al., 2007). Contudo, quando questionados sobre seus anseios estéticos, há um consenso sobre a preferência de lábios mais retruídos e um perfil mais reto (MANTZIKOS, 1998; IOI et al., 2005; IOI et al., 2008; NOMURA et al., 2009).
Para avaliar a preferência da posição dos lábios no perfil facial dos japoneses, Ioi e colaboradores realizaram três estudos (IOI et al., 2005; IOI et al., 2008; SHIMOMURA et al., 2011). No primeiro estudo (IOI et al., 2005) avaliaram a preferência de ortodontistas e alunos de odontologia; no segundo (IOI et al., 2008) a preferência de japoneses e coreanos; e no terceiro estudo (SHIMOMURA et al., 2011) avaliaram a preferência de pacientes japoneses em tratamento ortodôntico.
Discussão 101
Em todos eles, foi observado a preferência dos avaliadores por um perfil com lábios levemente retruídos, mesmo que esta etnia apresente uma característica histórica de apresentar um perfil facial mais convexo, com uma biprotrusão labial. Mantzikos (1998) também quis determinar qual a preferência da população oriental em relação ao perfil facial, o resultado obtido foi uma preferência para o perfil ortognático, seguido do perfil mais retruído, cujas escolhas não conferem com o padrão característico dos japoneses. Esses resultados sugerem que, ao determinar o plano de tratamento ortodôntico, o paciente deve ser questionado sobre o seu conceito de beleza.
Reconhecemos a possibilidade de que os valores médios das variáveis cefalométricas possam ser alterados conforme a amostra usada e a localidade do estudo, por isso há de se convir que valores individualizados são mais aplicáveis, afinal, diferentes etnias geram diferentes padrões cefalométricos.
De uma forma geral, podemos observar que o fator clinicamente mais relevante apresentado pelas amostras de jovens brasileiros xantodermas e nipo- brasileiros é que ambos apresentam uma maior protrusão e vestibularização dos incisivos, repercutindo em uma protrusão do lábio inferior. Este aspecto deve ser especialmente considerado quando do planejamento do protocolo de tratamento a ser utilizado. Tendo em vista que a sobressaliência e o apinhamento são as más oclusões que mais perturbam este grupo étnico (SOH; CHEW; CHAN, 2006), torna- se necessário considerar as limitações destes pacientes quanto à quantidade de retração. Afinal, é sabido que a musculatura oral é forte o bastante para causar recidiva do tratamento, sendo assim, a escolha do tipo de mecânica e da necessidade de extrações deve ser tomada sob estas considerações (SATHLER, 2009). Se existe dúvida em relação à necessidade de extrações em casos limítrofes, vale questionar se apenas um desgaste interproximal pode ser suficiente para ajudar na dissolução de um apinhamento, pois devemos ter em mente que uma leve protrusão é aceitável para este grupo étnico.
Em suma, com base nas amostras estudadas, parece que o tratamento ortodôntico a ser estabelecido para o paciente leucoderma pode ser diferente daquele proposto para o xantoderma e nipo-brasileiro, pois ao utilizar valores de referência mais específicos e individualizados, o plano de tratamento ortodôntico
102 Discussão
obterá, com maior propriedade, resultados mais estáveis, com oclusão e estética satisfatórios. Tal individualização de tratamento também pode ser aplicada a leucodermas brasileiros ao utilizar os valores propostos originalmente por Ricketts (1961) como referência. Segundo Nobuyasu e colaboradores (2007) uma grande maioria dos fatores envolvidos nos 6 campos da cefalometria de Ricketts, difere das medidas encontradas na sua amostra de brasileiros, que apesar de leucodermas, são mais miscigenados e apresentam características próprias.
Sugestões para novos trabalhos:
• Comparar os resultados oclusais e estéticos pós-tratamento ortodôntico de brasileiros leucoderma, xantoderma e nipo-brasileiro ao utilizar metas de planejamento padrão e individuais para cada grupo étnico.
7 Conclusões
7 Conclusões7 Conclusões
Conclusões 105
7 CONCLUSÕES
Com base na metodologia aplicada e na comparação entre leucodermas, xantodermas e nipo-brasileiros, os resultados desta pesquisa permitem concluir que:
1 Estabeleceram-se os valores médios de normalidade das grandezas cefalométricas relacionadas à análise de Ricketts para jovens brasileiros leucodermas, xantodermas e nipo-brasileiros;
2 Ao comparar as amostras, verificou-se que:
2.1 A amostra xantoderma apresentou maior protrusão dos incisivos e do lábio inferior, e a amostra de nipo-brasileiros apresentou-se com valores intermediários;
2.2 A posição do primeiro molar superior em relação à linha Ptv apresentou maior distância para a amostra de nipo-brasileiros e esta variável sofre influência do fator idade;
2.3 O mento encontra-se numa posição de maior retrusão na amostra xantoderma, e de forma semelhante entre leucodermas e nipo-brasileiros, sendo que a amostra de mestiços apresentou o maior valor angular para a variável Profundidade Facial;
3. Houve ausência de dimorfismo entre os gêneros para as 3 amostras avaliadas.
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Apêndices
Apêndices
Apêndices
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Apêndices 119
APÊNDICES
APÊNDICE A - Tabela de apresentação das variáveis cefalométricas da amostra leucoderma
Sujeito Idade Etnia Gênero Relação Molar Ângulo Interincisal Is-Apog Ii-Apog Is.Apog Ii.Apog
RMGF 14,66 L F -1,1 138,9 2,4 0,2 19,1 22 UFC 14,66 L F -1,5 127,2 3,7 0,9 24,4 28,4 RHFB 13,91 L F -0,6 128,7 8 4,3 25,6 25,7 DR 14,33 L F 2,8 121,5 6,9 4,3 25 33,5 EMP 14,91 L F -2,7 134 4,8 2,6 23,5 22,5 HAB 14,75 L F -2,2 120,2 6,9 4,9 32,9 26,9 VMI 13 L F -1,2 133 4,8 1,5 24,7 22,3 FAFS 13,41 L F 0,2 127 7,7 5,2 26,5 26,5 GTM 14,41 L F 0,7 135,4 5,7 2,8 23,6 21 EFC 13,66 L F 0,7 135,4 5,7 2,8 23,6 21 ER 12,33 L F -2,2 127,9 4,4 1,4 25,8 26,3 CMP 13,41 L F -1,9 126 7,2 3,9 24,2 29,8 DMS 14,16 L F -1,1 122,2 7,2 4 31,5 26,3 MALC 14,08 L F -1,6 135 3,3 0,3 21,8 23,1 MAS 12 L F -2,6 120,1 5,9 3,2 30,7 29,2 OSL 12,16 L F -2,8 127,4 3,8 1,4 24,8 27,8 MFZ 14 L F -1,2 132,4 6,5 3,7 24,3 23,3 MIJ 13,91 L F -1,4 124,6 6,4 4 26,3 29 SRV 12,58 L F -1,7 124,3 5,4 3,7 31 24,8 MCS 13,5 L F -0,4 143,1 3,5 0,8 18,2 18,7 LCG 13,91 L M -2,4 132,4 4,1 1,1 22,7 24,9 APL 13,41 L M -0,4 130,5 6,4 2,2 28 21,5 JLF 14,66 L M -2,1 129 5,8 3 20,1 30,9 JCM 13,91 L M 0,3 143 2,8 -0,2 19 18 JAG 14,58 L M -3,8 134,4 4,5 0,8 22,1 23,5 PAM 13,41 L M -0,6 137,7 5 2,4 21,8 20,5 JASF 13,83 L M -1 116,5 6,6 4,2 29 34,5 CAM 13 L M -0,3 134,2 4,2 0 23,7 22,2 MAR 14,58 L M -3,8 118 8,1 5,8 32,7 29,3 PANJ 13 L M -0,6 110,8 8,4 5,2 37,6 31,6 ACO 14,25 L M -1,3 132,5 6,9 3,7 21,4 26,1 MAL 12,83 L M -3,1 133,6 4,2 2,1 23,5 22,9 LCD 14,75 L M -0,7 138,2 4,6 0,8 26,3 15,5 JEP 12 L M 1,2 128,6 5,2 1,3 29,8 21,6 LAMB 13,83 L M 0,1 121,5 5,2 3 25,3 33,3 ERE 13,25 L M 0,1 121,5 5,2 3 25,3 33,3 ALTE 14,91 L M -4,3 124,8 7,9 4,9 29,4 25,8 JSF 14,91 L M -0,7 122,8 3,7 1,4 28,4 28,8 AGJ 12,16 L M -3 128,7 5,8 2,6 26,5 24,8 MAB 12,08 L M -3 128,7 5,8 2,6 26,5 24,8
120 Apêndices
APÊNDICE B – Continuação do APÊNDICE A, que refere-se à tabela das variáveis cefalométricas da amostra leucoderma