5. Empiriske funn - Caseanalyse av den norske plateindustrien
5.1 Introduksjon
5.3.1 Nettverksroller og maktforhold
O fundamentalismo cristão está correlacionado aos ideais conservadores do cristianismo, que leva ao pé da letra algumas diretrizes de vida dessa religião. Como exemplo, podemos citar a não secularização ou modernização dos princípios religiosos protestantes, além da crença dispensacionalista de que a Palestina pertence aos judeus por promessa divina. Uma das consequências é a crença de que os conflitos entre israelenses e palestinos expressam uma determinação divina, cujo ponto de chegada seria a volta de Jesus Cristo e o estabelecimento do Milênio de Paz na terra. Isto se liga automaticamente ao sionismo judaico, que dentro da religião protestante, é identificado como Sionismo Cristão. Para entendermos melhor essa correlação, vamos entender um pouco das raízes do fundamentalismo.
O fundamentalismo se manifestou através do protestantismo norte- americano com os Pilgrims (da Holanda e da Inglaterra) expulsos em 1620, por reivindicarem uma reforma no cristianismo. No final do século XIX, o fundamentalismo ressurgiu em um grupo de pastores que fundamentam a fé protestante em pontos principais e específicos, pontos fundamentais para a fé e contra o liberalismo nos Estados Unidos (BOFF, 2009).
O fundamentalismo protestante ganhou mais força a partir de teólogos que atuavam na Universidade de Princeton, onde interpretavam a Bíblia ao “(...) pé da letra (para a fé protestante o fundamento de tudo é a Bíblia)” (BOFF, 2009, p. 11). Estes teólogos se colocaram contra as interpretações da chamada Teologia Liberal, que usa métodos interpretativos a partir de contextos históricos atuais. Para os fundamentalistas ou sionistas cristãos isso é ofensivo a Deus, pois acreditam em uma interpretação linear no qual o que aconteceu, ou ainda vai acontecer, está previsto na Bíblia.
Christian Zionism is constructed upon a novel hermeneutic in which all scripture is generally interpreted in an ultra-literal sense; the prophetic parts of scripture are seen as pre-written history; and eschatologically are believed to find their fulfilment in the interpreter's generation (SIZER, 2002, p. 134).
Este fundamentalismo e consequentemente o Sionismo Cristão, está presente em quase todas as denominações protestantes que se opõem aos conhecimentos contemporâneos da História, Geografia e das Ciências. Estas teses dos cristãos fundamentalistas e da Direita Política Cristã dos EUA, junto do sionismo cristão são aspectos fundamentais do Fundamentalismo Religioso (GRANOI, 2008).
A “Direita Cristã” se opõe também à Teologia da Libertação, e a todo movimento de emancipação que defenda a solidariedade e os direitos humanos. Os fundamentalistas dizem que os adeptos da Teologia da Libertação e dos Direitos Humanos estão ligados ao comunismo (teoria rechaçada pelos fundamentalistas), e que estes “comunistas” estariam contra a paz mundial, por desejarem a paz no agora e não no Reino Milenar de Jesus.
Assim, os fundamentalistas necessitam de conflitos, para que Jesus venha implantar o reino de paz, então, aqueles que se opõem aos ideais fundamentalistas protestantes ou ao Sionismo Cristão seriam contra os objetivos de Deus.
Y lo grave de este “fundamentalismo político” es que se convierte en „una metapolítica que, en nombre de una verdad absoluta desde arriba o desde dentro se atribuye el derecho de situarse por encima de las reglas de la democracia, del necesario relativismo político, del pluralismo, de la inviolabilidad de los derechos de otros, de las leyes de la tolerancia y de la capacidad de equivocarse‟ (RIESGO, 2003, p.14).
O que este fundamentalismo cultiva, é derivado da Teologia e especificamente da escatologia (estudo dos últimos tempos) dispensacionalista, vinda da escola Pré-milenista10. Em sua concepção, o dispensacionalismo pretende inferir na história a relações de Deus com a Humanidade e, como vimos em tópicos anteriores, divide toda a história em sete períodos ou dispensações. A última seria a do Milênio, do reinado de Cristo com seus eleitos na terra.
Essa escatologia aguarda um final trágico e violento provocado por Deus, em sua última dispensação, que seria a correção de Deus aos desvios da
10 Doutrina que acredita que a volta de Cristo acontecerá antes da Grande Tribulação e do Milênio. E supõem que a Igreja não passará pela tribulação causada pela ira divina aqui na terra. (ANDRADE, 2000. p. 242),
humanidade, mediante algumas ações do homem e dos anjos, o que já se teria evidenciado em eventos considerados todos históricos, como a Queda, o Dilúvio e a Crucificação de Cristo. Atualmente, eles acreditam que estamos vivendo na sexta ou penúltima dispensação, que se encerrará com o estabelecimento do Milênio (reino messiânico de mil anos) (GRANOI, 2008).
O mais interessante dessa concepção é a visão fatalista da história da humanidade, que propicia a conivência da religião com interesses econômicos e políticos. Assim, o dispensacionalismo defende o avanço capitalista, o que também explica o seu ferrenho anticomunismo. Como já dito anteriormente, quanto pior vai o mundo, tanto melhor para eles, pois estas indicações de que o mundo vai mal, com guerras e conflitos, significa que Jesus está às portas, para implantar seu Milênio de Paz. Esta Teologia Política tem saída para todas as interrogações, e assim pode cair em um desatino que prega uma ideologia de ampla difusão e que vê a destruição do mundo positivamente (RIESGO, 2003).
O fundamentalismo protestante hoje tem influência na política e na educação, onde impõem suas “verdades” a coletividade, obrigando a toda a sociedade (cristãos e não cristãos) a seguirem e viverem no que os fundamentalistas acreditam, o que obviamente interfere na religião do outro, invariavelmente considerada errada. Para os fundamentalistas há somente uma verdade, a protestante, decorrendo assim a intolerância religiosa.
“A extraordinária difusão do fundamentalismo cristão é um fenômeno de cultura de massas, não de cultura popular” (SANTOS, 2014. p. 76). Essa cultura permeia o cotidiano das massas, é repetidamente noticiada nas mídias e consequentemente nas igrejas. Os fundamentalistas são inflexíveis quanto à sexualidade e acreditam na família tradicional. Julgam os que deles divergem de forma violenta. Na economia são conservadores e na política defendem a ordem, a segurança e a disciplina com rigor (BOFF, 2009). Todos esses ideais fundamentalistas protestantes são frequentemente repercutidos pela mídia, trazendo um debate acalorado entre religiosos e laicistas.
Não devemos generalizar a todos os fundamentalistas, pois nem todo protestante que seja conservador é fundamentalista. Há aqueles que não apresentam uma postura bibliscista, são somente conservadores, creem que “(...) suas sentenças devem ser julgadas a partir de Cristo” (BOFF, 2009, p. 14), não somente na interpretação da Palavra, a Bíblia.
O fundamentalismo, em termos gerais, pode legitimar “a guerra santa”, cair no “fanatismo” e impor sua fé. Pode estar relacionado tanto à insegurança do fiel, quanto pode defender ou ser o caminho para conquista do poder e do controle social (RIESGO, 2003).
Para entendermos esse fundamentalismo dentro do cenário do conflito israelo-palestinense, podemos ver a grande contrariedade dos fundamentalistas cristãos ao povo árabe e à religião muçulmana. Neste contexto eles promovem a intolerância xenófoba e consequentemente a violência contra os palestinos, privilegiando os judeus e israelenses, reforçando a hostilidade entre os dois lados envolvidos no conflito.
O papel que os cristãos fundamentalistas acreditam que têm nesse conflito é o de libertar a Terra Santa das mãos dos infiéis. Neste cenário os canaanitas das terras bíblicas, agora seriam representados pelos palestinos. A libertação da Terra Santa seria uma preparação para a chegada da última hora para os cristãos sionistas (GRANOI, 2008).
Os fundamentalistas protestantes, principalmente os dos EUA, creem pertencer a um outro povo escolhido de Deus, além dos judeus, que tem por objetivo levar a democracia liberal a todo mundo, incluindo as nações que não o desejam. Consequentemente defendem a “única democracia do Oriente Médio” – o Estado de Israel - e sustentam que este Estado renasceu para cumprir as profecias bíblicas (GRANOI, 2008). Assim, para os cristãos sionistas há uma conexão religiosa fundamental entre Israel e os Estados Unidos da América:
For Christian Zionist such as Jerry Falwell and Mike Evans, America is seen as the great redeemer, her super-power role in the world predicted in scripture and providentially ordained. The two nations of America and Israel are like Siamese twins, linked not only by common self interest but more significantly by similar religious foundations (SIZER, 2002, p. 280).
Além de lutarem por uma limpeza étnica da Palestina para o acesso livre do povo judeu, o que, segundo eles, cumpriria as profecias da Bíblia, os fundamentalistas ainda lutam por uma redenção de todo o Oriente Médio, para que possam alcançar a expansão das fronteiras israelenses condizentes com as do Antigo Testamento, o que na prática implicaria na conservação e na expansão das atuais fronteiras do Estado Sionista, como condição necessária para assegurar a segunda vinda de Jesus e o Apocalipse (GRANOI, 2008).
Dentro do movimento fundamentalista aqueles que apoiam estas ideias são chamados cristãos sionistas:
(...) At its simplest, Christian Zionism is a political form of Philo- Semitism, and can be defined as „Christian support for Zionism‟. Walter Riggans interprets the term in an overtly political sense as, „any Christian who supports the Zionist aim of the sovereign State of Israel, its army, government, education etc., but it can describe a Christian who claims to support the State of Israel for any reason. (…) is correct to observe that Christian Zionists essentially support what was predominantly a secular and political movement, increasingly Christian Zionists are now identifying with the religious elements which dominate the Zionist agenda (…). (SIZER, 2002, p. 06).
Consequentemente, os cristãos sionistas mantém relações hostis com os cristãos palestinos, devido a sua oposição a toda negociação com eles. Acreditam que todo território bíblico corresponderá futuramente a Israel, “El fundamentalismo cristiano es piel de cordero, debajo la cual se esconde el lobo imperialista, sediento de petróleo” (GRANOI, 2008, p. 02).
A Guerra dos Seis Dias, que possibilitou o controle de Israel ao Muro das Lamentações, validou para os sionistas a aliança com Deus e o caráter exclusivista da visão dos israelenses judeus sionistas como “Povo Eleito”. “Confirmou” a condição de um povo superior, escolhido de Deus, perante qualquer outra raça, e também justificou a política racista e segregacionista atuante no Estado de Israel. É esta condição que permite através do Sionismo a derrubada das casas palestinas, a intolerância religiosa e racial contra a população autóctone (GRANOI, 2008).
A condição prévia do sacrifício apocalíptico para os protestantes fundamentalistas é a reconstrução do Templo de Jerusalém, que seria o último sinal do fim dos tempos, junto do renascimento de Israel e a volta dos judeus à Terra Santa. Para os fundamentalistas cristãos o tempo de espera quanto à construção do templo está se findando (GRANOI, 2008).
A construção do Templo está prevista desde o princípio da colonização de Israel, na cidade velha de Jerusalém, onde se encontra o Domo da Rocha, Mesquita muçulmana. Neste local supostamente se situou também o Templo de Salomão. Assim, o objetivo judeu é reconstruir o Templo do Sacrifício, para concretização das profecias da Torá. Já para os cristãos sionistas significaria a concretização das profecias do Antigo Testamento e a consumação dos séculos. Sizer explica isso melhor:
(...) who controls Jerusalem, controls the land of Israel. This paradigm may be illustrated by way of three concentric rings. The land represents the outer ring, Jerusalem the middle ring and the Temple is the centre ring. The three rings comprise the Zionist agenda by which the Land was claimed in 1948, the Old City of Jerusalem was occupied in 1967 and the Temple site is being contested. For the religious Zionist, Jewish or Christian, the three are inextricably linked. The Christian Zionist vision therefore is to work to see all three under exclusive Jewish control since this will lead to blessing for the entire world as nations recognise and respond to what God is seen to be doing in and through Israel (SIZER, 2002, p. 09)