1. Bakgrunn for oppgaven og problemstilling
3.5 Former for innflytelse for NAV ansatte
Seleção de fontes e levantamento de argumentos
Conforme apontado acima, nas considerações metodológicas, a caracterização dessa unidade se iniciará com a apresentação de algumas citações de Skinner que atestem sua preocupação com a prática social de situar dentro dos sujeitos as principais variáveis determinantes de seus comportamentos. Com os elementos introduzidos por essas citações, a argumentação que fundamenta o fato do autor criticá-las será remontada no subitem subsequente.
Em primeiro lugar, é necessário sublinhar que a crítica skinneriana à tendência a se buscarem os determinantes do comportamento dentro dos sujeitos percorre uma longa parcela de sua obra. Isso não deveria causar espanto, na medida em que as bases
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epistemológicas do BR se escoram no modelo de seleção por consequências, modelo esse que mina qualquer esforço de retirar do ambiente externo seu papel de determinante do comportamento. O que nem sempre é claro, no entanto, é porque essa prática de se recorrer ao mundo interno dos sujeitos humanos na busca dos determinantes de seus comportamentos constitui uma ameaça à sobrevivência da cultura humana. Será sobre essa ligação entre 1. uma crítica que aparenta se circunscrever apenas no nível teórico e epistemológico e 2. o nível das práticas concretas da cultura contemporânea que o texto dessa unidade temática irá se debruçar48.
Em todos os nove textos selecionados, é possível identificar trechos que, de alguma forma, se relacionam com essa crítica (embora as objeções conceituais e filosóficas de Skinner aos determinantes internos prevaleçam sobre a crítica da prática social de se buscar e “encontrar” os determinantes internos do comportamento). Ainda assim, reproduzir exaustivamente esses trechos seria uma tarefa que escaparia aos propósitos deste trabalho: não há sentido em apresentar trechos dos nove textos que repetem argumentos equivalentes. A estratégia aqui seguida foi a de apresentar algumas citações (citações que apresentem, uma em relação à outra, elementos novos) que permitam capturar os principais elementos que compõem essa crítica para que, em seguida, eles possam ser explorados com um grau de profundidade que não está presente nos nove textos.
Em um texto chamado Humanism and Behaviorism (1972a), Skinner discute um modo costumeiro de se explicar e prever o comportamento dos sujeitos humanos. Ele envolve a dissecção do mundo mental dos homens: envolve entrar em contato com seus sentimentos, pensamentos, ideias, intenções, atitudes etc.. Nessa perspectiva, explicar o comportamento humano requeriria desvendar as nuances da vida mental. O que um homem faz é reflexo daquilo que se passa dentro de si. Ao
48 É preciso desfazer a ideia de que uma crítica que incide sobre termos, conceitos, argumentos etc. que
fazem parte de um corpo conceitual não configura uma crítica a uma prática social. Se Skinner é um crítico das explicações internalistas, necessariamente ele é um crítico de uma prática social que consiste, de modo geral, em criar conceitos, teorias, pressupostos epistemológicos, metodologias e tecnologias que podem ser agrupadas pelo fato de estarem ancoradas na suposição de que o que se passa dentro dos sujeitos humanos é a causa de seus comportamentos. Fazer ciência, filosofia, ou mesmo “teorizar” ordinariamente a partir das prescrições difusas do senso comum não deixa de ser comportamento, especialmente comportamento verbal. Criticá-los é questionar uma prática concreta que não transcende a realidade material, nem versa sobre mundos abstratos. Além do mais, é ingenuidade acreditar que o conhecimento do mundo não tenha desdobramentos práticos: conhecimento, enquanto comportamento verbal, governa ações. Se os conhecimentos são alvo de crítica, dificilmente as ações que ele induz escaparão de pertencer à órbita da crítica.
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longo de todo o texto, Skinner aponta algumas objeções a esse modo de se explicar o comportamento humano. O epicentro de sua argumentação reside no fato de os eventos ditos “mentais” serem produtos de contingências de reforçamento. Após fundamentar essa posição, Skinner arremata apontando que
Quero com isso dizer que Platão nunca descobriu a mente? Ou que Aquino, Descartes, Locke e Kant estavam preocupados com subprodutos incidentais de comportamento humano, frequentemente irrelevantes? Ou que as leis mentais dos psicólogos fisiologistas, como Wundt, ou que o fluxo de consciência de William James, ou o aparelho mental de Sigmund Freud não têm lugar útil na compreensão do comportamento humano? Sim, estou. E exponho o tema com ênfase porque, se é para resolver os problemas com que nos deparamos no mundo de hoje, esta preocupação com a vida mental não deve mais afastar nossa atenção das condições ambientais das quais o comportamento humano é função (Skinner, 1978b, p.51)
O fato de Skinner empregar as palavras “solução de problemas [do grupo]” nessa citação já lhe conferiu importância suficiente para ela ser destacada nesta etapa da pesquisa de levantamento de informações que subsidiem radiografar a crítica de Skinner à cultura contemporânea. Gerar obstáculos para resolução de problemas de um grupo parece ser um critério legítimo para dizer que uma prática produz impasses para um grupo se perpetuar. Isso justifica a seleção dessa citação; no entanto, resta identificar as razões pelas quais Skinner considera a prática de se buscarem e de se identificarem as causas do comportamento na vida interna dos sujeitos humanos algo que pode impedir ou ser pouco útil na resolução do grupo como um todo.
O primeiro ponto dessa citação que parece ajudar a identificar essas razões é uma objeção de caráter filosófico à causação interna do comportamento: buscar os determinantes do comportamento dentro dos sujeitos humanos seria um equívoco. De nada eles seriam importantes para se explicar o comportamento (o papel de eventos internos na determinação do comportamento é considerado “inútil” ou “irrelevante”). Até aqui, a objeção de Skinner é de caráter filosófico (pois versa sobre a
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determinação dos eventos comportamentais). Não há, ao menos na primeira parte dessa citação, uma crítica à cultura, no sentido de que não fica claro porque essa prática consiste em uma ameaça à sobrevivência dos homens. Por si só, portanto, atribuir “causas” internas ao comportamento não pode, ainda, ser considerada uma prática alvo de crítica de Skinner.
No entanto, a citação prossegue e, após Skinner apontar ser um equívoco buscar determinantes internos para os comportamentos, diz que tal prática “afasta”, desvia, o olhar para os eventos que realmente interessam caso se procure explicar o comportamento humano. Nesse ponto, a prática social focada nessa unidade temática começa a se aproximar do critério a partir do qual uma prática pode ser considerada alvo de crítica de Skinner. Ao induzir a procura da explicação do comportamento para dentro dos sujeitos, essa prática inibe e distancia tal procura das vias mais eficazes de explicação do comportamento (que, em última análise, estão na relação do sujeito com o ambiente). Afastando a explicação das variáveis relevantes, afasta-se também a possibilidade de intervir sobre o comportamento humano de modo que seja eficaz na solução dos problemas que ele tem produzido (“[...] se é para resolver os problemas com que nos deparamos no mundo de hoje, esta preocupação com a vida mental não deve mais afastar nossa atenção das condições ambientais das quais o comportamento humano é função”). Ora, se Skinner considera a busca de “causas” internas ao comportamento um esforço vão para sua inteligibilidade, parece lícito afirmar que esse tipo de esforço consiste num dispêndio de energia e tempo desnecessários, e, portanto, desperdiçados: se, supostamente, o que motiva a procura de explicação do comportamento é criar condições para que ele possa ser controlado de modo a favorecer que um grupo “solucione seus problemas”, tal explicação seria inócua na consecução desse objetivo.
Essa citação, assim, revela-se importante para a compreensão da crítica de Skinner por aproximar sua crítica filosófica às explicações internalistas do comportamento a uma crítica à cultura, a uma crítica de uma prática que produz obstruções para o grupo solucionar seus problemas. Dois argumentos de Skinner, portanto, foram sublinhados até aqui: 1. o equívoco das explicações internalistas e 2. os obstáculos que elas produzem para explicações e intervenções eficazes sobre o comportamento. Vale sublinhar, mais uma vez, que criticar as explicações internalistas só constitui uma crítica à cultura devido ao seu vínculo com o fato de elas nortearem intervenções sobre o comportamento inócuas, intervenções que não
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subsidiam práticas que favoreçam a cultura solucionar seus problemas.
O que está vago, no entanto, é como as explicações internalistas inibem o grupo para resolução de seus problemas. De fato, Skinner aponta que elas não dão devido valor às variáveis ambientais, já que privilegiam a vida mental dos sujeitos: por efeito, elas são ineficazes no controle do comportamento. Isso ajuda a entender as razões para o fracasso de tais explicações subsidiarem intervenções sobre o comportamento que ajudem o grupo solucionar seus problemas. Ainda assim, restaria identificar por que as explicações internalistas são inócuas quando direcionadas para sua resolução. A citação que se segue oferece informações que ajudam responder essa questão.
[...] O que caracteriza a espécie humana [...] é o desenvolvimento de uma cultura, um ambiente social que contém as contingências que geram autoconhecimento e autocontrole. É este ambiente que tem sido, por tanto tempo, negligenciado por aqueles que têm se interessado pela determinação interna da conduta. Tal negligência tem significado que melhores práticas produtoras de autoconhecimento e autocontrole têm sido perdidas.
[...] As pessoas entendem a si mesmas e governam a si próprias mais eficazmente quando entendem as contingências relevantes.
[...] Uma das grandes realizações de uma cultura tem sido a de fazer consequências remotas virem a cair sobre o comportamento do indivíduo. Podemos planejar uma cultura na qual os mesmos resultados serão alcançados, com maior eficácia, transferindo nossa atenção da solução do problema ético ou conflito moral para as contingências externas (Skinner, 1978a, p.52)
Quando o mundo interno dos sujeitos passa a abrigar aquilo que ocasiona o comportamento, não faz sentido procurar no ambiente, ou melhor, no ambiente social os determinantes do comportamento. Ora, se, como foi visto no capítulo anterior, autoconhecimento e autocontrole são produtos da vida cultural, não é de se espantar
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que negligenciar o papel do ambiente social na determinação do comportamento implique dificuldades, confusões, obstáculos, na produção de repertórios de autoconhecimento e autocontrole. Pode-se dizer, portanto, que além de equivocadas, as explicações que apelem para o mundo interno e o privilegiem geram práticas que visam produzir autoconhecimento e autocontrole ou falhas ou que poderiam ser aperfeiçoadas caso se privilegiasse as relações do homem com o mundo para se explicar seu comportamento. Um novo argumento de Skinner, portanto, desponta a partir dessa citação: a prática de buscar as “causas” do comportamento dentro dos sujeitos tem barrado a geração de repertórios que o autor considera importante serem desenvolvidos nos membros de uma cultura, em particular repertórios de autoconhecimento e autocontrole.
Além desse argumento, a citação contem outro: Skinner diz que o planejamento de uma cultura pode ser mais eficaz ao se atentar para as variáveis externas ambientais que determinam o comportamento; se os determinantes do comportamento se alojam dentro dos organismos, não há como os outros preverem e planejarem o comportamento dos homens. Se o que se faz é fruto da vida interna do homem, de seus desejos, convicções, crenças, vontades, não há nada que se possa fazer para prever o que cada um fará. Planejar o comportamento de um grupo, nessa perspectiva, estaria fadado ao fracasso: como se verá mais para frente, planejar uma cultura pode até ser considerado, quando o homem é supostamente soberano como fonte daquilo que faz, indesejável e refratário à sua realização.
Em resumo, quatro argumentos básicos relativos à crítica de Skinner no que se refere à tendência de se buscarem os determinantes do comportamento à vida interna dos sujeitos foram levantados a partir da análise dos nove textos:
1. São explicações equivocadas
2. Elas desviam o olhar do pesquisador para variáveis irrelevantes para se explicar e prever o comportamento, sendo, portanto, inócuas para auxiliar a resolução de problemas de um grupo
3. Inibem a produção de repertórios de autoconhecimento e autocontrole, importantes para a cultura sobreviver
4. São ineficazes no planejamento da cultura
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relativos à ligação entre eles. O primeiro argumento deles, por si só, não é suficiente para se dizer que a internalização dos principais determinantes do comportamento é uma prática alvo de crítica de Skinner (no sentido aqui definido). Trata-se de uma crítica que, em si mesma, é de caráter filosófico: da forma como foi enunciada (a internalização dos principais determinantes é um equívoco), não há nada que a ligue com uma crítica à cultura. No entanto, ela é de fundamental importância na medida em que esse equívoco permite entender os demais argumentos. O fato de as explicações internalistas mobilizarem esforços de explicação, predição e controle do comportamento para variáveis irrelevantes, por exemplo, só é compreensível se os equívocos das explicações internalistas forem explicitados. É por essa razão que os três últimos argumentos estão profundamente subordinados ao primeiro (não por acaso, Skinner, em muitos textos em que analisa práticas sociais, dá início a eles apontando o equívoco das explicações internalistas49). Uma vez desvendadas as razões pelas quais Skinner considera um equívoco atribuir a eventos internos aos sujeitos a causa de seu agir, entender os desdobramentos dessa prática torna-se mais facilitado.
Isso é apenas outra forma de dizer que o primeiro argumento levantado (referente ao fato de as explicações internalistas serem equivocadas) não está no mesmo plano que os demais, no sentido de que não guarda com eles o mesmo status: é possível dizer que porque as explicações internalistas são equivocadas elas produzem esses três efeitos que são contraproducentes para a sobrevivência da cultura. Portanto, a próxima seção, voltada para fundamentação dos principais argumentos de Skinner sobre a prática desta unidade temática, percorrerá uma trajetória que pode, à primeira vista, parecer que se distancia desse propósito. Ela se iniciará com uma longa argumentação que fundamentará o fato de Skinner considerar as explicações internalistas do comportamento equivocadas. Essa argumentação, com feições de uma desnecessária digressão (tendo-se em vista o propósito deste capítulo, voltado para sistematização da crítica de Skinner à cultura contemporânea), é condição para se entender as críticas que incidem mais diretamente sobre a prática de internalizar as “causas” do comportamento. O que aparentará ser um desvio dos objetivos deste capítulo constituirá uma preparação para que as razões de Skinner identificar nessa prática uma ameaça à sobrevivência da cultura possam ser
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devidamente exploradas. Em resumo, apesar de se ter levantado quatro argumentos na análise dos nove textos, o primeiro deles serve como uma condição indispensável para a fundamentação dos demais. A rigor, são apenas os três últimos argumentos levantados acima que constituem as razões de Skinner criticar a prática de internalizar as causas do comportamento. Ainda assim, eles guardam com o primeiro uma relação de “suporte”, no sentido de que se escoram sobre ele para, em última análise, poderem ser legitimados.
Fundamentos da crítica skinneriana aos determinantes internos do comportamento
O primeiro movimento que deve ser feito para a tarefa de fundamentação dessa unidade temática é explorar cada argumento levantado no subitem anterior. Como foi apontado logo acima, a estratégia de se iniciar com a justificativa do porquê Skinner considerar um equívoco as explicações internalistas servirá de fio condutor para o desenvolvimento dos demais argumentos. É importante deixar avisado ao leitor que esses primeiros argumentos que sustentam o fato de Skinner considerar as explicações internalistas um equívoco só têm sentido de serem desenvolvidos por conta de ajudarem a fundamentar os outros três argumentos levantados acima, esses sim mais claramente ligados a uma crítica à cultura. O texto que se segue pode aparentar se distanciar dos propósitos do presente capítulo: tal distanciamento, nunca é demais sublinhar, é apenas ilusório, na medida em que os outros três argumentos levantados – mais imediatamente relacionados com a crítica de Skinner à cultura contemporânea – se ancoram nele.
Os equívocos das explicações internalistas
É possível começar a descrever as críticas de Skinner às explicações internalistas a partir da razão que ele aponta para a existência de uma tendência a explicar as ações observáveis com base no que se passa dentro da pele dos sujeitos. Conforme essas razões forem sendo elucidadas, os contornos das explicações internalistas também o serão. Duas citações de Skinner servirão de fio condutor para essa empreitada.
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[...] por que temos atribuído tanta importância aos nossos sentimentos e estados da mente, a ponto de negligenciarmos o ambiente? A resposta parece estar na imediaticidade e proeminência dos estímulos. Muitos eventos relevantes em nossa história pessoal passaram sem serem notados. Por um lado, o comportamento em relação ao qual eles, em algum momento, se mostrarão relevantes ainda não ocorreu e não pode contribuir para as contingências que nos levariam a observá-los. E, se os tivermos notado, podemos rapidamente nos esquecer deles. Mas nossos sentimentos, “ideias”, “intenções sentidas” etc., frequentemente, se superpõem ao comportamento com os quais estão relacionados e ocorrem, usualmente, no exato lugar que seria ocupado por uma causa (de acordo com o princípio post hoc, ergo propter hoc) (Skinner, 1978a, 51)
Tendemos a dizer, muitas vezes de modo precipitado, que se uma coisa se segue a outra, aquela foi provavelmente causada por esta – de acordo com o antigo princípio segundo o qual post hoc ergo propter hoc (depois disto, logo causado por isto. [...] A pessoa com a qual estamos mais familiarizados é a nossa própria pessoa; muitas das coisas que observamos pouco antes de agir ocorrem em nossos próprios corpos e é fácil tomá-las como causa de nosso comportamento. (Skinner, 1982a/1974, p.13)
As duas citações destacam razões pelas quais a causa do comportamento é situada dentro do sujeito. Em analogia com o modo tradicional de se explicar fenômenos não comportamentais (como os movimentos dos corpos na Mecânica Clássica), o comportamento passou a ser um efeito de uma causa que imediatamente lhe antecede. Come-se porque se sente fome, dorme-se porque se tem sono, fica-se agitado por causa da alegria que anima o espírito. O que acontece dentro da pele de um sujeito é aquilo que constitui o acontecimento mais óbvio que antecede o que ele
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faz. Sentimentos, vontades, opiniões, crenças, pensamentos etc. são, assim, tomados facilmente como causas do comportamento. Soma-se a isso o impasse colocado pelo fato de ser evidente que eventos dispersos no tempo e no espaço afetam o agir. Como algo distante pode afetar o que se faz aqui e agora? A manobra epistemológica para superar esse impasse foi a seguinte: o mundo interno do homem exerce uma função mediadora entre eventos distantes no tempo e espaço e aquilo que ele faz. Assim, a ideia de que a causa do que se faz antecede imediatamente a ação mantém-se, supostamente, sustentável. As “lembranças” dos acontecimentos, o “armazenamento” de experiências pela memória, são correlatos internos de eventos que aconteceram fora dos sujeitos: preenchem, portanto, a lacuna temporal e espacial que separa os eventos com os atos que lhe estão relacionados. Nesse caso, “é natural tentar preenchê-las [as lacunas temporais e espaciais] com um relato do estado mediador do organismo” (Skinner, 1978a, p. 49). Esses “estados mediadores” ocorrem pouco antes de se agir; a ação, portanto, é uma derivação desses processos interiores. Em muitos casos, tais eventos tidos como causa podem ser acessados de modo independente, via introspecção. Tem-se consciência de um pensamento que antecede um ato, de um sentimento que é considerado a causa de uma ação, de uma imagem mental ou uma ideia que, supostamente, produz uma fala. É importante ressaltar que esse modo de