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Beslutninger og beslutningsmodeller

In document Innflytelse i en beslutningsprosess (sider 24-28)

1. Bakgrunn for oppgaven og problemstilling

3.4 Beslutninger og beslutningsmodeller

Foi visto que uma cultura envolve contingências entrelaçadas entre seus membros, em que o ambiente de um membro é produto do responder de outro. O entrelaçamento de contingências tem um produto que depende desse entrelaçamento. Tal produto pode retroagir sobre tal entrelaçamento, fazendo-o perpetuar-se. Esse produto manterá o entrelaçamento se tiver valor de sobrevivência à cultura: como apontou Skinner, práticas culturais (entendidas, aqui, como entrelaçamento de contingências que se perpetuam entre e intra gerações) serão mantidas quando ajudarem o grupo a solucionar seus problemas. Numa palavra, práticas culturais se mantêm pelo seu valor de sobrevivências ao grupo (cf., Skinner, 1998/1953, 1971, 2007/1981).

Uma questão que pode surgir diante dessas proposições de Skinner é a seguinte: se uma cultura mantém práticas que promovem sua sobrevivência, não é uma mera questão de tempo que ela se adapte ao ambiente e, portanto, sobreviva? Se as práticas culturais também estão submetidas às relações de variação e seleção, elas não serão sempre adaptativas, não tenderão sempre a sobreviver?

Se a resposta a essas perguntas fosse afirmativa, então nem faria sentido realizar uma crítica à cultura. A própria existência da prática seria sinal de seu sucesso. Do mesmo modo, não faria sentido nenhum planejar uma cultura, uma vez que as relações que determinam o comportamento já se encarregariam, naturalmente, dessa tarefa.

Por outro lado, então, como compreender a defesa insistente de Skinner em planejar a cultura (como em 1998/1953, 1971 e 2007/1981)? Na mesma linha, como entender o fato de que Skinner analisa algumas práticas correntes da cultura contemporânea ocidental, identificando “problemas” (como em 1978b, 1982a e 1986)? Não haveria uma inconsistência epistemológica no fato de Skinner falar em “planejamento da cultura” ou mesmo dizer que ela está em perigo?

O que pode aparentar ser uma inconsistência epistemológica de Skinner, no entanto, revela-se justamente o contrário: pareceria até estranho se, com o arsenal

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epistemológico, teórico e empírico inaugurado por Skinner ele fosse indiferente aos “rumos” trilhados pela cultura contemporânea ocidental. A argumentação que se segue sustentará essa posição e, ao fazê-lo, demonstrará que a teoria da AC não apenas tem subsídios para realizar uma crítica à cultura sem violar seus princípios mais básicos, como, tal como sustentado na introdução, tem na cultura o lócus privilegiado de sua intervenção.

Para dar início a presente argumentação, cabe apresentar uma citação de Skinner:

Não parece haver um meio pelo qual possamos testar o valor de sobrevivência de uma cultura in vacuo para determinar sua excelência absoluta. De outro lado, a sobrevivência temporária de uma cultura não é prova de sua excelência. Todas as culturas atuais obviamente sobreviveram, muitas delas sem mudar muito por centenas de anos, mas isto pode não significar que sejam melhores que outras que pereceram ou sofreram modificação drástica em circunstâncias mais competitivas. O princípio de sobrevivência não nos autoriza a alegar que o status quo deve ser bom porque existe agora (Skinner, 1998/1953, p.469)

Muitos pontos merecem destaque nessa citação. Primeiro: Skinner diz que não é possível determinar o valor de sobrevivência de uma cultura in vacuo. Isso quer dizer que, por mais que uma prática cultural possa ser analisada e, dessa análise, se suponha a força da prática em se manter pelos seus produtos, o crivo final de seu valor de sobrevivência não é dado por uma delegação intelectual, mas pelo fato de a prática se perpetuar, ou, em outras palavras, se a prática for selecionada. “Podemos introduzir novas práticas culturais ou, raramente, arranjar contingências especiais de sobrevivência [...]. Mas, tendo feito essas coisas, temos que esperar que a seleção ocorra” (Skinner, 2007/1981).

Apesar disso, Skinner prossegue dizendo que o fato de uma cultura sobreviver temporariamente não é sinal de excelência. A frase é mais impactante do que parece: se uma prática sobrevive, ela produziu algo que foi importante para o grupo: de algum modo, ela produziu condições para o grupo sobreviver. No entanto, nada garante que

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essa sobrevivência seja uma sobrevivência a longo prazo: se uma prática cultural produz algo que favorece à cultura sobreviver, outros produtos dessa prática, que por alguma razão não tiveram poder retroativo sobre ela, podem se acumular em surdina, a ponto de, a longo prazo, produzirem ameaça ou mesmo comprometer a sobrevivência da cultura. Em outras palavras, Skinner está diferenciando o que ele chama de “excelência” da cultura, ou sua “força”, do fato de ela manter práticas que promovem sua sobrevivência imediata. Essa distinção é crítica: o fato de uma prática se manter não significa que ela contribua para a sobrevivência da cultura a longo prazo, mas apenas que ela contribuiu para sobrevivência imediata.

É por essa razão que seria tolice dizer que se uma cultura mantém uma prática foi para seu “bem”, ou porque essa prática provou ser útil à sobrevivência ao grupo: certamente, a prática produziu algo importante para a manutenção do grupo; nada garante que essa prática, a longo prazo, produza sobrevivência da cultura. Nesse sentido, o status quo de que fala Skinner não é argumento para uma prática ser defendida. Uma prática pode ser letal mesmo tendo sido selecionada: e isso pelo fato de que as contingências que as mantêm só a selecionarem pelo seu valor a curto prazo.

É exatamente por essa razão que Skinner ressalta o valor do planejamento cultural. E quando o faz, não é difícil identificar a diferença entre um produto de uma prática que a mantém pelo seu valor de sobrevivência imediato, e um produto de uma prática que, com arranjo de contingências especiais, podem favorecer a sobrevivência da cultura em longo prazo.

Uma ciência rigorosa do comportamento torna eficaz um tipo diferente de conseqüência remota quando nos leva a reconhecer o valor de sobrevivência como um critério de avaliação de um procedimento controlador. [...] Felicidade, justiça, saber etc. não estão longe de certas conseqüências imediatas que reforçam o indivíduo ao selecionar uma cultura dada ou prática em vez de outra. Mas assim como a vantagem imediata obtida pela punição é igualada finalmente por desvantagens posteriores, essas conseqüências imediatas de uma prática cultural podem ser seguidas por outras de um tipo diferente. Uma análise científica pode nos levar a resistir

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à atração mais imediata da liberdade, da justiça, do conhecimento ou da felicidade ao considerarmos as conseqüências da sobrevivência a longo prazo (Skinner, 1998/1953, p.47446)

A seleção de práticas culturais pode operar de modo a produzir o próprio colapso do grupo. Assim acontece com a seleção natural e com a seleção operante: genes ou operantes que se provem importantes numa dada ocasião podem, por uma mudança brusca e “imprevista” do ambiente, deixarem de sê-lo. Não há razão para que as práticas culturais fujam a essa regra. E, mais: mudanças em operantes cujo valor de sobrevivência para o organismo, por exemplo, podem ocorrer em um curto intervalo de tempo, seja por extinção ou fortalecimento de novo repertório, seja por que alguém especifica um comportamento adequado para uma nova situação. Mudar práticas requer mudar um conjunto complexo de contingências, já que, de modo geral, constituem em entrelaçamentos de contingências. Se não houver previsão, planejamento nas práticas culturais, não é improvável que mudanças ambientais ou efeitos “imprevistos” das práticas ocorram de modo a comprometer a sobrevivência do grupo em um intervalo de tempo menor do que ele for capaz de produzir alguma solução.

Então, é especialmente por conta do fato de que as práticas culturais podem ser mantidas a despeito de seus efeitos em longo prazo sobre a sobrevivência da cultura, que elas podem ser alvo de crítica. E “crítica” neste sentido específico: as práticas podem produzir, em surdina, a ameaça à sobrevivência do grupo. Crítica, aqui, não implica, ao menos imediatamente, nenhum “juízo de valor”: é apenas uma relação estabelecida entre uma prática e seu efeito a longo prazo. Quando esse efeito estiver relacionado à ameaça à sobrevivência de uma cultura, a prática poderá ser alvo de crítica.

Essa argumentação mostra-se importante para dar prosseguimento ao trabalho. O capítulo que se segue está voltado para a crítica de Skinner à cultura contemporânea. Dois avisos devem ser feitos, avisos que se derivam da argumentação sustentada neste item.

46 Não é uma prática muito bem vista no meio científico utilizar “apud”, “citado por...” e congêneres,

ainda mais quando quem é citado indiretamente é o autor de referência do trabalho. No entanto, deve- se apontar, aqui, o fato do texto de Andery (1997) ter atentado para esta citação de Skinner que passou

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Em primeiro lugar, a crítica de Skinner à cultura não incide sobre operantes que não se perpetuem entre ou intra gerações. Ela é uma crítica sobre práticas culturais. Por definição, elas envolvem entrelaçamento de contingências e perpetuação intra e entre gerações47.

O outro aviso, talvez o mais importante, refere-se a quando uma prática poderá ser alvo de crítica. Foi visto que, em última análise, o será quando for produtora de ameaça à sobrevivência da cultura. Enquanto não se fizer um elo entre uma prática cultural e a ameaça à sobrevivência da cultura, não se estará justificando as razões pelas quais a prática é alvo de crítica.

Esses dois avisos servem, inclusive, de critério para avaliação da consistência, ou não, do texto correspondente ao próximo capítulo.

batida quando o texto citado foi lido diretamente.

47 Mesmo quando se der ênfase a operantes, e não exatamente às práticas, a análise da cultura não

perderá terreno: operantes mantidos pelo grupo têm sua gênese em entrelaçamento de contingências. É difícil pensar em um operante, no caso humano, que não tenha sido gerado pela participação de outro ser humano. É nesse ponto que é importante atentar para o fato de operantes, enquanto classes de respostas, serem distintos de instâncias de classes de respostas: as classes indicam um grupo de respostas selecionado ao longo do tempo: tem, portanto, uma história que dificilmente escapará da influência de contingências arranjadas pela cultura. Ainda assim, um critério deve especificar quando esses operantes podem ser selecionados para a análise e crítica da cultura: quando eles se perpetuarem entre gerações e intra gerações. Isso é o maior atestado de que eles são produtos da cultura (embora, obviamente, não exclusivamente dela).

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Capítulo 3 - A CRÍTICA DE SKINNER À CULTURA

CONTEMPORÂNEA

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