4. OECDs endringsforslag
4.4 Foreslåtte profittfordelingsmetoder
4.4.2 Formelbasert fordelingsmetode
Esta dissertação apresenta uma interpretação desse campo de pesquisa, que se desenvolveu em meio a observações, seguindo a abordagem etnográfica, que compreende a análise dos dados observados no decorrer da investigação, permitindo distinguir os resultados da observação, as interpretações nativas e as inferências do autor. Conforme Malinowski (1978),
Os princípios metodológicos podem ser agrupados em três unidades: em primeiro lugar, é lógico, o pesquisador deve possuir objetivos genuinamente científicos e conhecer os valores e critérios da etnografia moderna. Em segundo lugar, deve o pesquisador assegurar boas condições de trabalho, o que significa, basicamente, viver mesmo entre os nativos, sem depender de outros brancos. Finalmente, deve ele aplicar certos métodos especiais de coleta, manipulação e registro da evidência (MALINOWSKI, 1978, p. 20).
Em sua perspectiva, um trabalho etnográfico só terá realmente valor científico se o pesquisador permitir-se realizar a distinção entre os resultados da observação, das afirmações e das interpretações apresentadas pelos sujeitos pesquisados, de um lado e, do outro, as deduções do pesquisador, extraídas sob seu conhecimento e perspectiva instituídos ao longo de sua formação. Em base a essas pressuposições, desenvolvi a pesquisa de campo, a fim de compreender as vivências, as experiências, as opiniões acerca das práticas de escrita dos estudantes do Curso de Letras/UFC no meio digital.
Os estudos que compreendem o processo desta observação apresentam como base a antropologia interpretativa, a descrição densa (GEERTZ, 1989), que focaliza os significados e as suas interpretações. No caso desta pesquisa, observo como se desenvolvem as relações de escrita entre os próprios estudantes, bem como em meio a eles e aos professores de Letras/UFC no meio digital e acadêmico, como se constituem as variadas formas de escrita advindas do meio digital ao seu sistema linguístico e como as variadas produções escritas desses discentes decorrem diante das interações sociais distintas.
Com esta pesquisa etnográfica, pretendo, sob a perspectiva de Geertz (1989), entender os sujeitos pesquisados, construindo um sistema de análise em que a compreensão vai muito além dos conceitos empíricos evidentes, pois o trabalho de campo abrange interpretações, como um pensamento criativo e dinâmico. Então, não me apreendi apenas à
realidade concreta e engessada do grupo pesquisado, porque me envolvi com a compreensão de seu discurso social26.
Nesse contexto de análise, Geertz (1989) afirma que o pesquisador deve se atentar para o comportamento dos sujeitos pesquisados, pois é por meio do fluxo do comportamento ou mesmo da ação social que as formas culturais encontram articulação. Assim, o significado das ações observadas emerge dos lugares que os sujeitos desempenham no padrão de vida decorrente, e não somente de quaisquer relações que mantenham umas com as outras.
Nessa perspectiva, a antropologia não deve ser compreendida isolada de seu contexto, pois
O que o etnólogo enfrenta, de fato- a não ser quando (como deve fazer, naturalmente) está seguindo as rotinas mais automatizadas de coletar dados- é uma multiplicidade de estruturas conceptuais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas uma às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplíxitas, e que ele tem que, de alguma forma, primeiro apreender e depois apresentar (GEERTZ, 1989, p. 7).
Dessa forma, Geertz (1989) afirma que a prática etnográfica não é uma questão de métodos, e sim estabelecer relações, selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear campos, manter um diário, ações que requer um tipo de esforço intelectual. Nesse sentido, a etnografia é compreendida sob sua análise de multiplicidade de estruturas conceituais complexas, sobrepostas umas às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplícitas.
Dessa mesma forma, sob a análise de Peirano (2014, p. 2),
Tudo que nos surpreende, que nos intriga, tudo que estranhamos nos leva a refletir e a imediatamente nos conectar com outras situações semelhantes que conhecemos ou vivemos (ou mesmo opostas), e a nos alertar para o fato de que muitas vezes “a vida repete a teoria”.
A autora afirma, ainda, que a teoria se aprimora ao deparar-se com as experiências ocorrentes em campo, daí a importância da inter-relação entre a teoria e as vivências decorrentes da investigação.
Na perspectiva de Peirano (1995), os estudos que se fundamentavam em meio à “etnografia de varanda” até foram importantes, mas somente antes da década de 1920. Nesses processos investigativos, os pesquisadores não se envolviam, nem se adentravam ao meio cultural dos nativos, pelo contrário, sentavam-se comumente em uma varanda ou em um
26Assim como Geertz (1989), destaco a importância da descrição densa para análise do discurso e da apreciação
dos significados de uma determinada cultura pesquisada, a fim de entender como se dão as relações entre os indivíduos em coletividade. Assim, procuro compreender e interpretar o ponto de vista de uma cultura, englobando uma produção de sentido, que analisa o discurso e realiza uma reflexão. Uma pesquisa direcionada a um aspecto do grupo estudado, observado, ou seja, à produção de um recorte específico dos sujeitos pesquisados.
convés de navio em trânsito local e solicitavam às pessoas originárias daquela localidade para que pudessem informar os dados requisitados por eles, que, no caso, expunham em seus escritos apenas aquilo que lhe era informado, limitando-se a meras confirmações expostas por aqueles indivíduos selecionados. E os questionamentos reproduzidos pelo pesquisador, será que, de fato, conformava-se unicamente com respostas prontas e acabadas daquelas pessoas escolhidas?
Nessa perspectiva, a investigação estabelece-se sob uma composição de materiais coletados pelo pesquisador entre os sujeitos pesquisados. Portanto, a pesquisa etnográfica constitui-se a partir do diálogo entre nativo e antropólogo em meio ao observar, assim, há a representação do outro, diante do falar sobre ele, dele, descrevendo-o perante a reprodução composta no decorrer da pesquisa. É nesse sentido que o pesquisador se torna o agente da etnografia, atuando na pesquisa não somente como investigador, mas integrando-se ao meio pesquisado.
No próximo subitem, realizo um apanhado de como decorreu minha aproximação com os sujeitos pesquisados nos momentos de investigação, desde a minha inserção na Universidade, as primeiras conversas com os alunos nos ambientes acadêmicos, como biblioteca, cantina, bosque, laboratório de informática, até o acompanhamento dos alunos do Curso de Letras/UFC no contexto de suas aulas da disciplina LPTA, bem como em suas produções escritas no meio digital e acadêmico e a constituição dos grupos focais.