6 Discussion
6.1 Discussion of the results
6.1.3 Formalization of restraint during medical procedures?
Já que houve um crescimento na produção científica nacional, é necessário compreender como o pesquisador se comporta em relação à comunicação científica. Paralelamente ao processo de comunicação, ocorre a colaboração científica, almejando o reconhecimento da comunidade científica. A colaboração científica está presente desde os tempos mais remotos, embora, em muitas épocas, tenha sido altamente elitista e exclusivista, como no caso dos membros das sociedades dos séculos XVII e XVIII. (MEADOWS, 1999; ZIMAN, 1981).
Segundo Beaver e Rosen (1978), o primeiro artigo científico escrito em colaboração científica entre diferentes pesquisadores surgiu em 1678. Sendo assim, a troca de idéias para se fazer ciência não é uma característica da atividade científica contemporânea, apesar de permanecer a idéias de que a ciência não pode ser vista como um trabalho individual. Uma única pessoa não poderia, sem alguma contribuição, dar conta da complexidade de um trabalho de pesquisa, porém chamo a atenção para a área de Humanas, na qual essa premissa é relativizada. Obras de referência, como as de Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes, Milton Santos, Caio Prado Junior, etc. são todas individuais. Nessa área, a constituição do pensamento (como algo de referência) é, na maioria das vezes, um trabalho individual. Embora saibamos, por exemplo, que o pensamento de Anísio Teixeira é construção dele, não podemos ignorar que ele adquiriu seu conhecimento com a leitura de outras obras. O que se pode afirmar, então, é que a ciência provém de um trabalho coletivo e cumulativo. Cumulativo à medida que os pesquisadores sempre recorrem a resultados já obtidos por seus pares para alcançarem seus objetivos de pesquisa.
De acordo com Balancieri (2004, p. 15),
de uma maneira genérica, a colaboração científica é um empreendimento cooperativo que envolve metas comuns, esforço coordenado e resultados ou produtos através dos quais os colaboradores compartilham a responsabilidade e o crédito. Assim a colaboração científica oferece uma fonte de apoio para melhorar o resultado e maximizar o potencial.
Ao se falar de contribuição científica, estamos referindo-nos à contribuição entre pesquisadores para o desenvolvimento de um projeto científico, mas não se pode esquecer que o resultado final da contribuição científica seja, necessariamente, a co-autoria em publicação. A contribuição pode ser desde um aconselhamento a respeito de idéias até a participação direta em um projeto de pesquisa. O que se pretende enfatizar, é que um colaborador pode não ser um co-autor, mas muitas vezes um colaborador pode tornar-se um co-autor por fornecer dados, materiais ou simplesmente por contribuir com alguma operação de rotina.
Em outros casos, conforme relata Balancieri et al. (2005, p.23), “pesquisadores de diferentes organizações podem colaborar através do uso coletivo de dados ou idéias, de correspondência ou discussões em conferências, de visitas ou da execução, de maneira separada, de diferentes partes de um projeto e da integração posterior dos resultados e da análise”. Os motivos que levam os cientistas a colaborarem entre si, podem ser de diferentes naturezas: a necessidade de contribuição especializada, otimização de recursos materiais e financeiros.
Mesmo não sendo sinônimo de colaboração, a co-autoria é um indicador, ainda que parcial, de que houve um trabalho compartilhado entre indivíduos que dividem a autoria de determinado trabalho científico. Nesta tese, as características de colaboração científica são investigadas por meio das co-autorias. A maior vantagem destes estudos é que permitem reunir uma quantidade razoável de dados que podem ser reproduzidos e utilizados por outros pesquisadores e que se constituem em uma amostra expressiva, pois permitem resultados estatísticos bem significativos. (KATZ; MARTIN, 1997).
A existência da colaboração científica implica o estabelecimento de redes informacionais entre os cientistas. Dessa forma, essas redes informacionais fazem parte do conhecimento científico.
O avanço das tecnologias de comunicação, aliado às facilidades dos meios de transporte, aumentou o número de redes de colaboração (MEADOWS, 1999). Conforme relata Silva (2002, p.121):
Na ciência, a imagem do cientista como um ser isolado faz parte do passado. Na atualidade, o processo de produção do conhecimento
científico requer associações, negociações, alinhamentos, estratégias e competências para interligar o maior número de elementos que darão viabilidade à construção do conhecimento.
Geralmente, os resultados finais de um projeto são expressos em forma de publicação. Para Macedo (1999), o trabalho publicado é resultado de uma série de informações e conhecimentos que são trocados informalmente no âmbito de redes de suporte, as quais são consolidadas ao longo do tempo pelas várias comunidades científicas.
Merlin e Persson (1996) acreditam que a colaboração é como uma intensa forma de interação para efetivar a comunicação bem como para compartilhar competências e recursos. Na realidade, o compartilhamento de recursos é incentivado pela política científica como forma de reduzir custos. A colaboração científica é uma prática utilizada com mais freqüência em determinadas áreas do conhecimento humano. Porém, independentemente dos motivos e das especificidades de cada área, é possível afirmar que a co-autoria de produtos gerados pela atividade científica, particularmente de publicações científicas, é um indicador de colaboração. (KATZ; MARTIN, 1997; KIM, 2006; NEWMAN, 2004).
Os estudos sobre colaboração científica têm sido desenvolvidos, principalmente, através das redes de citação, sendo que, atualmente, tem sido observado um crescimento nos estudos de colaboração utilizando redes de co-autoria. Os dois tipos de estudo são bem distintos, pois, nas redes de citação, os autores são os artigos citados e revelam a estrutura de um campo acadêmico, enquanto nas redes de co-autoria, os atores são os autores e revelam a estrutura de determinada comunidade acadêmica. (NEWMAN, 2004).
A colaboração científica é vista como indicador de produção científica, sendo que uma das formas de colaboração científica é a co-autoria. Espera-se verificar, nesta pesquisa, se os pesquisadores que publicam na RBE e na RBHE, seguem esta tendência de publicação. A princípio, parte-se da idéia de que a área de Educação e, mais especificamente, a História da Educação, seguem a tendência das ciências humanas da publicação individual.