4. Theoretical Framework
4.4. Coping mechanisms
4.4.2. Formal coping strategies
O presente trabalho permitiu estabelecer algumas compreensões acerca dos problemas enfrentados pelas empresas exportadoras, principalmente, no tocante ao financiamento de sua produção e comercialização.
É notório que o governo, através de seus diversos organismos de apoio ao comércio exterior, como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Ministério das Relações Exteriores, Instituições Financeiras Oficiais e outros, empreende um grande esforço no sentido de incrementar a corrente de comércio internacional brasileira, notadamente em relação ao processo de exportação. E que esses esforços, muitas vezes, não são transformados em benefício às empresas que praticam o comércio exterior, principalmente para aquelas de menor porte.
Prova disso é o hiato observado entre o montante contratado de exportações, anualmente, em relação ao volume de operações contratadas, em nível de crédito à exportação, especialmente aquelas mais utilizadas, qual seja: adiantamento sobre contratos de câmbio (ACC), adiantamento sobre cambiais entregues (ACE), Proex e as linhas do BNDES específicas para a exportação.
Sobre o ACC e ACE, instrumentos privados, que, ainda, se apresentam como os principais mecanismos de financiamento demandados pelas empresas exportadoras, vale refletir sobre a sua fragilidade e volatilidade, especialmente por terem como ¨funding¨ captações de recursos externos.
Recentemente, com a crise imobiliária americana (sub-prime) que afetou diretamente o sistema financeiro dos Estados Unidos, com alcance em outros continentes, envolvendo, principalmente, bancos investidores de renome, houve um recrudescimento da oferta de linhas de crédito a bancos brasileiros, as quais têm como finalidade a geração do citado ¨funding¨,
que possibilita a alocação dos recursos necessários à oferta, através das Instituições Financeiras autorizadas a operar em Câmbio, de operações de ACC / ACE. Este fato não só resultou em diminuição da oferta desses mecanismos de financiamento, como, principalmente, acarretou a elevação dos encargos incidentes sobre tais modalidades de crédito, afetando, direta e especialmente, as micro, pequenas e médias empresas exportadoras.
Neste sentido, para a manutenção do sistema em equilíbrio e em processo de contínuo crescimento, faz-se oportuna a existência de outros instrumentos de financiamento, com características semelhantes, mas que não apresentem, como lastro, a vinculação a captações externas, para não torná-los um produto volátil e sensível a questões exógenas.
Já se observa, no entanto, uma forte presença do governo brasileiro que, agindo através de suas Instituições Financeiras, implementou mecanismos de financiamento próprio, com fonte de recursos doméstica, como: o PROGER Exportação - BB (Banco do Brasil) e o PROGER Exportação – Caixa (Caixa Econômica Federal), cuja fonte de recursos é o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Cresce Nordeste Exportação (Banco do Nordeste do Brasil), que tem como fonte o Fundo Constitucional para Financiamento do Nordeste (FNE), os quais têm como objetivo apoiar as empresas exportadoras, principalmente as de micro, pequeno e médio porte, uma vez que os instrumentos oficiais de suporte existentes, como o ¨Proex¨, operacionalizado pelo Banco do Brasil, e as linhas do BNDES para exportação, não têm tido um alcance eficaz junto a esse público, conforme pôde ser observado na análise da pesquisa.
Outro fato relevante, ratificado na pesquisa, é o baixo nível de conhecimento sobre os mecanismos de financiamento à exportação existentes no mercado, seus benefícios e função, tornando-os, simplesmente, produtos de prateleira.
Esse aspecto preocupa, principalmente se analisado juntamente com outros fatos evidenciados na pesquisa, como: o baixo grau de importância dado pelas empresas aos
baixo nível de conhecimento e utilização das linhas de financiamento por parte das empresas iniciantes e por aquelas que têm exportação esporádica, e que, na maioria das vezes, apontam a existência de recursos próprios e / ou obtenção de capital de giro doméstico como alternativa a não demanda por instrumentos financeiros de suporte à exportação, quando aqueles, como é sabido, muitas vezes são mais caros e inadequados, em função do prazo e da sua finalidade.
Portanto, faz-se necessário um maior aprofundamento sobre os aspectos apontados, no sentido de dar mais visibilidade e utilização às linhas disponíveis e diminuir o grande hiato existente entre o montante contratado, a título de exportação, e o que efetivamente se financia desse volume.
Outro ponto de inferência na pesquisa, é que não adianta se dispor de grande quantidade de produtos disponíveis no mercado, sem uma conseqüente aderência, desses produtos, às necessidades impostas pelo mercado internacional, refletidas diretamente nas demandas das empresas exportadoras.
Fica evidente, portanto, que a simples oferta de linhas de financiamento à exportação é um aspecto necessário, mas não suficiente para o incremento do comércio exterior.
Por fim, fruto da análise e resultado da pesquisa, deduz-se que os mecanismos de financiamento disponíveis no mercado não estão atendendo, em sua plenitude, às demandas das empresas exportadoras nordestinas, notadamente em função de exigências de seus clientes externos que, muitas vezes, têm no mercado globalizado outras ofertas de produtos semelhantes, cuja diferença, para concretização do negócio, está na facilidade em termos de condições de pagamento (prazo, encargos, garantias, etc).
Para finalizar, este trabalho mostrou aspectos importantes vivenciados pelas empresas exportadoras do Nordeste brasileiro que possibilitou fazer as reflexões abaixo assuntadas:
1. Sob o ponto de vista profissional:
• Maior efetividade, por parte dos formuladores e ofertantes de linhas de financiamento, em relação ao processo de ausculta, comunicação e disseminação desses mecanismos;
• Formatar produtos buscando aderência à real necessidade dos exportadores, sob a ótica do mercado, mas, acima de tudo, observando o grau de volatilidade frente aos ditames externos; e
2. Sob o ponto de vista acadêmico:
• Pesquisar qual o grau de correlação existente, sob o ponto de vista do nível de conhecimento e utilização dos mecanismos de financiamento, entre as empresas exportadoras que possuem pessoas com especialização em comércio exterior coordenando tal processo e aquelas que não dispõem de especialistas exercendo tal atividade.