5.ANÀLISIS DE DADES I RESULTATS
5.1. Formació del professorat
A pergunta - Se respondeste Não, diz se pretendes entrar já no mercado de trabalho - dirigia-se apenas aos alunos que, na pergunta anterior, haviam respondido não desejar continuar os estudos para além do 12º ano.
12.1. Escola Secundária Marquês de Pombal
80% dos inquiridos da Escola Secundária Marquês de Pombal não responderam à pergunta; 2,9% responderam negativamente, enquanto que 17,1% afirmaram desejar entrar já no mercado de trabalho. A análise do item seguinte permitiu verificar que 1 aluno que não respondeu a esta questão (incluído, portanto, nos 80% de não- respondentes), a frequentar o curso tecnológico Electrónica/Electrotecnia, deseja ser técnico de electrónica, o que significa que o inquirido deseja entrar no mercado de trabalho e não respondeu porque, provavelmente, não entendeu a pergunta, devendo, pois, ser acrescentado aos 17,1% que responderam afirmativamente à questão agora em análise.
Como entender a situação dos 2,9% de inquiridos que responderam Não, ou seja, que não desejam prosseguir os estudos e também não tencionam entrar já no mercado de trabalho? Numa tentativa de compreensão, fomos estudar estes casos em particular,
analisando as respostas aos restantes itens, nomeadamente ao imediatamente posterior a este: Se respondeste Não às duas questões anteriores (relacionadas com o desejo de prosseguir os estudos e de entrada imediata no mercado de trabalho), diz o que pretendes fazer após o 12º Ano.
São 3 os alunos nestas condições. Um deles é o referido atrás, que deseja prosseguir os estudos e não deveria, portanto, ter respondido, de acordo com as instruções do questionário. Dos outros 2, 1 quer ser futebolista (mas não sabemos se encara o futebol como fazendo parte do mercado de trabalho) e outro, aluno do curso tecnológico Electrónica/Electrotecnia, pretende fazer um curso do CENFIC (Centro de Formação Profissional protocolar promovido pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e Associação dos Empreiteiros de Construção Civil e Obras Públicas).
Este desejo de prosseguir uma formação complementar demonstra a influência positiva das sessões de orientação escolar e profissional levadas a cabo pela psicóloga da escola, embora para este aluno do curso tecnológico de Electrónica/Electrotecnia, fosse mais indicado o curso do CINEA, também um Centro de Formação Profissional protocolar do Instituto do Emprego e Formação Profissional e da Associação das Indústrias de Electricidade e Electrónica, como nos foi explicado pela mesma profissional. Em todo o caso, o aluno tomou conhecimento da existência destes cursos de complemento de formação profissional, o que lhe permite aceder a uma melhor preparação para uma futura carreira.
Finalmente, o item agora em análise, cruzado com a pergunta seguinte – Se respondeste Não às duas questões anteriores, diz o que pretendes fazer após o 12º ano – permitiu verificar que 1 dos inquiridos, do sexo feminino, de 17 anos, não deseja prosseguir os estudos e não respondeu à pergunta sobre a entrada imediata no mercado de trabalho. Esta jovem, a frequentar o 4º agrupamento geral Humanidades, deseja interromper os estudos para “frequentar alguns cursos alternativos (artesanato, Astronomia, etc.) e viajar”. Na pergunta aberta, escolheu a opção b) “Vou tirar o curso de que realmente gosto. Na verdade...” e completou-a dizendo que quando o tirar, porque acho que não vai ser brevemente, espero aproveitá-lo de maneira a conseguir adaptar-me ao mercado de trabalho. Não respondeu à pergunta sobre o curso pretendido nem indicou a profissão que deseja exercer, mencionando a de psicóloga como a mais provável. O curso e a carreira profissional não parecem aqui ser encarados como algo que faz parte da realização pessoal, e estamos, antes, perante uma visão desencantada do “mundo do trabalho” a que se espera conseguir adaptar, o que sugere desde logo uma antecipação
de dificuldades provavelmente insuperáveis. O interregno pretendido poderá ser uma pausa para reflectir sobre a forma de enfrentar esta realidade pouco atraente, tanto mais que esta jovem se mostra um tanto confusa em relação ao caminho a seguir a curto prazo, misturando artesanato com astronomia (Que conceito terá a aluna desta ciência? Ou referir-se-á à astrologia?) e com viagens.
A este propósito, achamos bastante esclarecedora a conversa informal que tivemos com a psicóloga da escola, acerca das dificuldades que muitos alunos têm de encarar uma carreira profissional, aceitando o esforço e perseverança que isso implica. O desejo do imediato e uma certa imaturidade favorecidos pela certeza da “mesada que os pais vão mantendo”, aliados a padrões familiares que privilegiam o trabalho “certo” mesmo que desinteressante, que exija pouco esforço e onde os direitos aparecem sobrepostos aos deveres, fazem com que a formação para a carreira se torne tarefa difícil para a escola. Segundo aquela profissional, esta situação levará o seu tempo a alterar-se, já que as projecções veiculadas pela família prevalecem sobre qualquer outro modelo que a escola tente fazer passar.
Voltando aos alunos que desejam uma entrada imediata no mundo do trabalho, seria de esperar que frequentassem todos cursos tecnológicos. Tal não acontece, porém. Com efeito, 3 alunos (16,7% dos que responderam afirmativamente à pergunta em causa) frequentam cursos gerais – 1, o curso geral Científico-Natural e 2, o curso geral Humanidades. Em princípio, encontrar-se-ão pouco preparados para a vida activa. Analisados estes 3 casos, o que sobressai é a idade elevada, pois têm todos 19 anos, a sugerir insucesso escolar anterior que os terá desmotivado para o prosseguimento dos estudos.
12.2. Escola Secundária do Restelo
4,6% dos inquiridos desejam ingressar no mercado de trabalho logo após a conclusão do 12º ano de escolaridade. 94,7% não responderam à questão e 1 (0,7%) respondeu negativamente.
Quem é, então, o aluno que não deseja prosseguir os estudos e também não deseja ingressar no mercado de trabalho após ter concluído o ensino secundário? Trata-se de uma aluna de 17 anos, do curso tecnológico de Comunicação, que deseja fazer um curso intensivo, não tendo indicado a designação do curso nem a sua natureza. Ainda não escolheu a profissão que poderá vir a exercer, mas refere, como provável, a de
educadora de infância. O ramo da ciência que mais a atrai é a astrologia e não fez testes de orientação escolar e profissional.
Não poderia esta aluna beneficiar com a frequência das sessões de orientação escolar e profissional na escola? Cremos que sim, tanto mais que provem dum meio socioeconómico baixo (pai trabalhador de produção e mãe trabalhadora de comércio e serviços) onde, em geral, não se procura, nem se pode custear estes serviços fora da escola.
Gostaríamos de salientar que os alunos que declararam desejar entrar de imediato no mercado de trabalho frequentam cursos tecnológicos, à excepção de 1. O cruzamento dos dados relativos a este último aluno revelaram que só poderá ter respondido afirmativamente a este item por lapso, já que se trata de um aluno de 17 anos, a frequentar o agrupamento geral Humanidades, que deseja tirar o curso de Sociologia.
12.3. Breve análise comparativa
Se compararmos os resultados das duas escolas, verificamos uma reduzida percentagem de alunos da Escola Secundária do Restelo que desejam entrar já no mercado de trabalho relativamente aos da Escola Secundária Marquês de Pombal. Esta última escola é com efeito, uma escola mais vocacionada para a preparação para a vida activa, funcionando com uma maioria de cursos tecnológicos, daí que a diferença percentual apontada nos pareça compreensível. Aliás, os alunos da Escola Secundária do Restelo que pretendem a entrada imediata no mundo do trabalho frequentam todos cursos tecnológicos.
Verificou-se, também, que alguns dos alunos da Escola Secundária Marquês de Pombal que desejam começar a trabalhar após o ensino secundário estão inscritos em cursos gerais, apresentando uma idade elevada relativamente à faixa etária normalmente encontrada no 12º ano de escolaridade.