• No results found

5   Analyse  og  drøfting

5.2   Formål  med  norskundervisningen

A indústria brasileira de linha branca iniciou-se na década de 40 e foi basicamente caracterizada por um número reduzido de grandes empresas familiares de capital nacional. Essa configuração sofreu significativas mudanças dos anos 70 aos anos 90, acompanhando as tendências internacionais.

Ainda na primeira metade da década de 90, foi deflagrada uma onda de aquisições e as empresas brasileiras foram gradualmente sendo incorporadas por poucos e grandes grupos estrangeiros, ganhando acesso a inovações e iniciando um processo de rearranjo patrimonial que acompanhava a tendência mundial. Uma das principais conseqüências foi a desnacionalização do capital produtivo (GITAHY e CUNHA, 1998).

Em 1993, a sueca Electrolux fechou um acordo de transferência de tecnologia com a Refripar, então proprietária da marca Prosdócimo. Dois anos depois, houve a compra definitiva. Em 1994, a alemã Bosch Siemens adquiriu a Continental e, em 1997, a americana

Whirpool assumiu o controle acionário da Multibrás (Brastemp e Cônsul), Brascabo e

Embraco, esta última fornecedora do mais importante componente dos refrigeradores, o

compressor. A Dako, tradicional fabricante de fogões, foi encampada pela americana General

Eletric, em 1996 e, posteriormente pela Mabe. Atualmente, conforme Cunha, cerca de 90%

do faturamento do setor é controlado pelas grandes empresas líderes mundiais.

Assim, a existência de um número reduzido de grandes empresas familiares nacionais na década de 70 foi substituída na década de 90, por um número também reduzido de grandes empresas sob controle dos principais conglomerados estrangeiros,. De acordo com Martins (1999), a participação dos estrangeiros no segmento de eletrodomésticos passou de 30% em 1990 para cerca de 70% em 1999.

Esta nova conjuntura provocou uma nova ordem entre as empresas que atuavam neste mercado. Forçadas a estabelecer associações estratégicas ou a se fundir com empresas multinacionais, intensificaram os processos de reestruturação produtiva e organizacional, passaram a investir cada vez mais na ampliação da capacidade produtiva, seja através da modernização de plantas já existentes, ou através da abertura de novas plantas, ampliaram suas vendas no mercado interno, aumentaram as exportações, e também modificaram a localização da cadeia produtiva (GITAHY e CUNHA 1998; CUNHA, 2003).

O movimento de aquisição de empresas também atingiu segmentos fornecedores da cadeia brasileira, com destaque para os fornecedores de compressores herméticos – o mais importante componente dos aparelhos de refrigeração (CUNHA, 2003).

Além disso, as inovações técnicas e organizacionais e os movimentos de terceirização levaram ao enxugamento de seus níveis hierárquicos e conseqüentemente a redução do número de empregados (PERTICARRARI, 2003).

De acordo com Mendes e Toledo (1997), esse forte processo de desnacionalização provocado pela entrada de capital multinacional, foi motivado pela estabilidade econômica, pela dimensão, pelo pequeno número de fabricantes até então existentes e pela potencialidade do mercado brasileiro.

Já para Cunha (2003), a entrada desses gigantes no Brasil deu-se por dois fatores em especial:

1) Por conta da ação estratégica desenvolvida pelas multinacionais, interessadas na conquista de um novo e amplo mercado, que apresentava como diferencial uma bem estruturada cadeia produtiva, aqui considerados os fornecedores de componentes. Além disso, exportar eletrodomésticos, sobretudo os não-portáteis, como geladeiras, fogões e lavadoras de roupa, é uma tarefa complicada. Além de volumosos, os equipamentos não apresentam um elevado valor agregado. Assim, estando no Brasil, seria mais fácil para as multinacionais colocarem seus produtos nos países sul-americanos. Estes, por sua vez, reúnem um número extremamente interessante de consumidores potenciais.

2) O segundo fator que favoreceu a desnacionalização do setor foi o interesse dos empresários nacionais na possibilidade de extensão de seu horizonte de rentabilidade, por meio do acesso à capacitação tecnológica e organizacional, aos recursos financeiros e aos mercados externos das grandes empresas líderes mundiais. Diante dessa perspectiva, os proprietários das montadoras brasileiras foram, pouco a pouco, transferindo o controle das empresas para as gigantes do ramo.

Atualmente, o mercado brasileiro é dominado por quatro grandes conglomerados:

A americana Whirlpool Corporation é a maior fabricante de eletrodomésticos do mundo, e lidera o mercado brasileiro com o controle da Multibrás S.A. Eletrodomésticos. A empresa hoje detém as marcas Brastemp e Cônsul, e possui quatro plantas no país, localizadas em São Paulo, Rio Claro, Joinville e Manaus, assim como três escritórios administrativos: São Paulo, La Tablada (Argentina) e Santiago (Chile).

A sueca Electrolux, segunda maior fabricante de eletrodomésticos do mundo, que incorpora as marcas AEG, Zanussi, Frigidaire, Eureka, e Husqvarna, e que comprou as ações da Refripar, dona das antigas marcas Clímax e White-Westinghouse. Possui uma unidade administrativa em São Paulo e mais quatro unidades fabris: duas em Curitiba, uma em São Carlos e outra em Manaus.

O grupo alemão Bosh –Siemens- Hausgeräte (BHS), dono das marcas Bosh, Continental e Metal Frio e com unidades fabris em São Paulo e Hortolândia, sendo esta última uma plataforma mundial do grupo, capaz de fazer qualquer produto da marca.

• A mexicana Mabe, que na América do Sul o negócio de

eletrodomésticos está presente através da joint-venture formada com a Dako e a General Electric, que atua na comercialização e distribuição de produtos de linha branca na região e na produção de fogões a gás e refrigeradores sob as marcas GE e Dako, com sede em Campinas (SP).

A entrada dos investidores externos, o processo de desnacionalização da cadeia de linha branca brasileira e a reestruturação produtiva ocasionaram mudanças nas estratégias das empresas. Houve uma reprodução das estratégias adotadas pelas principais empresas líderes mundiais. De acordo com Cunha (2003), as estratégias evoluíram no sentido da especialização setorial, através da concentração da produção em todo o espectro de

eletrodomésticos de linha branca, e da diversificação intra-setorial, com a segmentação do mercado consumidor por faixas de renda.

O movimento de reestruturação produtiva se disseminou das montadoras para seus fornecedores distribuídos ao longo da cadeia de linha branca doméstica, principalmente através dos programas de qualificação e de desenvolvimento de fornecedores. As empresas do setor passaram a externalizar atividades produtivas muito intensivas em trabalho e/ ou muito complexas, que dependem de fornecedores especializados. Ao mesmo tempo ocorreu uma redução do número de fornecedores (CUNHA, 2003).

Essa disseminação teve objetivos claros como: redução de custos e aumento da eficiência produtiva e da competitividade – constituindo-se assim em um caminho adequado à satisfação das expectativas iniciais dos investidores estrangeiros no que se refere ao ganho de mercados e de eficiência de produção.

Além das mudanças nas relações produtivas, esse processo trouxe outras conseqüências, entre elas é possível apontar: redução de emprego e maior produtividade. Araújo (2004) afirma que o processo de reestruturação trouxe, de modo geral, melhor ambiente de trabalho e espaço físico, rodízio de atividades repetitivas, além de diminuição dos níveis hierárquicos entre gerentes e operários de chão de fábrica. Por outro lado, as mudanças intensificaram o trabalho de todos, que têm mais metas a cumprir, maior jornada de trabalho e horas extras, com salários reduzidos. Isso traz uma extrema preocupação com o mercado de trabalho.

Um estudo realizado por Gitahy e Cunha (1999) em um segmento da cadeia produtiva de linha branca (em empresas de pequeno, médio e grande porte), comprova que a reestruturação produtiva tem transformado a organização da produção e do trabalho através da introdução de diversos tipos de inovação:

i. Aumento dos investimentos em automação dos processos de produção, principalmente através da aquisição de novos equipamentos mais flexíveis;

ii. Mudanças no layout das plantas (adoção de mini-fábricas e células de produção);

iii. Mudanças nos postos de trabalho;

iv. Implantação de novas técnicas de planejamento e controle da produção e da qualidade com vistas à obtenção de certificação pelas normas ISO 9000 (JIT, Kanban, CEP).

Ainda segundo as autoras, estas mudanças afetaram a forma de utilização da força de trabalho, seja através da transferência de atividades de controle de qualidade e de manutenção para o pessoal da produção, seja através de formas de rodízio entre diferentes postos de trabalho. Desse modo, passa-se a requerer um novo perfil de trabalhador, com maior escolaridade e com certas habilidades comportamentais, como saber trabalhar em equipe e ter um maior comprometimento com os objetivos da empresa.

Gitahy e Cunha (1999), ainda acrescentam que a reestruturação na indústria não só afetou a forma de utilização da mão-de-obra, tornando a mais “multifuncional” como também desencadeou programas de desenvolvimento e avaliação de fornecedores. Estes programas objetivavam a redução do número de fornecedores, baseados em critérios de desempenho estabelecidos em termos de preço e qualidade.

Assim, a entrada dos grandes conglomerados estrangeiros e o decorrente movimento de desnacionalização da indústria brasileira de linha branca foram acompanhados por significativas mudanças nos métodos e técnicas de organização e gestão da produção assim como nas estratégias de suas principais empresas.

Segundo publicações do ministério da fazenda, em 2006, as vendas de geladeiras, fogões, microondas, lavadoras e outros itens da linha branca aumentaram de 25% a 30% em volume no Nordeste. Foi bem acima da média do País, com aumento de vendas de 15% em relação a 2005. Já no Sul, onde o desempenho da agricultura e das exportações pesam no consumo, o crescimento ficou em torno de 10%.

Os próximos itens descrevem os estudos de casos pesquisados.