5 Delmål 1: Redusere sykefraværet
5.3 Tidligere forskning og evalue‐
5.3.5 Forklaringer på individnivå
O envelhecimento ativo deve combinar boas condições de saúde e uma autopercepção de saúde favorável, incluindo uma boa saúde bucal (ATCHISON, ANDERSEN, 2000). No entanto, observa-se um paradoxo, uma vez que estudos mostram que os idosos apresentam uma percepção positiva sobre seus dentes, apesar de os problemas bucais terem impacto negativo nas suas vidas (SIMÕES, CARVALHO, 2011, UNFER et al., 2006). Esta discrepância entre os dados sobre percepção e condições reais de saúde bucal revela a maneira singular como o idoso percebe sua saúde bucal (BENEDETTI, MELLO, GONÇALVES, 2007).
Em um estudo realizado por Haikal et al. (2011), os idosos perceberam alguns problemas ou a necessidade de tratamento, apesar da grande capacidade de aceitação das limitações impostas pelo precário estado clínico. Além disso, essas limitações são percebidas pelos idosos como consequências inevitáveis do envelhecimento e não como um problema que mereça ou possa ser corrigido. Outro estudo revelou que uma autoavaliação de saúde bucal ruim esteve associada a fatores de saúde geral e ao impacto psicossocial da saúde bucal na qualidade de vida, independentemente de medidas socioeconômicas e clínicas de saúde bucal (ANDRADE et al., 2012).
A saúde bucal do idoso brasileiro encontra-se em situação precária, com elevados índices de edentulismo, (perda de todos os dentes), dentes cariados e com necessidades de próteses (COLUSSI et al., 2002), refletindo a ineficácia historicamente presente nos serviços públicos de atenção odontológica, limitado a extrações em série e serviços de urgência, baseados no modelo curativista (MOREIRA et al., 2005).
A expectativa com relação à perda de dentes tem mudado nas últimas décadas, valorizando-se sua manutenção e, muitos adultos, principalmente em países desenvolvidos, têm conseguido manter um número mais elevado de dentes. De fato, estudos comparativos de coortes nos Estados Unidos e na Austrália têm mostrado um declínio progressivo nas taxas de edentulismo (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2003; SANDERS et al., 2004). No Brasil, não há informações sobre essa modificação de perfil epidemiológico, pois a faixa etária de 65 a 74 anos foi incluída apenas no mais recente levantamento nacional de saúde bucal (BRASIL, 2004).
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No Brasil, ainda é elevada a proporção de edêntulos entre os idosos, e de indivíduos com prótese total em ao menos uma das arcadas. Estima-se, para o país, que 54,8% da população com idade de 65 a 74 anos é desdentada total, e que 18,7% dos idosos não usa prótese dentária (HUGO et al., 2007).
O levantamento epidemiológico sobre saúde bucal realizado pelo Ministério da Saúde em nível nacional, o SB Brasil (BRASIL, 2004), finalizado em 2003, demonstrou a importância desses agravos e reforçou a necessidade de que os serviços de saúde estejam organizados para intervir e controlá-los. É de fundamental importância a responsabilização da equipe de saúde do nível local pela interferência positiva no quadro sanitário da saúde bucal brasileira (Brasil, 2008). No levantamento realizado em 2010, os resultados iniciais divulgados indicam que 23% dos idosos com idade entre 65 e 74 anos necessitam de prótese total em uma arcada e 15% necessitam de prótese total dupla (BRASIL, 2010).
Levando em consideração o caráter cumulativo das principais doenças bucais (cárie dentária e doença periodontal), o conhecimento do estado de saúde bucal da população idosa merece especial atenção, na medida em que estes indivíduos representam a coorte mais próxima da população idosa e que são objetos de futuras investigações sobre a saúde bucal dos idosos. Suas condições de vida e saúde poderão indicar um prognóstico epidemiológico bucal, possibilitando a chance de se intervir em grupos de risco de reprodução dos agravos bucais encontrados atualmente na população idosa (MOREIRA, 2009).
A perda dentária precoce em adultos é considerada um fator de risco para o edentulismo em idosos. Como interfere diretamente na qualidade de vida dos indivíduos, considera-se que esta seja uma medida de grande importância para a saúde bucal (STEELE et al., 2004), sendo sua verificação cada vez mais relevante em termos de saúde pública.
Em um estudo realizado no estado de São Paulo por Frazão, Antunes, Narvai (2003) consideraram como indicador de perda dentária precoce a proporção de indivíduos com mais de 12 dentes perdidos. Ressaltando que este critério de classificação teve como base as recomendações de metas da OMS para o ano 2000, que recomendava para o grupo etário de 35 a 44 anos a presença de 20 ou mais dentes na boca em 75% desta população (FDI, 1982).
A perda dentária é um reconhecido problema de saúde pública. Sendo considerada como uma importante medida da condição de saúde bucal de uma população, a perda dentária possui forte efeito sobre a qualidade de vida dos indivíduos. Seus impactos podem ser expressos pela diminuição da capacidade funcional de mastigação e fonação, bem como por prejuízos de ordem nutricional, estética e psicológica, com reduções da autoestima e da integração social (MUSACCHIO et al., 2007; PETERSEN, 2003; SLADE et al., 2005;
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STEELE et al., 2004), além disto, estes impactos constituem em uma marca da desigualdade social existente.
Nesse contexto, é importante destacar que um melhor padrão de saúde bucal dos idosos poderá ser alcançado mediante mudança de práticas organizacionais, do processo de trabalho em saúde, de pesquisa e de avaliação (MELLO, MOYSÉS, 2010).
A promoção da saúde vem respaldando as atuais discussões de um novo modelo voltado para a Defesa da Vida, que tem por base alguns aspectos, dentre os quais: qualidade de vida e a consciência dos indivíduos sobre sua saúde; definição de prioridades a partir de indicadores e variáveis preditoras, centradas nas populações; reconhecimento das diferenças sociais, econômicas e culturais, nas diferentes populações, como definidoras das condições de saúde; territórios como espaços sociais em que tendem a se agrupar indivíduos que compartilham características similares de natureza cultural e socioeconômica; promoção da saúde por meio da assistência, da participação ativa dos sujeitos e modificação das condições objetivas de vida (BRASIL, 2008).
A promoção de saúde e saúde bucal na população idosa brasileira deve ser estimulada em todos os ambientes sociais, tanto nos serviços de saúde quanto na família, promovendo a autonomia do idoso, possibilitando a consolidação da relação inegável entre o suporte social e a promoção de saúde, pois na medida em que se implementa o primeiro, trabalha-se promovendo a saúde (ARAÚJO et al., 2006).
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