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3 Pliktovertredelse som ansvarsgrunnlag

3.3 Tilsynsansvar

3.3.5 Forholdet mellom styret og andre aktører i selskapet

No início da pesquisa de campo que veio resultar neste texto não estava planejado, de maneira nenhuma, fazer um trabalho sobre os Mas logo as giras iniciavam eles sempre surgiam. E a cada vez que acontecia me chamava à atenção mais do que na vez anterior, até o dia que decidi finalmente direcionar meu olhar para esta matéria. Ao invés de me concentrar na prática ou observar as representações, acabei me encontrando com a experiência. Mas não uma experiência de transcendência. E sim uma experiência mágico- religiosa que se fazia cotidiana nos terreiros e na realidade daqueles que procuravam os

Falar em cotidiano não significa falar de algo simplista ou desimportante. As várias dimensões envolvendo essa experiência mágico-religiosa, e suas sutis nuances, dão seu testemunho. Por isso, o pragmatismo que aparenta o uso do termo , para assim chamar os buscadores de não vinga. A regra é ser afetado por eles. E isso se dá predominantemente através da performance, do saber-fazer e da subjetividade. As provocações sensoriais, os mistérios, o segredos mágico-religiosos, os conflitos éticos, são temas onde a questão quase nunca é de crer, mas de sentir. Trata-se, em síntese, de assunto complexo que remete a vários pontos que podem ser posteriormente aprofundados.

Com isso em mente, contento-me se minha tarefa de explanar e transitar entre certos pontos-chave de uma dada e peculiar experiência mágico-religiosa tiver sido consistente o bastante para demonstrar a significância deles nesse campo de estudo: a dimensão performativa, com sua latente " entre outras modalidades performativas; a dimensão do saber-fazer, que comporta a tradição, que resguarda o poder, que fundamenta e modifica a performance; e, por fim, a dimensão da subjetividade, que engloba as inevitáveis aflições cotidianas que assolam sujeitos e onde se debatem conceitos e questões ético-morais.

Ao destacar as dimensões da performance, do saber-fazer e da subjetividade não quero afirmar, em nenhuma hipótese, que a experiência mágico-religiosa dos se resumam a elas em todas as suas manifestações. Entretanto, dei ênfase às dimensões que se mostraram mais salientes nos terreiros onde realizei minha pesquisa empírica. Mas nesses mesmos terreiros há, certamente, outras dimensões da ainda por receber atenção. E em outras formas da umbanda se manifestar pelo Brasil, em sua diversidade tanta e

170 sabida por todos aqueles que a pesquisam, com certeza outras dimensões não tão evidentes no meu campo empírico podem ser apontadas com grande profusão e relevância.

As cosmologias, as explicações fundamentadas, a existência das entidades são abstrações enquanto situadas no campo da explicação formal. A experiência é quem faz tudo isso ser concreto e palpável. Os significados de um gesto performativo de Maria Padilha durante um ritual possuem grande vigor porque o interlocutor sente a experiência profunda de ouvi-la, de tocá-la, de beber em seu copo. Uma enorme aflição emocional pode fazer o cético solicitar um que, inclusive, o leve a acolher atitudes ético-morais que geralmente não aceitaria.

Além disso, os significados dos elementos que compõem um podem ser recebidos enquanto se sente o impacto dos atos performativos, e a própria realidade performativa, para além do contato íntimo e sensorial que estabelece, é também vista sob o óculo incomensurável da tradição latejando ao pé do ouvido. Isso significa que a experiência possui dimensões significantes que estão infinitamente amalgamadas e entrecruzadas. Sentir e compreender esse fato quando se vai ao terreiro é fácil. Fazer vivê-lo nas linhas e entrelinhas do texto etnográfico é outra história.

Sempre motivadas pela dor das aflições cotidianas, a cada dia inúmeras pessoas reconhecem o saber e o fazer mágico-religioso resguardado nos terreiros e se atiram em busca da solução através dos . Neste caminho, algumas vivenciam interações performativas, entram em conflito e discutem interna ou externamente questões próprias da subjetividade em diálogo com o mundo e, ao final, com a dor e as penúrias aliviadas por completo ou parcialmente saem desses templos do acolhimento carregando um pouquinho mais de conhecimento mágico-religioso para mover e transubstanciar as diferentes energias que os envolvem sol após sol.

As respostas às aflições cotidianas, tais como o incômodo e o abatimento causados pela doença, o desespero fruto da miséria ou do endividamento financeiro, a consternação trazida pelo sentimento de abandono amoroso, entre outros pequenos problemas que desbotam o semblante dos indivíduos, são a principal bússola que os encaminha para os terreiros de umbanda. Sem esquecer a alegria de se viver uma religião feita de sons e cores em movimento, nos terreiros pesquisados o bem estar físico, espiritual e afetivo se mostrou como o sentido da presença das pessoas e da das entidades aos terreiros, porque elas , principalmente, para ajudar.

Imaginar os terreiros aqui pesquisados sem a realização de é imaginá-los esvaziados de gente. O contrário não é verdade: há terreiros que abdicaram de qualquer rito

público, como as giras, ou manutenção de grupo religioso, os filhos-de-santo, e nem por isso fecharam as portas, vivendo somente da realização de feitos sempre em âmbito privado. Para além de todo o rico e movediço saber mágico-religioso, e da beleza entusiástica de sua performance, e do capital histórico e cultural que resguarda à sociedade brasileira, a contribuição essencial desses terreiros é mesmo abrandar as angústias de cada um que os procura, de filhas e filhos, de estranhos e de estrangeiros.

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