3.2 Vektlegging av ulike momenter
3.2.3 Forhold ved barnet, omsorgsbehov
Saraiva (1993) relata que a palavra “cura” já existia em latim com o sentido primitivo de “cuidado”, “atenção”, “diligência”, “zelo”. Havia também o verbo curo, curare, de largo emprego, com o significado de “cuidar de”, “olhar por”, “dar atenção a”, “tratar”.
Para Bueno (1996) cura significa tratamento, restabelecimento da saúde.
Para Pereira (2008), a hanseníase tem tratamento e cura. Entretanto, se no momento do diagnóstico o paciente já apresentar alguma deformidade física instalada, esta pode perdurar como sequela permanente no momento da alta. Esse dado reforça a importância do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento adequado para a prevenção das incapacidades físicas que a evolução da doença pode causar.
Um estudo realizado por Cavaliere e Grynszpan (2008), e intitulado “Fábrica de imaginário, usina de estigmas: conhecimentos e crenças de uma comunidade escolar sobre hanseníase”, teve como objetivo verificar o conhecimento sobre hanseníase entre professores e estudantes de escolas dessa comunidade e avaliar como o tema era abordado nas escolas, apresentando em seus resultados que estudantes e professores não demonstraram acreditar na cura da hanseníase.
Gallo (2005) refere que parte desta descrença deve-se à concepção equivocada do que popularmente se entende por cura. As deformidades físicas – sequelas – são confundidas com a doença. Outro dado significativo e fator de confusão é que vários anos após a alta do paciente podem acontecer intercorrências reacionais, que podem ser interpretadas como manifestações da doença na sua expressão infectocontagiosa.
De acordo com Oliveira (1996), há três abordagens de cura: a cura da infecção, cujo parâmetro é a inatividade bacteriológica; a cura clínica, conforme inatividade das lesões dermatológicas; e a cura da pessoa, representada pelo depoimento do paciente relacionando à recuperação da desordem causada pela doença.
Para Claro (1995), as lesões neurais provocadas pela hanseníase podem deixar como sequelas desde pequenas áreas do corpo com insensibilidade até graves deformidades e perdas de função. Para a autora, a cura em hanseníase é definida como a “morte” do bacilo.
Segundo Schutz (1982), o conhecimento acumulado dos atores sociais funciona como um marco de referência, por meio do qual estes interpretam o mundo e executam suas ações. Se os portadores de hanseníase não compreendem adequadamente as informações sobre a doença e o tratamento, seu modo de agir e de pensar em relação à cura e ao tratamento serão inadequados.
Araújo e Oliveira (2003) corroboram essa ideia, ao afirmarem que a importância em acreditar na cura através do uso da medicação está entre os principais motivos da regularidade dos doentes de hanseníase ao serviço de saúde.
O processo educativo nas ações de controle da hanseníase deve contar com a participação da comunidade nas decisões que lhe digam respeito, bem como na busca ativa de casos e no diagnóstico precoce, na prevenção e tratamento de incapacidades físicas, no combate ao eventual estigma e manutenção do paciente no meio social; esse processo deve ter como referência as experiências municipais de controle social (BRASIL, 2002).
Oliveira (2005) acrescenta que essa forma de educar deve superar a conceituação biomédica de saúde e incluir objetivos mais amplos. Logo, esse tipo de educação tem que englobar não apenas a prevenção de doenças, mas sim preparar o indivíduo para lutar por uma vida saudável, sendo estimulado a tomar decisões sobre sua própria vida. Além disso, essa pratica educacional necessita atingir seus objetivos através de trabalhos com grupos, tendo como intenção promover o envolvimento dos indivíduos nas decisões relacionadas à sua própria saúde e naquelas que concernem aos grupos sociais aos quais eles pertencem.
A Organização Mundial de Saúde reconhece, desde o ano 2000, a poliquimioterapia (PQT) como um dos maiores avanços tecnológicos no controle da hanseníase. Ela permitiu um enorme impacto no controle da doença, na queda da prevalência e, consequentemente, no problema da hanseníase, bem como na carga de trabalho que ela consome (WHO, 2000).
O tratamento integral de um caso de hanseníase compreende a poliquimioterapia, seu acompanhamento, com vistas a identificar e tratar as possíveis intercorrências e complicações da doença e a prevenção e o tratamento das incapacidades físicas (BRASIL, 2002).
Diante disso, Brasil (2002), Silva (2009) e Moreno, Enders e Simpson (2008) enfatizam que as práticas de enfermagem se tornam de grande importância e estão particularmente associadas à prevenção das incapacidades e promoção da saúde. Carecendo ser efetivadas principalmente por meio de educação em saúde, no sentido de obter uma
participação consciente e constante dos jovens como agentes disseminadores de informações para seus familiares e para a comunidade em geral, nas decisões que dizem respeito a eles, na busca ativa de casos, assim como no diagnóstico precoce, prevenção e tratamento das incapacidades físicas.
A respeito da cura em hanseníase, os estudantes enfatizaram em suas respostas três aspectos, os quais refletiram o conhecimento que os mesmos tinham sobre a doença: cura; dúvida em relação à cura; não cura. Abaixo se encontram exemplos de respostas dos estudantes que englobam os três aspectos.
Em relação à cura os alunos enfatizaram o fato de a hanseníase ser uma doença curável, que é uma doença transmissível, que causa lesões na pele e que ocasiona manchas vermelhas na pele. Os exemplos abaixo exemplificam esses aspectos.
“Uma doença curavel” (estudante 16).
“Vem que é uma doença, em que a pessoa tem manchas vermelhas na pele, mas que basta ir apenas ao médico para poder ficar curada” (estudante 18).
“Uma doença transmitida que causa sérias lezões e que tem cura” (estudante 34). “Uma doença que tem cura” (estudante 38, 115).
“Uma doença complexa, mais que tem cura” (estudante 133). “Uma doença que sendo tratada tem cura” (estudante 162).
Alguns estudantes demonstraram em suas respostas à questão qualitativa dúvida em relação ao fato de a hanseníase ter cura ou não, além de reproduzirem as falas de seus antepassados, o que ressalta a importância do investimento que deve ser feito no contexto familiar em relação à educação em saúde em hanseníase. Eles relatam ser uma doença séria, mas que eles não sabem se tem cura ou não, alguns relatam que a doença só tem cura se diagnosticada na fase inicial. Essas dúvidas são mostradas nos exemplos abaixo.
“Vem na minha mente que é uma doença, mas não sei como se causa ou se tem cura ou não” (estudante 1).
“Uma doença séria, que muitas pessoas tem dúvidas” (estudante 9).
“Doença que causa lesões na pele, que pode ter cura e tem tratamento gratuito” (estudante 40).
“Uma doença de pele, que causa manchas avermelhadas e indolores; é uma doença que tem cura, quando diagnosticada na fase inicial” (estudante 125).
“É uma doença perigosa contágios que pode matar eu acho que tem cura” (estudante 146).
Um estudante referiu que a hanseníase é uma doença sem cura e que o tratamento é só para “enfraquecer”.
“Uma doença sem cura mais que tem tratamento, para enfraquecer” (estudante 118).