Na atualidade as organizações são vistas cada vez mais como sistemas abertos, que precisam estar em constante adaptação com o ambiente externo e suas mudanças para a sua sobrevivência e perpetuação. Ao analisar os ambientes organizacionais, é relevante considerar também o fato de que, as organizações, por não estarem isoladas do mundo, estão num ambiente de organizações inter- relacionadas, com as quais estas se relacionam e vice-versa. Relacionamentos estes que acabam sendo validados no contexto organizacional, pois para obter sucesso e sobreviver, é necessário adotar procedimentos socialmente aceitos como racionais.
Fonseca (2001, p.37) lembra que,
Para Hall (1984) o ambiente organizacional é formado por "todos os elementos existentes fora dos limites da organização e que tenham potencial para influenciá-la em seu todo ou em partes dela". Já Andrews (apud Oliveira, 2000), descreve o ambiente de uma empresa como o padrão de todas as condições e influências externas que afetam sua vida e desenvolvimento. Essas condições e influências estão relacionadas com diversos aspectos do ambiente, como tecnologia, políticas governamentais, economia, sociedade, ecologia, fornecedores, clientes e concorrentes. Miles (1980), de forma mais abrangente, define ambiente tudo o que não faça parte da organização.
De forma genérica, para Stoner (1985), as organizações operam dentro de um ambiente do qual dependem para sobreviver, se manter, crescer e se desenvolver. Suas necessidades são representadas por recursos em geral e informações obtidos desse ambiente. Por sua vez, os resultados do uso desses recursos e informações, são devolvidos ao mesmo ambiente. O que faz com que, na medida em que ocorrem mudanças no ambiente, sejam afetados os recursos e informações que oferecem às organizações e influenciem as operações das mesmas. Portanto, é indispensável considerar o caráter mutável e descontínuo do ambiente, o que exige foco no monitoramento dessas incongruências ambientais que interagem, de forma consciente ou não, com a estrutura interna das organizações (apud VIEIRA, 2000).
De outra forma, mais precisa e esclarecedora, verificações de Vieira (2000), Oliveira (2001), Toschi (2001), Sausen (2002), Sena (2002), Mendes (2002), e
Souza (2004), reconhecem que, muitas vezes, de forma não muito clara para todas as organizações, mas de alto impacto, é importante que as organizações acompanhem os fatores, as mudanças e tendências de seus ambientes. Nesse universo, como ambiente geral, aparecem coisas que potencialmente podem afetar as organizações, como as condições tecnológicas, fatores sociais, interações políticas, condições econômicas, fatores demográficos, a estrutura legal, o sistema ecológico, fatores de mercado e condições culturais. Este macro-ambiente empresarial assume muitos cenários diferentes, geralmente instáveis, complexos e dinâmicos por natureza. Tais cenários são notados principalmente em grandes corporações e é pouco provável que qualquer tendência, seja ela social, econômica, política, tecnológica ou internacional não venha a afetar as operações internas de uma organização. Contrastando com a ambigüidade e as incertezas do ambiente geral, o ambiente específico (ou da tarefa), depende do seu domínio específico estabelecido pelos produtos oferecidos e mercados atendidos, considera fatores e condições externos que costumam ter impacto imediato nas organizações e inclui: acionistas, empregados, clientes, fornecedores, sindicatos, autoridades reguladoras, grupos de interesse público, associações de classe e outros públicos relevantes. Em ambos os ambientes, as adaptações dependem, fundamentalmente, da forma como são percebidas pelos membros da organização, em especial pelo grau de discernimento dos líderes responsáveis pelas decisões em entender as mudanças que estão ocorrendo no ambiente externo da organização e a assertividade das suas escolhas estratégicas.
Ainda, estudos realizados por Vieira (2000), Oliveira (2001), Santos (2001), Toschi (2001) e Sausen (2002), lembram que outra forma a considerar nos ambientes organizacionais, é aquela advinda da realidade e da percepção, denominadas como o ambiente real ou objetivo e o ambiente percebido ou subjetivo. O ambiente real ou objetivo é o externo à organização, que representa a realidade objetiva da mesma por meio de objetos, condições e entidades, que impõem restrições ao seu funcionamento, como, por exemplo, as características técnicas de seu sistema de produção. É real e é mensurado pela utilização de indicadores objetivos de caráter econômico-financeiro, demográfico, mercadológico, de crescimento dos empregos, entre outros. Por sua vez, o ambiente percebido ou subjetivo, reflete a interpretação subjetiva do ambiente real que ocorre dentro da organização. Nem sempre existe a correspondência direta entre a dimensão real e a
percebida. A sua interpretação está baseada na percepção das pessoas, que em função dela agem e decidem e o que fazem nem sempre está em conexão com os fatos reais.
Outra abordagem sobre as teorias dos ambientes organizacionais, que concorda com a maior parte das demais teorias, é a abordagem que considera a dependência de recursos, de Pfeffer e Salancik (1978, apud COOPER e ARGYRIS, 2003). Com a perspectiva das organizações como entidades que trocam recursos, valoriza o ambiente como foco em qualquer estudo das organizações. Considera que as organizações precisam obter recursos externos ao seu ambiente para sobreviver, este ambiente externo tem um papel fundamental para a sua sobrevivência. Afirmam os autores que os administradores têm como missão crucial administrar o relacionamento entre a organização e o seu ambiente. Reconhecem ainda que, para reduzir a dependência em relação ao seu ambiente externo e garantir o acesso a fontes externas de recursos e informações, as organizações podem tentar alterar o ambiente em que se encontram. Para tal, podem formar relações inter-organizacionais, por meio de contratos, joint ventures, participações em outras empresas, para então controlar ou absorver o grau de incertezas que o ambiente impõe, com a realização de lobbies políticos ou comerciais favoráveis, ou operarem em diferentes mercados que sejam mais favoráveis.
Há que se considerar ainda que os estudos das teorias do campo dos ambientes organizacionais devem aproveitar fundamentados da teoria institucional, que considera a importância do poder, da cultura e do ambiente institucional, que se constituem de normas e valores, que devem ser adotados para obter legitimidades, o que aumenta o escopo explicativo das teorias dos ambientes organizacionais.
A teoria institucional, que é uma abordagem proveniente da sociologia, aborda aspectos negligenciados pela teoria organizacional, como os cognitivos, políticos, culturais e simbólicos, lembram Meireles e Paixão (2003).
Ao partir do princípio de que as organizações são afetadas pelo ambiente institucional em que estão inseridas e que existem similaridades nas estruturas e processos do seu ambiente institucional, Meireles e Paixão (2003) identificaram o que é denominado de isomorfismo, que existe sob três formas: coercitivo – relacionado a mecanismos utilizados por organizações para exigirem estruturas e processos por elas determinados, por meio de mecanismos de coerção (por exemplo, regulamentações do governo); normativo – relacionado a padronizações
estabelecidas por meio de normas socialmente aceitas como corretas e implicitamente exigidas como elemento de eficiência; e mimético – cópia de processos e estruturas bem-sucedidas em outras organizações.
Os mesmos autores identificam o que denominam de preditores de mudanças isomórficas. Estes preditores fundamentam mudanças organizacionais, seja no nível da organização em si, seja no nível do campo organizacional – formado pelo conjunto de organizações que se relacionam e se influenciam de alguma forma no que tange ao controle, regulamentação, organização e representação. No nível organizacional identificam preditores como: a dependência entre as organizações – quanto mais dependentes são as organizações, mais parecidas elas se tornam; a
centralização de suprimentos de recursos – quanto maior a centralização no
suprimento de recursos, tanto maior a dependência das outras organizações; a
incerteza sobre modelos – quanto maior a incerteza, mais as organizações tentarão
copiar modelos bem-sucedidos; a ambigüidade de metas – quanto maior a ambigüidade das metas, maior a probabilidade de as organizações imitarem as bem- sucedidas; e a participação associativista – quanto maior a participação dos membros das organizações em associações profissionais, maior a similaridade entre as organizações. No nível do campo organizacional identificam preditores como: a
limitação de recursos – quanto mais o campo depende de um recurso único, maior o
isomorfismo; a interação com o estado – quanto maior a interação do campo com o estado, maior o isomorfismo; o número de organizações – quanto menor o número de organizações modelo, mais rápido é o isomorfismo; a incerteza tecnológica – quanto maior a incerteza tecnológica, maior o padrão de isomorfismo; e o
profissionalismo – quanto maior o profissionalismo no campo, maior o isomorfismo.
No entendimento de Cooper e Argyris (2003), o ambiente, como um conceito complexo, ocupa lugar central na análise e na discussão do ambiente organizacional. Com conceitos muitas vezes controversos, com relação ao grau de interpretação e liberdade que os atores das organizações têm para a escolha de estratégias em função de fatores externos, os administradores tendem a moldar seus ambientes.
As organizações, de uma forma ou de outra, buscam a sobrevivência no ambiente em que estão inseridas. Para tanto, procuram se relacionar com o meio ambiente, possibilitando, assim, conseguir sua sobrevivência para tornarem-se ou permanecerem competitivas (FONSECA, 2001).