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Forfatterne og det etiske dilemmaet

6. Estetikk og etikk

6.3 Forfatterne og det etiske dilemmaet

Nas conversas espontâneas do quotidiano contam-se frequentemente histórias, isto é, narrativas ficcionais ou não-ficcionais “to make a point about the world the teller shares with other people” (Polanyi, 1985: 187).

A construção de narrativas no decorrer de uma interacção conversacional é normalmente uma forma dinâmica e eficaz de desenvolver certos tópicos ou de mudar de tema de conversa. Uma narrativa pode surgir naturalmente no decorrer de uma conversa para servir de exemplo de um determinado tópico, tendo sido despoletada por algum ponto específico da interacção verbal. Alternativamente, a construção de uma narrativa pode ser utilizada para introduzir um novo assunto na conversa, resolvendo assim o problema do silêncio originado pela falta de tópico. De qualquer das formas, a inserção de uma narrativa não é aleatória, ou seja, não é introduzida ao acaso numa dada sequência de fala. Pelo contrário, há uma ligação temática entre os eventos da narrativa e o que está a acontecer na interacção conversacional.

Vários estudos sobre as narrativas conversacionais (Holmes, 1997; Polanyi, 1985; Goodwin, 1984) revelam que há sempre um conjunto de sequências de fala que antecedem a construção das narrativas que servem para fazer a transição entre estas e a interacção conversacional. Polanyi (1985: 187) designa estas sequências de fala, que incluem geralmente um anúncio explícito ou implícito que uma narrativa vai ser iniciada, por

I – ANÁLISE CONVERSACIONAL

entrance talk.18 Nesta fase, o participante que vai construir a narrativa (story teller) ou o participante que solicitou a mesma (story elicitor) deve tornar claro que considera o tópico

da narrativa relevante para a conversa imediatamente precedente.19

A construção de narrativas é usualmente complementada por sequências de fala produzidas pelo(s) outro(s) participante(s) na interacção que demonstram a sua reacção aos eventos narrados, sendo assim designadas por sequências avaliativas, como por exemplo “That‟s distressing”, “How dreadful” ou “How wonderful”. Estas sequências incluem perguntas ou comentários (Thornborrow, 2001: 120; Polanyi, 1985: 195).

Numa interacção conversacional, o participante que constrói uma narrativa tem de utilizar diversas estratégias, incluindo a repetição, para impressionar os receptores e realçar a relevância da sua narrativa. Igualmente, ao contrário do que acontece numa narrativa escrita, tem de ter em consideração a actualidade da mesma, tal como Sacks salienta: “Conversacional storytellers have to contend with whether their stories are old news in a way that need not bother a literary storyteller” (apud Polanyi, 1985: 197). Outra diferença entre uma narrativa conversacional e uma narrativa escrita, ou mesmo literária, é o facto de a primeira não precisar necessariamente de terminar quando o participante conclui a narrativa. Os receptores da narrativa podem solicitar esclarecimentos ou mais informações sobre os eventos narrados ou sobre as motivações das personagens ou podem querer saber o que aconteceu depois, tal como Polanyi observa: “In dealing with a conversational story one cannot expect to find some neat block of talk that clearly deals with the storyworld” (1985: 198).

Polanyi (idem: 200) salienta que os papéis dos participantes (story teller e story

recipient) na construção de uma narrativa conversacional são condicionados por

determinadas regras inerentes à própria construção da narrativa.20 No contexto de uma

18 Vide Sacks (1970-1971) e Jefferson (1979) para uma descrição pormenorizada de entrance e exit talk.

19 Se a história não for relevante para a conversa precedente, o participante que vai iniciar a narrativa tem a obrigação de desculpar o

facto de a mesma poder ser descontextualizada. Esta desculpa deve ser acompanhada de uma justificação da importância da história para o participante. Este tipo de justificação poderá ser expresso, por exemplo, das seguintes formas “Oh, wait a minute! That reminds me…” ou “I know it‟s off the point, but …” Polanyi (1985: 188).

20 Polyani (1985: 200) resume as regras mencionadas da seguinte forma:

The constraints of the teller of a conversational story are to

1. Tell a topically coherent story, a story in which an event changes a state in a meaningful way.

2. Tell a narratable story, that is, a story on a narratable topic – one worth building a prolonged telling around. 3. Introduce the story so that the connection with previous talk is clear.

4. Structure the story appropriately using the proper linguistic devices available for distinguishing states and event s.

5. Tell a story that begins at the beginning, that is one in which time moves ahead reasonably smoothly except for flashbacks that seem to serve a justifiable purpose in the telling (e.g., increasing suspense).

6. Evaluate states and events so that it is possible to recover the core of the story and thereby infer the point being made through the telling.

The constraints on the recipient of a conversational story are to

I – ANÁLISE CONVERSACIONAL

interacção institucional, nomeadamente da entrevista televisiva, para além de questionar os convidados, o entrevistador pode incentivar a narração das suas experiências e histórias pessoais para, por exemplo, fundamentarem as suas opiniões e defenderem os seus pontos de vista ou para evidenciarem a sua posição relativamente aos assuntos em discussão (Thornborrow, 2001: 117). Ao serem construídas no contexto institucional da televisão, estas narrativas transformam-se em discurso público, ou seja, em narrativas

interaccionalmente mediadas. Como em qualquer contexto conversacional,21 estas histórias

são sempre localmente produzidas e dirigidas ao público presente no momento, integradas na conversa em curso, negociadas como sendo relevantes para a interacção, compreendidas e avaliadas pelos seus ouvintes e espectadores do mesmo modo (idem: 118). Igualmente, tal como acontece numa conversa espontânea, estas narrativas podem ser produzidas apenas por um participante, ou podem ser co-produzidas, isto é, construídas em conjunto pelos participantes na interacção, neste caso, pelo entrevistado e pelo entrevistador (Blum- Kulka, 1997), e a mesma narrativa pode ser produzida pelo mesmo falante de formas diferentes, em ocasiões diferentes, para públicos diferentes (Leith, 1995; Norrick, 1998).

No entanto, a construção de uma narrativa numa entrevista televisiva apresenta diferenças significativas em relação à produção de uma narrativa numa interacção conversacional espontânea. Numa conversa do quotidiano, os participantes que produzem a narrativa apresentam-na aos seus potenciais receptores como sendo nova (Goodwin apud Thornborrow, 2001: 120). No entanto, numa entrevista televisiva o apresentador normalmente já está familiarizado com as narrativas que vão ser produzidas no seu programa através do processo de preparação e organização do programa e, por isso, não são novas para o receptor em termos conversacionais. Também ao contrário do que acontece nas narrativas conversacionais, onde o espaço para contar uma história é localmente negociado pelos participantes, nas entrevistas muitas das narrativas são solicitadas pelo apresentador, em momentos relevantes. Nestas ocasiões, o participante que produz a narrativa não tem de gerir a interacção de forma a construir espaço narrativo, pois é o entrevistador o responsável por assegurar que estas narrativas sejam transmitidas aos seus primeiros receptores, ou seja, o público.

3. At the end of the telling, demonstrate understanding by making comments demonstrating that the point of the story has been understood (possibly demonstrating that understanding by undertaking to tell a story).

21

A construção de narrativas em outros contextos conversacionais, particularmente entre amigos ou em contexto familiar pode ser estudada em Blum-Kulka, 1997; Coates, 1996; Norrick, 1998; Ochs & Taylor, 1992; Schiffrin, 1984.

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Uma característica interaccional da produção de narrativas para um público é que

os entrevistadores tendem a não produzir sequências de fala avaliativas22 de forma a

manter os telespectadores e ouvintes ausentes como receptores primeiros (primary

recipients) dessas narrativas (Heritage, 1985; Heritage & Greatbach, 1991). Outra

característica é que, predominantemente, a construção de narrativas numa entrevista é

solicitada, uma vez que são produzidas como resposta ao pedido explícito ou implícito23 do

entrevistador. Contudo, ocorrem situações em que a construção de narrativas e, consequentemente, a produção de espaço discursivo tem de ser negociado pelos participantes.