A concepção de entreter os passageiros durante o voo não é recente, pelo contrário, mas existem certas controvérsias. White (2006) cita evidências de 1921, figura 11,
quando ocorreu a exibição de filmes pela companhia Aeromarine Airways e de 1925 sobre a exibição em uma tela, em preto e branco e sem áudio, do filme “The lost world” durante um voo próximo de Londres. Por outro lado, Kelly (1999 apud ALAMDARI, 1999) aponta evidências históricas a partir de 1930, incluindo shows musicais e desfiles de moda.
Figura 11: Primeiro filme apresentado a bordo
Fonte: Aerial Age Weekly, 1921.
No início, o objetivo de entreter os passageiros visava chamar a atenção para este novo meio de transporte de passageiros em longas distâncias, deste modo as opções disponibilizadas eram shows musicais, desfiles de moda, caracterizando-se como eventos de mídia. Atualmente, o entretenimento a bordo é oferecido, principalmente, como meio de diferenciação e competitividade entre as companhias aéreas (WHITE, 2006).
As primeiras exibições de filmes envolviam um projetor e uma tela colocada na parte anterior do corredor da cabine, na qual o filme era projetado (figura 11). Seguindo este modelo, em 1948, a Pan American World Airways anunciou "Filmes a 7.000 pés acima do Atlântico" (WHITE, 2006).
Algumas inovações à ideia de apresentar filmes profissionais em um avião foram introduzidas por David Flexer, quem estudou os projetores existentes na época (Projetores de 16mm de Bell & Howell e os Projetores de Kodak), formando a companhia Inflight Motion Pictures Inc, na qual desenvolveu um sistema de projeção para aviões, adaptando o mecanismo dos projetores Kodak, de modo que este coubesse em uma área no interior das cabines (WHITE, 2006).
Motivados pela concorrência na indústria aeronáutica, American Airlines e a Pan Am optaram por instalar um sistema de vídeo em preto e branco, colocando monitores de televisão em seus aviões, visto que estas estavam se tornando cada vez mais difundidos no mercado de consumo. Todavia, estes sistemas mantiveram-se em um curto período,
principalmente porque eram pesados, difíceis de manter e, além disso, crescia a popularidade da televisão em cores (WHITE, 2006).
Outra experiência que também foi breve, mas configurou-se como um dos desenvolvimentos mais importantes na história do entretenimento foi um sistema da American Airlines que contratou a Bell & Howell para produzir, o chamado “Astrocolor”. Este sistema envolvia um carretel de 30" e um filme de 16mm, os filmes eram projetados em monitores espalhados na cabine. Apesar das dificuldades relacionadas ao tempo das imagens projetadas em relação ao áudio, todos achavam esta uma experiência inovadora (WHITE, 2006).
Diante deste novo e potencial mercado, com o decorrer dos anos 1960 o negócio de filmes a bordo estava em crescimento. Nos Estados Unidos os filmes eram apresentados na TWA, Pan Am, United, Continental, National, Western e Braniff. A Eastern e Delta iniciaram mais tarde a exibição de filmes a bordo. Além disso, os filmes também estavam sendo mostrados pela Pakistan International, Air France, Air China, Aerolineas Argentinas, Filipinas, SAS, Swissair, e UTA (WHITE, 2006).
Do mesmo modo começavam os maiores investimentos em sistemas de distribuição de áudio, os quais passaram a ser disponibilizados por meio de controles e fones nas poltronas e apoios de braços em grandes aeronaves (WHITE, 2006).
Na Califórnia a indústria de entretenimento a bordo, desenvolveu um formato muito menor de filme, o “Super 8mm” e um sistema cassete de carregamento mais compacto foi desenvolvido para este, revolucionando a indústria. Essa companhia, conhecida como Trans Com, expandiu-se em consequência de seu sistema inovador e, posteriormente em decorrência dos sistemas de vídeo, tornando-se um grande fornecedor de hardware e programação de entretenimento para as linhas aéreas do mundo (WHITE, 2006).
A introdução de vídeos de projeção no interior dos aviões surgiu de um trabalho de Dick Bertagna na Bell & Howell em parceria com a Panasonic (Matsushita) no Japão. A instalação desta nova tecnologia de sistemas de vídeo representou, segundo White (2006), um importante avanço na área de entretenimento a bordo.
De acordo com White (2006), foi no início dos anos 80, que o engenheiro e empresário Arn Steventon desenvolveu uma nova tela de televisão em miniatura de diodo de cristal líquido (LCD), como a tela que estava sendo introduzida no mercado dos produtos eletrônicos de consumo. Sua ideia gerou uma evolução significativa em entretenimento a bordo: a tela de vídeo pessoal.
Em 1979, inúmeros fornecedores de entretenimento e empresas de linhas aéreas perceberam que seria importante uma associação formal para a indústria emergente. O objetivo da associação seria funcionar como um fórum aberto e para realçar a comunicação entre todos os membros. Assim, nasceu a AEA, conhecida como Airline Entertainment Association que em 1985, tornou-se a WAEA, World Arline Entertainment Association, em 2010 passou a chamar-se APEX, Airline Passenger Experience Association.
Além dos acontecimentos relatados, outros eventos importantes na história do entretenimento a bordo são apresentados no Quadro 4:
Quadro 4: História do Entretenimento a Bordo
Ano Evento
1932 Primeiro programa de televisão exibido na Western Air.
1975 A Braniff Airways coloca os primeiros vídeo games (Atari) a bordo.
1979 Fones de ouvidos eletrônicos são introduzidos (Air France, Air Canadá e Pan Am). 1984 Airfone introduz os primeiros telefones a bordo de aeronaves da American Airlines.
1988 Primeiro vídeo individual em assentos (tela LCD de 2.7 polegadas). 1996 Delta Airlines instala conexões para laptop nos assentos.
1997 Swissair instala o primeiro Video-On-Demand em um MD11.
2000 A JetBlue lança regularmente a televisão ao vivo (via satélite) em todos os A320. 2001 Em Janeiro é feita a primeira transmissão de email pela Air Canadá.
Fonte: Quadro elaborado pela autora a partir de informações de Jetsite, 2009
A partir da história do entretenimento observa-se que a evolução tecnológica destes sistemas ganhou espaço entre a década de 80 e 90, acompanhando o desenvolvimento da tecnologia no mercado de eletrônicos de consumo.
Diante dos altos custos relacionados aos sistemas de entretenimento, durante algum tempo, estes foram oferecidos apenas na primeira classe e executiva. A partir da década de 1990 algumas companhias aéreas passaram a oferecê-los em todas as classes da cabine (ALAMDARI, 1999; LUI-KWAN, 2000). Ainda hoje estes são mais difundidos em voos de longa duração.