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1 INNLEDNING

1.4 Sentrale lover i tilknytning til universell utforming i kommunal planlegging

1.4.6 Folkehelseloven

Outro dos objetivos do estudo foi o de caracterizar o nível de conhecimento dos participantes relativamente aos benefícios da prática regular de atividade física, e às recomendações específicas para obter benefícios dessa atividade em termos da condição de diabetes do tipo 2. No que diz respeito ao primeiro domínio, os nossos resultados apontam que, na globalidade dos itens em avaliação, a maioria dos participantes apresentava um nível de conhecimento acerca dos benefícios da atividade física adequado. Neste domínio, a grande maioria dos participantes mostrou conhecer os efeitos da atividade física na diminuição do açúcar no sangue (86%), na redução da medicação (66%), na redução das complicações cardiovasculares (80%), na diminuição do colesterol (72%), na diminuição do peso e da massa gorda (96%) e ainda conhecer qual a forma de tratamento mais adequado para a diabetes tipo 2 (60%). No entanto, a maioria desconhece qual a frequência semanal de atividade física suficiente para induzir a eficácia da insulina produzida (apenas 28% responde corretamente), e os efeitos da prática regular de atividade física na redução da tensão arterial (52% selecionou opções incorretas ou não sabe/não tem a certeza).

Ao contrario, e no domínio do conhecimento sobre as recomendações específicas para a prática de atividade física, os resultados observados mostram que o nível de conhecimento é muito limitado ou incorreto, tendo a grande maioria dos participantes revelado não saber ou ter um conhecimento incorreto relativamente a todos os parâmetros em avaliação (modo flexibilidade de forma isolada, modo resistência, frequência e duração semanal e intensidade da atividade física), à exceção de um dos parâmetros (86% dos participantes concorda que realização de atividade física em modo aeróbico é adequada à sua condição).

Estes resultados são de difícil discussão uma vez que a literatura é muito escassa quanto a este aspeto, e a que existe, avalia os conhecimentos em domínios diferentes dos avaliados no presente estudo. No que diz respeito ao conhecimento acerca dos benefícios foi encontrado somente um estudo que avaliava os conhecimentos e atitudes de indivíduos com diabetes tipo 2 (Green et al., 2007). No

entanto e apesar dos resultados do estudo de Green et al., (2007), apontarem para um nível de conhecimento elevado e para a existência de atitudes adequadas, os mesmos não podem ser comparados com os do presente estudo, uma vez que os conhecimentos avaliados estavam relacionados, por exemplo, com as características da doença e com o impacto da obesidade para o agravamento da doença, e não com os benefícios da prática regular de atividade física.

Também no que diz respeito ao conhecimento acerca das recomendações específicas para a prática da atividade física, não conseguimos analisar até que ponto as observações deste estudo são comuns a outras amostras da mesma população. Julgamos no entanto que os resultados do nosso estudo merecem alguma atenção, uma vez que o desconhecimento acerca da forma adequada para a realização de atividade física foi identificada por indivíduos com diabetes tipo 2, como uma das barreiras à adoção da prática regular de atividade física (Korkianga et al., 2007).

Apesar da escassez da investigação realizada sobre este assunto, procuramos neste estudo explorar possíveis influências de fatores sócio - demográficos e clínicos no conhecimento/ desconhecimento dos participantes. Nesse sentido observamos que são os indivíduos do género feminino (p=0,045) e com a existência de recomendação para o exercício por parte dos profissionais de saúde (p=0,017), que tendem a demonstrar um nível mais elevado de conhecimento acerca dos benefícios da atividade física.

Este estudo preconizava ainda uma associação positiva e significativa entre o nível de conhecimento acerca dos benefícios da atividade física, e acerca das recomendações específicas para essa prática (variáveis independentes) e o nível de atividade física autorreportado (variável dependente). Apesar da existência de contradições na literatura, indivíduos com conhecimento nestes domínios tendem a reportar maiores níveis de atividade física.

Por exemplo, no estudo realizado por Guion, Carter & Corwin (1999), os autores observaram a existência de uma fraca associação (r=0,25, p< 0,04), entre a existência de conhecimento acerca das recomendações para a quantidade de exercício e a atividade física reportada. Por sua vez, numa revisão sistemática da literatura, estes aspetos (o nível de conhecimento quanto aos benefícios da prática de atividade física e quanto às recomendações específicas para a pratica de atividade física), foram

auto reportados por indivíduos com diabetes tipo 2, como estando na origem (entre outras razões), para a não adesão à prática de atividade física (Korkianga et al., 2007).

No entanto, e ao contrario do esperado, neste estudo, não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre estas variáveis. Apesar desta contradição importa igualmente referir que existem estudos que reportam resultados semelhantes. Por exemplo, num estudo com uma amostra de grandes dimensões (n=14969), os autores observaram que a posse de níveis adequados de conhecimento, quanto à doença e quanto ao impacto da obesidade na doença, não foram associados à prática de atividade física (Green et al, 2007).

No presente estudo, uma das razões para a não verificação de associação entre nível de conhecimento sobre as recomendações específicas para a prática de atividade física e os níveis de atividade física auto reportados, poderá estar relacionada com o facto de termos observado, um nível limitado de conhecimentos quanto às recomendações específicas para a prática de atividade física (com exceção para o modo aeróbico). Para além disso, apesar da grande maioria dos participantes ter referido que os profissionais de saúde recomendam a pratica de atividade física (68%), estes parecem fornecer informação específica quanto ao tipo (modo) de atividade e quanto à frequência semanal, mas não quanto à intensidade e duração semanal mais adequadas, o que poderá explicar por seu lado, o nível limitado ou incorreto de conhecimento quanto às recomendações específicas.

A existência de recomendações para a prática de atividade física por parte dos profissionais de saúde parece ser uma rotina comum verificada em estudo recentes, desenvolvidos nos Estados Unidos da America (Green et al., 2007; Morrato et al., 2007), e em Portugal (Falcão et al, 2008). Porém nestes estudos, não são fornecidos dados relativos ao conteúdo dessas recomendações, ou seja, fica a pergunta - será que os profissionais de saúde se limitam a recomendar a pratica de atividade física, sem especificar a forma mais adequada de a praticar?.

No presente estudo, observou-se que quando existia recomendação para a prática de atividade física, os profissionais de saúde preocupavam-se maioritariamente em explicar qual o modo (70,6%) e qual frequência semanal (55,9%) mais adequada, mas tendiam a não especificar qual a intensidade (29,4%) e

qual duração semanal (8,8%) que os utentes deviam adotar para obter o beneficio máximo dessa prática.

Este aspeto merece alguma reflexão, uma vez que para que a prática de atividade física seja benéfica para a condição diabetes, é importante que essa prática tenha em conta os parâmetros mínimos quanto ao tipo, frequência, intensidade, e duração e que os benefícios são ainda maiores, se a intensidade do exercício for vigorosa e se, se combinarem os exercícios aeróbicos com os de resistência (American College of Sports Medicine & American Dabetes Association, 2010).

Porém, tal como foi observado no nosso estudo, parece que o simples facto de existirem recomendações por parte dos profissionais de saúde para a prática de atividade física não está associada a uma adesão a essa prática por parte dos indivíduos com diabetes. Morrato et al. (2007) observaram resultados semelhantes reportando que o aconselhamento prévio por parte dos profissionais de saúde para o aumento da prática regular de atividade física apresenta uma associação positiva com os níveis de atividade física verificados nos indivíduos sem diabetes (OR-1,35; IC95% [1,25-1,47] ), mas não nos indivíduos com diabetes (OR- 0,99; [0,73-1,34] ).

A existência de recomendações /aconselhamento por parte dos profissionais de saúde para o aumento da prática regular de atividade física por si só, pode não ser suficiente para a adoção da mesma, pois podem não incluir estratégias efetivas para melhorar a adesão e manutenção. Segundo Krug et al. (1991, citados por Kirk et al., 2007), quando os indivíduos com diabetes tipo 2, reportam terem recebido informação do seu médico acerca das recomendações específicas para a prática de atividade física, essa informação não inclui estratégias para melhorar a adesão e manutenção da prática de atividade física.

Por último, e apesar dos nossos resultados, não terem encontrado uma associação significativa entre os conhecimentos dos diabéticos, a existência de recomendações e a prática de atividade física, importa salientar a importância crescente da educação como parte integrante do processo de gestão da doença crónica, atribuída por vários autores e entidades (Visser & Snoek, 2004; Funnel et al., 2010; International Diabetes Federation, 2004; Direção Geral da Saúde, 2008; Colagiuri et al., 2008). Segundo uma guideline recente desenvolvida pela National Evidence Based Guidelines for Patient Education in Type 2 Diabetes (Colagiuri et al., 2009), os

programas educativos, são referidos como efetivos para que as pessoas com diabetes tipo 2 compreendam e conheçam a sua condição, com influencia no aumento da frequência da prática de atividade física a curto prazo (Nível de evidencia A- nível de recomendação com maior força de evidência).

Em síntese, na amostra deste estudo, observou-se que a maioria os indivíduos com diabetes tipo 2, apresentava um nível de atividade física autorreportado inferior ao recomendado (60% com nível de atividade física baixo), com uma diferença estatisticamente significativa para os indivíduos com mais de 61 anos de idade e em situação de reforma ou de desemprego. Observou-se ainda, que a maioria da amostra (68%) autorreportou ter recebido recomendações para a prática regular de atividade física, por parte dos profissionais de saúde e que demonstrou ter conhecimentos relativamente à maioria dos benefícios associados à prática regular de atividade física, com diferenças estatisticamente significativas para o género feminino e para a existência de recomendações para a prática de atividade física por parte dos profissionais de saúde. No entanto, a maioria dos indivíduos desconhece quais as recomendações específicas para a prática regular de atividade física, para que a mesma seja clinicamente benéfica (quanto ao modo resistência, flexibilidade, frequência, intensidade e duração).