2. BAKGRUNN
2.3 Folkehelse i planlegging
Esta seção tem por objetivo descrever a trajetória da família/empresa Ferreira Costa e para melhor compreensão da história esta descrição será feita em 4 blocos conforme demonstra o quadro a seguir:
Quadro 2 (4) - Fases da Trajetória da Família / Empresa Ferreira Costa Fonte: Dados Fornecidos pela Empresa
1) Chegada dos imigrantes Portugueses no Brasil - 1876 e inauguração da empresa Ferreira Costa em 1884
A história dessa família no Brasil começa como tantas outras trajetórias de imigrantes que vieram em busca de uma vida melhor. Por volta do ano de 1876 saíram de Portugal, da cidade do Porto, mais especificamente da vila de Campanhã Francisco da Costa, um mascate português acompanhado de sua irmã Júlia e de seu irmão João, então com 10 anos. Chegaram ao Brasil em Recife e estabeleceram-se no interior do estado.
Os negócios se iniciaram com Francisco como tropeiro, transportando mercadorias pelo interior de Pernambuco, ajudado por seus dois irmãos conforme relatam as falas descritas a seguir:
[...] O Francisco nasceu em 1848, sua irmã Júlia em 1858 e ele (meu avô João) nasceu em 1866, assim meu avô chegou aqui com 10 anos e começou a trabalhar com os irmãos, e com menos de 20 anos ele abriu o negócio dele [...] (CYRO, entrevista).
[...] Exatamente eu não sei... ele (meu bisavô) veio para cá em 1876, com 10 anos de idade, ele veio para Recife, o irmão mais velho se chamava Francisco e eles tinham um negócio de levar e trocar mercadorias pelo interior, sendo que Garanhuns era uma região que tinha água mineral, era fria, era uma região onde se plantando de tudo se dava. [...] Tinha o café de
Período
Fases da Trajetória
1876/1884
Chegada dos imigrantes portugueses no Brasil, 1884- inauguração da empresa Ferreira Costa1920
Início da Gestão de João Ferreira da Costa Jr.1950
Morte de João Ferreira da Costa Jr.Dona Nazinha assume os negócios e introduz o filho Cyro na empresa sob sua orientação.
1979/1988/
2007
Entrada de André e Guilherme Ferreira da Costa 1988 – morte de Dona Nazinha
Brejão, tinha feijão, milho, ou seja, era uma região próspera [...] (ANDRÉ, entrevista).
Foi nesse cenário que há mais de um século os imigrantes Portugueses da família Ferreira Costa decidiram instalar-se. Garanhuns está localizada na região agreste meridional do estado de Pernambuco, cidade de clima ameno e por isso conhecida como Suíça Pernambucana, ou cidade das flores, atualmente com 150.000 habitantes.
Naquele tempo, foram atraídos pelo clima frio, semelhante ao europeu, água mineral, terras férteis com plantação de café e flores, além de ser uma região pólo de comércio que prosperava. Logo em seguida, no ano de 1878, foi construída a estrada de ferro da Great Western que passava por Garanhuns o que deu impulsão à economia local conforme declarações abaixo:
[...] Em 1878 chegou em Garanhuns a estrada de ferro e por conta disso todo mundo foi pra lá, por conta das águas, do clima semelhante ao clima europeu, porque era muito frio, e eles foram para lá e começaram como tropeiros pelas fazendas, vendiam mercadorias na cidade também e sentiram a necessidade de vender ferramentas e equipamentos agrícolas[...](ANDRÉ, entrevista)
Com a chegada da estrada de ferro na cidade foi dado novo impulso aos negócios, assim João Ferreira da Costa, sempre atento às necessidades locais do mercado, decidiu não só continuar como tropeiro entre as fazendas, mas estabelecer um pequeno negócio no centro da cidade a fim de comercializar produtos de primeira necessidade para a comunidade.
Então em 1884, separadamente dos irmãos, João inicia um pequeno armazém de secos e molhados que levava o sobrenome da família. Pouco tempo depois passa a comercializar miudezas, ferragens e utensílios domésticos.
[...] Sim... aí já era Ferreira Costa, que teve a fundação em 1884, era uma portinha bem pequena no centro da cidade e lá ele comprava e vendia frutas e verduras,e começou a vender também material agrícola, enxada, pá, o que o mercado necessitava[...](CYRO, entrevista)
E assim prosseguiram os negócios comercializando agora além de secos e molhados, também implementos agrícolas e utensílios domésticos, não só para a cidade de Garanhuns, mas para uma região, pois Garanhuns era uma cidade pólo de comércio e abastecia as cidades das redondezas.
2) Início da gestão de João Ferreira da Costa Júnior - 1920
No ano de 1920, João Ferreira da Costa Júnior assume os negócios da família e acontece a expansão das atividades da Ferreira Costa, dinamizando os negócios da empresa assim passando a importar ferragens e implementos agrícolas.
Na década de 40, com os investimentos feitos no Rio São Francisco, a cidade se firma como centro de abastecimento e a empresa passa a fornecer além de materiais de construção, ferragens, utilidades para o lar e até pneus para os automóveis que partiam da cidade para o sertão de Pernambuco, bem como os materiais para a ampliação da rede elétrica que se ampliava na cidade.
João Ferreira da Costa Jr casou-se por volta de 1927 com Dona Nazinha com quem teve 9 filhos. Dona Nazinha, figura sempre presente na vida da família, não só ocupava-se da educação dos nove filhos como ajudava o Sr. João na condução dos negócios.
No ano de 1945, Sr. João Ferreira da Costa foi acometido de doença reumática, mal que contava com poucos recursos para tratamento na época. Em busca de tratamentos mais eficazes e com a influência da missão americana que vivia em Garanhuns naquele tempo, João decidiu buscar alternativas nos Estados Unidos, acompanhando-se de Cyro, seu terceiro filho nascido em 1931 e então com menos de 15 anos, e por lá permaneceram aproximadamente 6 meses.
Conforme apresentamos abaixo, segue o relato dos entrevistados de onde se desprendem as informações para a reconstrução da história.
[...] Em 1946 papai estudou inglês e ele veio para cá, pra Recife, e foi acompanhar meu avô numa viagem para os Estados Unidos, para tratamento [...] (ANDRÉ, entrevista).
[...] Saímos de avião daqui do Recife, e aí parou em Natal, Belém, de Belém foi ao Panamá, Cuba, de Cuba fomos pra Miami, passamos 2 dias viajando, daí quando chegamos em Miami pegamos um vôo pra Atlanta, e de Atlanta pegamos um carro e fomos a Chicago encontrar um médico que tinha sido indicado pelos amigos americanos de meu pai em Garanhuns, mas não deu certo daí pegamos um carro com um americano que tinha estudado em Garanhuns no colégio XV de novembro e fomos até Nova York de carro, tentamos também tratá-lo em Nova York, mas também não deu certo [...] (CYRO, entrevista).
[...] Naquele tempo tinha sido descoberta a cortisona, que era sucesso, aí trouxeram a droga, mas quando foi aplicada deu abscesso e uma série de complicações, ou seja, morreu da cura (ANDRÉ, entrevista).
[...] Lamentavelmente, meu avô João não teve sorte [...] morreu aos 47 anos [...] minha Nossa Senhora! 47 anos e deixou 9 filhos, vê que coisa [...] (GUILHERME, entrevista).
Observa-se que no ano de 1946 Sr. João viaja com seu terceiro filho Cyro em busca de novos tratamentos para a doença reumática que o acometia. Naquela época havia surgido a cortisona, droga que parecia ser eficaz no tratamento desse mal, porém não ainda no Brasil, e eles foram aconselhados por alguns americanos que viviam em Garanhuns a buscar tratamento na América.
Enquanto isso, Dona Nazinha continuou no Brasil tocando os negócios e cuidando da educação dos 8 filhos que aqui permaneceram. A estada na América estendeu-se por aproximadamente 6 meses, porém o tratamento não foi eficaz. Quando aqui chegaram foi aplicada a cortisona que provocou abscesso local e várias complicações culminando com a sua morte aos 47 anos deixando viúva Dona Nazinha com 9 filhos para serem criados.
3) A morte de João Ferreira da Costa Júnior em 1950, quando Dona Nazinha assume os negócios e introduz o filho Cyro na empresa sob sua orientação.
Quando João Ferreira da Costa morreu, aos 47 anos em 1950 e deixou viúva Dona Nazinha com 9 filhos, Cyro, terceiro filho mais velho, que acompanhou o pai na viagem dos Estados Unidos para tratamento de saúde, já se encontrava morando na capital e estudando.
Assim, depois da morte de seu pai teve que abandonar os estudos e voltar a Garanhuns, para junto com a mãe tocar os negócios da loja, e manter os estudos de todos os outros irmãos no Recife.
Foram tempos muito difíceis, segundo relatam todos os entrevistados. Cyro tinha 19 anos quando o pai morreu. Sonhava estudar engenharia, sua grande paixão, sonhava poder fazer um curso de engenharia na Faculdade Mackenzie em São Paulo, porém não pôde concluir sequer o segundo grau, pois o retorno para o interior e a carga de trabalho impossibilitavam- no de estudar.
Assim, desde 1950 assumiu a família trabalhando nos negócios ao lado de sua mãe, e pôde ajudar a formar todos os outros irmãos que permaneciam morando no Recife.
A princípio tudo foi muito difícil, conforme declaram os entrevistados, sob a orientação de Dona Nazinha, senhora dotada de pulso muito forte, Cyro aos poucos foi assumindo a empresa, sempre contando com o apoio e a orientação de sua mãe.
Em 1953 Cyro casou-se com Oneida e teve 5 filhos: Eduardo, Guilherme, André, Lavínia e Flávia, então agora além de ter sua própria família, mulher e cinco filhos, Cyro continuava
sempre ao lado da mãe Dona Nazinha tocando os negócios, enquanto os outros irmãos todos foram se formando, permanecendo no Recife e seguindo rumos diferentes.
Os negócios continuavam e a família se envolvia cada vez mais na empresa, eram tempos difíceis segundo pode-se desprender da fala abaixo relatada:
[...] Desde pequenos, todos nós fomos orientados a participar dos negócios, desde cedo, desde que eu me entendo de gente eu ia pra loja trabalhar, ia aos sábados, ia nas férias, porque a gente não tinha muitas férias né em janeiro a gente ia pra praia mas não ficava mais de um mês, o resto a gente ficava trabalhando na loja[...] trabalhavam papai, vovó e vendo tudo isso a gente viveu nessa vida , nesse ambiente de negócio e trabalho [...] e o mais importante foram as dificuldades que se teve, né[...] que se tinha por conta do negócio, que não era grande, era pequeno [...]a região já não tinha aquele fartura... as terras não eram mais tão férteis, as chuvas irregulares, a agricultura e a pecuária de subsistência não voltadas para excedentes de produção [...] já houve em Garanhuns há muitos anos atrás na década de 30/40, a região tinha mamona, algodão, café... tudo isso era exportado; é tanto que o trem foi no século passado para Garanhuns porque a região tinha produção de algodão e café, mas depois desmataram tudo, houve um desmatamento geral. [...] (GUILHERME, entrevista).
Com o decorrer do tempo a família foi crescendo, os filhos de Cyro ainda pequenos sempre foram orientados a trabalhar na loja, o que faziam aos sábados e durante o período de férias escolares. A família continuava unida em torno dos negócios. Dona Nazinha continuava a trabalhar todos os dias, era uma presença muito marcante dentro da loja e embora o negócio não fosse grande, todos davam a sua contribuição.
A região empobrecera como um todo, a estrada de ferro tornou-se inativa, as terras já não eram mais tão férteis, as chuvas irregulares, grandes plantações de café deixaram de existir e a sazonalidade obrigava a família a sacrifícios.
Sempre acreditando ser de grande importância a busca do conhecimento e no intuito de proporcionar melhor formação aos seus filhos, Cyro dá condições a todos de estudarem em Recife terminando o ensino médio e ingressando na Faculdade.
4) A entrada de Guilherme e André na loja a partir de 1979, a morte de Dona Nazinha em 1988 até os dias de hoje (2007).
No ano de 1979, retorna do Recife Guilherme e em 1981 André, ambos formados em administração pela Universidade de Pernambuco para dar continuidade aos negócios da família, e a partir daí deu-se um crescimento contínuo que permanece até hoje.
Durante todos esses anos que se seguiram, permaneceram juntos trabalhando o Sr. Cyro, agora também com a ajuda de seus filhos Guilherme e André, e Dona Nazinha que trabalhava na loja todos os dias. André e Guilherme, jovens, inspiravam-se não só em seu pai Cyro, mas também contavam com o apoio e a orientação da avó Dona Nazinha, figura extremamente presente e atuante dentro da loja.
No ano de 1988 morre Dona Nazinha, até então sempre gozando de saúde e mulher de hábitos espartanos. Ela estava no Recife quando foi acometida por um ataque cardíaco fulminante, encerrando assim as suas atividades na loja, mas deixando o seu legado de força e determinação a seus sucessores.
Prosseguiram então agora Sr. Cyro, Guilherme e André assim em 1989, a empresa muda de uma loja de 500m2 de área de vendas para o primeiro home center do Norte/Nordeste, totalmente informatizado, comercializando 22000 itens e operando no sistema de auto- serviço, numa área de 7000m2 de área de vendas com a possibilidade de atender a 50 municípios num raio de 250 km.
A abertura dessa loja trouxe novos conceitos para o mercado local, os consumidores passaram a ser mais exigentes e os comerciantes locais tiveram que adequar o seu padrão de qualidade a um mercado agora habituado a inovações e constantes ofertas de novos produtos.
No ano de 1995 iniciam-se as atividades da filial do Recife com área de vendas de 6000m2 e oferecendo mais de 25000 itens, num empreendimento projetado para minimizar custos e maximizar benefícios proporcionando bom atendimento, serviços, comodidade além de preço competitivo.
No ano de 2002, a loja foi ampliada para 11.000m2 de área de vendas, totalmente climatizada e oferecendo 40.000 itens para comercialização. A empresa hoje possui duas lojas, uma em Garanhuns que também está sendo ampliada e outra no Recife. Emprega diretamente 1000 pessoas dentro do Estado de Pernambuco, e está em fase de expansão com a construção de uma nova unidade em Salvador (Bahia). A combinação entre tradição e capacidade de responder rapidamente às mudanças tem sido a receita para o constante crescimento e adequação ao mercado.
Todos os dados citados acima foram de informação da empresa, e também concluídos a partir das entrevistas realizadas com os diretores e o presidente da organização.
FOTOS QUE RETRATAM A TRAJETÓRIA E EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS LOJAS DE FERREIRA COSTA DESDE A PRIMEIRA EM 1884, PASSANDO POR TODAS AS FASES DE INSTALACÃO EM PRÉDIOS ATÉ OS DIAS DE HOJE (2007).
Figura 5 (4) - Trajetória e Evolução Históricas dos Prédios da Empresa Ferreira Costa Fonte: Dados históricos fornecidos pela família (Ver fotos ampliadas em apêndices)
Assim, após a descrição da trajetória da família / empresa Ferreira Costa, na próxima etapa serão apresentadas as características e valores da família Ferreira Costa.