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Apenas uma meia dúzia de inquiridos, nomeadamente pertencentes ao Instituto de Letras e Ciências Humanas, afirma ignorar casos de colaboradores com quaisquer indícios de dificuldades de integração. Os restantes indivíduos confirmam situações de colaboradores menos bem integrados, alguns dos quais, inclusive, vieram a abandonar a organização. Veja-se no quadro 21 os motivos, conhecidos ou suspeitos, para os casos de colaboradores com assinaláveis dificuldades de integração.

DIFICULDADES DE INTEGRAÇÃO EC EEG EENG IEP IEC ILCH

Nacional inadaptado/isolado ?? ?? ??

Estrangeiro inadaptado/isolado ?? ?? ?? ?? ??

Personalidade reservada ??

Conflitos pessoais ?? ?? ?? ?? ??

Desagrado face a área de investigação ?? ?? ?? ??

Falta de vocação auto-reconhecida ?? ??

Mau desempenho ?? ?? ?? ?? ??

Falta de ética profissional ??

Desagrado face ao funcionamento da organização ??

Doença psíquica ??

Quadro 21 - Motivos da não integração ou da difícil integração de alguns colaboradores, por Escola/Instituto, segundo opinião dos docentes nacionais

As situações de não integração mais frequentemente apontadas, na maior parte das faculdades em análise (excluem-se o Instituto de Educação e Psicologia e o Instituto de Letras e Ciências Humanas), referem-se a estrangeiros inadaptados ou isolados. Eis algumas indicações nesse sentido:

"Houve uma situação de uma pessoa que não se conseguiu integrar cá. Era uma tal, acho que se chamava [… ], e que era italiana, e que nunca se conseguiu integrar. Eu lembro-me,

esforços que faziam para que ela, portanto, trabalhasse em conjunto, para saírem juntos, e ela nunca aceitava. Portanto, eu julgo que foi uma auto-exclusão. Ela nunca conseguiu perceber a forma como nós vivemos." (Entrevista n.º4, Escola de Economia e Gestão)

"O caso mais gritante, por questões sociais, é verdade. Esse foi o caso mais evidente. Uma pessoa que veio de fora e que não se integrou socialmente. De fora de Portugal. E, portanto, não se sentiu bem integrado na sociedade, neste caso, vimarenense, e voltou para o país de origem." (Entrevista n.º16, Escola de Engenharia)

"Também já tivemos um problema com um senhor venezuelano. O que aconteceu é que quando chegava a Junho, ele ia-se embora, não ia aos exames, portanto havia este tipo de situação. (… ) No departamento e nos esquemas da universidade, ele não se conseguiu integrar." (Entrevista n.º18, Escola de Ciências)

De notar, porém, que sendo o Instituto de Letras e Ciências Humanas a faculdade da Universidade do Minho que emprega um número superior de académicos de outras nacionalidades, não deixa de ser curioso o facto de nenhum respondente desse instituto expor situações de estrangeiros menos bem integrados. Veja-se o seguinte comentário:

"Os docentes estrangeiros que vêm como leitores, apesar da situação ser precária, isto é, de três em três anos se o departamento não os quiser mais eles têm que se ir embora… Mas, normalmente, temos gostado do seu trabalho e muitos deles até têm acabado por casar cá, por construir a sua vida aqui, sinal de que se adaptaram bem." (Entrevista n.º34, Instituto de Letras e Ciências Humanas)

Outro motivo largamente mencionado prende-se com o desenvolvimento de conflitos pessoais, nomeadamente com o orientador do indivíduo ou responsável pelo seu grupo disciplinar, e que foram, frequentemente, despoletados por desacordos referentes a projectos de investigação:

"Ao facto do responsável pelo grupo lhe ter criado mau ambiente. A pessoa em causa tinha uma nota de licenciatura muito alta e, portanto, após a parte curricular do mestrado ia passar directamente para o doutoramento, e já tinha quase o trabalho acabado mas como se aborreceu com o orientador, foi-se embora. O orientador criou muitos problemas, muitos

atritos, coisas muito desagradáveis. Ele era uma pessoa com uma mente um bocado retorcida, parece-me ser aquele tipo de pessoa que tem medo que os outros sejam muito bons, que o coloquem na sombra." (Entrevista n.º25, Instituto de Educação e Psicologia)

"Houve mais casos, vários casos. Casos também de pessoas que foram contratadas para dar uma determinada área e depois, a certa altura, a instituição não foi capaz de perceber que essas pessoas que estavam a dar aulas naquela área, queriam fazer investigação nessa área, e, praticamente, as obrigaram a fazer investigação noutra área, levando a que as pessoas tivessem que fazer uma mudança no rumo das suas vidas. Não foi por culpa da pessoa, foi a própria instituição que não conseguiu ver que estava errada, porque forçou comportamentos." (Entrevista n.º4, Escola de Economia e Gestão)

Alguns indivíduos, nomeadamente da Escola de Ciências, justificam situações de não integração por óbvia falta de competência ou mau desempenho do visado. Uma chamada de atenção, ainda, para casos de nacionais inadaptados ou isolados, normalmente vindos de pontos distantes do país. Aliás, vários inquiridos explicam que, em seu entender, muitos académicos, nacionais ou estrangeiros, revelaram dificuldades de integração suscitadas pela distância forçada de familiares e amigos. Os seguintes relatos exemplificam, precisamente, esta condicionante:

"(… ) Por outro lado, temos cá pessoas de outras nacionalidades que estão cá e que estão bem, que estão integradas, mas isso também deve depender muito das condições de vida dessas pessoas para além do que se passa aqui na Escola. (… ) Quer dizer, uma coisa é vir alguém de outra nacionalidade que está familiar e emocionalmente estabilizado em Braga, ou que é casado com alguém da Escola, ou que vive em Braga e tem família em Braga. Isso será um caso. Um caso diferente é o caso desta senhora que eu lhe falei à pouco e que era o caso de uma senhora que veio sozinha e que estava sozinha em termos de família e, portanto, é difícil dizer que ela não se integrou, porque não sei dizer se ela não se integrou na Escola ou não se integrou na cidade, ou não se integrou em Portugal, ou seja o que for. Portanto, são casos diferentes." (Entrevista n.º1, Escola de Economia e Gestão)

"Houve um caso de um estrangeiro que esteve cá e que se foi embora. Mas isso não teve nada a ver connosco. Ele foi embora porque tinha família no estrangeiro e teve dificuldades em se manter longe dela." (Entrevista n.º22, Escola de Ciências)

Os dados evidenciam, portanto, acentuadas dificuldades de integração por parte de académicos de outras origens culturais, nomeadamente indivíduos estrangeiros ou, mesmo, de pontos distantes do país. Esta constatação não poderá deixar, portanto, de levantar algumas suspeitas quanto à ausência de uma eficaz gestão da diversidade da força de trabalho na generalidade das unidades orgânicas da Universidade do Minho.

6.4. As Práticas

Neste ponto procura-se desvendar algumas das práticas de gestão de recursos humanos desenvolvidas em cada faculdade, nomeadamente os factores que tendem a valorizar um candidato a um cargo de docente/investigador num processo de selecção, as práticas de socialização/integração dos novos membros e, por fim, os critérios que determinam a progressão na carreira académica.

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