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Constitui-se no conjunto de sistemas de produção que convergem para os sistemas agro- florestais desenvolvidos por camponeses. Em sua dinâmica interna revelam-se os sistemas agro- florestais inseridos em um paradigma tecnológico com certa preservação da natureza originária. Está baseada em uma combinação do extrativismo de produtos não-madeireiros com agricultura diversificada representada pelas culturas temporárias e permanentes, mas não somente.

3.1.2.1 As características do conjunto na região norte

Trajetória liderada por 130.593 estabelecimentos camponeses na Região Norte com estabelecimentos médios de 23 hectares, que controlam na região norte, três milhões de hectares das terras e ocupam 502 mil pessoas. Apenas 1/5 das terras são usadas, a despeito disto, cresceu 9% entre 1995 a 2004. Um conjunto que representa 18% do VBPR do setor rural da região norte, e muito significativamente, é responsável por 3% da área degradada.

Entre as trajetórias camponesas, apresenta maior produtividade por área e menor em produtividade monetária por trabalhador. O volume de créditos indica a baixíssima densidade institucional e reclama atuação das instituições de C & T (agro-ecologia) numa abordagem de fronteira de capital natural, sob pena de ampliar assimetrias agricultura e indústria e fortalecer desigualdades distributivas, em decorrência da forte concorrência sofrida com trajetórias camponesas.T3 e patronal.T4.

O autor demonstra no Gráfico 2, o peso de sua distribuição espacial, mostrando sua evolução, novamente, pela ordem de importância: a mesorregião de maior expressão é o Nordeste Paraense (PA) onde apresenta uma tendência decrescente, logo aparecendo a Centro Amazonense (AM, crescente) e Sudeste Paraense (PA) onde há tendência crescente; já no Marajó (PA), além de não constituir uma mesorregião na qual a trajetória tenha grande importância, ainda revela-se decrescente. Esta última difere do Norte Amazonense (AM), com tendência crescente.

Gráfico 02. Ocorrência da Trajetória Camponês.T2 Agroflorestal medida pelo VBPR, 1995 Fonte: IBGE, Processamentos Costa (2009)

3.1.3 A Trajetória Tecnológica Camponês.T3

Constitui-se no conjunto de sistemas de produção desenvolvidos por agentes camponeses que convergem para a pecuária bovina de corte. A dinâmica interna deste conjunto é revelada no

encadeamento dos sistemas que se desenvolvem a partir da extração de madeira, seguida do estabelecimento de culturas temporárias, ou permanentes combinadas e/ou seguida da pecuária de corte, especialmente, sistemas de produção de cria (matrizes para produção de bezerros).

3.1.3.1 As características da trajetória Tecnológica Camponês.T3 na região norte

O conjunto identificado por Costa (2009) é representado por 109 mil estabelecimentos que ocupam aproximadamente sete milhões de hectares. Computam 18% do VBP em 1995, com perdas anuais em torno de um ponto percentual. Suas relações técnicas são as mais extensivas quanto a terra e menos rentáveis13

, no que tange ao trabalho, de todas as trajetórias camponesas.

O conjunto é responsável por 12% do estoque das áreas degradadas na região norte.

Estudos diversos liderados por Veiga e Tourrand (2003) dedicam-se à análise dos estabelecimentos da agricultura familiar que desenvolvem esta trajetória. Dentre eles destaca-se Ferreira (2003) que se concentra nas trajetórias dos agentes. Com forte trabalho de campo e levantamento estatístico, identifica seis tipos de trajetórias: i) sobrevivência; ii) subsistência; iii) acumulação; iv) culturas perenes; v) diversificado e; vi) pecuária (grifo nosso).

A trajetória do tipo pecuária assemelha-se a dinâmica descrita por Costa (2008) para a Trajetória Camponês.T3. O projeto das famílias é voltado essencialmente para a pecuária bovina com a propriedade ocupada em mais de 80% por pastagens. Mesmo desenvolvendo agriculturas permanentes em determinado estágio, tendem a suprimi-la do sistema de produção, que se faz predominantemente, pela criação, recriação e até engorda de gado bovino.

No estudo de Ferreira (2003), a atividade pecuarista em nível de propriedades tem elemento de destaque com forte descrição da dinâmica interna dos estabelecimentos. Em muito difere da abordagem de trajetórias tecnológicas, contudo, realiza-se sobre uma empiria que reforça as conclusões de Costa (2009). A pecuária de corte é a atividade para onde converge a trajetória tecnológica T.3 que está baseada em estabelecimentos camponeses, sendo este seu ponto de convergência. Todavia, o autor faz isso, demonstrando a participação relativa de outros sistemas, tais como: agriculturas temporárias e permanentes, pecuária leiteira, extrativismo madeireiro e não-madeireiro, criação de pequenos e médios animais, além da horticultura. E mesmo que se apresente aparentemente diversa, não é.

13 Rendimento por trabalhador de R$ 2.615,07, por unidade de área de R$ 167,33 e relação terra/trabalho de 15,6

0,484 0,436 0,432 0,491 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Culturas temporárias Pecuária de carne Pecuária de leite Culturas permanentes Extrativismo Não Animais de pequeno porte

Animais de médio porte Extrativismo madeireiro Horticultura Índice de diversidade 1990 1995 2000 2006

Gráfico 03. Composição da Trajetória Camponês.T3, Convergente para Pecuária de Corte na Região Norte: Participação Relativa dos Grupos de Produtos do Valor Bruto da Produção e

Índice de Diversidade, 1990 a 2006 (médias trianuais). Fonte: Processamentos Especiais Costa (2009)

A ocorrência da trajetória tecnológica Camponês.T3 é demonstrada pelo autor no gráfico 03, onde são apresentadas mais uma vez por ordem de importância14 nas mesorregiões. Verifica- se que no Centro Amazonense (AM) tem tendência indeterminada; no Sul Amazonense (AM), tem comportamento crescente assim como no sudeste Paraense (PA), e finalmente, na região Ocidental do Tocantins (TO) apresenta comportamento decrescente. Muito significativo é o caráter decrescente da trajetória na região ocidental do Tocantins, pois se trata de uma área onde a mesma trajetória já teve comportamento inverso.

A interdisciplinaridade entre os postulados teórico-metodológicos da geografia e da economia aqui apresentados encontram solidez no componente territorial que está implícito no estudo de Francisco Assis da Costa, visto que são demonstradas as diferenças nas dinâmicas produzidas por relações específicas travadas por agentes com racionalidade semelhantes, mas dispersos sobre toda região norte. Ao lado destes visualiza-se outras racionalidades, inclusive concorrentes pelo uso do território, por via de conseqüência, também concorrentes na forma de apropriação dos recursos tangíveis e intangíveis.

Gráfico 04 - Ocorrência da Trajetória Camponês.T3, Convergente para a Pecuária de Corte medida pelo VBPR, 1995

Fonte: IBGE, Processamentos de Costa (2008)