Entende-se que EAD é uma forma de comunicação bidirecional nas relações aprendiz-aprendiz e formador-aprendiz, tornando possível a aprendizagem individual e em grupo, com a mediação de recursos didáticos organizados e veiculados em diferentes tecnologias de informação e de comunicação, com o apoio de um sistema de acompanhamento. Uma das maiores vantagens dessa abordagem de ensino é o aprendizado flexível, onde os próprios participantes gerenciam o seu tempo de estudo e escolhem como fazê-lo.
Muito mais do que apenas dinamizar e promover uma nova materialização da informação, a tecnologia digital permite a interconexão de sujeitos, de espaços e/ou cenários de aprendizagem, exigindo dos mesmos, novas ações curriculares e ações em rede. Assim, quando Lévy (1997 apud Santos, 2002) destaca a necessidade de “aprender com o movimento contemporâneo das técnicas”, é possível buscar inspiração no mundo digital e seus desdobramentos (hipertexto, interatividade, simulação, etc.), e buscar práticas curriculares mais comunicativas, como mais e melhores autorias individuais e coletivas (Santos, 2002).
Santos (2002) advoga que a EAD se caracteriza como uma modalidade de educação que promove situações de aprendizagem onde formadores e aprendizes não compartilham os mesmos espaços e tempos curriculares, comuns nas situações de aprendizagem presenciais. Para tanto, é necessária a utilização de uma multiplicidade de recursos tecnológicos que ajam como interfaces mediadoras na relação entre formadores, aprendizes e conhecimento.
Para Santos (2002) o ciberespaço deve fazer uso de sua natureza multimídia, interconexão e integração, e torna-se um espaço de comunicação potencialmente interativo, pois permite uma comunicação “todos para todos”. É somente potencialmente interativo, pois não garante obrigatoriamente pelas suas interfaces (ferramentas) tal interatividade.
3.1.1. Dificuldades das abordagens de EAD
Por ser uma abordagem relativamente flexível e aliada muitas vezes a sua má utilização tanto por aprendizes como por formadores, a EAD encontra algumas barreiras em sua utilização como as descritas a seguir:
a. Ausência do formador no processo: parte das críticas à EAD tem como alvo a não-presença do formador no dia-a-dia dos aprendizes, atuando como motivador e fiscal das atividades. Esse talvez, seja o grande desafio dos formadores na educação a distância. Como os aprendizes que optam por este tipo de curso têm, em geral, um perfil mais autônomo no que diz respeito à condução dos seus estudos, a responsabilidade do formador aumenta, uma vez que precisa manter, mesmo estando distante, a motivação dos aprendizes.
b. Forma de distribuição de materiais de apoio: o paradigma da transmissão ou da distribuição de materiais vem se mantendo no mesmo modelo dos meios de distribuição em massa. O que se tem em geral é a banalização do ensino a distância e a subutilização das tecnologias digitais de comunicação (Okada e Santos, 2003). O ciberespaço vem sendo utilizado como uma mídia de massa que incorpora conteúdos, estas características são comumente observadas em experiências de EAD mediadas por impressos, televisão ou vídeos, onde a comunicação se restringe ao modelo “um para todos” (Santos, 2002). Pretto
(2000) afirma que a internet tende a se tornar o maior repositório de conhecimento humano, embora ainda mantendo o mesmo estilo de concentração na produção do conhecimento e na divulgação de informações dos chamados tradicionais meios de comunicação de massa.
c. Reprodução de modelos tradicionais: ambientes de EAD reproduzem o mesmo paradigma do ensino tradicional, em que se tem o formador responsável pela produção e pela transmissão do conhecimento. Mesmo os recursos como grupos de discussão e emails, são ainda, formas de integração muito pobres. Os cursos pela internet acabam considerando que as pessoas são recipientes de informação. A educação continua a ser, mesmo com os aparatos tecnológicos, o que ela sempre foi: uma obrigação chata e burocrática. Se o atual paradigma não mudar, as tecnologias acabam servindo para reafirmar o que já se faz no ensino tradicional (Blikstein, 2001).
d. Separação de papéis: Santos (2002) e Okada (2003) afirmam que existem muitas abordagens equivocadas em ambientes EAD, que separam burocraticamente a ação do formador em compartimentos como as descritas nos itens a seguir: Professor-Autor (é quem elabora conteúdos para materiais didáticos); Professor-Instrutor (é quem ministra aulas complementares ao material didático) e Professor-Tutor (é quem auxilia os autores e instrutores e, principalmente os aprendizes, no processo de ensino-aprendizagem). Dessa forma a autoria do formador reduz-se à elaboração de conteúdos a serem transmitidos como mensagens fechadas e imutáveis. A produção e a distribuição dos conteúdos e materiais são separadas do acompanhamento do processo de aprendizagem, não permitindo alterações dos conteúdos por parte dos sujeitos envolvidos. Ademais, a autoria se reduz a quem cria o material didático que circula no ambiente, fazendo do aprendiz e do formador recipientes de informação, ainda baseada na lógica da comunicação de massa.
Os espaços de aprendizagem não podem ser reduzidos a um repositório de informações, pois tratam-se de ambientes fecundos de inteligência coletiva. Diante de tais competências, os termos tutor ou facilitador não contemplam a complexidade que supõe a autoria do formador, seja de forma presencial ou a distância. A noção de espaço de
aprendizagem vai além dos limites do conceito de espaço/lugar. Com a emergência da “sociedade em rede”, novos espaços digitais e virtuais de aprendizagem vêm se estabelecendo a partir do acesso e do uso criativo das novas tecnologias da comunicação e da informação. Novas relações com o saber vão se instituindo num processo híbrido entre o homem e máquina, tecendo teias complexas de relacionamentos com o mundo (Santos, 2002).
3.1.2. Facilidades das abordagens de EAD
As novas possibilidades de aplicação das tecnologias aos sistemas de ensino favorecem a conformação de novos ambientes cognitivos, que podem contribuir, de forma efetiva, para o estabelecimento de novas formas de pensar e de aprender. Segundo Quadros e Martins (2005) a EAD em seu atual estágio de desenvolvimento é reconhecidamente considerada pela comunidade acadêmica internacional como estratégia privilegiada para a difusão, socialização e capilarização do conhecimento e valores em escala global, sendo observada as seguintes vantagens/possibilidades:
a. uso intensivo de recursos de interatividade intrínsecos nas interfaces propiciadas pelos ambientes e ferramentas de aprendizagem baseadas em tecnologias web;
b. uso intensivo e efetivo da imensa capilaridade das redes, particularmente a internet em termos institucionais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais (estima-se um público global de 2 bilhões de indivíduos em 2005 com acesso direto às redes por meio de computadores, PDAs, equipamentos celulares e outros equipamentos afins);
c. estimulo à realização de práticas pedagógicas renovadas, com ampla autonomia na manipulação (busca, armazenamento, modificação e seleção) do saber também propiciada pela enorme massa de dados e informações disponíveis na web e, também pela enorme capacidade de armazenamento de informação pelos computadores;
d. familiarização com o uso das tecnologias da comunicação e da informação de maneira a promover a atualização com as tendências da contemporaneidade;
e. maior flexibilidade, pois amplia as possibilidades de escolha de local e horário de estudo, permitindo maior adaptação ao ritmo de aprendizagem do participante;
f. desenvolvimento de competências, tendo em vista que os aprendizes possuem uma maior autonomia de estudo e organização do trabalho intelectual, incentivo à pesquisa, troca de informações e experiências com os melhores profissionais da área e com os demais participantes;
g. possibilidade de atender grande número de pessoas, situadas em diferentes localidades, simultaneamente, sem deslocamento de casa ou do trabalho.
Esse novo conjunto de recursos, principalmente de redes e equipamentos computacionais, pode propiciar um aprendizado significativo, crítico, vivencial, integrado, sem fronteiras, de baixo custo e customizado segundo a disponibilidade e perfil de cada indivíduo. Além disso, é um incentivo a uma postura autônoma do aprendiz e à co-autoria na construção do próprio conhecimento, fator importante na interdisciplinaridade e nas práticas pedagógicas de maneira geral.