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Flom- og skredfare

In document Raggovidda II vindkraftverk (sider 19-0)

Os dados referem-se às perguntas 4, 5 e 6. No cotidiano escolar, ouve-se com freqüência o termo brega relacionado à música para indicar a música que não é apreciada. Muitas vezes, essa identificação é acompanhada do adjetivo ruim , motivo pelo qual a questão sobre boa música vem em oposição à musica brega . Em contraposição, rotular uma música de legal significa dizer que é uma boa música .

Nesse contexto, os jovens alunos participantes da prática musical definem a boa música, uma música "legal" com "uma letra ou

som que podemos ligar com coisas que estão acontecendo na nossa vida . Logo, a música significativa é aquela que tem relação com o que está acontecendo, agora, no momento presente na vida dos adolescentes.

Conhecer a música de que eles gostam e que apreciam é entrar no espaço vivencial e na dimensão temporal da vida dos adolescentes. Portanto, uma boa música , uma música legal , tem de ter som , um

bom som , um bom estilo de som", "um som agradável , legal e pesado ou muito alto . Para a maioria, tem que ter um ritmo rápido

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com muita batida, tocando bem alto ; batidas fortes, legais e agitadas,

não devagar, em volume alto , agradável aos ouvidos .

A música legal tem que ter sentido na letra e no som. Na maior parte das respostas, o sentido está relacionado àquele da letra; em outras, o sentido abrange a letra, mas inclui outros elementos, como o ritmo, a melodia, a harmonia: "uma música que tem coerência, que fala

uma coisa com outra, que tem a ver com o resto da música", respondeu

um dos jovens alunos.

Esta e outras definições demonstram uma percepção mais apurada quanto à organização sonora, e a configuração instrumental aponta para um determinado universo musical, notadamente o do rock pesado e do hip hop. Ou seja, a expressão concreta do gosto e do sentido musical se dá com a escolha dos gêneros musicais, tanto no que se refere à preferência como à rejeição: o rock lidera as preferências, seguido pelo pop, rap, pop rock, hip hop e techno.

Comparando as preferências mencionadas, observa-se que o oposto da música legal , as músicas das quais eles não gostam, são as "músicas brega". Segundo Araújo,

o termo brega surge no universo da música popular brasileira na década de 1980, abrangendo todas as manifestações de música popular de massa, a 'música do povão'; (...) usualmente usado em sentido depreciativo, para denotar algo vulgar e de mau gosto"(1987, p.87).

É uma música lenta, devagar, parada, chocha e repetitiva; é

açucarada, romântica ao extremo, e sensível demais . É uma música

que não tem nada a ver, não tem sentido, não fala de coisas certas, não combina nada com nada, não tem história, nem significado .

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Essas escolhas, segundo Bourdieu (1979, p. 543), mostram que o gosto é uma disposição adquirida para diferenciar e apreciar (...) ou estabelecer e marcar uma operação de distinção . Nesse contexto, funciona como um tipo de orientação social para os ocupantes de um lugar, determinando seu espaço social, ou seja, é uma expressão de inserção em uma classe, neste caso, a classe dos jovens ligados à sua época, a classe daqueles que são jovens e gostam de muito movimento, das "baladas", de barulho. Nessa condição, quando os jovens alunos dizem que a música brega não tem nada a ver , referem-se ao fato de que este tipo de música "não tem nada a ver com a vida deles, não está "na moda". Na verdade, são as músicas com as quais não nos

identificamos .

Por isso a letra não tem história, sentido ou significado, porque fala de outras realidades. Aqui cabe também a música sertaneja ou música caipira, porque, é uma música que fale do meu sertão','do

gado", termos que estão fora do espaço social em que vivem, pois

consideram o espaço urbano como o espaço do desenvolvimento, do progresso, embora vivam praticamente junto ao espaço rural.

Oliveira (2004, p.17) confirma essa disposição do pensamento brasileiro em relacionar o rural como símbolo do atraso, em que o tradicional se opõe ao racional. Essa rejeição dos adolescentes pela música sertaneja ou caipira parece refletir esse tipo de distinção. Assim, podem até associar uma e outra: "música brega é aquela música dos

caipiras . Em síntese, a música considerada brega parece estar fora do

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Com relação à música da aula de música , eles aplicam os mesmos critérios de distinção, mas com algumas peculiaridades. Embora a questão não tenha sido contemplada no questionário, mas, como foi destacado no início da discussão, tendo em vista o depoimento espontâneo de um dos jovens alunos à professora, de que não gostava da música da aula de música , colocou-se esta observação para ser brevemente discutida durante uma das aulas. Em um curto espaço de tempo, várias questões foram levantadas pelos alunos, e embora o contexto viesse de outras conotações com aula de música, deu-se sobretudo em relação ao repertório musical utilizado nas aulas da pesquisa prática (ver anexo 1), "mais pelo estranhamento" com relação aos materiais usados do que propriamente por não gostar de música.

Na configuração da categoria música da aula de música , os jovens alunos articulam noções de tempo, velocidade, duração com relação aos gêneros e estilos musicais preferidos. Nesse sentido, a música da aula de música está fora do espaço, fora de uma temporalidade que eles identificam como "de seu tempo", representada por um tipo de velocidade e ritmos musicais.

A categoria musica da aula de música passa a ter uma conotação positiva, ou seja, passa a ser música "legal" quando os jovens alunos têm a oportunidade de nela imprimir as marcas de seu universo musical: eu gosto quando a gente mesmo faz as músicas (...);

quando a gente faz, a gente pode fazer do jeito que a gente gosta, a letra da música, o ritmo, o estilo.

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Apesar de breve, a discussão sobre a musica da aula de música permitiu perceber melhor as articulações conceituais e os aspectos valorativos que entram em jogo na definição das preferências musicais dos jovens alunos, esclarecendo também os critérios que fundamentam a seleção dos gêneros musicais preferidos e preteridos.

Enfim, como foi visto, e secundando Bourdieu (1979, p. 546), os gostos são inculcados pela educação, seja pela da família, seja pela da escola, e funcionam como esquemas históricos de percepção e de apreciação, nos quais se fundamentam todos os sistemas de classificação e ordenamento do mundo social. Ou seja, pode-se dizer que gostos, preferências, estilos de vida e gêneros musicais se configuram e são configurados num processo de realimentação mútua, compondo diferentes estilos de vida.

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