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Flight plan and execution

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9 Final trial at Ørland

9.4 Flight plan and execution

Ao se pronunciar, o sujeito passa a produzir imagens e a significar o mundo a partir de projeções imaginárias do lugar social que ocupa e fala e das relações históricas em que vive. Esse sujeito também revela as projeções imaginárias que faz do lugar que o seu interlocutor ocupa em relação ao que está sendo dito. Por isso, quando se procede a uma análise, devem-se trabalhar as posições dos sujeitos no discurso como forma de rede de formações imaginárias.

Ao focalizar o que é comum aos campos do saber, na constituição do novo objeto o discurso, este pressupõe um funcionamento da linguagem e põe em relação sujeitos imantados pela língua e pela história, em um complexo processo de constituição dos sujeitos e da produção de sentidos. A AD focaliza o texto e trata do seu significado, pressupondo todo o legado do Materialismo Histórico:

... há um real da história de tal forma que o homem faz história, mas esta não lhe é transparente. Daí, conjugando a língua com a história, na produção de sentidos, esses estudos do discurso trabalham o que se vai chamar a forma material (não abstrata como a da Lingüística) que é a forma encarnada na história para produzir sentidos: esta forma é, portanto lingüístico-histórica. (Cf. Orlandi, 1999, p.19)

Isso quer dizer que: Estando os processos discursivos na fonte da

produção dos efeitos de sentido, a língua constitui o lugar material onde se realizam estes efeitos de sentido. (Pêcheux e Fuchs, 1997, p.172) Por essa

perspectiva, a AD passa pela questão do papel da Semântica na análise lingüística.

Para Orlandi (1986, p. 114), a AD trata dos processos de constituição do

fenômeno lingüístico, enquanto a Lingüística visa o produto dessa constituição.

No discurso, além de se representarem os interlocutores, representam-se também a relação que eles mantêm com a formação ideológica, e isto é marcado no/pelo funcionamento discursivo. Assim, destaca-se o modo de funcionamento da linguagem, sem esquecer que esse funcionamento não é totalmente lingüístico, já que existem condições de produção, que representam o mecanismo de situar os protagonistas e o objeto do discurso.

Essa razão leva a afirmar que o discurso é o resultado de um efeito de sentido entre os interlocutores, que representam lugares determinados na estrutura da formação social. Esses interlocutores constituem-se sujeitos que sob a orientação da AD passam a ser considerados como um sujeito diferente, não- empírico que não-coincide consigo mesmo, um sujeito materialmente dividido desde a sua constituição. Este é um sujeito que está condicionado à língua e à história, pois é afetado por elas, e só produz sentidos nessas condições. Todavia, não se pode deixar de refletir também, que não há sujeitos da história, mas há sujeitos na história. Nesse caso, trata-se de sujeitos que atuam na história como sujeitos ativos. (Cf. Althusser, 1992, p. 93)

Afirma-se, desta feita, que o sujeito é uma posição, um lugar, não lhe sendo acessível o modo como ocupa o lugar, da mesma maneira que a língua não lhe é transparente, nem o mundo lhe é diretamente apreensível. Sabe-se que tudo é constituído pela ideologia, ou seja, condição essencial para a constituição do sujeito e dos sentidos. Logo, o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia para que se produza o dizer só há ideologia pelo sujeito e para o sujeito; o

indivíduo é interpelado como sujeito [livre] para livremente submeter-se às ordens do sujeito, para aceitar, portanto, [livremente], sua submissão. (Idem, p. 93)

Há de se esclarecer que o sujeito se constitui na idéia de evidência produzida pela ideologia, ou seja, a própria ideologia dissimula a existência do sujeito no interior de seu funcionamento. A interpelação do indivíduo em sujeito pela ideologia leva Pêcheux à noção de ilusão do sujeito. Este tem a ilusão de estar na fonte do sentido e também, de ser dono de sua enunciação, capaz de

dominar as estratégias discursivas para dizer o que quer. O estudioso afirma que isto não passa de uma estratégia discursiva, uma vez que os sentidos produzidos não nascem nas pessoas, mas são retomadas dos interdiscursos. A evidência do sentido é um efeito ideológico que não permite que se perceba a historicidade de sua construção. Isto é, quando as formações discursivas são postas em relações, as palavras recebem seus sentidos e, é isto que constitui o efeito do interdiscurso da memória e a evidência do sujeito apaga o fato de que ela resulta de uma identificação, em que o indivíduo é interpelado pelo sujeito da ideologia.

Como se disse, a ideologia passa a ser função necessária entre linguagem e mundo. Ao ser constituído sujeito, ele é interpelado, mas acredita-se livre; é

dotado de inconsciente, mas percebe-se plenamente consciente. (Indursky, 2005,

p. 140)

A questão do sujeito reflete as relações que ele mantém com a forma- sujeito, que caracterizam o modo de subjetivação ou de inscrição de ordem simbólica histórico-social. Trata-se de uma relação entre identificação, identidade e enunciação, havendo de se considerar que a individualização dessas categorias é quase impossível, uma vez que, se a interpelação do indivíduo em sujeito se dá pela identificação com um sujeito universal, esse processo contempla, de forma quase indivisível, o próprio desdobramento do indivíduo em:

1. sujeito inscrito por determinações históricas e pela ordem do simbólico em uma forma-sujeito;

2. um sujeito-enunciador que toma posições a partir do lugar que ocupa e se reconhece como sujeito, e, portanto, se coloca em seu discurso como portador de uma identidade que acredita ser objeto de sua livre opção. (Cf. Pêcheux, 1990)

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