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Flerkanalfasen (1992-2005)

In document Dansen rundt gullballen: (sider 38-42)

Durante a realização do estágio foram utilizados diferentes métodos de recolha e análise de dados. Apresento em seguida, as diferentes técnicas e instrumentos utilizados que permitiram obter informações fundamentais para conhecer a dinâmica e estrutura da associação por um lado, e por outro, perceber e identificar as diferentes necessidades com as quais a associação se confrontou e que resultaram na definição da minha intervenção.

V – O PERCURSO – ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

5.2.1 Técnicas e instrumentos de recolha de dados

 

- Entrevista Semi-diretiva

Foram realizadas duas entrevistas semi-diretivas a dois centros de formação: o centro de formação do local de estágio e o centro de formação ALMADAFORMA.

A entrevista constitui uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas Ciências Sociais. Trata-se de uma forma de inquirir e consiste “numa conversa intencional, geralmente entre duas pessoas, embora por vezes possa envolver mais pessoas” (Bogdan e Biklen, 1994). Como refere Ludke e Marli (1986) a grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é a de que “ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada”. Pode constituir-se como técnica principal ou como complemento de recolha de dados juntamente com a observação e a análise documental.

As entrevistas qualitativas variam quanto ao grau de estruturação. Neste sentido existem três tipos de estrutura diferentes: não diretivas, semi-diretivas e diretivas.

Nas entrevistas não diretivas (ou livres), na maioria dos casos é proposto um tema sobre o qual o entrevistado discursa livremente e onde, como refere Ghiglione e Matalon (1992), se limita as intervenções do entrevistador a insistências ou encorajamentos, sem acrescentar qualquer informação ou nova orientação.

No extremo oposto encontram-se as entrevistas diretivas que segundo os autores, encontra-se muito próxima de um questionário no qual só figurariam questões abertas não existindo qualquer ambiguidade. Segundo Ludke e Marli (1986) este tipo de entrevista é utilizada quando “visa à obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados, permitindo assim uma comparação imediata, em geral mediante tratamentos estatísticos.

No intermédio destes dois tipos de entrevistas encontram-se as entrevistas semi- diretivas. Nestas entrevistas “a ordem pela qual os temas podem ser abordados é livre; se o entrevistado não abordar espontaneamente um ou vários dos temas do esquema, o entrevistador deve propor-lhe o tema” (Ghiglione e Matalon, 1992). A entrevista semi- diretiva permite assim que o entrevistado se sinta a vontade para falar do tema e que o entrevistador dê espaço para que tal aconteça, no entanto o entrevistador deve ter em atenção a estrutura do guião da entrevista de forma a encaminhar o entrevistado para o tema pretendido. Neste sentido Bogdan e Biklen (1994) referem que podem servir de questões de orientação de tema “o que quer dizer com isso?” ou “pode explicar

64 melhor?”. Ludke e Marli (1986) referem que este tipo de entrevista “se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações”. Os autores referem ainda que se trata do tipo de entrevista mais adequado para o trabalho de pesquisa que se faz atualmente em Educação. Assim, a justificação para a sua utilização nos dois centros de formação em estudo.

Ghiglione e Matalon (1992) adequam ao método da entrevista quatro tipos de utilização: controlo, verificação, aprofundamento e exploração. Considera-se que para a entrevista realizada no local de estágio, a utilização pretendida foi a de aprofundamento uma vez que contribuiu para a recolha de mais informação para a caracterização da instituição. Na entrevista realização à diretora do centro de formação ALMADAFORMA atribui-se o tipo de utilização exploração uma vez que foi pretendido conhecer os métodos de trabalho do centro de formação.

- Análise documental

“Embora pouco explorada não só na área de educação como em outras áreas de acção social, a análise documental pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema” (Ludke e Marli, 1986)

A análise documental utilizada durante o estágio teve como função, tal como refere os autores, de complementaridade de informações que foram sendo recolhidas. Em outras situações, teve como função principal, não a recolha de dados, mas a examinação de documentos sobre, por exemplo, o tipo de avaliação da formação realizada pelo centro para a justificação da implementação de novos métodos e abordagens.

Guba e Lincoln (1981) citados por Ludke e Marli (1986) apresentam uma série de vantagens na utilização deste método: os documentos constituem uma fonte estável e rica pelo que é válida a sua consulta; trata-se de uma fonte “natural” de informação; é uma pesquisa de baixo custo; é uma fonte não reativa. Por outro lado apresentam as principais críticas ao uso deste método: representam amostra não representativas; falta de objetividade e a sua validade é questionável; método que facilita a inferência sobre “os valores, os sentimentos, as intenções e a ideologia das fontes ou dos autores dos documentos” (ibid).

V – O PERCURSO – ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

- Conversas informais

A minha habitual presença na associação proporcionou vários momentos de recolha de dados. Grande parte das informações foram recolhidas através de conversas informais com os membros da associação. O momento da minha integração na associação feita pelo diretor permitiu, logo numa primeira visita, conhecer as instalações, o passado da associação e alguns elementos que dela fazem parte. A participação nas diversas ações de formação motivou conversas sobre como era habitual alguns comportamentos dos formandos, sócios da associação, que justificavam certas decisões tomadas pela direção. Estas mesmas participações nas ações de formação motivaram ainda conversas com os próprios formandos, onde foi possivel obter expectativas e recolher opinões e comentários.

- Observação Participante

Apesar de não estruturada, a observação realizada durante o período de estágio teve como principal função verificar in loco a verdadeira dinâmica da associação, tornando-se num complemento às restantes técnicas já referidas. Possibilitou a confrontação das informações recolhidas verbal e informalmente, com a vida da organização que passei a integrar. Por este motivo, podemos considerar que foi realizada uma observação participante.

Este tipo de observação direta permite um acompanhamento que, quando se torna diário, facilita a compreensão dos significados que os atores atribuem à realidade em que estão inseridos, pelas decisões e ações que vão tomando.

5.2.2 Técnicas e instrumentos de tratamento e análise dos dados

 

- Análise de conteúdo

Segundo Estrela (1994), a análise de conteúdo refere-se às técnicas utilizadas pelas ciências sociais para a exploração de documentos, e visa a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação.

A análise de conteúdo deve respeitar as seguintes etapas: leitura inicial dos documentos; determinação dos objetivos de acordo com as hipóteses; e determinação de regras de codificação como unidade de enumeração ou de contagem. Para a codificação, usa-se a seleção de unidades, e cada categoria é definida operacionalmente pelos seus

66 indicadores cujo levantamento se deve proceder exaustivamente. O processo de categorização é definido por Bardin (1977) como “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género, com os critérios previamente definidos”. Segundo o autor deverá obedecer a critérios de exclusão mútua, homogeneidade, pertinência, objetividade e fidelidade, e produtividade.

Holsti (1969) citado por Ludke e Marli (1986) o processo de análise de conteúdo tem início com a decisão sobre a unidade de análise, podendo ser esta de dois tipos: unidade de registo e unidade de contexto.

A análise de conteúdo efetuada nas duas entrevistas realizadas aos dois centro de formação (anexo 3 e 9) tiveram em consideração os procedimentos acima referidos e a análise de unidades de registo como “segmentos de registo específicos”.

“A análise de dados qualitativos é um processo criativo que exige grande rigor intelectual e muita dedicação. Não existe uma forma melhor ou mais correcta. O que se exige é sistematização e coerência do esquema escolhido com o que pretende o estudo”. PATTON (1980) in LUDKE E MARLI (1986)

- SPSS (Statistical Package for the Social Sciences)

O software estatístico SPSS foi utilizado para o tratamento dos dados recolhidos através dos questionários aplicados. A utilização do programa incidiu, maioritariamente, no tratamento de dados ao nível da estatística descritiva. No entanto, foi igualmente através do programa que foi testado a fidelidade de um dos instrumentos de avaliação, através do coeficiente de Cronbach.

A AVALIAÇÃO NA FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES

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