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Flere plott fra endelig simulering

A Krefter og momenter i simuleringene

A.1 Flere plott fra endelig simulering

Vítor Ramalho

Secretário ‑Geral da UCCLA

Este encontro constitui uma convergência de desígnios nacio‑ nais dos nossos povos. Nesta homenagem aos associados da Casa dos Estudantes do Império não há objetivos que não te‑ nham a ver com o que os nossos povos criaram à escala global e, sobretudo, com este contributo notável dos jovens que, nos anos 50/60 do século passado, vieram estudar para Portugal, quando não havia universidades nas então ex ‑colónias.

Como é sabido, o antigo regime criou a CEI para integrar esses jovens, com o propósito de fazer reproduzir o sistema quando regressassem às suas terras. Mas, nos anos 60, sob os ventos da descolonização, estes jovens corajosos deixaram as universida‑ des que frequentavam para defenderem o im da guerra e a independência dos seus países, valores morais e éticos muito fortes, pondo em causa a estabilidade da sua previsível integra‑ ção no sistema colonial, o que lhes garantiria segurança e nível salarial elevado correspondente à elite integrada. Preferindo arriscar o seu próprio futuro e a própria vida ao juntarem ‑se de forma ativa à resistência ao regime colonial. É bom termos consciência desse sacrifício, numa altura em que se perdem princípios e valores, e em que o primado dos mercados e do dinheiro subordina praticamente todos os aspectos da vida. Nós izemos esta homenagem em honra destes jovens, e em honra de todos os povos falantes de língua portuguesa. Por‑ que existia então um regime ditatorial que oprimia, de formas e em graus diferentes é certo, todos os nossos povos e países, mas a opressão existia e isso era inaceitável.

A solidariedade e o empenho militante desses homens pela causa da paz, do desenvolvimento e, sobretudo, pela causa da liberdade, levou as gerações futuras a icar em dívida para com essa generosidade, pelo que o mínimo que podíamos fazer, era homenageá ‑los.

Esta homenagem começou com importantes intervenções de homens de cultura, que se tinham formado na CEI, em 28 de outubro do ano passado, na Universidade de Coimbra, cidade onde houve uma delegação da CEI. Foi também uma homenagem ao profícuo trabalho cultural e de formação cí‑ vica desenvolvido pela CEI.

Decidimos terminar este ano de homenagem à CEI no dia 25 de maio, Dia de África, dia criado pela Organização de Unidade Africana. Selecionámos, para fazer este encerra‑ mento, primeiro, os antigos Primeiros ‑Ministros dos nossos países e, logo a seguir, os antigos Presidentes da República. Todos eles foram jovens empenhados e ligados à Casa dos Estudantes do Império, e vão falar ‑nos da sua experiência de vida.

Depois disso, tivemos também presente que este ano faz trinta anos que a UCCLA foi criada por um homem deter‑ minado e que tinha amor aos povos de língua oicial por‑ tuguesa, que era o Engenheiro Nuno Kruz Abecasis, presi‑ dente da Câmara Municipal de Lisboa. Mas também faz cinquenta anos que a CEI foi extinta, em 1965, pela PIDE. E passam, ainda, quarenta anos, este ano, que houve o reco‑ nhecimento da independência dos países africanos lusófo‑ nos. São datas convergentes e nós, todos, somos um caso único neste mundo global. E, por isso, temos que deixar de pensar pequenino e passar a pensar como estes homens pensavam na altura.

Estes homens formaram ‑se na CEI cultural e politicamente, alguns já não estão entre nós e, qualquer que seja o nosso sen‑ timento, projetaram esta nossa realidade. Por isso estão aqui entre nós para falar da luta que travaram em prol da liberdade e de um mundo melhor. Quero ainda dizer que tivemos a aju‑ da e o apoio de quem percebeu a importância deste quadro tão relevante do mundo do futuro, da cultura. Nós estamos aqui pelo futuro, por uma razão clara, é que não é possível haver futuro sem memória. Muito obrigado.

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Luís Campos Ferreira

Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação – Portugal

Agradeço à UCCLA o convite para estar presente nesta ceri‑ mónia de encerramento das comemorações alusivas à CEI. Felicito o Dr. Vítor Ramalho por esta extraordinária iniciativa, que desenvolveu com tanta dedicação e empenho ao longo do último ano. Pude testemunhar, logo no primeiro encontro que tivemos em 2013 e em que me foi apresentada esta ideia, o enorme alcance histórico que esta iniciativa iria ter, razão pela qual a apoiei entusiasticamente desde a primeira hora. É, para mim, motivo de grande orgulho estar aqui a representar o Go‑ verno Português nesta cerimónia, na presença de iguras que são, indiscutivelmente, referências históricas incontornáveis. Desde o começo destas comemorações, iniciadas em outu‑ bro passado na Universidade de Coimbra, esta iniciativa de‑ senvolveu uma série de atividades que permitiram recordar, e dar a conhecer aos mais novos, a importância que a CEI teve na formação das elites políticas dos atuais países de língua portuguesa. Por isso, não deixa de ser simbólico que esteja‑ mos a encerrar esta homenagem no mesmo dia em que se comemora, a nível mundial, o dia de África. A convivência entre estudantes oriundos, à época, das várias ex ‑colónias portuguesas e a convivência com estudantes portugueses, permitiu o desenvolvimento de uma relação de apoio e de cumplicidade entre eles, a qual constituiu um importante elo de ligação que perdura até aos dias de hoje.

Pela CEI passaram vários estudantes que, mais tarde, vieram a tornar ‑se iguras de relevo na área cultural e política dos diversos países africanos de língua oicial portuguesa, alguns dos quais temos a enorme honra de ter aqui connosco. Neste sentido, permitam ‑me que destaque a presença do Presiden‑ te Miguel Trovoada e do Presidente Pedro Pires, e realce as presenças do Professor Fernando França Van ‑Dúnem, do Dr. Pascoal Mocumbi e do Dr. Mário Machungo. Quero também fazer uma referência especial ao Presidente Jorge Sampaio que, enquanto estudante, desempenhou um importante pa‑ pel na mobilização estudantil e que destacou a solidariedade que se estabeleceu na década de 50 e princípios da década de 60 entre estudantes africanos e portugueses na CEI.

Realço, igualmente, a importante obra literária que foi sendo produzida pelos membros da CEI, a qual, em boa hora, foi agora editada por iniciativa da UCCLA, com o apoio, nomea‑

damente, do Instituto Camões, permitindo às novas gerações tomar conhecimento destes trabalhos que se tornaram re‑ ferências essenciais no panorama cultural lusófono. A atual divulgação destas publicações, que tem o mérito de se alargar a vários países, permitiu ‑nos retomar o contacto com obras de, entre outros, Agostinho Neto, Viriato da Cruz, Luandino Vieira, José Craveirinha ou Onésimo Silveira. Não me reiro apenas a obras literárias, mas também a poemas que deram origem a belas músicas que todos nós conhecemos e apre‑ ciamos, como são o caso das músicas “Mãe Negra” ou “Tes‑ tamento” da poetisa angolana Alda Lara. Outra música que nos encanta é “Meninos do Huambo”, todos conhecemos o refrão dos “meninos à volta da fogueira”, da autoria de Ma‑ nuel Rui Monteiro, antigo associado da CEI que é também autor do hino da UCCLA, que ouvimos no início desta sessão. A cumplicidade que se estabeleceu entre os estudantes da CEI foi sendo aprofundada à medida que muitos deles foram assumindo responsabilidades nos seus respetivos países. Esta realidade permitiu igualmente que houvesse um desejo de fortalecimento da relação entre países que partilhavam não só um passado e línguas comuns, mas também que deseja‑ vam manter e tecer esta especial ligação no futuro, sentimen‑ to materializado mais tarde no projeto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Este relacionamento muito par‑ ticular com os países lusófonos é uma das grandes priorida‑ des da política externa portuguesa. Estas relações, alicerçadas numa língua e numa matriz cultural, jurídica, comuns, vêm do passado, têm presente, mas querem, sobretudo, construir um futuro. Um futuro ambicioso e mutuamente benéico em termos políticos, económicos e culturais.

Neste contexto, a língua portuguesa, enquanto património co‑ mum e idioma global, tem um signiicativo potencial económi‑ co, onde novos polos de crescimento, recursos e ideias, pensam e falam português. Nunca é demais referir alguns números do que representa, atualmente, a língua portuguesa: somos 250 milhões de pessoas e, em 2050, seremos 325 milhões, que per‑ tencem a um mercado de consumo muito relevante com um PIB superior a 2.5 mil milhões de dólares, cerca de 4% do produ‑ to gerado a nível mundial. E são 250 milhões de pessoas que se situam, na sua maioria, no hemisfério sul, o que faz com que o português seja o idioma mais falado neste hemisfério. Reira ‑se que este crescimento da língua portuguesa não é só nos países lusófonos, é cada vez mais em países não lusófonos onde há interesse crescente pela aprendizagem do português.

Esta homenagem, que decorreu ao longo do ano, foi uma iniciativa singular que deve ser encarada como exemplar

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50 anos | TEsTEmunhos, vIvênCIas, doCumEnTos

porque valorizou aspetos, porventura menos conhecidos, da história comum dos nossos países e que não devem ser esquecidos. No âmbito destas comemorações, quero desta‑ car a exposição “CEI – Farol de Liberdade”, inaugurada ontem na Câmara Municipal de Lisboa, a qual representa mais um evento de elevada importância pelo espólio que reúne sobre a história da CEI e sobre os estudantes que por lá passaram, o qual merece ser reconhecido e ter uma ampla divulgação nacional e internacional. Felicito, uma vez mais, a UCCLA e o seu Secretário ‑Geral por esta homenagem, desejando que esta iniciativa não se esgote nestas comemorações, que o seu legado possa perdurar no tempo e seja divulgado em todos os países de língua oicial portuguesa, para que as gerações mais novas conheçam os factos, as personagens e os aconte‑ cimentos nele retratados, os quais também são parte da sua própria história. E que este conhecimento fortaleça os laços e os objetivos comuns dos nossos povos.

Artur Santos Silva

Fundação Calouste Gulbenkian

As histórias, as memórias e os legados da CEI foram aqui re‑ cordados e quase tudo foi dito sobre a Casa, como lhe cha‑ ma Pepetela, no seu livro, A Geração da Utopia. Mas não será demais salientar a sua importância na história recente dos nossos países. A história da Casa é feita de muitas histórias, a história de um regime colonial no início do seu im, a história da criação de uma elite ideológica nas colónias e dos seus movimentos de libertação, as histórias das fugas e da repres‑ são. As histórias das conversas, das palestras, das reuniões da Casa. A CEI foi, sem dúvida, um espaço de relexão e de cum‑ plicidades que ajudaram a moldar o futuro político e social dos países dos seus estudantes.

Todos nos lembramos – eu era adolescente – do que foi o julgamento dos elementos que estavam na CEI e que foram ao mesmo tempo julgados com o movimento para paz e com o MUD (Movimento de Unidade Democrática) Juvenil no Porto, um julgamento de dimensão que nunca tínhamos tido, pelo número de réus julgados. A minha homenagem a todos. A criação da Comunidade de Países de Língua Oicial Portuguesa (CPLP), em 1996, foi seguramente uma decisão audaciosa face à situação que alguns Estados Membros en‑ tão atravessavam e consagrou ‑a, como então se disse, como fórum privilegiado para o aprofundamento da amizade, da concertação político ‑diplomática e da cooperação entre os

seus membros, tendo como cimento a língua portuguesa. Gostaria, a este propósito, de recordar duas airmações mar‑ cantes, a do Presidente Joaquim Chissano, que airmou que “a lusofonia é uma utopia útil que não pode sufocar as culturas dos povos”. E o antigo Primeiro ‑Ministro de Angola, Lopo do Nascimento, salientou que não é lusófono, mas que a sua lín‑ gua é a língua portuguesa: existe, pois, um espaço em língua portuguesa que não se restringe às vontades dos Estados e dos Governos, ou às fronteiras geográicas dos países. Penso, por isso, que importa olhar para o futuro e aprofundar o po‑ tencial do espaço global que partilha uma língua e em que um dos pilares é a CPLP, em benefício dos seus cidadãos e das suas comunidades.

A complexidade atual das relações entre Estados e a integra‑ ção das economias a nível global não podem ser um obstá‑ culo, mas antes nos devem incentivar a procurar formas de airmar a CPLP como ator relevante na cena internacional. A CPLP terá de caminhar da concertação política e diplomática ou da cooperação entre Estados, para uma maior interação económica e uma mais intensa colaboração entre a socieda‑ de civil e os seus cidadãos. Devemos pensar seriamente na possível construção de uma verdadeira comunidade, não só cultural, mas também social e económica, entre os países de língua oicial portuguesa, melhorando o movimento de pessoas e de bens, protegendo os investimentos, envolvendo todos os países incluindo o Brasil, que poderá estar hoje mais interessado em aprofundar a sua relação com os restantes países da CPLP.

A CPLP é um espaço muito dinâmico em termos económi‑ cos, com peso geoestratégico crescente, designadamente ao nível da cooperação sul ‑sul, na produção energética a nível mundial. Como muitas vezes tem sido referido, cerca de 50% das novas descobertas de petróleo e gás, na última década, têm sido feitas nos países CPLP. Por outro lado, o uso da língua portuguesa tem apresentado uma das taxas de crescimento mais elevadas na internet e nas redes sociais e na aprendiza‑ gem como uma segunda língua. A língua é, sem dúvida, um bem público de elevado valor e, de acordo com um estudo recente sobre o potencial económico da língua portuguesa, com impacto direto ao nível do IDE (Investimento Direto Es‑ trangeiro) e dos luxos migratórios.

Como sublinhou o Secretário de Estado da Cooperação, os países de língua portuguesa representam cerca de 250 mi‑ lhões de habitantes, ligeiramente menos de 4% da população mundial, são responsáveis por 4% da produção mundial e por

mais de 2% de todo o comércio internacional. Pertencendo a diferentes espaços de integração regional, da União Europeia à CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), ao SADC, ASEAN, ou MERCOSUL, podem viabi‑ lizar um mercado potencial de 2 mil milhões de pessoas, ou seja, quase 30% da população mundial. Neste contexto, a não contiguidade geográica pode ser uma força a aproveitar e não um obstáculo à maior integração económica. O poten‑ cial da maior integração económica, no espaço CPLP, enfren‑ ta naturalmente condicionantes à intensiicação de luxos de pessoas, de bens ou serviços e de capitais.

Ultrapassar os entraves à livre circulação neste espaço e fo‑ mentar, em alguns países, um ambiente mais incentivador ao investimento sustentável, exige vontade política. Quase quarenta anos após a independência da maioria dos Estados Membros, volvidos dezoito anos sobre a criação da CPLP, é tempo de se dar mais um passo no sentido de uma airma‑ ção mais competitiva desta Comunidade no espaço mundial. Essa é a grande aspiração de muitos de nós, que assim seja.

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