As Eleições Autárquicas de 2009, que tiveram lugar a 11 de Outubro, foram disputadas no Município de Paredes, por cinco candidatos: Celso Ferreira [candidato a um segundo mandato], pelo Partido Social-Democrata (PSD), Artur Penedos, pelo Partido Socialista (PS), Manuel Ruão, pelo CDS/Partido Popular, José Calçada, pelo Partido Comunista Português (PCP) e Albano Martins, pelo Bloco de Esquerda (BE).
Neste nosso trabalho analisamos a campanha eleitoral do candidato do Partido Socialista, Artur Penedos.
As últimas eleições autárquicas em Paredes foram, no mínimo, surpreendentes. Ao longo da pré-campanha e campanha eleitoral foram muitos os casos, as acusações mútuas, os ataques, baseados numa intensa propaganda política, as “brejeirices” como alguns apelidaram, que sucederam em catadupa, essencialmente entre as candidaturas do PSD e PS.
O PSD apostou na continuidade, recandidatando o então presidente de Câmara. Já o PS empenhou-se na candidatura de um “peso pesado”, figura de destaque no partido, Artur Penedos, ex-candidato ao mesmo órgão nas autárquicas de 2001 e actual Assessor do Primeiro-ministro, José Sócrates, para os Assuntos Sociais e Laborais.
O candidato do PS assumiu como principal objectivo vencer as eleições, derrotando a direita que preside àquele concelho há 35 anos.
CDS e PCP apresentaram a sufrágio os mesmos candidatos de 2005. O BE, por seu turno, apostou num militante do Partido Socialista.
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5.1 O perfil de Artur Penedos
Natural de Vieira do Minho, onde nasceu em 1950, Artur Rodrigues Pereira dos Penedos, bancário de profissão, é licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa.
Militante do Partido Socialista há 36 anos, Artur Penedos é, actualmente, Assessor do Primeiro-Ministro, José Sócrates, para os Assuntos Sociais e Laborais e, também, vereador na Câmara Municipal de Paredes91.
Na esfera política é membro da Comissão Nacional do Partido Socialista; do Secretariado da Federação Distrital do PS/Porto; da Comissão Política Distrital do PS/Porto e do Conselho de Fundadores da Fundação Res Publica.
Entre 1991 e 2005 foi Deputado à Assembleia da República; Secretário da Mesa da Assembleia da República (95/02); Secretário da Mesa da Comissão Permanente da A.R. (95/02); Porta-voz da Conferência de Líderes da A.R. (95/02); Presidente da Comissão Parlamentar de Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (98/02); Presidente da Subcomissão Parlamentar Trabalho e Segurança Social (02/05); Membro e Coordenador do Grupo Parlamentar do P.S. na Comissão de Trabalho, Solidariedade e Segurança Social nas VI e IX Legislaturas (92/95) e (04/05); Integrou a Direcção do Grupo Parlamentar do P.S. (95/02). Foi, também, membro da Assembleia Municipal de Paredes.
Foi membro da Direcção da Liga dos Amigos do Hospital de Stº. António; Vice- Presidente da Associação S.O.S. Solidariedade e da União Geral de Consumidores; É Presidente de “O Lar do Comércio” (Assembleia Geral e Conselho Geral); Fundador da União Geral de Trabalhadores (U.G.T.); da União Geral de Consumidores (U.G.C.); da Associação Internacional de Defesa dos Consumidores do Sul da Europa e da Associação S.O.S. Solidariedade.
Foi, ainda, membro dos Corpos Gerentes do Sindicato dos Bancários do Norte (Vogal, Secretário, Vice-Presidente da Direcção e Presidente do Sindicato).
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O perfil do candidato a que aludimos esteve disponível na página da Internet da candidatura, em http://www.penedospresidente.com
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5.2 A personalidade do candidato
Vários autores, entre os quais Sheafer, sustentam que o carisma constitui uma qualidade essencial que os eleitores reconhecem, considerando, igualmente, a capacidade retórica e o discurso, a originalidade, a energia, a inteligência, bem como a capacidade de conhecer e a flexibilidade de decisão, em relação às mudanças. Desta forma, a imagem do candidato é entendida pelos eleitores como uma personalidade capaz, honesta, responsável, trabalhadora, a que deve juntar aspectos muito importantes, como sejam afectividade, sensibilidade, confiabilidade, dinâmica, generosidade, simplicidade e com capacidade argumentativa e de liderança.
Pois bem, pelo que pudemos observar durante vários meses, Artur Penedos parece possuir todas estas características, que lhe garantem qualidades essenciais e a possibilidade de poder merecer a confiança dos eleitores. Pelo que constatamos, possui relevantes qualidades pessoais e políticas (percurso político no Anexo III) para criar a ideia nos eleitores de que é capaz de construir soluções que garantam a concretização das suas ambições.
Os resultados dos diferentes actos eleitorais têm demonstrado que, tradicionalmente, vencem, os candidatos que melhor articulam acções coordenadas – especialmente se exercem já o poder e aproveitam para mostrar obra feita – com uma estratégia de campanha coerente.
Ora, de acordo com o nosso trabalho de campo, Artur Penedos definiu, acreditamos, como sustentaremos adiante, uma política de comunicação eficaz, planeada e com uma efectiva articulação e coerência na mensagem que pretendia levar ao maior número possível de pessoas.
Com a colaboração do seu “núcleo duro” (Designer/criativa, Assessora de Imprensa, Director de Campanha, entre outros), desenvolveu toda a comunicação política para promover a sua campanha eleitoral, apoiando-se numa adequada planificação, sendo de realçar que foi o próprio candidato que assumiu sempre o principal papel desta estratégia.
Os restantes membros do staff, que incluiu voluntários e colaboradores, trataram do apoio/logística à candidatura no terreno. No âmbito do plano de marketing político traçado, de que nos pronunciaremos mais à frente, Penedos propôs-se conquistar o maior número de votos, o maior número de Juntas de Freguesia e, consequentemente, o poder.
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Desde logo, foi o candidato que definiu o slogan e os sub-slogans (para os outdoors), mantendo-se atento e empenhado na orientação da campanha eleitoral, evidenciando uma destacada capacidade empreendedora. Do anúncio da candidatura à campanha eleitoral, o candidato liderou todos os momentos e situações.
Segundo alguns autores, para a comunicação ser eficaz, coerente e aparecer com uma legitimidade própria, a política de comunicação tem de assentar numa estrutura com uma liderança forte e coesa.
Penedos tinha essa estrutura. Bom comunicador, um homem de convicções, de prestígio, com apego aos valores do trabalho e do desenvolvimento.
A imagem do candidato, o posicionamento, o desenvolvimento dos conceitos, as propostas de trabalho, a distribuição da comunicação, as acções promocionais, as acções políticas, o material de divulgação e promoção, a realização de comícios, partiram de ideias de Artur Penedos, detentor de longa experiência no campo da política, na actividade político-partidária e em campanhas eleitorais – campanhas que vão dos movimentos associativos até ao Partido Socialista.
Era notório que Artur Penedos sabia do que falava. Incutia entusiasmo e confiança, evidenciava ambição e acreditava que ia atingir os objectivos e conquistar o poder, atitude própria de um líder.
A pressão e tensão foram grandes em alguns momentos. Foi necessário estofo e uma preparação adequada para ultrapassar essas dificuldades. Penedos esteve, confiamos, à altura dos acontecimentos.