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Além da importância do dicionário para o ensino, todos os participantes reconheceram sua utilidade no ambiente profissional: “eu acho que [o dicionário] vai contribuir, e muito, tanto na parte de ensino, como na parte das indústrias mesmo [na prática profissional], das confecções, das empresas de confecção do Brasil todo” (P2, GF3).

Um engenheiro salientou a relevância do dicionário para orientar os subordinados com relação à explicitação dos termos técnicos:

Nós que somos engenheiros, dentro das indústrias somos muitas vezes cobrados pelos nossos subordinados, e quando a gente verifica, percebe um erro de alguma palavra lá dentro... a gente tenta explicar que está errado, mas não tem como fazer isso, não tem como mostrar, como provar. E eles cobram da gente: está errado? Mas como é a outra, a nova palavra? E como é que seria o certo? Então seria uma forma também de mostrar para eles consultando um dicionário específico da área. (P2, GF5).

Os professores que tinham atividades de consultoria junto às empresas do Vestuário, em áreas como: manutenção industrial, design de moda, CAD (Computer Aided Design) e processos de produção, também perceberam a importância do dicionário. Um dos participantes que presta consultoria em empresas, na área de manutenção industrial, observou que o dicionário teria aplicabilidade, no sentido de proporcionar a unificação do vocabulário por permitir informações iguais a qualquer grupo em que se estivesse a prestar consultorias. Mais uma vez, evidencia- se a questão da padronização do vocabulário técnico.

O que a gente vê é o seguinte: se a gente fizer pesquisas em terminologia técnica nós não vamos encontrar quase em lugar nenhum. E quando encontramos são informações vagas que não levam a uma contextualização, e com esse trabalho que foi realizado, dando as terminologias técnicas, especificadas, o que facilita bastante porque tem a origem e a aplicabilidade daquele termo, então, facilita o nosso trabalho em função da gente poder levar informações iguais para qualquer um grupo. (P1, GF3).

A esse respeito, um aluno afirmou:

Para que as empresas tomem conhecimento desse material será necessário que os engenheiros têxteis comecem a utilizá-lo, comecem a apresentar às empresas para poder ser divulgado e começar a ser uma ferramenta de uso diário nas empresas. (P4, GF5).

Nessa mesma perspectiva, foi lembrado que as grandes empresas dispõem de bibliotecas para seus empregados. Levantou-se a possibilidade de que se o dicionário fosse disponibilizado nessas bibliotecas, funcionários de todos os níveis hierárquicos poderiam ter fácil acesso às informações tecnológicas da área do vestuário:

Então, numa forma eu percebo que o seu trabalho vai ser bem aceito. Ele vai ser pedido pelas empresas para que tenham nos seus arquivos. Pelo menos nas empresas grandes, onde a maioria delas já tem bibliotecas, assim, porque não ter um produto como esse nessas bibliotecas? [...] para que os próprios confeccionistas, as costureiras, a pessoa lá de têxtil - da tecelagem, fiação e outros - venham a folhear, conhecer como um material didático mesmo. (P2, GF2).

Uma possibilidade de uso no ambiente profissional, considerada importante pelos engenheiros têxteis, partiu de uma aluna estagiária. Ela sugeriu que o dicionário poderia ser integrado num treinamento operacional, nas empresas, através da ferramenta de treinamento denominada PDCA (Plan = planejar; Do = executar, Check = verificar; Action = agir corretivamente), muito utilizada pelas empresas têxteis nos processos de padronização de procedimentos produtivos:

[...] seria interessante até colocá-lo num ciclo PDCA com a finalidade de padronizar a linguagem usada pelo pessoal da fábrica, pesquisar essa área de trabalho, como o que a professora está fazendo, depois treinar o pessoal e orientá-los para que eles utilizem esse dicionário, e que ele [o vocabulário] fique uniforme nas empresas, para que haja até uma

melhor forma de comunicação, e para isso é necessário um treinamento e orientação. (P1, GF5).

Indicando que o dicionário poderia ser um instrumento nas suas atividades profissionais futuras, um aluno falou: “de início seria assim [...] para pesquisa, tirar dúvidas, e com o tempo ele passaria a ser um material de uso contínuo pelos profissionais que atuam nessa área” (P5, GF5). Essa opinião também foi compartilhada pelos demais alunos.

Um outro aluno propôs a implantação gradativa na cultura da empresa, ou seja, sua disseminação entre os empregados da empresa, padronizando seu vocabulário: “Eu concordo [...] na questão de ser usado [o dicionário] inicialmente como uma ferramenta de pesquisa, no caso de dúvidas, e futuramente, assim... de forma que pouco a pouco fosse implantado na questão da cultura da empresa” (P3, GF5).

Os alunos lembraram, ainda, um segmento representativo da área do vestuário: as cooperativas têxteis e os centros de artesãos. Têm estruturas pequenas, mas são importantes na cadeia produtiva, principalmente para os indivíduos que não possuem educação profissionalizante nessas áreas, mas que necessitam de informações técnicas para melhorar sua atuação profissional. Nesse sentido, comentaram que:

Este trabalho é importante não só para a aplicação dentro da indústria têxtil, dentro das fábricas, mas também para outros ramos, por exemplo, na educação, dentro das salas de aula. É muito importante também dentro das cooperativas têxteis, dentro de centros de artesãos, dentre outros. (P1, GF5).

As observações apresentadas nos tópicos acima nos indicam que o dicionário é um instrumento versátil, que pode nos acompanhar ao longo das nossas experiências acadêmicas e profissionais, pois sua linguagem clara e direta permite que seja utilizado por pessoas de todos os níveis profissionais e escolares.

O quinto tópico examina diversas sugestões para a divulgação e a melhoria do dicionário.