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Fjerning av stoffer i jord og sediment

5. Rensing av overvann fra veg

5.4. Fjerning av stoffer i jord og sediment

O processo emigração/imigração foi descrito sempre como uma falta, uma desordem ou falha no sistema que organiza e estrutura uma comunidade127. Dessa maneira, pode-se afirmar que, no sentido da necessidade em buscar um outro lugar para sobreviver, essas migrações podem ser consideradas formas de intervenção sobre a vida das pessoas. Como bem analisou Klein (2000)128, (...) a maioria dos

migrantes não deseja abandonar as suas casas nem suas comunidades. Se pudessem escolher, todos – com exceção dos que anseiam por mudanças e aventuras – permaneceriam no seu local de origem.

No Rio de Janeiro, tentaram se adaptar conforme podiam. Os homens viam no trabalho a saída para acabar com a depressão. Eles se uniam, faziam associações no trabalho, nos negócios. Sociedades eram feitas sempre com outro português ou estrangeiro. Para amizade e lazer as relações, podiam até ser com os brasileiros. As mulheres escolhiam para maior relacionamento de amizade uma amiga imigrante (poderia ser de outras nacionalidades). Embora, os portugueses tenham criado associações de ajuda mútua não se percebeu, por parte dos lusos, a

127 Estendo aqui o conceito de comunidade para a nação portuguesa, englobada pelos mesmos usos simbólicos como a religião e pelo fato de terem a mesma língua e serem regidos pelo mesmo sistema de governo.

preocupação de delimitação de territórios físicos. Estes se encontravam espalhados pela cidade do Rio de Janeiro. Em termos territoriais, a lógica na ocupação do espaço físico acompanhou, entre outros fatores, o sucesso e/ou fracasso do projeto imigratório. Por exemplo, os bairros do centro e da Zona Portuária do Rio de Janeiro constituíram um lugar de abrigo de portugueses recém chegados e pobres129, que tão logo conseguiram algum dinheiro mudaram-se para São Cristóvão, Tijuca e adjacências ou para os subúrbios do Rio de Janeiro. A idéia era de adquirir um imóvel. Podiam comprar um terreninho e construir a casa própria, comprar terrenos no entorno da cidade e construir prédios, ou comprar imóveis como investimento dos lucros dos comércios.

Como analisam os entrevistados, emigrar é um destino ou uma completa falta de opção. Diz Aníbal 130, por exemplo, com muita convicção:

Eu gosto da imigração voluntária. Aquela que diz: - Eu estou com dinheiro e vou aplicar no Brasil. Imigração é aquela que os portugueses estão fazendo agora, para o nordeste do Brasil, comprando, investindo. Isso é que é uma imigração boa! Uma imigração que o sujeito vai e volta quando quer. Agora, uma imigração a que se é obrigado... que se deixa pai, ou os filhos ... Essa imigração traz chagas terríveis!

Como marcaram as narrativas, a fixação dos imigrantes no Rio de Janeiro seguiu um sistema de redes de parentela131 e auxílio mútuo. Sem atender à lógica na ocupação dos territórios, os portugueses recém chegados buscam áreas pobres e marginalizadas. Mas sair ou permanecer nessas áreas deve-se ao sucesso ou insucesso da imigração. Por esse motivo, a área do porto é um local de forte influência portuguesa. Após a década de 1960, sair de áreas do centro, como a zona portuária, significou para a maioria mudança de status social e melhores condições de moradia. Geralmente, o imigrante comprava casa em outro lugar da cidade.

129 Essa afirmação depreende-se de vários estudos. Entre outros, ver em MAIA, Mª Manuela Alves. Imigrantes Portugueses no Porto do Rio de Janeiro: trabalho e cotidiano. In História Oral: Teoria, Educação e Sociedade. (2006) Em Roedel, Comunidade portuguesa na cidade do Rio de Janeiro: mobilidade e formação de territórios. In Os Lusíadas na aventura do Rio Moderno ( Org) Carlos Lessa. (2002).

130 Aníbal Rouxinol entrevista realizada em 25 de set. de 2006. 131 Ver anexo VI.

A área portuária havia abrigado, no passado, os imigrantes ilustres. No século XIX, com a transferência da corte portuguesa (1808) e conseqüentes melhoramentos urbanos, essa área atraiu uma população abastada, portuguesa ou não. As explicações desse fato são pensadas pela proximidade com o bairro de São Cristóvão e pela busca por locais mais arejados, que se contrapunham a um centro da cidade insalubre. Para os portugueses, foi considerada relevante a proximidade do mar, devido à forte tradição dos portugueses em atividades ligadas ao oceano132. Esse aspecto faz parte de um passado heróico, descrito por diversos autores, entre eles Cartroga (2002), quando analisa a construção da nação portuguesa. Mostra como o Estado português, apoiado nas lembranças das grandes navegações, difunde e ajuda a construir um imaginário mítico responsável pela permanência de estreitos vínculos com o litoral e que os portugueses mantêm e ostentam com orgulho. 133

No processo de decadência134 da área, gradativamente o perfil da população

também vai se modificar. Pode-se afirmar que, após as sucessivas restaurações do centro do Rio de Janeiro a área abrigou imigrantes, principalmente portugueses e espanhóis, recém chegados e pobres135, atraídos para um local em que havia certa

possibilidade de emprego nas indústrias ou no Cais do Porto. Dessa forma, concordamos com Carlos Lessa (2002) quando mostra que, apesar das diversas e diferentes tentativas de reformar a cidade tendo como base um modelo francês, as origens portuguesas permaneceram. Como afirma Pedro Nava, a herança colonial é um fator fundamental, determinante para possibilitar a definição da cidade do Rio de Janeiro como cidade sentimental, cidade autêntica porque genuinamente

portuguesa136.

Portanto, a influência portuguesa nessa cidade pode ser vista sob vários aspectos e dimensões. Entre outras, destacaram-se na estiva, nos pequenos

132 A Zona Econômica Exclusiva de Portugal no mar é 18 vezes maior que a sua área terrestre. 134 Ver Thesen, I. Barros, L. O C., Santana, M.A (orgs) In Vozes do Porto: memória e história oral. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

135 Essa afirmação depreende-se de vários estudos. Entre outros cito Thesen, I. Barros, L. O C., Santana, M.ª idem.e a pesquisa de Roendel,H. Comunidade portuguesa na cidade do Rio de Janeiro: mobilidade e formação de territórios. In Os Lusíadas na aventura do Rio Moderno ( Org) Carlos Lessa. (2002).

136 Pedro Nava In Santos, Afonso Carlos Marques dos. Os Lusíadas na aventura do Rio Moderno ( Org) Carlos Lessa. 2000 p. 83.

comércios varejistas, os bares e cafés ou em profissões como os catadores de papel, os chamados burro sem rabo e em indústrias como o sabão português, o Moinho Fluminense, a CCPL e a Brahma. No espaço do lazer está presente na formação de escolas de Samba e clube de futebol137. Atualmente, inúmeros pontos do centro da cidade são considerados monumentos de preservação da memória do Rio Antigo e, conseqüentemente, de tradições portuguesas. Malgrado a visível decadência que ao longo dos anos toma conta da área, guarda muito dessa identidade sendo possível perceber contornos e marcas dessa cultura nos mínimos detalhes da vida da cidade.