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3.4 Ungfiskundersøkelser

4.4.1 Fisketetthet og sammensetning av fiskearter

O que seria então um ponto de vista próprio da arte? No início deste trabalho ao falar sobre como a arte se relaciona com o conhecimento e criação de novas ideias, se buscou mostrar as potencialidades da linguagem artística e sua capacidade de desvelar determinados aspectos da nossa vivência. Como se pôde ver a partir dos exemplos trazidos, a Pesquisa Baseada em Arte busca trazer à tona essa potencialidade e abrir um outro espaço onde se possa pensar esteticamente, afinal a arte não se restringe apenas aos “lugares da arte” como museus, exposições e salas de espetáculos, ela ocupa também os “lugares de conhecimento”, pois a arte fala da vida e a vida ocupa todos os espaços.

Eisner e Barone (2012) destacam dois motivos pelos quais a arte deve ser vista também como processo de pesquisa. Em primeiro lugar, os autores destacam que o sistema simbólico a partir do qual a arte é construída tem o poder de sugerir aspectos diversos da realidade e não apenas ligar fato e linguagem verbal, ou significado e significante, como acontece quando se usa a linguagem denotativa. De acordo com Eisner e Barone, essa capacidade de sugestão faz com que as pessoas notem, percebam algo diverso e que através dessa percepção do particular é que é possível formular percepções mais amplas de um determinado fenômeno. Os autores dão o exemplo da literatura, em que através da história de um personagem singular somos levados a refletir sobre um conjunto muito maior de personagens/pessoas. Nesse sentido, pode parecer estranho que uma linguagem que se utilize de recursos simbólicos sirva como linguagem de pesquisa já que esta, por sua vez, busca a clareza da relação entre fato e linguagem, isto é, busca se aproximar o máximo possível do real e utilizar a linguagem para dizer aquilo que é. Tal visão, entretanto, diverge dos objetivos aos quais se propõe a PBA, de acordo com Eisner e Barone (2012). A PBA não quer buscar fazer declarações sobre o estado das coisas, sobre aquilo que é, mas sim apontar para a complexidade das relações humanas e do intricado processo de construção da realidade social. Assim a PBA teria como objetivo

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primeiro levantar questões e promover outros pontos de vista e não necessariamente fazer declarações conclusivas sobre determinado fenômeno.

O outro motivo pelo qual Eisner e Barone acreditam na importância da PBA é que ela permite ao pesquisador, e também ao receptor da pesquisa entender a partir da empatia e assim adquirir uma outra forma de conhecimento. A arte tem o poder de nos fazer viver, de certa forma, a vida de outro e assim nos permite contemplar a vida a partir do olhar de outra pessoa, a partir de um diferente contexto. Tal característica é profundamente enriquecedora na medida em que promove maior compreensão entre os homens e justamente por isso se torna muito útil para entender mais profundamente um caso ou situação objeto de uma pesquisa. “Os fatos, desconceitualizados como são muitas vezes, quase nunca são adequados para contar toda a história” (EISNER; BARONE, 2012, s/p).

Pensemos, por exemplo, em uma pesquisa sobre a evasão escolar em determinado bairro ou município. Para essa pesquisa, é importante levantar dados sobre os motivos pelos quais alguns alunos desistem da escola. Estes dados, por sua vez, podem ser organizados de forma estatística de maneira a tentar compreender por que nem todos os alunos conseguem chegar ao final do Ensino Fundamental e, a partir da análise desses dados, buscar formas de solucionar o problema. Uma outra forma de entendimento porém, seria contar a história de um desses estudantes desistentes e, a partir do caso de um, tentar se aproximar de muitos outros, "empatizar", que foi o que fez Barone (2001) em sua pesquisa mencionada anteriormente.

Promover empatia e novo olhar sobre o mundo, não seriam essas características de toda pesquisa? E de novo, perguntamos: Por que escolher conduzir uma pesquisa baseada em arte ao invés das pesquisas já tradicionalmente estabelecidas, utilizando-se dos diversos métodos trazidos pela abordagem qualitativa?

Porém é preciso ter clareza sobre até que ponto esse fenômeno da empatia realmente existe de maneira positiva. Recentemente duas pesquisas; How Does Fiction

Reading Influence Empathy? An Experimental Investigation on the Role of Emotional Transportation (Como a leitura de ficção influencia a empatia? Uma investigação

experimental sobre o papel da transferência emocional) (BAL; VELTKAMP, 2013) e

Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind (A leitura de ficção literária desenvolve a

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textos literários, textos ficcionais mais especificamente, influencia o sentimento de empatia pelos outros e contribui para melhorar nossas “habilidades interpessoais”.

Em um artigo na revista americana New Yorker, o crítico Lee Siegel (2013), questiona tais estudos afirmando que não é possível prever se a literatura é de fato um meio de fazer as pessoas melhores, de promover a compreensão e sentimentos como generosidade, bondade e simpatia. Para Siegel, tais pesquisas são fruto da necessidade americana de encontrar utilidade em todas as atividades e uma resposta ao “incômodo” de valorizar uma atividade aparentemente inútil, a literatura. A empatia, embora associada quase sempre ao seu aspecto positivo, isto é, a capacidade de ser sensível e gentil com outras pessoas, pode ser entendida também como a capacidade de simplesmente entender as pessoas, e dessa forma não há como prever o que será feito a partir de tal entendimento. Homens de negócio, por exemplo, são extremamente empáticos, mas podem usar tal habilidade para convencer e manipular clientes.

O que Lee Siegel diz, e com o que eu concordo, é que pode ser sim que a literatura nos ajude a compreender melhor os homens, mas não significa que isso irá gerar uma atitude positiva em relação às pessoas que nos cercam. Não acredito que a literatura seja uma atividade redentiva da humanidade, mas como já mencionado aqui ela aponta para o caráter complexo do mundo e dos homens e por isso pode nos levar a enxergar a nós mesmos e a realidade que nos cerca de forma diferente e mais crítica. Assim, quando menciono a importância da empatia neste trabalho, estou me referindo à capacidade de enxergar as pessoas com um novo olhar, de se colocar no lugar outro, exercícios que essencialmente podem ser tanto positivos quanto negativos, mas que, entretanto, vamos assumir que sejam, em nossas mãos, positivos.

De acordo com Eisner e Barone (2012), o que deve guiar o pesquisador diante da escolha por seguir ou não a Pesquisa Baseada em Arte é saber se aquilo que ele quer dizer só pode ser dito por meio da arte. Isto é, a pesquisa deve ser conduzida de forma artística pois de outra forma não seria possível apresentar aquilo que o pesquisador pretende, visto que há uma estreita vinculação entre o objeto de pesquisa e a metodologia a ser empregada. Para estes autores, a PBA deve ter uma utilidade pública, o que significa dizer que a escolha não deve ser pautada na preferências e predisposições do pesquisador somente, mas atrelada a isso deve existir uma real necessidade social pela pesquisa. Porém, o que podemos considerar uma necessidade pela PBA?

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Mais uma vez, de acordo com Eisner e Barone (2012), a PBA se distingue das demais metodologias naquilo que ela almeja como resultado final. Nutrimos um desejo pela verdade, um desejo por certezas. Tal desejo guia também nossa busca por conhecimento o que, em última instância, pode ser entendido como uma busca justamente pela verdade. Assim, o que as pesquisas em ciências sociais geralmente se propõem a fazer é trazer uma certa conclusão sobre determinado assunto; uma proposta de como, aos olhos do pesquisador, as coisas realmente são. É claro que uma das características do fazer científico é o contínuo questionamento das posições já estabelecidas e hoje pesquisadores admitem que não há como afirmar, em relação a qualquer resultado, se ele é de fato definitivo. Apesar disso, as pesquisam seguem em busca de um resultado; em busca de provas e evidências conclusivas. Tal atitude não é, de forma alguma, condenável. Como dito anteriormente, é parte de nossa própria natureza procurar por certezas, por verdades. De acordo com Eisner e Barone (2012) este tipo de pesquisa é importante não somente pelos resultados que pode nos trazer, mas também porque funciona como um "antídoto para a nossa ansiedade", isto é, acalma o nosso anseio pelas certezas.

A PBA, porém, adiciona outra importante motivação à atividade científica: a necessidade do desequilíbrio. “O propósito da Pesquisa Baseada em Arte é a promoção do desequilíbrio – da incerteza – de forma que tanto o autor/pesquisador quanto a audiência do trabalho vejam importantes fenômenos culturais e sociais”5 (EISNER; BARONE, 2012, s/p). Embora se saiba que os posicionamentos estabelecidos em determinada área do conhecimento não sejam definitivos, existe uma tendência a reforçá-los na medida em que as pesquisas acabam por seguir as linhas e os autores já consagrados naquela área. Tendo isso em vista, o que a PBA traz de importante é o questionamento das certezas; uma tentativa de capturar outros olhares, abrir novas janelas. Isso acontece porque não é objetivo primordial da PBA lançar uma conclusão, mas sim incitar o diálogo, causar estranhamento e a partir daí suscitar novas discussões. Tal estranhamento já começa na escolha da linguagem: pensar um tema a partir de um poema é diferente de pensá-lo a partir de uma dissertação argumentativa. A mudança de linguagem já é em si um fator de desequilíbrio e embora seja natural a nossa busca por equilíbrio, o desconforto e a incerteza nos levam a novas possibilidades, nos levam à criação.

5Tradução livre. No original: "The purpose of arts-based research is the promotion of disequilibrium -uncertainty- in the

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Em vez de contribuir para a estabilidade das premissas já estabelecidas sobre esses fenômenos (seja explicitamente através de proposições, argumentos, retratos, seja implicitamente através do silêncio ou supressão), reforçando a forma convencional de vê-las, aquele que faz pesquisa baseada em arte pode convencer os leitores ou receptores do trabalho (incluindo o próprio artista) a revisitar os mundos a partir de uma direção diferente, vendo-o através de outros olhos, e, assim, pondo em questão um ponto de vista singular e ortodoxo.( EISNER; BARONE, 2012, s/p)

Para Eisner e Barone a Pesquisa Baseada e Arte tem como um dos seus principais traços distintivos a capacidade de world-making, isto é, promover um outro olhar sobre o mundo, construir uma nova imagem sobre determinado fenômeno. Neste ponto, lembramos o que anteriormente foi mencionado sobre a contribuição da arte para uma outra forma de enxergar o mundo e experienciar a realidade.

Porém, resta ainda uma importante pergunta: O que faz a PBA ser pesquisa e não obra de arte.

Eisner e Barone (2012) distinguem entre work of art (obra de arte) e work of art (obra de arte). Em inglês se utiliza a palavra “trabalho” para o que chamamos de “obra” e no jogo de sentidos proposto pelos autores a distinção está na ênfase dada a cada palavra, na primeira o foco reside no processo, no trabalho (work), o qual se dá por meio de atividades estéticas. Na segunda, mais do que o processo vale saber se o resultado carrega características estéticas de qualidade, podendo ser de fato chamado “arte”. Neste último caso temos uma obra de arte, um objeto de arte, no outro uma experiência com a

arte. O primeiro enfoque julga o “fazer” e, nesse sentido, todos podemos participar deste

trabalho, uma vez que se domine os procedimentos do fazer artístico. É nesse âmbito que, segundo os autores, a PBA se insere.

Em relação ao valor do “fazer”, isto é, ao processo de criação artística, Salles (2011, p. 127) também destaca sua importância como processo de conhecimento ao afirmar que:

O processo criativo pode ser observado sob a perspectiva da construção do conhecimento. A ação dos artistas leva à aquisição de uma grande diversidade de informações e à organização desses dados apreendidos. Está sendo, assim, estabelecido o elo entre pensamento e fazer: a reflexão que está contida na práxis artística (Evandro Carlos Jardim, 1993). O percurso criador deixa transparecer o conhecimento guiando o fazer, ações impregnadas de reflexões e de intenções de significado. A construção de significado envolve referência a uma tendência. A criação é, sob esse ponto de vista, conhecimento por meio da ação.

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Embora Salles se refira ao processo de criação do artista mais especificamente e cujo objetivo maior é a produção de uma obra de arte de fato ─ e não de uma pesquisa nos moldes mais acadêmicos, como temos colocado aqui ─ vale aqui também ressaltar a importância do processo de criação em si e, portanto, capaz de produzir conhecimento a qualquer um que dele participe, pois não há como criar nada sem um processo de construção do conhecimento envolvido.

A partir dessa explicação, entendo que a principal ênfase da PBA recai sobre o processo de criação da pesquisa e que é, ao mesmo tempo, o processo de criação artística. Embora o fim último da PBA não seja produzir uma obra de arte, se empregam nela procedimentos usados justamente na produção de obras artísticas. Aqui surge então, minha principal pergunta. A arte na PBA é uma forma de comunicar resultados, sendo nesse sentido justificada pela importância da utilização de diversas linguagens na comunicação de um determinado assunto ou, mais que isso, a arte é um procedimento de pesquisa, uma metodologia?

Os trabalhos trazidos como exemplo por Eisner e Barone (2012) deixam claro o papel da arte, da literatura no caso, na comunicação dos resultados e dados da pesquisa, mas em que medida o processo de escrita, o processo de construção das narrativas ou poemas foi também um processo de pesquisa para seus autores? Teriam eles pesquisado primeiro e depois comunicado suas pesquisas de forma artística? São essas fases, duas fases distintas do processo ou podemos pensar processo de criação e processo de pesquisa como algo híbrido?

Roldán e Viadel (2012) ao sugerirem o termo metodologias artísticas de pesquisa parecem dizer que a arte é sim mais do que a linguagem pela qual se expressa o pesquisador, ela é também o meio, o método a partir do qual ele pensa seu objeto de pesquisa. Ao apresentar diversos instrumentos de pesquisa baseados na fotografia os autores corroboram a ideia de que o próprio processo de criação artística é também processo de pesquisa.

Este uso da fotografia (ou do desenho, ou do diálogo dramático, ou do canto) implica não só uma investigação fotográfica composta de muitas fotografias (de qualidade fotográfica satisfatória), mas também, e isso geralmente é levado em conta, que a metodologia de pesquisa será fotográfica, ou seja, que o modo de proceder e trabalhar no processo de pesquisa se assimilará aos modos de proceder em um trabalho fotográfico profissional. (2012, p.24)

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Em um artigo sobre as teses e dissertações baseada em arte produzidas na Universidade da Columbia Britânica (UBC) entre 1994 e 2009, Sinner, Leggo, Irwin, Gouzouasis e Grauer (doravante SINNER et al) destacam que “como pesquisa indutiva, Peba [Pesquisa educacional baseada em arte] utiliza os elementos, processos e estratégias de práticas artísticas e criativas na investigação acadêmica” (SINNER et al, 2012, p.107). Esse grupo da UBC, que utiliza o termo a/r/t/ografia, destaca justamente essa mestiçagem entre criação artística e pesquisa e mais, entre estes dois e ensino, isto é: criar, pesquisar e ensinar é um processo só, um processo híbrido mas único. Assim, ainda nesse mesmo artigo, Sinner et al declaram sobre estes pesquisadores que “eles estão procurando anunciar em teoria e prática como poesia, teatro, ficção, artes visuais e

performance contribuem para formar novos modos de saber e, ao mesmo tempo, tornam-

se concepções da epistemologia e ontologia” (SINNER et al, 2012, p.107).

Diante dessas declarações resta a pergunta: como funciona esse processo híbrido? Nesse ponto retomo aquilo que foi mencionado no início deste trabalho: arte e ciência têm em comum justamente o fato de ambas serem criação e por isso pensar processo de pesquisa (entendendo-o como o processo de investigação acadêmica em ciências humanas e sociais) e processo de criação artística como dois processos profundamente interligados é algo perfeitamente possível. Mas como, na prática, operar com esses dois procedimentos?

No capítulo seguinte passo a explorar essa pergunta a partir da análise de seis relatos de pesquisas apresentados na 1ª Conferência em Pesquisa Baseada em Arte e

Pesquisa em Arte realizada pela Universidade de Barcelona em Janeiro de 2013. A partir

desses relatos espero retomar a discussão deste capítulo sobre o que a PBA proporciona à pesquisa mas também observar como diferentes pesquisadores lidam com a arte em suas pesquisas: ela é metodologia, de fato, ou apenas objeto ou objetivo?

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Um estudo de caso: