• No results found

Fiskernes lovbeskyttede salgslag

A criança 4 é do sexo masculino, e tem 10 anos. Estava acompanhado pela avó materna.

Foi internado com meningite.

4.1) Entrevista Semi-estruturada:

A criança explica que foi para o hospital porque estava com meningite.

Nunca ficou internado antes, mas já esteve em outros hospitais para consultas médicas e exames e concorda que o hospital em que está é diferente dos outros. Diz que neste hospital os médicos são mais legais. Uma das propostas do hospital humanizado é justamente o treinamento dos funcionários (assistentes de enfermagem, enfermeiros, médicos etc.) para que sejam o mais agradáveis possível na sua interação com os pacientes e acompanhantes.

Já havia ido na sala de recreação uma vez, mas não andou pelos outros locais do hospital. Gostou da sala e fez um quadro para a irmã dele, escrevendo o nome dela num isopor. Não soube dizer se acha que fazer atividades como essas melhoram a saúde dele. A avó interfere na entrevista, perguntando se ele não acha que essas distrações todas do hospital não ajudam na recuperação dele. Ele começa a falar que ajuda a criança a fazer movimentos com os braços e assim melhora mais e sai mais rápido, mas sem emoção, como se estivesse falando apenas para agradar a avó que havia interferido na entrevista.

Nesse momento da entrevista o médico entra, examina a criança e diz que logo ela teria alta, mas que em casa terá que ficar em repouso, sem ir a escola nem no playground do prédio onde mora.

Ele não havia ido ao jardim do hospital, mas demonstrou vontade de ir e disse que queria continuar com a entrevista. Como as perguntas seguintes se referiam ao jardim, interrompemos e fomos para lá, passando para a observação.

4.2) Observação no jardim do hospital:

A observação foi realizada no mesmo dia da entrevista, logo em seguida à entrevista semi-estruturada. Como a criança teria alta naquele dia, fez-se todo o procedimento num dia só.

Figura 5: Mapeamento da criança4 no jardim do hospital no período de observação.

Esta criança não interagiu com as plantas e flores presentes no jardim, apenas caminhou por ele, elogiando a temperatura e o “ventinho” que estava fazendo. Disse que as plantas são bonitas enquanto passava pelo fundo do jardim, ao redor do canteiro de pedrinhas. Sentou-se no banco que fica ao lado de um vaso de planta e chamou a avó para sentar ao lado dele. Os dois ficaram sentados sem falar nada. Parece que não se apropriou do local, ficou apenas em volta, como se não quisesse ser percebido ali.

Ficaram no banco por cerca de 10 minutos, apenas olhando para cima, elogiando o dia bonito (a avó disse e o menino concordou). Depois disso decidiram voltar.

Antes que voltassem para o quarto, foram feitas as questões referentes ao jardim que não haviam sido feitas antes por ser a primeira visita da criança 4 ali. Foi perguntado

se havia alguma coisa que tiraria dali, ou que acrescentaria, mas a criança disse que não para todas as perguntas. Disse que o jardim está bom do jeito que é. Novamente constatamos a falta de envolvimento da criança, que, apesar de não ter tocado as plantas, demonstrou estar se sentindo bem com o ventinho e sorriu algumas vezes, principalmente sempre que olhava para a avó.

4.3) Resultados da Escala de Qualidade de Vida:

No exemplo dado pela criança como um momento em que fica “muito infeliz” foi relatado quando está doente no hospital. Sobre estar “infeliz” disse que fica assim quando brigam com ele. Um exemplo dado por ele como um momento em que fica “feliz” foi brincando com seus amigos e disse ficar “muito feliz” no natal.

Durante todo o questionário a criança respondeu apenas que ficava “feliz” ou “muito feliz”, o único aspecto em que marcou como “infeliz” foi justamente ficar internado no hospital. Mas disse que não fica “muito infeliz” porque sabe que vai para melhorar e voltar pra casa.

Sobre o fator 1 (autonomia) podemos destacar que para todas as questões foram dadas respostas de “feliz”, nenhuma “muito feliz”.

O fator 2 (lazer), foi respondido várias vezes com “muito feliz”, mas destacamos que brincar sozinho, para ele, não é muito legal, mesmo assim colocou que fica “feliz”. Mas disse que prefere brincar com amigos e com a irmã. Lembramos aqui que a atividade preferida dele na entrevista foi um desenho que fez justamente para a irmã. Nos parece que sente falta dela e que teria um maior envolvimento com brincadeiras no jardim se estivesse ao lado dela ou de outros amigos, já que, apesar de marcar que fica feliz brincando sozinho, relatou verbalmente sua insatisfação e preferência em estar em grupo.

Sobre o fator 3 (funções), a criança 4 relatou ficar “infeliz” ao estar internado no hospital, disse que não é ruim, mas prefere ficar em casa. Disse que adora ensinar outras crianças quando respondeu “muito feliz” para a questão referente a mostrar a alguém alguma coisa que sabe fazer.

Grande parte das respostas referentes ao fator 4 (família), foram “muito feliz”. A criança se mostrou muito apegada à família, não só com os pais, mas com os avós (lembrando que estava acompanhado pela avó no hospital, apesar de morar com os pais) e com a irmã, para quem fez o desenho e com quem disse gostar de brincar.

O escore total dele foi de 64. Um número bem acima da média de 52 para considerar que tem uma boa qualidade de vida. No entanto o questionário foi respondido de forma rápida, sem envolvimento e sem muitos comentários.

Apesar de não ter interagido com os elementos do jardim, disse que ficou “muito feliz” em ter conhecido e lamentou não ter ido antes da alta médica.

4.4) Análise geral da criança 4

A criança 4 não se envolveu com a pesquisa como as outras três crianças que participaram até então. Foi mais frio, sem muitas palavras e sem interagir muito com o jardim do hospital. A entrevista foi curta, com respostas curtas, muitas vezes ele respondia com a cabeça que sim ou que não sem nem falar.

No jardim não envolveu também, parecia intimidado, não se sentiu confortável ali. No entanto, mesmo com esse aparente desconforto, relatou bem-estar em ficar num ambiente com temperatura agradável e com um “ventinho” (o que, obviamente, não há dentro do hospital). Sorria para avó, mas parecia não querer estar ali no jardim.

A escala também foi respondida sem envolvimento, mas destacamos o fato de ter apontado muito feliz no jardim, mesmo com o aparente desconforto em estar lá.