No continente europeu, as relações públicas nascem no final da Segunda Guerra Mundial, ainda que, já houvesse vestígios dessa atividade em alguns países da Europa. Surgem pela mesma causa do que nos Estados Unidos (Cabrero & Cabrero, 2001, p. 21), a necessidade económica-empresarial, ou seja, a presença de um conselheiro e profissional que entendesse
as necessidade do público de forma a alcançar uma relação benéfica e simultaneamente, o bom funcionamento da organização.
Destacam-se personalidades marcantes que acrescentaram os seus conhecimentos aos já existentes na área das relações públicas. Na Europa, como pioneiro na disciplina científica de relações públicas destaca-se Sam Black10, um dos fundadores da IPRA – Internacional Public
Relations Association – fundada em Londres, no ano de 1955. (Cabrero & Cabrero, 2001, p.
144). A IPRA contou, inicialmente, com a participação da Grã-Bretanha, França, Holanda, Noruega e Estados Unidos. Atualmente está presente em setenta países – contando com mais de mil membros – e, desempenha um papel essencial na profissão de relações públicas “pautando os modelos através das publicações e ensinando a todos os especialistas […] as principais diretrizes da profissão” (ibid). A IPRA continua a ser o código ético adotado com mais frequência nos códigos deontológicos e de conduta profissional pelos profissionais da área de todo o mundo. Segundo uma entrevista11 levada a cabo por Daniel Cabrero e Mario
Cabrero a Sam Black, este último define as relações públicas como “a arte e a ciência de alcançar a harmonia com o meio ambiente por meio da compreensão mútua baseada na verdade e na informação completa12”. E acrescenta que são estes aspetos que determinam a
chave do sucesso.
Outra figura que se destaca como pioneira da teoria e prática das relações públicas é o francês Lucien Matrat13, um dos membros fundadores da primeira Associação Francesa de
Relações Públicas (AFREP) e da assembleia geral do Centre Européen des Relations Publiques (CERP). Em 1965, teve um papel fulcral na elaboração do “Código de Atenas” – conhecido também por Código de Ética das Relações Públicas – inspirado pela Declaração dos Direitos Universais do Homem. (Gonçalves, 2010, p. 79). Neste, estava contemplado os princípios éticos e deontológicos que devem nortear a profissão de relações públicas. Matrat destaca-se também pela criação da primeira escola de relações públicas, em 1970, a “Escola de Paris”. Desenvolveu a doutrina europeia das relações públicas centrada em três pilares “a ideia humanista do diálogo social como fundamento sociológico das relações públicas; a conceptualização das relações públicas como uma prática de direção da empresa ou função diretiva; e a dimensão relacional, ou seja, o pressuposto de que as relações públicas são a estratégia de confiança que atribui credibilidade à comunicação” (Matrat & Boiry, apud Gonçalves, 2010, p. 79).
10 Pioneiro europeu das relações públicas. Publicou o seu primeiro livro “Práticas de relações públicas” em 1962. Tornou-se professor honorário na University of Stirling em 1991, onde permaneceu até à data da sua morte (notas da autora).
11 Disponível em http://edwardbernays.es/anexos/ (consultado em julho de 2016).
12 “Son el arte y la ciencia de conseguir la armonía con el entorno por medio de la comprensión mutua basada en la verdad y en una información completa” (tradução da autora).
Em Portugal, a atividade de relações públicas só viria a aparecer por volta de 1960 – cerca de meio século após o seu nascimento nos Estados unidos - e, praticada na sua maioria por empresas multinacionais. A Mobil e a Shell (multinacionais americanas) chegam ao território nacional e, instalam-se em Lisboa, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (centro de investigação reconhecido a nível internacional), onde recrutam os primeiros profissionais de relações públicas portugueses. A figura pioneira portuguesa desta profissão é Domingos de Avellar Soeiro14 (1918-2010). Implementou o primeiro “gabinete de relações exteriores” no
Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Em 1968, funda a Sociedade Portuguesa de Relações Públicas (SOPREP), a primeira associação profissional em Portugal. Além disso, é Soeiro, no ano de 1971, o autor do primeiro artigo publicado no país sobre as relações públicas. (Tojal,
apud Gonçalves, 2013, p. 131). No ano seguinte a SOPREP adere à CERP – Confederation Européen des Relations Publiques - entidade representativa dos representantes (especialistas,
pesquisadores, professores e estudantes) das relações públicas na europa. Em 1971 é acolhido na IPRA – Internacional Public Relations Association - como membro profissional. Volvidos dois anos, foi convidado pelo Ministério da Educação para integrar a “Direção Geral do Ensino Secundário” aquando a inclusão das relações Públicas no 10º e 11º ano.
No ensino, destaca-se, em 1964, a criação da primeira escola portuguesa de relações públicas, o Instituto de Novas Profissões (INP) em Lisboa. Escola essa que está funcional até à data de hoje. E pela década de 70, a escola superior de meios de comunicação.
Na década de 60, o regime ditatorial em vigor em Portugal “restringia severamente a liberdade política e civil. Não havia liberdade de expressão, os meios de comunicação social eram alvo de censura e a circulação de informação muito limitada” (Gonçalves, 2013, p. 132). Nesta linha de pensamento e, devido à falta de qualificação de quem exercia as relações públicas, esta só viria a ser aplicada de maneira efetiva e técnica em 1974. Após o 25 de abril desse mesmo ano, as relações públicas evoluíram enquanto atividade. Em abril de 1978, foi aprovado o Código Europeu de Conduta Profissional de Relações Públicas - código de Lisboa, ainda hoje em vigor. No ano de 1982, a SOPREP é extinta e surge a APREP (Associação Portuguesa de Relações Públicas). Posteriormente, em setembro de 1989 as relações públicas são introduzidas no ensino superior. Nesse mesmo ano, foi criada a APECOM – Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas (Cabrero & Cabrero, 2001, p. 204). Esta assume-se como representante das agências de comunicação e relações públicas e, desenvolve parcerias com Instituições de Ensino Superior que contenham a área de comunicação na formação.
14 Pioneiro português das relações públicas. Domingos de Avellar Soeiro lutou desde 1971 até à data da sua morte, pelo reconhecimento da profissão em Portugal (notas da autora).