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Para se conseguir uma identidade visual, primeiro é necessário ver e, mais ainda, pensar no que se vê e, principalmente, no que deve ser mostrado.

Só que a visão e a compreensão da ideia de identidade não são processos tão simples e passivos assim. O ato de ver não signiica apenas absorver informação pois

na verdade, a visão — percepção e leitura — são processos dinâmicos, uma espécie de diálogo que envolve leitor e objeto. Acredita-se que informações representadas estabelecem um “campo comum” entre o observador e o que

Figura 18: campus da

Unifor na segunda metade da década de 1970. Fonte: Departamento de Marketing da Unifor.

65 Figura 19: parte do campus da Unifor em 2014. Fonte: Departamento de Marketing da Unifor. Figura 20: Situação espacial da Unifor em Fortaleza, Ceará. Fonte: autor.

Figura 21: Guarita de

um dos doze acessos ao campus, sem qualquer identiicação. Fonte: autor.

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se está observando. Assim, as “interpretações” seriam frutos dessa interação. (DIAS, 2007, p. 67).

Sobre projetos de sinalização criados com um sistema gráico próprio e completo, o designer alemão Andreas Uebele (2007) considera que além de fornecer orientação, esse esquema transforma a natureza das áreas, proporcionando identidade. Mas não basta simplesmente aplicar o logotipo ou o símbolo em todo o material da organização e achar que se tem uma identidade visual. É necessário deinir usos para cores, símbolos, tipograia, formas e graismos a serem usados para identiicar visualmente a instituição.

Na visão de Villafañe (1999, p. 117), ter um sistema com identidade visual é ter um sistema

organizado e com símbolos que vão conigurar a personalidade pública de uma organização.

Os elementos de um sistema de identidade visual podem ser classiicados em primários (logotipo, símbolo e marca), em secundários (cores e alfabeto institucionais) e em acessórios (graismos, mascotes, normas para layouts). E serão normatizados para compor o documento técnico, desenvolvido pelo designer, onde devem ser previstas todas as decisões de uso para futuras ampliações do sistema, de forma a minimizar soluções improvisadas e garantir a unidade. (PEÓN, 2009, p.22).

Ainda sobre manuais de identidade visual e de acordo com Peón (2009, apud ONOFRE, 2012, p. 14), a inluência positiva no posicionamento da instituição junto aos similares ou à concorrência, a facilidade nos controles de estoque, de patrimônio e de pessoal por parte da instituição, acabam por contribuir para o aumento da persuasão e a consequente obtenção de lucro, promoção ou hegemonia.

Vale lembrar que dois fatores são primordiais para conigurar um sistema de identidade visual. O primeiro fator é a unidade que pode ser caracterizada pelo claro estabelecimento de cor(es), textura(s), forma(s), tipo(s) de letra, elementos padronizados que vão ajudar a formar uma imagem singular e forte. O outro fator é a repetição organizada de todos esses elementos. (PEÓN, 2009, p.7). De acordo com

o que será visto no capítulo três, a respeito da Universidade de Fortaleza, há problemas com o desenho da marca, além do que, não se sabe ao certo, por exemplo, se há mais de uma cor institucional, se há uma fonte oicial ou seja, os dois fatores citados por Peón (unidade e repetição) não são totalmente contemplados.

A sinalização e a comunicação publicitária devem respeitar as determinações da identidade visual e, desta forma, ajudar a formar a identidade corporativa que é o conjunto de atributos intangíveis (psicológicos) que deine quem a empresa é. Sobre essa questão, Peón (2009, p. 11) defende que, a rigor, qualquer coisa possui uma identidade visual – ou seja, tem componentes que podem identiicá-la visualmente.

Nesse contexto, é interessante notar que, como visto em Vieira (2012, p. 119), a percepção de uma marca é algo complexo. Passa pelos conceitos de expressão gráica (ela tem uma “cara”), de expressão ilosóica (ela tem alguma coisa a dizer) e de uma experiência (ela tem alguma coisa a trocar) e remetem à origem da marca e à coniabilidade de seus propósitos. É por esse motivo que, ainda segundo Vieira, a imagem, o discurso e a ação devem ser pensados de maneira integrada, como “membros de uma mesma família ética”.

A identidade corporativa deve ser vista como um sistema e se manifesta em vários setores

Figura 22: Marca

da Universidade de Fortaleza. Fonte: www. unifor.br.

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de uma organização como, por exemplo, seus papéis, seus sistemas de informação, produtos, relações entre pessoas, onde a comunicação é o principal fator de integração e de fundamental importância na formação da imagem pública da instituição.

Vale lembrar aqui que identidade visual, identidade visual corporativa e imagem corporativa não são sinônimos. A identidade visual corporativa é parte integrante da imagem corporativa pois

a imagem corporativa abarca tudo aquilo que, voluntariamente ou não, vai formando a posição da empresa na sua relação com o público: isto vai desde a forma como os seus funcionários lidam e se apresentam para os clientes até as estratégias de marketing assumidas, as campanhas publicitárias, a arquitetura, a decoração e a localização de seus pontos de venda ou serviço, a embalagem de seus produtos etc. (PEÓN, 2000, p.13).

A marca da Unifor (ig. 22) foi criada pelo industrial Edson Queiroz no início da década de 1970, poucos anos antes da inauguração da Universidade de Fortaleza, em 1973. A marca já estava presente em todas as páginas do projeto de criação da Instituição intitulado “Uma Universidade para o Nordeste” e que foi enviado ao Conselho Federal de Educação. Mais de quarenta anos depois, a marca continua exatamente a mesma. Só que até hoje não se sabe ao certo o seu signiicado. Até porque a Unifor nunca teve um manual de identidade

visual, documento onde deveriam estar todas as determinações relativas ao uso da marca. O que se tem são explicações abstratas como, por exemplo, a de que os cinco círculos do graismo são representações dos cinco centros de conhecimento humano integrados pelas setas: o Centro de Ciências Humanas - CCH, o Centro de Ciências Administrativas - CCA, o Centro de Ciências Jurídicas - CCJ, O Centro de Ciências Tecnológicas - CCT e o Centro de Ciências da Saúde - CCS. Se essa foi realmente a intensão original de seu criador, será preciso então pensar em outro signiicado já que, desde 2012, a Unifor fundiu o CCH com o CCA e criou o CCG – Centro de Ciências da Comunicação e Gestão. Desta forma, os cinco círculos da marca já não podem mais representar os atuais quatro Centros da Unifor.

Há outras interpretações como a que compara a seta superior da marca com um chapéu de formatura ou ainda a visão dos círculos que formam um túnel que começa estreito e termina largo, simbolizando a cultura dos alunos egressos.

De acordo com Frutiger (1999, apud ALBUQUERQUE, 2007, p. 35) criar marca para associações, organizações e empresas prestadoras de serviço é uma tarefa complicada justamente por elas trabalharem com atividades abstratas, sendo difícil adotar uma imagem concreta. Ante o exposto, Wheeler (2012, p.44)

traz uma nova esperança quando airma que o signiicado de uma marca raramente é imediato. De acordo com a autora, uma marca precisa de tempo para evoluir e quanto mais é usada, mais as pessoas entendem seu signiicado e mais poderosa ela se torna.

A questão a se considerar é que uma marca pode ser muito usada por muita gente mas, se não houver respeito pela versão oicial, de nada adiantará o seu uso massivo. Só recentemente é que a Unifor – através de seu Departamento de Marketing - vem tendo um cuidado com a sua marca, iscalizando suas aplicações em impressos e produtos. O lançamento da TV Unifor, em 2005 e a ideia de colocar a marca da Unifor em produtos como roupas, mochilas, bolsas, pastas, agendas, material escolar, entre outros acessórios disponíveis à venda na Loja do Campus contribuíram para uma melhor aceitação da marca.

2.2. A criação e a implantação do