3. Methodology
3.2 Measures
3.2.2 Independent variables
Após analisar o conceito e definir a lista dos componentes referentes ao diagnóstico, bem como suas definições conceituais e as referências empíricas, Hoskins (1989) propõe a segunda etapa para verificar a adequação dos componentes ao conceito do diagnóstico, segundo a opinião de especialistas. Também recomenda verificar a adequação quanto à pertinência das definições conceituais e as referências empíricas construídas para as características definidoras e para os fatores relacionados. Para Fehring (1987), esta etapa é denominada de Validação de Conteúdo Diagnóstico.
Para a execução dessa fase, Hoskins (1989) preconiza a utilização de alguns pontos do modelo de validação de conteúdo proposto por Fehring (1987), tais como os critérios de seleção de especialistas e a utilização do cálculo de média ponderal para determinar o grau em que seus componentes são indicativos do diagnóstico e quais permanecerão ou serão excluídos da lista. Ademais, novos indicadores com suas respectivas definições poderão ser propostos.
Segundo a NANDA-I (2010), esta etapa compõe a base para o aperfeiçoamento dos diagnósticos aprovados e o desenvolvimento de novos diagnósticos. Assim, a finalidade deste tipo de validação é revisar, refinar e averiguar a acurácia da nomenclatura que descreve um fenômeno. A validação por especialista auxilia na demonstração de que uma ferramenta está sendo usada de forma adequada a sua finalidade (YOUNG et al., 2002).
Desse modo, a partir do processo de validação de conceitos ou definições é possível verificar se o termo ou constructo avaliado representa, realmente, aquilo que é observado na prática. Além disso, a validação diz respeito a medir aquilo que se propõe, apurando a exatidão e a precisão do que é validado (CHAVES; CARVALHO; ROSSI, 2008).
Nessa perspectiva, o julgamento por especialistas acerca da adequação dos fatores relacionados e das carcaterísticas definidoras, bem como da pertinência das definições desses indicadores, e, ainda, de suas referências empíricas, tornarão a
avaliação do diagnóstico de enfermagem EVS mais confiável, precisa, válida e decisiva para uma coerente tomada de decisão.
Com base nessa assertiva, a estimativa da validação por especialistas ou de conteúdo, torna-se importante, sobretudo na identificação de indicadores clínicos, na definição do conceito a ser medido, e na elaboração de ferramentas que possibilitem a mensuração desses conceitos (SANTOS, 2011).
Para tanto, conforme esclarece Hoskins (1989), os especialistas, além do profundo conhecimento da temática em estudo, devem conhecer e compreender, sobremaneira, a linguagem da Sistematização da Assistência de Enfermagem. Ademais, a experiência clínica, títulos na área temática do diagnóstico a ser validado e pesquisas publicadas na área em questão, são aspectos importantes que precisam ser considerados (GALDEANO; ROSSI, 2006).
As autoras afirmam, ainda, que a escolha inadequada dos critérios de seleção dos especialistas interferirá na fidedignidade e confiabilidade dos dados. Não obstante, um dos principais problemas encontrados em estudos de validação é a dificuldade em selecioná-los, devido à escassez da literatura referente à definição de especialista e à barreira relacionada à formação e ao aprimoramento do profissional enfermeiro, muitas vezes deficiente (GALDEANO; ROSSI, 2006; CHAVES; CARVALHO; ROSSI, 2008).
Fehring, ao identificar a seleção dos especialistas como um dos passos mais complexos desse modelo de validação, sugeriu um sistema de critérios e pontuação para a seleção, sendo um dos mais empregados na literatura (CARVALHO et al., 2008). Tal sistema inclui sete itens, com suas respectivas pontuações, perfazendo um total de 14 pontos, sendo necessário para ser considerado especialista, no mínimo, cinco pontos, conforme critérios e pontuação apresentados no Quadro 25.
Quadro 25- Sistema de pontuação de especialistas acerca do modelo de validação por especialistas de Fehring (FEHRING, 1994).
Critérios Pontuação
1. Ser mestre em enfermagem 4 pontos 2. Ser mestre em enfermagem, com dissertação na área de interesse de diagnóstico 1 ponto 3. Ter pesquisas publicadas sobre diagnóstico ou conteúdo relevante 2 pontos 4. Ter artigo publicado sobre diagnóstico em periódico indexado 2 pontos 5. Ter doutorado em enfermagem, com a tese na área de interesse de diagnóstico 2 pontos 6. Ter prática clínica recente, de no mínimo, 1 ano na temática abordada 1 ponto 7. Ter capacitação (especialização) em área clínica relevante ao diagnóstico de
Apesar desse sistema, a dificuldade de identificar enfermeiros especialistas no diagnóstico que se pretende validar é uma realidade. Isso se deve, principalmente, ao fato de no Brasil o número de enfermeiros especialistas em uma determinada área ser reduzido e também pelo pequeno número de enfermeiros que utilizam diagnóstico de enfermagem na prática clínica (CHAVES; CARVALHO; ROSSI, 2008; CARVALHO et al., 2008).
Assim, Galdeano (2007) considera importante que, para a validação de conteúdo, sejam incluídos não apenas enfermeiros especialistas em diagnóstico de enfermagem, mas também outros profissionais com profundo conhecimento no assunto em questão. Quanto ao número de especialistas, Hoskins não fez nenhuma menção, enquanto Fehring (1986) recomenda a seleção de uma amostra de 25 a 50 especialistas.
Para a análise dos dados dessa etapa, Hoskins (1989) recomenda a utilização do Modelo de Fehring (1987) que consiste na atribuição de notas de 1 a 5 (1 = não é indicativo; 2 = muito pouco indicativo; 3 = de algum modo indicativo; 4 = consideravelmente indicativo; 5 = muito indicativo do diagnóstico) para cada componente do diagnóstico. A fim de que seja calculada a média ponderada das notas, são atribuídos (pesos) pré-definidos (1=0; 2=0,25; 3=0,5; 4=0,75; 5=1).
Diante do exposto, acredita-se que o processo de validação por especialistas dos componentes dos diagnósticos de enfermagem, bem como das definições conceituais e das referências empíricas propostas, possibilitará a identificação mais confiável e precisa dos indicadores clínicos, além de implementação de intervenções de enfermagem mais seguras e eficazes.
Por fim, esta etapa busca aprimorar e validar elementos do diagnóstico de enfermagem EVS no contexto do cuidado de indivíduos com hipertensão arterial, com o propósito de favorecer a generalização de sua linguagem e alcançar capacidade de predição.