3. Methodology
3.4 Descriptive Statistics
Gerais (4), Maranhão (3), Rio de Janeiro (2), Rio Grande do Norte (2), Paraíba (1), Piauí (1), Mato Grosso (1) e Paraná (1).
Pertinente à titulação máxima, a maioria é doutor (58,3%). Entre os 41,7% mestres, 33,4% cursam, atualmente, doutorado na área da saúde. Quanto ao local de trabalho no último ano, a maioria atuou, exclusivamente, em instituições de ensino (41,7%) ou associam essa atividade à assistência hospitalar (22,9%).
Em relação às atividades de pesquisa, 70,8% afirmaram participar de grupos de pesquisa sobre terminologias de enfermagem, 77,1% desenvolveram trabalhos acadêmicos relacionados às terminologias de enfermagem e 66,7% à hipertensão arterial. Destaca-se que entre as terminologias, a da NANDA-I foi citada por todos. Somente 31,2% desenvolvem estudos sobre o diagnóstico de enfermagem EVS.
No tocante à utilização de diagnósticos de enfermagem, a maioria dos especialistas tem experiência na prática clínica (64,6%) e no ensino (91,7%). Do total de especialistas 93,8% afirmaram que prestam assistência de enfermagem a pacientes com hipertensão arterial e/ou com o diagnóstico de enfermagem EVS.
As variáveis idade e tempo de formação profissional apresentaram distribuição assimétrica (valor p<0,05), indicando que metade dos especialistas tinha até 30 anos e tempo de formação de sete anos, variando de três a 38 anos. Ainda com base na Tabela 3, a média de idade dos especialistas foi de 33,97, com desvio padrão de 10,38.
Em relação aos escores adaptados do modelo de Fehring (1994), obteve-se, também, uma distribuição assimétrica (p = 0,031), sinalizando que metade dos especialistas totalizou 11 pontos, com média de 10,23 pontos (± 2,32), com o mínimo de cinco pontos e o máximo de 14 pontos.
4.1 Avaliação do título e da definição do diagnóstico
Foram encaminhados, para avaliação dos especialistas, dois títulos e duas definições do diagnóstico de enfermagem EVS. Tais títulos e definições foram provenientes da Análise do Conceito e da Taxonomia II da NANDA–I (NANDA-I, 2010).
Tabela 4 – Avaliação pelos especialistas dos títulos diagnósticos e definições propostas ao diagnóstico de enfermagem Estilo de vida sedentário. Fortaleza, 2011
TÍTULO DIAGNÓSTICO N %
Estilo de vida sedentário (NANDA-I, 2010) 43 89,6 Sedentarismo (Análise do conceito) 5 10,4
CONCEITO DIAGNÓSTICO
Refere-se a um hábito de vida que se caracteriza por um baixo nível de atividade física (NANDA-I, 2010).
9 18,8
Refere-se a um hábito de vida em que o indivíduo não realiza atividade física na frequência, na duração e na intensidade recomendadas (Análise de conceito).
39 81,2
Observa-se na Tabela 4 um expressivo predomínio da escolha pelo título diagnóstico apresentado pela Taxonomia II da NANDA-I (89,6%), recomendando-se, assim, a manutenção do título proposto pela NANDA-I (2010). Após descrever a definição apresentada pela NANDA-I (2010) ao diagnóstico de enfermagem EVS e a sugestão de modificação emanada da análise de conceito foi solicitado aos especialistas que julgassem qual proposta representa melhor a definição do diagnóstico. Os resultados expostos na Tabela 4 demonstram que 81,3% dos especialistas concordam com as modificações sugeridas. Desses, nove sugeriram alterações.
Ao analisar as sugestões, duas especialistas sugeriram acrescentar à definição proposta a ideia de que o EVS também pode estar presente nas situações em que o gasto energético é inferior ao necessário para melhorar o condicionamento físico. No entanto, o aceite dessa sugestão tornaria a definição redundante, considerando que o condicionamento físico é alcançado com a prática de exercício físico na frequência, na duração e na intensidade adequada a cada indivíduo e a cada situação.
Também foi sugerida por duas especialistas a troca do termo ―atividade física‖ por ―exercício físico‖ fundamentada no entendimento de que a definição proposta remete ao conceito de exercício físico, ou seja, atividade planejada, estruturada, sistemática, efetuada com movimentos repetidos, a fim de manter e/ou desenvolver um melhor condicionamento físico.
Ademais, três especialistas acreditam que o EVS estará presente se não for realizada uma atividade na frequência, na duração e/ou na intensidade recomendadas. Conforme descrito anteriormente, frequência, duração e intensidade foram consideradas
atributos essenciais ao conceito estudado. À conta disso, um indivíduo que realiza exercício físico na frequência recomendada, mas não o faz na intensidade ou duração aconselhadas, ou vice-versa, não pode ser caracterizado como um indivíduo fisicamente ativo.
Duas especialistas recomendaram que ao conceito fosse acrescentada a descrição da intensidade e da frequência requeridas. Esse acréscimo tornaria a definição mais direcionada, porém mais restrita, de vez que a prescrição de exercícios físicos deve ser centrada no paciente, tornando-se específica a cada situação.
Diante das opiniões, sugestões e discussões dos especialistas, bem como considerando a abordagem teórica realizada na análise de conceito propõe-se a substituição da definição da NANDA-I pela proposta neste estudo, com acréscimo de modificações sugeridas por alguns especialistas. Assim, recomenda-se a adoção da seguinte definição para o diagnóstico de enfermagem EVS:
Após análise do diagnóstico de maneira ampla, sobre seu título e sua definição observa-se, a seguir, o julgamento dos fatores relacionados, das características definidoras, das definições conceituais e das referências empíricas, mediante a proporção de especialistas que concordam com a representatividade desses itens e quanto ao índice de validade de conteúdo diagnóstico (IVCD) proposto por Fehring (1987).
4.2 Adequação dos fatores relacionados e das características definidoras ao diagnóstico de enfermagem Estilo de vida sedentário em indivíduos com hipertensão arterial
A seguir, será apresentado o julgamento dos especialistas quanto à adequação ao EVS dos títulos dos fatores relacionados e das características definidoras provenientes da análise de conceito.
Refere-se a um hábito de vida em que o indivíduo não realiza exercício físico na frequência, na duração e na intensidade recomendadas.
Tabela 5 - Avaliação da adequação dos fatores relacionados do diagnóstico de enfermagem Estilo de vida sedentário em indivíduos com hipertensão arterial, segundo grupos de especialistas. Fortaleza, 2011
FATORES RELACIONADOS Todos os especialistas Até 10 pontos Acima de 10 pontos IVCD* %** p*** IVCD* %** p*** IVCD* %** p***
Conhecimento deficiente sobre os benefícios que a atividade física traz à saúde e/ou sobre as consequências do sedentarismo.
0,85 81,2 0,642 0,86 84,6 0,793 0,86 77,2 0,457
Atitudes, crenças e hábitos de saúde que dificultam a prática de atividade física.
0,88 81,2 0,642 0,88 76,9 0,422 0,88 86,3 0,845
Falta de motivação 0,88 93,6 0,997 0,93 88,4 0,916 0,93 100,0 1,000 Falta de interesse 0,87 91,4 0,990 0,92 84,6 0,793 0,92 100,0 1,000 Falta de apoio social 0,78 72,9 0,147 0,85 0,692 0,131 0,85 0,77 0,457 Falta de recursos (tempo, dinheiro, lugar, segurança, equipamento) 0,85 75,0 0,240 0,87 73,0 0,252 0,87 0,77 0,457 Baixa autoeficácia para o exercício físico 0,73 61,7 0,002 0,77 61,5 0,023 0,77 61,9 0,040 Falta de treino para fazer exercício físico 0,73 58,3 <0,001 0,78 57,6 0,007 0,78 59,1 0,020 Mobilidade prejudicada 0,92 85,4 0,871 0,93 84,6 0,793 0,93 81,8 0,668 Intolerância à atividade 0,91 91,6 0,992 0,92 96,1 0,997 0,92 86,3 0,845 Dor 0,90 91,6 0,992 0,89 92,3 0,977 0,89 90,9 0,952 Reações emocionais 0,69 48,9 <0,001 0,69 42,3 <0,001 0,69 57,1 0,014
Tabela 6 - Avaliação da adequação das características definidoras do diagnóstico de enfermagem Estilo de vida sedentário em indivíduos com hipertensão arterial, segundo grupos de especialistas. Fortaleza, 2011
Todos os especialistas 5 a 10 pontos 11 a 14 pontos CARACTERÍSTICAS DEFINIDORAS IVCD* %** p*** IVCD* %** p*** IVCD* %** p***
Excesso de peso 0,79 66,6% 0,021 0,78 73,0 0,252 0,79 59,1 0,020 Baixo desempenho nas atividades de vida diária 0,73 50,0% <0,001 0,78 61,5 0,023 0,65 36,3 <0,001 Escolhe uma rotina diária sem exercício físico 0,94 89,5% 0,975 0,97 84,6 0,793 0,96 90,9 0,952 Não realiza atividades físicas no tempo de lazer 0,74 66,6% 0,021 0,74 61,5 0,023 0,75 72,7 0,267 Resistência cardiorrespiratória diminuída 0,82 66,6% 0,021 0,82 73,0 0,252 0,80 59,1 0,020 Força muscular diminuída 0,79 56,2% <0,001 0,79 57,6 0,007 0,77 54,5 0,006 Flexibilidade das articulações diminuída 0,73 52,1% <0,001 0,74 57,6 0,007 0,71 45,4 <0,001 Verbaliza preferência por atividades com pouco exercício físico 0,88 80,8% 0,615 0,83 73,0 0,252 0,94 90,4 0,942 Relato de desordens de saúde 0,58 27,1% <0,001 0,60 30,7 <0,001 0,54 22,7 <0,001
Conforme já referido, para análise os dados dos especialistas foram subdivididos em grupos. A Tabela 5 e 6 evidencia o julgamento da adequação dos fatores relacionados e das características definidoras de cada grupo. Assim, foram considerados como adequados, e, portanto, incluídos na lista final aqueles com proporções de adequação estatisticamente não inferior a 80% (p > 0,05) ou os que apresentaram IVCD iguais ou superiores a 0,70 na avaliação de pelo menos um dos grupos. A decisão final, quanto à inclusão, com reformulações sugeridas e aceitas está exposta no Quadro 27.
De acordo com os dados apresentados na Tabela 5, nove dos doze fatores relacionados na opinião dos especialistas apresentaram proporções de concordância não inferiores a 80% (p > 0,05), bem como elevados IVCD, a saber: ―atitudes, crenças e hábitos de saúde que dificultam a prática de atividade física‖, ―conhecimento deficiente sobre os benefícios que a atividade física traz à saúde e/ou sobre as consequências do sedentarismo‖, ―falta de motivação‖, ―falta de interesse‖, ―falta de apoio social‖, ―falta de recursos (tempo, dinheiro, lugar, segurança, equipamento)‖, ―mobilidade prejudicada‖, ―intolerância à atividade‖ e ―dor‖. Os fatores relacionados ―falta de treino para fazer exercício físico‖ e ―baixa autoeficácia para o exercício físico‖ obtiveram índices de proporção de concordância inferiores a 80% (p < 0,05), apresentando, no entanto, IVCD maiores que 0,70 na opinião dos especialistas. Em contrapartida, houve exclusão do fator ―reações emocionais‖ pelo não atendimento a nenhum critério de inclusão.
Quanto às características definidoras, constata-se, na Tabela 6, que as características ―escolhe uma rotina diária sem exercício físico‖ e ―verbaliza preferência por atividade com pouco exercício físico‖ obtiveram, estatisticamente, proporções de adequação não inferiores a 80% (p > 0,05) e altos IVCD em todos os grupos. Já a ―resistência cardiorrespiratória diminuída‖ e ―excesso de peso‖, apesar da obtenção de IVCD iguais ou superiores a 0,70, somente apresentaram proporções de adequação não inferiores a 80% (p > 0,05) no grupo de especialistas com pontuação de Fehring de 5 a 10 pontos. Achados semelhantes, foram evidenciados para a característica ―não realiza atividades físicas no tempo de lazer‖, para o grupo de especialistas com pontuação entre 11 e 14 pontos. Por outro lado, as características ―força muscular diminuída‖ e ―flexibilidade das articulações diminuída‖ apresentaram em todas as avaliações IVCD iguais ou superiores a 0,70. Quanto à característica ―baixo desempenho nas atividades de vida diária‖ somente no grupo com pontuação entre 11 e 14 pontos foi observado
IVCD menor que 0,70. Por fim, ―relato de desordens de saúde‖ foi excluído, por não atender os critérios de inclusão por nenhum dos três grupos.
Diante do exposto, percebe-se que a opinião dos especialistas frente aos fatores relacionados foi mais uniforme, quando comparada às características definidoras. Não obstante, a validação clínica do diagnóstico de enfermagem EVS poderá contribuir para clarificar e definir com maior consistência a inclusão dos indicadores ora propostos.
A seguir, é apresentada a proporção de concordância da adequação entre os especialistas e os IVCD obtidos para os conceitos e para as referências empíricas (definições operacionais) construídos para cada fator relacionado. Destaca-se que os dados apresentados referem-se à avaliação obtida pelo grupo total de 48 especialistas.
4.3 Pertinência dos conceitos e das referências empíricas dos fatores relacionados