reinventou e continua sendo ainda o meio de comunicação com maior penetração no mundo atual, pois a tecnologia veio fazendo com que se diminuíssem seus componentes, sua penetração, é sem dúvida, maior do que a televisão, já que são necessários poucos investimentos para se ter acesso a uma efetiva performance dele, da mesma forma que o encolhimento dos aparelhos, permitiu que ele se transformasse num meio bastante popular e de grande penetração.
Em pleno século XXI diversos autores (CASTELS, 2001; CUNHA, 2004, 2005; D’AQUINO, 2003; FERRARETO, 2010, KUHN, 2001; MEDITSCH, 2005; MOREIRA, 2001; PERUZZO, 2003, 2006; REZENDE, 2002; TRIGO-DE-SOUZA, 2004; URIBE, 2006), estudam as perspectivas do veículo de comunicação que continua procurando na tecnologia a possibilidade de fazer com que o homem moderno tenha cada vez mais conforto, comodidade e acesso à informação de maneira rápida e precisa.
Cunha (2004, p.1) afirma que: “os apaixonados pelo rádio, sejam pesquisadores ou ouvintes, quanto à história defendem há muito tempo que esse meio de comunicação nunca vai morrer.”
A autora ainda ressalta que diante deste universo em expansão das telecomunicações o rádio persiste em manter seu lugar na difusão de informação, ele, com certeza, não será descartado do lugar em que ocupa, foi, apenas,adaptando-se a novos materiais, novas linguagens. Por isso mesmo, segundo a autora ensina que quando se faz um panorama da história do rádio, percebe-se que desde seu lugar primordial: a sala da casa, ele foi se apropriando de outros lugares, diminuindo de tamanho, acompanhou o ouvinte nos meios de transporte, principalmente no automóvel e na Internet; e do entretenimento ao jornalismo inventa e se reinventa até os nossos dias.
Cunha (2005) destaca as mudanças e inovações tecnológicas que estão levando o rádio a uma reacomodação e pode-se até dizer a uma redefinição de todas as mídias. E na era da contemporaneidade, o rádio já chegou ao mundo digital.
analógico em bits (informação numérica) provoca talvez a mudança mais radical experimentada pelo rádio desde a invenção do transistor e da freqüência modulada. Tanto é que a qualidade do som AM melhor de forma fantástica passando a ter qualidade de FM. O ganho maior, ressalta a autora, é que o FM passa a ter som igual ao do CD. Isso quer dizer que favorece totalmente as interferências na transmissão de sinais nas frequências AM e FM. A possibilidade de transmissão simultânea de dados para os aparelhos receptores dos ouvintes é outra vantagem para a distribuição de informação.
Bianco (2003) explica que organizadores pessoais, telefones móveis, leitores eletrônicos e a internet tem as portas abertas com a digitalização que se integra ao processo de convergência entre as telecomunicações, os meios de comunicação em rede, interatividade e a integração entre os meios. De acordo com a autora, o rádio digital é uma revolução técnica tão significativa que vai alterar o modo de produção da programação, distribuição de sinais e recepção da mensagem radiofônica. Por isso pesquisadores falam em “reinvenção” do rádio mais uma vez para se adaptar à nova tecnologia.
Castells (2001) considera que o rádio está vivendo um renascimento e experimentando um grande auge na internet. O novo rádio que vai se delineando neste início do século XXI tende a não ser mais apenas um “meio de comunicação que utiliza emissões de ondas eletromagnéticas para transmitir a distância mensagens sonoras destinadas a audiências numerosas” (FERRARETO, 2001, p. 23).
Bufarah Junior (2004) ressalta que nem todo áudio na rede pode e deve ser considerado rádio. Verificando na Internet podemos encontrar alguns casos possíveis: as emissoras de rádio de sinal aberto que utilizam a rede para transmitirem suas programações para os usuários, as quais Trigo-de-Souza (2004) denominou de rádios on-line.
Essa categoria on-line deve ser subdividida em dois grupos: os das emissoras que usam seus sites como mais um canal de comunicação com seus ouvintes, variando os níveis de interatividade, em que o usuário participa mais da programação através de chat, e-mails, promoções; e as emissoras que produzem
e disponibilizam seus programas utilizando o suporte multimídia da Internet para agregarem serviços especializados aos programas, inclusive possibilitando a escolha de reportagens, entrevistas, debates, entre outras sonoras já veiculadas anteriormente.
Podemos encontrar também na rede a emissora de rádio que está presente no dial e utiliza o site apenas de forma institucional. Nesses casos, Trigo-de-Souza (2004) classifica como off-line, já que não disponibiliza o áudio de sua programação na Internet. E outra opção está em rádios que são feitas exclusivamente para a Internet, não tendo seu final transmitido por ondas, as chamadas, pela autora, de NetRadios.
Bufarah Junior (2004) destaca ainda os sites que disponibilizam arquivos de áudio pela Internet possibilitando que os usuários possam criar listas de arquivos para serem ouvidos em seus computadores. Nesse contexto, D’Aquino (2003) avalia que algumas emissoras que estão na Internet deveriam produzir conteúdo jornalístico direcionado para o internauta-ouvinte porque apenas uma parcela das rádios que estão na rede oferece algum tipo de noticiário direcionado a esse público. Isso porque um estudo do Ibope e Ratings, divulgado em fevereiro de 2003, mostra que cerca de 33% dos internautas do Brasil ouvem rádio pela Internet, percentual superior a países como França, Alemanha e Reino Unido.
Por outro lado, Kuhn (2001) acredita que o rádio na Internet autoriza o resgate de algumas teorias do rádio, como o rádio interativo, o rádio alternativo e o rádio educador. Para tanto, o autor indica algumas das implicações da tecnologia do rádio na rede mundial de computadores como a remoção da barreira da distância; a relação do custo/benefício para o investimento de uma emissora transmitir pela net; a democratização da informação e do acesso à cultura; horizontalização da relação emissora/ouvinte; convergência de mídias e o impacto sobre as línguas com a possibilidade de formação de comunidades virtuais para que, por exemplo, imigrantes afastados possam retomar contato com as suas culturas.
Segundo Rezende (2002), ao acessar o rádio pela internet, o internauta a ser chamado de internauta-ouvinte e a partir de então ele pode ouvir música, ver
imagens, ler textos e interagir com as mensagens que recebe. Nesse caso, a autora defende que a rádio virtual começa a fazer parte da vida do jovem brasileiro, nesse caso, interessado por músicas de sua geração, ele faz uma seleção de rock, funk, axé, pagode, entre outros, e coloca em sua rádio com uma série de links de vários estilos de músicas para serem acessados pelo internauta- ouvinte.
Para Rezende (2002), a radionet não pode ser a mesma rádio convencional, mas um novo sistema de rádio que procura se estruturar com uma linguagem plural e acessível a diferentes culturas através do rádio virtual. O público da rádio virtual, analisa a autora, é bem menor se comparado ao das emissoras convencionais, mas que também procura descontração ouvindo música e tendo uma participação com a formação do cidadão do futuro porque agora é o momento de pensarmos que o rádio não é mais um meio de comunicação para o ouvinte que é passivo.
Ferrareto (2010) afirma que o ouvinte ganha importância ao constatarmos a vigência da Internet e da telefonia celular que abrem possibilidades, por exemplo, do emissor de conteúdo se transforme em um “repórter” enviando mensagens de texto ou mesmo ligando para dar informações sobre o trânsito. O rádio, concorda Cunha (2004), pode estar presente no telefone celular ou palm tops e também através de tecnologias WI-FI e GPRS e possibilitar uma programação em escala planetária. Saindo do computador e assumindo suportes menores, voltando a uma das grandes vantagens do rádio, a minituarização (CUNHA, 2005).
O item mobilidade, inaugurado pelo próprio rádio, está presente neste momento da revolução digital. Para Cunha (2005), o tempo e o espaço deixam de ser barreira, pois é possível ouvir uma emissora no momento em que mais interessar. Contudo, muda a relação da audiência com o tempo e o rádio web passa a estabelecer um tempo diferente. E Cunha (2005) constata que não é mais possível pensar o rádio como antes.
Desta maneira, é possível que a rádio virtual cresça e se transforme em mais uma alternativa de trabalho para o jornalista; afinal o homem atual é ponto
com (REZENDE, 2002). Por causa de tantas mudanças na vida dos profissionais de rádio, tanto radialistas quanto jornalistas, é que Cunha (2005) considera que a função do jornalista muda com o desenvolvimento tecnológico. Ao jornalista cabe o aprofundamento do fato, a análise.
Registre-se que para Uribe (2006) o rádio é um dos meios com mais tradição e prestígio social, com uma grande acessibilidade, flexibilidade, penetração e proximidade à comunidade. Seu “matrimônio” com a internet favorece a criação de alternativas que tenham como prioridade os processos em desenvolvimento (URIBE, 2006).
Podemos entender o sucesso do casamento entre rádio e internet como o resultado da somatória de uma variedade de fatores, como o desenvolvimento tecnológico; a possibilidade de ampliação das audiências com a agregação de públicos segmentados em áreas geográficas diversas; o regionalismo, característica do rádio em comparação com o globalismo da internet; a democratização do acesso ao ‘fazer rádio’; a interatividade como elo entre os dois meios; e a possibilidade de captação sem interromper a execução de atividades paralelas, inclusive o prosseguimento do processo navegacional, bem como a possibilidade de programação da audição a partir da conveniência do ouvinte (TRIGO-DE-SOUZA, 2004, p. 303-304). Haussen (2004) conclui sem receio do chavão, que o rádio brasileiro tem sido o “companheiro de todas as horas”, não só no âmbito individual, mas, principalmente, no coletivo, e que deverá continuar desempenhando este papel por um bom tempo, seja qual for o seu suporte técnico.