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Os professores têm vivenciado novas formas de conceber, produzir e utilizar as TIC para planear, desenvolver e avaliar a sua própria prática pedagógica e orientar também a sua formação.

Compreender essa experiência e as novas relações que ela engendra é uma necessidade dos tempos atuais, o que inclui o desafio de que os professores estejam integrados e interligados, cada dia mais, em redes de ação de formação, potencializando o processo de ensino e aprendizagem para construir uma formação ampliada e permanente de outros sujeitos.

Segundo Lévy (1999) citado em (Camas, N e Mandaji, M, 2013) vivemos na era da cultura digital onde o acesso à rede é um meio de nos comunicarmos com o mundo; é um local no qual as pessoas aprendem a viver em comunidades e a se auxiliarem, aprende-se o que se deseja saber, afirma ainda que na cibercultura existe a mudança na relação com o saber, visto que o suporte para o processo cultural está em dispositivos móveis e fixos com interfaces computacionais que ampliam e transformam as funções cognitivas humanas. A cibercultura é a relação entre as tecnologias de comunicação, informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação a partir da década de 1970. Trata-se de uma nova relação entre tecnologias e a sociabilidade, configurando a cultura contemporânea segundo Lemos, (2002).

É nesta configuração de mundo que os nossos jovens alunos se encontram e é preciso entender como estes jovens aprendem na Cultura Digital que vivenciam, como se processa a aprendizagem além das paredes, como entendem a pesquisa e a necessária análise critica para isto. Como também é necessário entendermos como se realiza a comunicação para a educação com base na colaboração e partilha, e é tão importante quanto às demais questões, é necessário compreender, para poder construir processos de ensino e aprendizagem, como estes jovens e os seus professores tratam a autoria via Web.

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Na opinião de Manuel (2009) os alunos têm dificuldades em estar informados. Ao contrário das gerações anteriores, os alunos de hoje, tal como outros cidadãos, estão expostos a um fluxo contínuo de informação que faz com que haja um excesso de informação. A televisão, a Internet, o cinema, a publicidade, o rádio, entre outros, estão constantemente a partilhar eventos, notícias, opiniões e ideias. Este enorme amontoado de informação, não significa necessariamente mais conhecimento. Sendo este um desafio para o ensino, ou seja, ajudar a reconstruir esta informação, a fim de torná-la em conhecimento compreensível e significativo.

Ainda neste espaço Manuel (2009) afirma que os novos desafios educacionais que os professores enfrentam com a difusão das tecnologias digitais podem ser resumidos nas seguintes competências: (i) competências para a aquisição e compressão de informação (procura de informação, documentar, analisar e tirar conclusões); (ii) competências para a interação social (trabalho colaborativo entre as classes e escolas, fóruns de discussão, e-mail... (iii) competências de expressão e divulgação (participação na Web, blogs, apresentações multimédia, vídeo...), (iv) competências na área de desenvolvimento informativo e competências de comunicação através das TIC para aprender a organizar, reconstruir e partilhar. Em última análise, é ensinado a usar a enorme multiplicidade de informação disponível e oferecida pelas TIC de forma inteligente e de forma critica. O professor precisa de se conscientizar de que sua formação é permanente, os desafios apresentados sobre o desenvolvimento da competência em informação é um processo contínuo e essencial para a formação de cidadãos e profissionais, pois neste cenário de mudanças é necessário que a prática pedagógica esteja voltada para a metodologia do aprender a aprender, onde o professor passa a assumir o papel de articulador e o orquestrador do processo pedagógico. Não sendo mais possível isolar-se em uma sala, e ministrar a mesma aula de sempre, alheio ao que acontece no restante da instituição, na comunidade e no país.

Nesta perspetiva, o trabalho do professor é de ministrar aulas mais dinâmicas, relacionadas ao quotidiano, deixando de lado as relacionadas à memorização, sugerindo que, além dos conteúdos, todos saibam analisar, estabelecer relações e levantar hipóteses. Nesta perspetiva, Lévy (1999) citado por Camas e Mandaji (2013), afirma que a aprendizagem num contexto digital deve ser entendida a partir de processos educativos

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em rede, o que nos aproxima à aprendizagem cooperativa e ao recurso a ambientes mais digitais.

Assim sendo e numa perspetiva delineada pela Digital Strategy for Schools MES (2015) temos atribuídos os seguintes papeis ao professor (também estratégias aos alunos, às escolas e à comunidade) do Século XXI.

Os Professores devem:

 Assumir um papel mais facilitador, fornecendo feedback e orientação centrada no aluno, envolvendo-o mais frequentemente em atividades exploratórias e trabalho de equipa;

 Utilizar as TIC para "apoiar um processo de inquérito e habilitar os alunos a trabalhar na resolução de problemas complexos do mundo real "de forma comprometida com "atividades de aprendizagem cooperativa baseada em projetos que vão além da sala de aula" conforme cita Butler et al (2013; p. 8) neste plano;

 Apoiar os alunos para criar, inovar e envolver-se na gestão dos seus próprios objetivos de aprendizagem e atividades;

 Aceitar a posse de sua própria aprendizagem profissional e, se for caso disso, projetar e participar em comunidades que fazem uso extensivo de tecnologia de aprendizagem.

Espera-se em último que os alunos devam:

 Utilizar as TIC para abrir novas formas de aprendizagem e cooperação para apoiar os diferentes estilos de aprendizagem;

 Experimentar alegria, satisfação, paixão e sucesso na sua educação e aprendizagem dentro e fora da escola;

 Usar a tecnologia para atingir objetivos de aprendizagem pessoais e ter sucesso em várias atividades de aprendizagem;

 Utilizar as TIC de forma crítica e ética.

Por sua vez as escolas devem: assumir um papel de liderança no planeamento de como incorporar as TIC no ensino e na aprendizagem, incluindo as práticas de avaliação. Isto

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significa envolver a comunidade de toda a escola no desenvolvimento de um plano de aprendizagem que leva em conta a participação de professores, alunos e pais e encarregados de educação, pois só assim será possível desenvolver competências em pleno contexto de Cultura Digital.

Para tal, deve ser permitido que todos os parceiros incorporarem as TIC através de ações de formação contínua de professores nas escolas. A escola também terá o papel de monitorar e avaliar a implementação da estratégia.

Por último a questão do currículo: Todos os currículos futuros devem incluir declarações claras que focam o desenvolvimento da aprendizagem digital e competências no uso das TIC como um recurso para alcançar resultados específicos de um modo transversal nos diferentes conteúdos. As TIC devem apoiar as especificações de currículo .

Por sua vez os Pais e encarregados de educação devem estar envolvidos com a aprendizagem dos alunos através do uso de tecnologias digitais e colaborar e participar em atividades escolares e programas de utilização das TIC.