Apresentamos nesse capítulo a metodologia da pesquisa, o procedimento metodológico de ensino que foi utilizado na coleta dos dados, o contexto, os participantes da pesquisa e o processo de análise.
A fim de encontrarmos respostas para nossa pergunta: “Que contribuições pode trazer, para o ensino-aprendizagem de Geometria, um estudo de Fractais Geométricos através de caleidoscópios e softwares de Geometria Dinâmica?”, elaboramos um Curso de Extensão intitulado “Fractais Geométricos Através de Softwares de Geometria Dinâmica”, no qual os participantes desenvolviam as atividades em dupla, e que relataremos com mais detalhes no capítulo VII.
Para responder a essa pergunta, foi necessário compreendermos como os estudantes se relacionavam no ambiente de realização desse Curso de Extensão. Portanto, havia a necessidade de analisarmos as atividades desenvolvidas pelos alunos com profundidade, prestando atenção em todas as interações entre computador-aluno, aluno-aluno e aluno-professor.
Perante o questionamento acima, optamos por uma metodologia de pesquisa qualitativa, tendo como procedimento metodológico de ensino a resolução de problemas. A opção de trabalhar com duplas se justifica com base na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) de Vygotsky, e também em Benedetti (2003), o qual explica que as interações
[...] entre estudantes podem proporcionar discussões diferentes daquelas que existiriam apenas com um aluno e com o pesquisador; a linguagem dos educandos, ao trabalharem em conjunto, pode-se tornar mais rica, não apenas para a coleta de dados, [...] mas também para possíveis aprendizagens que podem ocorrer durante os trabalhos do grupo (p. 56). Bogdan & Biklen (1986, p.11-13) apresentam cinco características básicas que uma pesquisa qualitativa deve ter:
1. a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento;
2. os dados coletados são predominantemente descritivos;
3. a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto;
4. o “significado” que as pessoas dão à sua vida é foco de atenção especial pelo pesquisador;
5. a análise dos dados tende a seguir um processo intuitivo.
No tocante à primeira das características de uma pesquisa qualitativa listadas acima, temos que, no nosso caso, os dados para nossa investigação foram coletados no próprio recinto de realização do Curso de Extensão, constituindo-se ambiente natural os laboratórios de informática e de ensino, onde alunos do 1º ano de licenciatura em Matemática da Unesp de Rio Claro, SP, realizaram as atividades, através das quais emergiram os conceitos geométricos implícitos na resolução dos problemas, e cujo processo de estudo e trabalho foi nossa fonte direta de dados. Durante a evolução da investigação, buscávamos novas indagações e novas questões para o desenvolvimento do trabalho, pois, segundo Alves-Mazzotti (2004, p.160), “o pesquisador é o principal sujeito da investigação”.
A segunda característica apontada por Bogdan & Biklen (1986) diz que os dados coletados devem ser predominantemente descritivos. Quanto a essa particularidade, esclarecemos que os dados foram obtidos através das gravações dos diálogos dos alunos, notas feitas pelos mesmos em fichas, e o diário de campo do pesquisador, cujas informações eram descritas e reorganizadas (quando necessário), sendo direcionadas à pergunta diretriz. Foi dessa forma que capturamos as observações que julgamos importantes e verificamos a multiplicidade de conceitos geométricos revelados na resolução dos problemas, cujo assunto abordaremos com maiores detalhes no capítulo VII. A maneira como coletamos os dados está em conformidade com as recomendações de Bogdan e Biklen (1991) quando afirmam que:
...os dados recolhidos são de forma de palavras ou imagens e não de números. Os resultados escritos da investigação contêm citações feitas com base nos dados para ilustrar e substanciar a apresentação. Os dados incluem transcrições de entrevistas, notas de campo,
fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorandos e outros registros oficiais (p. 48).
É importante relatar que nossa postura durante o Curso de Extensão caracterizou-se como observador participante, interagindo com os alunos de forma bastante natural, para não interferir na pesquisa. Neste sentido, Alves Mazzotti e Gewansznarjder (2001) dizem que:
Na observação participante, o pesquisador se torna parte da situação observada, interagindo por longos períodos com os sujeitos, buscando partilhar o seu cotidiano para sentir o que significa estar naquela situação. (p. 166).
A terceira característica fica clara em nossa pesquisa, pois estamos preocupados com o processo, visto que durante a resolução dos problemas emergiram os conceitos matemáticos necessários para a realização da atividade. Dessa forma, não estávamos preocupados com a resposta final (produto) e sim com o desenvolvimento (processo).
A quarta característica refere-se à atenção especial que o pesquisador deve ter com o “significado” atribuído aos objetos culturalmente construídos e com o significado das palavras utilizadas. Com o trabalho em dupla e com o auxílio do computador, acreditamos que os significados atribuídos aos objetos, através das interações entre computador–aluno, aluno-aluno e aluno-professor, propiciaram a criação da zona de desenvolvimento proximal, quando os alunos deram seus próprios significados aos objetos.
A quinta característica diz que a análise dos dados tende a seguir um processo intuitivo. Em nossa pesquisa, os dados seguiram exatamente este encaminhamento, pois os procedimentos de análise foram surgindo durante toda a sua realização, buscando reposta à nossa pergunta ““Que contribuições pode trazer, para o ensino-aprendizagem de Geometria, um estudo de Fractais Geométricos através de caleidoscópios e softwares de Geometria Dinâmica?”.
Ressaltamos que não nos preocupamos em confirmar algumas de nossas conjecturas à priori, mas sim buscávamos compreender os fatos da maneira mais natural como eles ocorriam. Não tínhamos nenhuma categoria pré-estabelecida para realizarmos a análise dos dados, porém sabíamos que não estávamos isentos de qualquer tipo de pré- conceito.
Apresentamos, na próxima seção, o procedimento metodológico de ensino, que foi um processo auxiliar em nossa investigação.