6 Miller og Modigliani
6.1 Finansieringskostnader
Foi possível termos acesso e entrevistar 07 munícipes de Rio Claro, moradores do bairro Arco Éris e Floridiana, (bairros menos arborizados), 07 do bairro Vila Paulista (mais arborizado) e 06 solicitantes de corte para a Prefeitura, vale indicar que todos eles assinaram e receberam cópia do Termo de Consentimento livre e esclarecido –TCLE (ANEXO C) exigido pelo Comitê de Ética em pesquisa o qual deu parecer a essa pesquisa. Para preservar a identidade, cada munícipe será identificado nesse trabalho com números romanos. Assim, apresentaremos os dados envolvendo munícipes I a XX, conforme a distribuição que se segue:
a) Bairro menos arborizado (Arco Éris e Floridiana) I a VII (7 entrevistados);
b) Bairro mais arborizado (Vila Paulista) VIII a XIV (7 entrevistados);
c) Solicitante de corte XV a XX (6 entrevistados);
A identificação dos bairros mais e menos arborizados foi feita pelo levantamento de dados da porcentagem de copa de árvore retirada de 56 ortografias, como foi informado na seção 2, a partir delas se obteve uma tabela dos dados obtidos por imagem. Neste processo, incluem-se as árvores presentes na calçada e nas áreas verdes, e também em áreas livres como o Lago Azul, em todo espaço urbanizado do município, incluindo a Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA). O Lago Azul e a FEENA podem ser observadas nas figuras 12 e 13.
Fonte: Arquivo Público Histórico de Rio Claro
Fonte: Arquivo Público Histórico de Rio Claro
Lago Azul
Figura 13: Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA)
Apresentaremos e discutiremos a seguir os resultados a partir de cada questão apresentada ao longo da entrevista.
Pergunta 1- O local onde você mora com relação às árvores: como é? Você gosta dele?
No geral, quando comentam sobre o que gostam do bairro, a maioria dos entrevistados cita a relação de amizade, a proximidade com o comércio, e a tranquilidade. Assim, percebe-se que a pouca movimentação/barulho, e o convívio prazeroso com outros moradores são essenciais para determinar se o morador gosta do bairro ou não.
Arco Íris e Floridiana
Quanto à quantidade de árvores nesses locais, 3 munícipes disseram que o bairro possui poucas árvores, 2 que tem bastante e 2 que tem o suficiente. O morador que declarou não gostar do bairro, único dono de comércio entrevistado, declara não achar o bairro tranquilo. Isso indica que o relacionamento entre as pessoas, afetividade e conduta dos vizinhos são determinantes para o munícipe se sentir num local agradável; as árvores não parecem merecer destaque quanto á relação afetiva positiva com o bairro. Apenas um comentou gostar da praça, mas provavelmente por esta ser o local de um ponto de encontro com os amigos. É o que se observa nos excertos a seguir:
I-“O ambiente aqui é de empresários, no caso somos nós. O ambiente é bem agradável”.
Quando questiono sobre o que tem no bairro que mais gosta responde “Amizade”.
II-“Tem bastante comércio. As pessoas são bem amigas, bem unidas. Isso é importante para se ter um bom relacionamento. Acho que é sossegado, não vejo muita malandragem”.
III- “É bem tranquilo aqui”. “Tem bastante coisa perto: mercado, padaria, escola”.
IV- “É um lugar calmo para morar”.
V- “Ah, gosto. Gosto que vem bastante gente e “a gente” conhece”. VI- “Dos amigos, da praça, da escola. Aqui é bom, tem mercado perto, comércio”.
VII- [Único morador diz não gostar do próprio bairro]. “A bandidagem aqui é ‘feia’”.
Vila Paulista
Quanto a esse bairro, 4 munícipes declararam que ele possui poucas árvores, 1 indica que as árvores estão em quantidade suficiente e 2 que há bastante, por se situar perto do horto. Aqui três munícipes consideraram a presença de árvores, ou da área verde próxima ao bairro, - o horto- como fator determinante para gostarem ou não do bairro. Pela umidade e ar puro que proporcionam, e pela vida agradável e de qualidade que usufruem. Aqui também surgem comentários sobre a tranquilidade do bairro como aspecto importante. É o que denotam os excertos que se seguem:
VIII- “Eu gosto, mas não tem o número suficiente de árvores. É um bairro sossegado ainda, a relação com as pessoas ainda é do modo antigo, conheço quase todo mundo que mora aqui, são as pessoas antigas que moram aqui, os filhos delas, a família inteira mora aqui.”
IX- “Antigamente era mais sossegado, porque gosto do sossego. Agora, ultimamente, anda meio agitadinho. Eu gosto do bairro por causa do sossego mesmo”.
X- “Não gosto muito, porque é muito movimento e as pessoas com má índole. Eu acho bagunçado. A única coisa que ajuda aqui nessa bairro é que
o horto está aqui embaixo. Eu vou caminhar lá e é uma delícia, tem um ar até mais úmido e me lembro um pouco de onde eu vim. Lá é mais úmido, mais puro, mais gostoso. A gente se sente mais saudável do que aqui”.
XI- “Por que as pessoas são boas, não brigam com as outras. È um lugar bom de morar”.
XII- “Por que o ar é mais puro, mais fresco, não tem muita movimentação. Aqui é uma área para lazer mesmo. Não tem muito tráfego de caminhão, ônibus, carro não é constante. Tem as árvores aqui atrás do horto e ajuda”.
XIII- “Tem bastante árvore e eu gosto sim”. XIV- “Eu gosto do local”.
Solicitantes de corte para a Prefeitura
Dos 6 solicitantes de corte de árvores, a munícipe do bairro Vila Alemã disse que em seu bairro as árvores são diversificadas e má distribuídas, sendo que em frente de sua casa há muitas árvores, enquanto que no restante do bairro têm pouquíssimas.
Os solicitantes do bairro Mãe Preta e do bairro Bela Vista consideram que há muitas árvores, já os munícipes dos bairros Wenzel e Arco Éris disseram haver poucas.
Outra solicitante de corte, moradora do bairro Bela Vista, comentou que antigamente havia mais árvores: “andaram cortando as árvores”.
Um entrevistado demonstrou ter mudado de bairro para fugir da urbanização, ao dizer que gosta do bairro por não ter edificações, nem sobrados. Uma moradora declarou que se mudou recentemente para o bairro Bela Vista para poder passear com seu cão de estimação na FEENA, e outra moradora do mesmo bairro demonstrou ter bastante ligação com o bairro por fatores afetivos e por se identificar com a natureza (FEENA).
XV- “As opções diferentes de comércio. A Vila Alemã é conhecida como um bairro de moradores antigos, então existe uma tranquilidade no que diz respeito e as pessoas se conhecem”.
XVI- “Gosto, porque as edificações não são grandes, não tem sobrado. Tem um pouco mais de liberdade. Ao mesmo tempo deveria ter um pouco mais de cuidado na segurança. O que gosto mais é a liberdade de olhar para cima e não ver prédios”.
XVII- “O bairro é muito bom, principalmente para as crianças, podem ficar na rua até a noite sem perigo. Tem acesso a tudo, a bancos. Esse bairro tem até subprefeitura, como se fosse uma cidade dentro de Rio Claro. Tem lojas, tem mercados grandes. Tudo o que quiser procurar tem lá mesmo”.
XVIII- “Tem bastante coisa perto, supermercado, farmácia. Bem acessível”.
XIX- “Silêncio, não tem movimentação na rua, e de poder ir ao horto [FEENA] a pé. Antes eu tinha que atravessar a cidade de carro para poder desfrutar da floresta. Botava o cachorro no carro para passear com ele no horto, agora não preciso mais”.
XX- “Gosto da proximidade com o horto, o sol nasce aqui, a qualidade do ar, a proximidade do campus da UNESP. Quando cheguei aqui em Rio Claro nas primeiras semanas, fui fazer o reconhecimento do bairro, aqui no Bela Vista. Andei no bairro, fui conhecer a UNESP, ia ao horto sozinha. Naquela época não acontecia muitas barbáries. Era tranquilo, eu ia sozinha e gostava de andar”.
Assim, observamos que no bairro menos arborizado (Arco Éris) realmente foi confirmado pelo munícipe que há poucas árvores. Bela Vista e Wenzel, apesar não serem os mais arborizados, apresentam uma boa porcentagem de árvores em relação aos outros bairros como podemos observar no anexo A, e foram considerados pelos entrevistados como tendo
uma boa quantidade de árvores, tanto que um dos entrevistados afirmou que se mudou para o bairro menos urbanizado (Mãe Preta) indicando: “gosto mais é a liberdade de olhar para cima e não ver prédios”. Outro se mudou para um bairro perto da floresta (Bela Vista), “antes eu tinha que atravessar a cidade de carro para poder desfrutar da floresta”.
Dessa forma, verificamos uma tendência de quem mora nesses bairros terem escolhido o local justamente por apreciar mais a natureza. Podemos considerar que essas opiniões estão de acordo com a realidade de cada bairro, inclusive sobre a distribuição das espécies dentro de todo espaço urbano, devido à falta de planejamento (ANEXO D)
Pergunta 2- Em sua infância, como era(m) o(s) local (is) em que você morou?
Arco Íris e Floridiana
Apenas um munícipe apresentou ligação da infância com a presença de árvores, mas ao mesmo tempo, ao dizer sobre o que mais gostava do bairro, deu uma das respostas que percebemos ser mais comuns, a de não ter violência, presente na fala de todos os entrevistados, de modo explícito ou não. Um deles relacionou as árvores com os familiares os quais as plantaram: “tem uma na frente da casa da minha avó, que meu avô plantou; tem uma na frente da loja do meu tio, que ele teve que tirar”. Mas ao falar sobre o bairro, o que mais gostava era da proximidade com lojas e banco. Um munícipe que vivenciou sua infância em sítio, gostava da falta de preocupação, de não se preocupar com contas a pagar.
I- [em sua infância], “gostava de chupar manga e pinha”. “Antigamente era [mais arborizado], mas hoje está tudo acabado. Gostava era liberdade de poder se divertir sem violência bem presente atualmente”.
II-“Gostava de lá [Santo André]”. “Eu gosto. Acho que é porque nasci lá. Tudo, o movimento, a agitação. Eu gosto mais do jeito de lá, tem mais
coisa para fazer. Eu gosto daqui, porque já faz um tempo e fiz amizades, mas a terra natal é sempre mais querida”.
III- “Bem agitado [o bairro que mora atualmente]. E sobre árvores acho que é mais ou menos assim nas ruas. Tem uma na frente da casa da minha avó, que meu avô plantou; tem uma na frente da loja do meu tio, que ele teve que tirar”.
[E quando pergunto sobre o que mais gostava no bairro] “bastante loja, banco....”.
IV- [Morou em São Paulo e em Santo Amaro, não tinha árvores e não gostava do local] “por causa da violência”.
V- [Morou sempre no mesmo bairro].
VI- [Gostou de morar mais no bairro da infância num sítio em Assistência]. “Era criança. Não tinha preocupação com nada, era só estudar, ajudar meu pai no sitio. Lá era bom de morar” [...]“ Não tem compromisso, a gente plantava, comia. Não tinha compromisso de pagar água, luz, isso e aquilo”.
VII- [Na infância, morou no bairro Cidade Nova, que diz gostar por que o ambiente não é pesado e diz ser menos arborizado que o atual] “Sou nascido lá, então o ambiente, o povo é diferente daqui. Aqui já é mais bandidagem. Lá eu saia de casa e deixava a casa aberta e voltava. Aqui nem trancado, não posso sair.
Aqui não encontramos nenhuma relação dos locais de infância dos entrevistados com relação às árvores. É o bairro em que os munícipes menos demonstraram ligação com a natureza. Mesmo o entrevistado que gostava de saborear as frutas na infância, ao lhe perguntar do que mais gostava indicou a falta de violência. A violência (ou bandidagem) ou a falta dela, comércio e movimento – foram os aspectos mais mencionados para caracterizar o bairro/lugar onde passaram a infância.
Vila Paulista
Os entrevistados deste bairro formam o grupo que mais se identificou com a arborização urbana. A maioria indicou gostar do bairro por este possuir área verde e árvores na calçada. Apenas uma moradora manifestou desinteresse e desprazer por esse aspecto. Cabe salientar que o tempo médio das entrevistas nesse grupo foi maior do que o tempo das entrevistas feitas no Arco Éris/Floridiana (bairros menos arborizado), pelo fato de o grupo da Vila Paulista narrar mais experiências com o meio natural. Seguem alguns excertos das respostas dadas pelos entrevistados:
VIII- “Era bem arborizado, por que era no horto florestal em Camacuã. Meu pai era funcionário. O Bom daqui, da Vila Paulista, é que é próximo Horto, temos as árvores bem próximas. Na rua não tanto, mas eu saio aqui e vejo a plantação de eucalipto todinha, que é bonita. Agora, comparar fica difícil. Eu lembro bastante com 06 anos, mas aqui também vemos isso. Não tenho preferência, gosto dos dois lugares”.
IX- “O lugar que eu morava era mais no centro, mas era um lugar bem sossegado também. Tinha bastante árvore. Eu não gosto se eu tiver que cuidar”.
X- “Eu vim de Minas há pouco tempo e lá era um lugar bem mais arborizado do que aqui. Então, eu sinto falta. Até porque sentimos com o ar, que é mais pesado. Tem muita praça”.
XI- [Em Avaré]. “Era um lugar bom também, mas a cidade quase que não tem árvore, não é igual Rio Claro. Aqui é bom por causa disso ai. Lá é difícil ter árvore. Não gostava muito de morar lá por causa que tinha muito bandido”. [Depois se mudou para Itatinga] “Gostava, por que lá tem bastante árvore, o povo não é briguento, não tinha esse negócio de tráfico como tem aqui em Rio Claro.
XII- [Em Barra Bonita] “Lá tem bastante verde, bastante área boa para lazer”.
XIII- “Tem bastante árvores lá, era bem legal. É um lugar sossegado, não tem barulho de carro, do trânsito do dia-a-dia”.
XIV- [Sempre morou no Vila Paulista].
Solicitantes de corte para a Prefeitura
Nesse grupo, apenas um morador não relacionou sua infância com a natureza. É interessante ressaltar que, as duas entrevistadas desse grupo que moraram em São Paulo em sua infância, manifestaram gostar com mais intensidade da natureza do que muitos dos entrevistados que moraram sempre no interior. Isso pode nos fazer questionar o quanto que a historia de vida, no que se refere às experiências ocorridas na infância, implica ou não em maior ou menor ligação com a natureza. Muitos aspectos e fatores influenciam o estabelecimento dessa ligação, e não apenas as experiências da infância. Seguem-se trechos das entrevistas referentes a essa questão:
XV- [São Paulo] “Era muito, muito melhor. No que diz respeito a segurança, a arborização [Paulista perto do parque Trianon, Vila Mariana perto da praça da árvore, caminho indo para Diadema- Parque do Nabuco], a mobilidade. Gostava de passear, visitar, de respirar. Infelizmente, temos praças aqui que não são bem cuidadas, mas temos várias praças na cidade. As cidades no interior são conhecidas por terem muitas praças, coisa que não acontece nas grandes cidades, pela falta de espaço. O estudo urbanístico dessas cidades é colocado de lado para serem feitas moradias, indústria, comércio. As áreas rurais são campos abertos. Temos muito mais mata nativa, dentro das fazendas, sítios existe a preocupação de se manterem árvores, e função dos animais e da legislação florestal, que obriga a ter árvores. Coisa que nas grandes cidades não acontece. São Paulo tem árvores lindas, mas que causam prejuízos enormes em dias de chuva e grandes tempestades”.
XVI- “Era um tempo que podíamos fazer amizade com os vizinhos, era mais tranquilo. Brincávamos sobre a sombra de uma árvore. Sempre teve uma árvore em minha vida”.
XVII- “Eu podia brincar de rodar pião, de bolinha de gude, empinar pipa. Os brinquedos nós mesmos fabricávamos, tinha imaginação”.
XVIII- “Na fazenda. O lugar era natural, gostoso de viver. Gostava de brincar nas árvores, meu pai fazia balanço nos galhos, brincar nas sombras das árvores, balançar”.
XIX- “Morei numa chácara. Vivia em cima da árvore. Tinha goiabeira, jabuticabeira, caju, abacate. Então, todo ano tinha fruta e passávamos em cima das árvores. Muito gostoso”.
XX- “Infelizmente, não tive muito contato com a natureza, por que nasci em São Paulo no Cambuci. É um bairro com muita poluição, era bem próximo do centro. Eu morava próxima a Avenida Independência, onde passava muitos ônibus, carros e tive muitos problemas respiratórios na infância. Minha mãe teve que me levar muitas vezes no posto de saúde para fazer inalação. E minha mãe me levou a um pediatra, que recomendou a retirada das amigdalas... Graças a Deus as minhas não foram retiradas e na adolescência vim morar aqui nesse bairro e minhas crises de rinite e sinusite pararam. Com certeza por causa da qualidade do ar. Menos poluição. E não tenho mais esse tipo de problema”.
Este foi o grupo que mais apresentou experiências agradáveis da infância com a presença de árvores. Perguntamos-nos se isso se deveria ao fato de os solicitantes terem mais clareza dos problemas de cortar ou não árvores e, no momento da pesquisa, diante das perguntas efetuadas, responderem enfatizando sempre algum fato que se relaciona às árvores. Seria um grupo de pessoas mais bem informadas, já que tomaram a iniciativa
de solicitar um serviço de corte de árvores para a Prefeitura? E, dessa forma, mais “espertas” diante da entrevista? Ou de fato, realmente tiveram mais experiências do que outros grupos?
De qualquer forma é uma análise importante, visto que os solicitantes de corte são considerados “pessoas más” que não gostam de árvores.
Pergunta 3- Você algum dia já plantou uma árvore e/ou outro tipo de planta? Se sim, conte como foi essa experiência
Arco Íris e Floridiana
Apenas uma pessoa não se lembrou de ter plantado alguma árvore. No entanto, alguns entrevistados, embora tenham respondido afirmativamente, ao longo da entrevista revelaram que, na verdade, o plantio foi idealizado por outra pessoa/instituição que o convidara a ajudar no plantio. Sendo assim, não houve de fato uma decisão do entrevistado em plantar uma muda de árvore.
I- [Plantou diversas árvores como Ipê Amarelo, Ipê Roxo em áreas urbanas como ruas e calçadas]. “Na verdade, o pessoal da firma onde eu trabalhava falou “Vamos lá plantar”. Abrimos uma cova e está até hoje”.
II- “Não”.
III- “Sim, muitas. Na escola Agrícola, na ciclovia. Plantamos em volta. Não deu muito certo, porque estragaram, não cuidaram”.
Questionada se a escola não comentou sobre o cuidado que deveriam ter pós o plantio, respondeu que não e complementou dizendo que depois do plantio ninguém foi no local.
A entrevistada se lembrou que plantou umas sementinhas quando a questionei se não havia plantado na época de escola, mas tem pouca lembrança.
V- “Teve uma vez que veio um pessoal de uma ONG e eles plantaram todas essas árvores e eu ajudei a plantar as árvores lá de baixo, do campinho. Foi bem legal o dia, gostoso. Todo mundo participando, é uma coisa que faz bem, coisa da natureza. Não faz bem só para nós, mas para os pássaros, para todos os seres vivos”.
Aqui podemos ressaltar a importância do papel da escola na realização de atividades voltadas à educação ambiental. Mesmo um único dia de plantio, pode ficar marcado na memória de algumas pessoas. No entanto, como discutimos no inicio desse trabalho, se as atividades fossem menos pontuais e apresentassem um sólido programa de educação ambiental, poderiam contribuir muito mais e trazer maiores efeitos benéficos em termos de valorização das pessoas em relação aos seres vegetais. Seguem outras respostas à essa mesma pergunta:
VI- “Já, [Plantou] as duas que tinham na frente [de sua casa]. “Os meus amigos vinham aqui, “a gente” sentava embaixo dela e passava o tempo lá. Meu pai trouxe essa muda e plantamos e depois um caminhão a derrubou. A outra um amigo trouxe o pé” (acerola).
Quando perguntei se não tinha mais vontade de plantar outra árvore no local respondeu que não, por que na sua casa já tem o suficiente. “Se todo mundo plantasse em cada casa seria bem melhor”
VII- “Quando eu morei no sítio sim. O sítio era do meu tio. Desmatou um lado e plantou no outro. Meu tio arrumava as mudas. Eu não sei que árvores eram. Nem se era do mesmo tipo, eu ia plantando. Ele gostava mesmo de plantar. Diminuiu um lado e aumentou outro. Eu gostava por que eu tinha que trabalhar, mandava fazer, tinha que fazer”.
No caso dos dois últimos entrevistados, o plantio foi realizado junto com um familiar. O primeiro plantou em conjunto ao pai e, posteriormente plantou mais sozinho, o segundo apenas plantou em conjunto como tio e não plantou mais, nem sozinho ou com outra pessoa.
Vila Paulista
Aqui se destacam alguns munícipes, ao expressarem a ideia que ‘cada um tem que fazer sua parte’. Por outro lado, chama nossa atenção a moradora IX, por afirmar não gostar de árvores, dizendo que não plantaria nem cuidaria de nenhuma, mas que, se a prefeitura plantasse e cuidasse, poderia haver mais árvores no espaço público. Ela considera a possibilidade do poder público manter a arborização, mas coloca nele toda a responsabilidade por esse trabalho.