A mudança de CAD para BIM dentro de uma empresa exige formação, disponibilidade de recursos, criação de conteúdos, trabalho de equipa, assim como novos fluxos de trabalho. Toda esta operação adjacente à mudança tem que ser gerida em simultâneo e como um todo (Taborda, 2012).
Alguns autores propõem que, para uma implementação empresarial bem-sucedida, sejam tomados em conta os seguintes aspetos (Taborda, 2012):
Na fase de preparação, a empresa precisa de se concentrar no processo de implementação. Para tal torna-se essencial que sejam analisadas eventuais consequências no seio da empresa, e antecipados métodos que minimizem possíveis problemas durante e após a
implementação. A utilização de protocolos de implementação (checklists) e o treino prévio podem atenuar a maioria das situações problemáticas. É também nesta fase que se devem identificar os processos empresariais que necessitem de alterações operacionais;
É na fase de implementação que a empresa sofre as maiores mudanças: instalações de sistemas, programas de formação, avaliações organizacionais dos resultados obtidos em projetos-piloto, etc.. Estas mudanças levam à completa reestruturação dos processos operacionais até então existentes. Os novos processos requerem uma avaliação total e, lamentavelmente, o apoio por parte dos fornecedores de serviços de implementação BIM pode não abranger estas avaliações. As avaliações baseiam-se nos dados dos projetos-piloto e devem medir a eficácia, a eficiência e o desempenho dos processos operacionais. Antes de dar por terminada a fase de implementação devem estar retificados todos os processos que se julgue necessário;
Na fase pós-implementação deve ser conduzida uma análise exaustiva à eficácia da implementação no que diz respeito ao aumento de desempenho. Esta análise define a situação atual da empresa. Define ainda quais as suas futuras apostas, como sejam: novas oportunidades de negócios, formação especializada a proporcionar aos seus funcionários e até uma avaliação custo-benefício da introdução do BIM como uma aposta estratégica da empresa.
No entanto é importante referir que o BIM é uma metodologia extensa, pelo que a sua implementação deve ser faseada (Figura 26). Nesse sentido, são identificadas as etapas de maturidade da implementação BIM (Taborda, 2012):
Figura 26. Etapas de maturidade da implementação BIM (Taborda, 2012).
Na etapa pré-BIM existe muita dependência de desenhos 2D para descrever uma realidade que é 3D. Mesmo que existam visualizações 3D, estas são baseadas em informação bidimensional. Mapas de quantidades, estimativas de custos assim como outras especificações não derivam do modelo de visualização nem tão pouco são interoperáveis com o resto da documentação existente. Não é dada prioridade às práticas de colaboração entre as partes envolvidas no projeto e o fluxo de trabalho é
A primeira etapa da implementação BIM é denominada de modelação baseada em modelos. Os modelos BIM são utilizados principalmente para gerar e coordenar automaticamente documentação 2D e visualizações 3D. Em alguns casos pode haver exportações simples de dados, como por exemplo algumas quantidades, e modelos 3D “ligeiros”, uma vez que não detêm atributos paramétricos. Quando esta etapa de maturidade é atingida, os operadores começam a reconhecer as potencialidades do BIM. É esse reconhecimento e subsequente tomada de iniciativa que leva os utilizadores à etapa seguinte: a colaboração baseada em modelos.
Na segunda etapa, a da colaboração baseada em modelos, os intervenientes colaboram ativamente com intervenientes de outras disciplinas. Quer seja através de formatos proprietários ou não proprietários, existe interoperabilidade na troca de modelos entre os vários participantes. A utilização do modelo para estudos de planeamento e de orçamentação leva a que nesta fase se chegue a modelos 4D e 5D respetivamente. Apesar das comunicações entre os envolvidos no projeto BIM continuarem assíncronas, as linhas que no pré-BIM demarcam os vários papéis, disciplinas e fases de obra começam a desvanecer-se. Nesta etapa pode começar a ser necessário fazer alterações contratuais de adaptação ao BIM.
Na fase da integração baseada em redes, a terceira fase de maturidade da implementação BIM, os modelos são integrados, ricos em atributos semânticos e são criados, partilhados e mantidos através de processos colaborativos durante as várias fases da obra. A integração descrita é conseguida através de tecnologias de servidores para modelos. Os modelos da terceira fase tornam-se interdisciplinares e adquirem várias dimensões, sendo assim denominados modelos nD. O trabalho colaborativo torna-se nesta fase numa espiral iterativa rumo a um modelo de dados único, extensivo e partilhado. Devem ser reconsideradas contratualmente as relações entre todas as partes envolvidas, as atribuições de risco e os fluxos de processo. Este grau de maturidade de tecnologias, processos e políticas facilita o alcance do IPD (Integrated Project Delivery).
O IPD representa a visão a longo prazo do BIM como uma fusão de tecnologias, processos e políticas. Assim, o objetivo final de uma implementação BIM é atingir o estado IPD.
Atualmente, a realidade da maior parte das empresas portugueses está longe de conseguir atingir uma implementação BIM com o grau de maturidade que exige o método proposto, devido a diversas barreiras. O enraizamento do método tradicional de conceção e gestão da construção, consolidado ao longo de várias décadas, torna uma natural resistência à mudança ainda mais complicada. A pouca orientação ao nível académico nesta nova tecnologia, leva a que a maior parte dos atuais profissionais
da indústria da construção, não possuam conhecimentos sólidos sobre esta matéria, para que possam analisar de um ponto de vista crítico (Parreira, 2013).
A pouca colaboração numa cadeia muito segmentada é uma das principais causas que levam à dificuldade de implementação BIM. A mentalidade de resolver problemas em vez de os prevenir, numa atitude reativa, até a data, continua a ser a linha mais seguida na gestão da construção (Parreira, 2013).
Porém, o principal obstáculo para a implementação de uma tecnologia de informação nas empresas continua a ser a perspetiva que estas empresas têm sobre o investimento necessário, o que se prende com a sua incapacidade para quantificar o retorno sobre esse investimento (Taborda, 2012).
Ultrapassando estes obstáculos iniciais, as empresas que implementem a metodologia BIM, beneficiarão de todas as potencialidades inerentes a esta tecnologia, descritas ao longo deste capítulo.