5. Nordic agreement on admission to higher education
5.3 Financial compensation
Falar sobre os ‘usuários internos’ dos museus sem lhes projetar uma imagem é não permitir que estes ‘personagens’, distantes pela ausência de uma descrição, possam ter animação por meio da provocação do nosso imaginário. Com este fim, desenharemos seu perfil e buscaremos dar-lhes vivacidade.
Os dados abordados nesta categoria são referentes à caracterização dos 15 (quinze) participantes da pesquisa compreendendo: gênero; faixa etária; profissão; escolaridade; área de atuação profissional; vínculo com o museu; permanência de atuação no museu; permanência de atuação no setor; motivos que os levaram a trabalhar em museus; e satisfação com o trabalho.
Os ‘usuários internos’ participantes desta pesquisa são, em sua maioria, do gênero feminino (93,4%), com idade entre 21 e 61 anos e possuem, predominantemente, curso superior (93,75%). Distribuímos suas profissões no gráfico que segue.
Figura 37 - Gráfico com as profissões dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos. Fonte: Dados da pesquisa.
Os dois percentuais mais elevados referem-se às profissões de psicólogo e professor. Entre as demais profissões, encontram-se: funcionário público, museólogo, estudante, aposentado, turismólogo e historiador.
História, Letras, Museologia, Pedagogia, Psicologia, Educação Artística, Turismo e Biblioteconomia. Os demais participantes dividem-se ao se apresentarem como possuidores de ensino superior incompleto (11%) e ensino médio completo (5%).
Figura 38 - Gráfico apresentando a escolaridade dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos. Fonte: Dados da pesquisa.
Dentre os usuários com ensino superior completo, 76% apresentam pós-graduação, 18% não informaram e 6% não possuem esta qualificação (Figura 39).
Figura 39 - Gráfico apresentando a escolaridade dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos quanto à realização de pós-graduação.
Fonte: Dados da pesquisa.
Analisando os usuários que possuem pós-graduação, constatamos que 24% (Figura 40) são em nível de mestrado nas áreas de Memória Social e Patrimônio Cultural, História e
Crítica da Arte, Ciência da Informação e Ciências da Sociedade. Quando a pós-graduação é a especialização, o valor se eleva para 76%. As áreas dos especialistas são em Gestão de Políticas Públicas de Cultura, Ação Educativa e Cultural em Museus, Psicologia da Saúde, Psicologia Escolar, Didática, Artes Plásticas, Salvaguarda em Patrimônio Imaterial, Cultura Brasileira, Administração e Planejamento de Recursos Humanos, História do Brasil (Nordeste), Formação do Educador Serviço Social em Empresas e Supervisão e Orientação Profissional.
Figura 40 - Gráfico dos tipos de pós-graduações dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos. Fonte: Dados da pesquisa.
A coleta destes dados nos proporcionou a apresentação de um usuário com elevado nível de escolaridade, contrariando o que empiricamente observamos. Tal constatação nos faz acreditar que a procura pela REM/PB, levando-os a tornarem-se membros, deu-se também pelo fato de terem, em sua formação, maior aproximação na busca de informação como fonte de pesquisas. Neste sentido, perceberam a Rede como fonte para busca de informações específicas.
A variedade de profissões que estes usuários apontaram, somadas à riqueza de áreas que trabalharam anteriormente ao museu atual, revela um corpo de profissionais esforçados e capacitados em vários campos, tendo trabalhado nas seguintes áreas: História, Arqueologia, Políticas Públicas, Administração Pública, Docência, Representação Tridimensional, Instituições Museológicas, Pesquisa, Articuladora Cultural e Educação Patrimonial.
metade dos usuários possui vínculo efetivo com suas instituições. Na figura que segue (Figura 41), possuem vínculo como terceirizados 7,69% dos ‘usuários internos’, tendo a média de um ano trabalhado nesta condição. Como cedidos estão 15,38%, com média de 11,5 anos. São efetivos 46,15% com média de 17,8 anos. Abaixo da média nacional e da média paraibana considerada pelo IBRAM, os voluntários caracterizam 7,69% dos usuários, tendo a média de 05 (cinco) anos de trabalho no museu.
Figura 41 - Gráfico apresentando o vínculo de trabalho que os usuários mantêm com os museus e a média de anos mantida nesta condição.
Fonte: Dados da pesquisa.
Em 23% das respostas, os ‘usuários internos’ enquadram sua vinculação na categoria ‘outros’. Ao justificarem essa eleição, os respondentes apresentam uma diversidade de funções, quais sejam: colaboradora (sem remuneração), pesquisadora, contratos por tempos determinados, cargo comissionado, trabalho (remunerado) sem vínculo empregatício formalizado. Nestas funções os usuários se mantiveram, em média, por 15,33 anos.
Também nesta perspectiva de manutenção de suas funções nos museus, permaneceram trabalhando nas mesmas instituições 73% dos usuários, enquanto os demais 27% alternaram os museus nos quais trabalharam, conforme pode ser visualizado na Figura 42.
Figura 42 - Gráfico apresentando a permanência dos ‘usuários internos’ nos museus. Fonte: Dados da pesquisa.
Quanto à permanência do setor trabalhado nos museus, 40% dos ‘usuários internos’ relataram terem trabalhado em um único setor. Em posição inversa, constatamos que 60% trabalharam em vários setores, de forma simultânea (Figura 43). Tal fato corrobora o que observamos durante as reuniões da REM/PB, onde seus membros apresentam reclamação constante, por serem obrigados a assumir funções em diversos setores, por falta de pessoal e com a finalidade de garantir o funcionamento mínimo do museu. Diversas vezes, estas pessoas se autodenominaram de funcionários ‘Bombril’, termo usado para fazer analogia ao
slogan, ‘1001 utilidades’, de determinado produto comercial. A apropriação do slogan do produto é a forma cômica com que fazem referência às suas atuações plurais dentro destas instituições.
Figura 43 - Gráfico apresentando a unicidade de setores nos quais os ‘usuários internos’ dos museus paraibanos trabalham.
Dos setores considerados como permanência única, todos os relatos fizeram referência ao setor educativo. Deste modo, este setor abrigou os ‘usuários internos’ que não acumularam setores.
Também é o setor educativo que surge com maior frequência entre os demais setores nos quais os ‘usuários internos’ atuam, simultaneamente. É o que podemos observar na Figura 44.
Figura 44 - Gráfico discriminando os setores nos quais os ‘usuários internos’ dos museus paraibanos trabalham de forma associada.
Fonte: Dados da pesquisa.
Desta forma, o setor educativo apresenta-se associado a outros setores em 80% das declarações dos ‘usuários internos’ seguidos pelos setores administrativo (60%), de documentação (60%), de reserva técnica (40%) e de recepção em 20%. O acúmulo de função não ocorre apenas em dois setores. Muitos ‘usuários internos’ afirmaram trabalhar em mais de dois setores (40%) (Figura 45).
Figura 45 - Gráfico apresentando a distribuição dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos de acordo com a quantidade de associação dos setores nos quais trabalham de modo simultâneo.
Fonte: Dados da pesquisa.
O trabalho realizado nesses setores, de forma exclusiva ou simultânea, é local das mais variadas ações realizadas pelos ‘usuários internos’. No entanto, há uma predominância das ações educativas e, dentre estas, principalmente as ações voltadas às questões patrimoniais.
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Como ilustração da atuação em diversos setores, podemos exemplificar, através de seus escritos, a variedade de competências necessárias para tamanho desempenho. Diante de tão intenso comprometimento, inevitavelmente, aparece outro fator: a sobrecarga de trabalho, muitas vezes encoberta pela informalidade das atividades assumidas.
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Tanto esforço, apesar de exposto como heroico, só nos faz refletir sobre a estrutura dos museus paraibanos. Quais motivos levariam estas instituições a manterem seu funcionamento de modo tão precário? E quais as razões que levariam estas pessoas a se submeterem a tal situação? Os usuários nos dão pistas e citam os motivos que os conduziram a trabalhar em museus (Figura 46): por realização (20%), para contribuir com o museu (10%), por encaminhamento profissional (50%) e por acreditar na função do museu como instituição capaz de preservar a memória (20%).
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Figura 46 - Gráfico com os motivos que levaram os ‘usuários internos’ dos museus a trabalharem neles. Fonte: Dados da pesquisa.
Apesar da diversidade de ocupações e do pouco reconhecimento dos ‘usuários internos’ pela sociedade, e muitas vezes por suas próprias instituições, surpreendentemente, 100% dos usuários desta pesquisa se dizem satisfeitos em trabalhar nos museus.
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. (LEONARDO) [...] # . F ) + = ! - 8 + . (NAVARRETE) D 0 (OGGIONO)Por isso, ao desenharmos o perfil dos ‘usuários internos’ dos museus paraibanos atribuir-lhes-emos os seguintes contornos: defensor da memória e do patrimônio da comunidade, usuário pesquisador, usuário escolarizado – com pós-graduação, que trabalha no setor educativo, de forma associada ou não a outros setores.
Figura 47 - Esquema de caracterização do 'usuário interno'.
Perante a complexidade de todos estes atributos, destacamos a principal característica do ‘usuário interno’: ser usuário da informação. Para desenvolver e manter as feições mencionadas, é necessário fazer uso da informação, absorvendo-a, (re)significando-a, (re)construindo-a e disseminando-a, com a finalidade de preservar a memória da comunidade e o desenvolvimento de suas instituições. Estes usuários usam a informação como fonte de seu trabalho e, simultaneamente, também absorvem seu resultado por se tratarem de informações culturais relacionadas às memórias dos locais onde estão inseridos.
É como usuário da informação, que os ‘usuários internos’ dos museus afetam a construção das informações elaboradas pelos ‘usuários externos’, com ou sem necessidades específicas. Ao esboçarmos os contornos do ‘usuário interno’ de museu, podemos percebê-lo como agente ativo, dotado de várias características dinâmicas. Assim, torna-se mais fácil visualizá-los como seres possuidores de contextos, percebendo que a pluralidade destes influenciará para que a produção da informação aconteça de uma forma e não de outra. Então, a informação construída pelo ‘usuário externo’ passa pelo processo conjunto de coprodução
com o ‘usuário interno’.
Tal constatação é convergente com o paradigma social de Rafael Capurro (2003). Ratificando-o, Blaise Cronin (2008) esclarece que as escolhas realizadas pelos sujeitos informacionais são produzidas sob influência de seus contextos. Se considerarmos o modelo cognitivista de Brenda Dervin (1998), temos:
Figura 48 - Esquema da metáfora da ponte (Dervin).
Assim, o usuário, a partir de uma necessidade, ultrapassaria esta lacuna através da construção de uma ponte em direção à informação (uso). Consideramos que nesta abordagem (alternativa), o aspecto cognitivo do usuário é essencial. No entanto, esse é apenas um dos aspectos. Para Araújo (2012), seria necessário percebermos também o aspecto cognitivo, de modo complementar. Assim, o usuário construiria suas informações a partir dos paradigmas físico, cognitivo e pessoal. Concordamos com tal pensamento, porque compartilhamos da ideia que não podemos isolar estes aspectos, mas inter-relacioná-los. No entanto, ainda acrescentaríamos que a construção da informação não é unilateral. Deste modo, devemos considerar estes mesmos aspectos também do ‘usuário interno’, pois a informação será apresentada ao ‘usuário externo’ daquela forma, e não de outra, porque aquele ‘usuário
interno’ a concebeu assim. Então teríamos algo como o apresentado na figura seguinte.
Figura 49 - Esquema de construção compartilhada da informação, onde o ‘usuário externo’ (UE) em conjunto com o ‘usuário interno’ (UI) constroem a informação, a partir de seus contextos.
Acreditamos, então, que a informação é fruto de um processo construtivo que é afetado pelos diversos contextos dos sujeitos envolvidos em sua produção. Quando falamos em contextos, não estamos restringindo apenas aos formais, uma vez que na informalidade também são realizadas práticas informacionais. Realizando pesquisas juntamente com seus alunos, Araújo (2010) pôde constatar que a “importância das ‘fontes informais’, ou do ‘colégio invisível’, é então confirmada, tanto no sentido de fornecimento de informações para a tomada de decisão quanto, também, no de indicar outras fontes de informação”. (ARAÚJO, 2010, p. 34).
Neste sentido, além dos contextos formais, também devemos considerar os informais e a consequente interatividade para a construção da informação através da produção conjunta entre ‘usuário externo’ e ‘usuário interno’. Diante de tantos elementos, torna-se difícil rotular o usuário apenas como cognitivo. Ele é plural e através das interatividades, constrói informações específicas para aquele momento, sob influência dos contextos dos agentes construtores.