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Final provisions

In document Overenskomster medfremmede stater (sider 50-54)

Frihandelsavtale mellom EFTA-statene og Serbia

Chapter 8 Final provisions

No contexto do “novo turismo”, os turistas estão cientes que a Internet é uma importante ferramenta para a pesquisa de distintos produtos e serviços no destino. A Internet “produziu clientes” que para além de estarem informados, procuram preços mais reduzidos, produtos turísticos isolados ou sob a forma de pacotes e que individualmente elaboram o seu próprio itinerário de viagem. A maioria dos clientes que recorrem à Internet para efectuarem as suas compras através de sítios on-line tem entre os 25 e os 44 anos, sendo na sua maioria homens com habilitações académicas de nível superior. A grande maioria dos clientes está empregada e aufere elevadas remunerações. O posicionamento destes viajantes situa-se nas classes médias e superiores e vivem em grandes cidades (Rodrigues: 2004).

O “novo turista” apresenta ainda uma elevada expectativa de satisfação nos processos de compra e reserva dos seus produtos turísticos. Constata-se também que para estes é menor a diferença entre as expectativas e a experiencia obtida, resultado da existência de maior quantidade de informação e das experiências vividas virtualmente antes de o bem turístico ser consumido. Estes turistas acham-se poderosos por deterem muita informação sobre os produtos e serviços do seu interesse. Em consequência desta nova moda verifica-se a oferta de produtos com preços mais flexíveis, promoções do tipo “last minutes”, novos serviços complementares, redução do papel emitido, menores barreiras burocráticas, facilidade nos idiomas utilizados e a criação de produtos personalizados Ramos e Perna (2008).

O turista pós-moderno, de forma muito abrangente e generalizada, caracteriza-se tendencialmente por ser um profissional com relevantes recursos económicos, culturais e cognitivos e que gosta da novidade, seleccionando destinos que geralmente estão fora das principais rotas turísticas procurando destinos não programados ou tão pouco planificados, mostrando-se até aventureiro e com apetência para o contacto com a natureza. É também nos destinos, de maior exclusividade nalguns casos associados até ao snobismo, que procura a comunicação inter-pessoal, conseguindo aí projectar as suas pretensões no que concerne ao seu ideal de férias, procurando sair do anonimato e afastar-se de comportamentos standard. Por outro lado e paradoxalmente procura uma certa homogeneidade segmentada pelo facto de que as suas práticas turísticas se inscrevem como práticas do grupo de referência (Gutiérrez e Viedma: 2003).

O perfil do turista que procura estes recursos é claramente distinto daquele que busca modalidades mais massificadas do tipo “sol e praia”. O incremento da oferta turística nos espaços rurais e da procura dos seus recursos deve-se à busca de destinos menos concorridos, de forma a tornar as práticas turísticas mais individualizadas.

Como refere Henriques (2003), esta procura inscreve-se no “turismo pós-fordista”, que reflecte uma tentativa dos turistas se afastarem do déjà vu e seguirem a solicitação da novidade. Hummelbrunner (1993), Henriques (2003) e Menezes (2000) traçam o perfil do turista que persegue os atractivos dos espaços rurais.

A caracterização dos mercados segundo Kastenholz E. (2002) é factor crítico para a definição das estratégias de desenvolvimento do produto, especialmente no que concerne ao turismo em espaço natureza.

A procura no turismo natureza é maioritariamente constituída por turistas nacionais de várias faixas etárias, apesar de uma ligeira concentração no estrato etário mais jovem, é também constituído por viajantes de curta estada ou férias prolongadas, por pessoas que já conhecem o destino, por outras que visitam o destino natureza pela primeira vez e ainda por pessoas que viajam no verão ou na época baixa.

Sucintamente e de acordo com o estudo18 da professora Kastenholz, E. (2002) trata-se de um mercado constituído por estratos socioprofissionais de classe média/alta, com bons níveis de formação académica, com vasta experiência enquanto viajantes (incluindo destinos natureza) partilha das experiências geralmente em parelha ou em pequenos grupos. Manifesta interesse pela preservação patrimonial e ambiental, pela valorização dos produtos genuínos, como a gastronomia tradicional e o artesanato e pela prática de actividades de contacto com a natureza. É um público maioritariamente urbano, que concebe os espaços rurais como símbolos de qualidade de vida (despoluição, quietude, saúde) e de identidade (tradições ancestrais, usos e costumes culturais).

Relativamente aos alojamentos ou outros serviços turísticos estes turistas seleccionam e tomam as decisões com o recurso a fontes de informação de ordem pessoal e directa ou quando muito com recurso a guias turísticos, raramente recorrem à comunicação comercial. Os aspectos geralmente mais procurados e apreciados por estes turistas reportam-se à natureza e paisagem, ao sossego, à cultura e à simpatia das pessoas.

Com o recurso a uma “análise de clusters”, estabelecida em função dos benefícios procurados pelos elementos da amostra, foi possível identificar quatro segmentos de mercado. Esses distintos segmentos de mercado evidenciaram não só múltiplas diferenças relativamente aos dados demográficos como ao comportamento de férias (Kastenholz: 2002)19.

Assim e de acordo com o respectivo perfil motivacional dos turistas que visitaram o Norte de Portugal Continental identificaram-se e denominaram-se os seguintes segmentos20:

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Em termos de perfil a amostra do estudo caracteriza-se especialmente por indivíduos, com idades predominantemente compreendidas entre os 25 e os 44 anos representando 61% da amostra, viaja em família 76%, tem emprego 78% e habilitações superiores 78%, a maioria das estadas dos turistas apresenta uma duração média entre 3 a 6 dias.

19

Para analisar diferenças entre grupos, os autores utilizaram uma série de testes estatísticos, nomeadamente tabelas cruzadas com o teste do Qui Quadrado, testes Mann Whitney, Kruskall Wallis, teste T e ANOVA.

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Os dados foram recolhidos via entrevista directa (88%), em diversos locais de atracção e acolhimento turístico (efectuado na zona norte do país em distintos espaços natureza) e em diferentes períodos do ano, resultando numa amostra de 2.280 respostas válidas o que faz da amostra um levantamento bastante representativo. O principal objectivo do estudo foi obter um melhor conhecimento do mercado, em termos de perfil, motivações, comportamentos, atitudes e percepções, havendo uma ênfase principal na identificação e análise da imagem da região enquanto destino turístico, respectivos factores determinantes e efeitos (Kastenholz: 2002).

1. Os “entusiastas rurais calmos” (31% da amostra) representam um segmento particularmente entusiasta do turismo natureza. Manifestam uma visão algo romântica do destino natureza e procuram, o “autêntico”, o património cultural, o ambiente despoluído e calmo, a proximidade com a natureza e a integração num estilo de vida mais tradicional e rural. Não procuram o convívio nocturno, nem actividades desportivas ou recreativas.

É um segmento sénior, com elevado nível de educação e estatuto sócio-profissional, elevado poder de compra, sensibilizado para a conservação do património e constituído maioritariamente por portugueses; viajam por distâncias maiores durante a sua estadia e têm um padrão de despesas diárias significativamente superior aos outros segmentos. É um grupo que regularmente visita a natureza com a finalidade de férias, tanto no país de residência como noutros países, alojam-se principalmente em unidades hoteleiras, em pousadas e unidades TER, mas também em parques de campismo. Encontram-se sobretudo em áreas de natureza e procuram com bastante regularidade o destino natureza na época alta, por períodos de tempo relativamente prolongados.

Este turistas são muito sensíveis à preservação do património sugerindo a oferta de, mais e melhores trilhos pedestres, melhor informação e sinalização dos restaurantes típicos e ainda um melhor acesso ao património cultural.

2. Os “entusiastas rurais activos” (26% da amostra) são também motivados pela natureza, ruralidade e o tradicional, embora mais interessados em actividades recreativas e desportivas, não desdenham contudo as oportunidades que possam promover o convívio. Exigem a oferta de infra- estruturas e outras actividades e receiam o isolamento. É um segmento de mercado mais jovem e com bastante probabilidade de passar férias e fins-de-semana no campo, sendo um segmento relativamente fiel ao turismo natureza, visitando os destinos ao longo do ano inteiro. Alojam-se primordialmente nas imediações do local a visitar, em hotéis, pensões, em casa de amigos e familiares ou casa própria (segunda residência). Este grupo tem uma imagem muito favorável dos destinos natureza. Como sugestões para tornar o destino mais atractivo referem a importância do aumento da oferta de actividades desportivas, culturais e recreativas e ainda de uma oferta nocturna animada.

3. Os “simples” (21% da amostra) procuram sobretudo um ambiente natural, despoluído e tranquilo, não valorizam as infra-estruturas turísticas, nem o convívio, nem aspectos culturais, receando, uma certa “urbanização” do espaço rural. É um segmento principalmente estrangeiro (60%, principalmente Ingleses, Alemães e Holandeses), mais crítico e menos satisfeito com o destino visitado, sendo constituído por clientes experientes de turismo natureza, que tanto passam férias no campo como no país de residência ou no estrangeiro. Os inquiridos demonstraram um padrão de movimento espacial mais activo, privilegiando o campismo, as pensões, os hotéis, as casas de campo, as unidades TER - Turismo em Espaço Rural. Este grupo de inquiridos encontrava-se predominantemente na região do Minho, e no Douro e não explorava Trás-os- Montes. Tal como os “rurais calmos” propendiam a visitar o destino na época alta e por períodos

de tempo mais prolongados. O grupo revelou-se adverso a mudanças no território, defendendo veementemente a conservação do património natural e cultural. As melhorias sugeridas incidem sobre actividades ao ar livre “suaves” (passeios pedestres na natureza, canyoning e natação) ou oferta de restaurantes típicos, visitas guiadas e museus.

4. Os “urbanos” (22% da amostra) não demonstraram grande apetência pela natureza nem pelo destino visitado, procurando infra-estruturas de maior escala, divertimentos e uma variedade de atracções e actividades, eventualmente incompatíveis com o destino natureza “autêntico” e calmo. Trata-se de um segmento mais novo e também predominantemente português. Este cluster está geralmente menos interessado em férias na natureza, utilizando principalmente o campismo, casas alugadas ou hotéis, permanecendo sobretudo no Minho e Douro, não fazendo viagens de grandes distâncias na região. Não tendo uma impressão muito favorável do destino, este segmento tem pouca probabilidade de regressar ou recomendar o destino natureza. Para melhor satisfazer este segmento, seria necessário investir na oferta de infra-estruturas de turismo e recreio associadas a motivações hedonistas e típicas de destinos urbanos.

Segundo Kastenholz, E. (2002) a configuração destes quatro segmentos e a respectiva análise de perfis permite identificar e perceber que existem, face ao turismo natureza, uns grupos mais compatíveis do que outros. Os “entusiastas rurais calmos” e os “simples” procuram um destino de natureza, calmo, natural e “autêntico”, por contrapartida os outros dois segmentos apreciam um maior grau de variedade de actividades, uma oferta turística mais organizada e desenvolvida, preferencialmente em novas infra-estruturas. Os “entusiastas rurais activos” embora menos apologistas do turismo natureza ainda assim evidenciaram algum interesse na ruralidade do território, assumindo um aumento da sua satisfação por contrapartida de outras actividades a integrar nesses mesmos destinos natureza.

É possível desta forma considerar-se este grupo compatível com os primeiros dois segmentos no que concerne às necessidades a satisfazer. Os “urbanos” afiguram-se como o grupo mais deslocado daquilo que representa a oferta do turismo natureza.

Também e de acordo com o estudo de caracterização do turismo no espaço rural e turismo natureza em Portugal, realizado pelo IESE21 a procura face ao turismo natureza acontece maioritariamente fora do intervalo compreendido entre os meses de Junho e Setembro (55,6%), contrariando a tendência dos movimentos da tradicional procura turística nos destinos sol e praia.

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Estudo promovido pela Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural / PIC LEADER - Concurso Público n.º 9/2008 e realizado pelo IESE – Instituto de Estudos Sociais e Económicos.

As motivações da deslocação/viagem decorrem da necessidade de contacto com a natureza (61%), em segunda prioridade a descoberta da região (49%). A saúde e bem-estar constituem motivo de visita para cerca de (44%) dos turistas enquanto o desporto e aventura atraem cerca de (32%) dos inquiridos. Os outros factores contemplados não têm grande expressão nas motivações da procura.

A organização da viagem é preparada pelos próprios turistas cerca de (80%). Estes não têm necessidade de recorrer a agências de viagens ou a outros operadores. Na maioria dos casos a escolha do estabelecimento é efectuada através da Internet. As reservas são feitas através da Internet ou telefone, respectivamente para (61%) e (27%) dos hóspedes. As razões pelas quais escolhem determinado estabelecimento de alojamento turístico em espaço de natureza são várias, destacando-se o valor atribuído ao enquadramento na paisagem e ao contacto com a natureza. O antecipado conhecimento da unidade de alojamento fruto de anterior visita é também factor decisório para a selecção do estabelecimento turístico.

O meio de transporte mais utilizado é a viatura particular (85%), optando os demais por viaturas de aluguer. Os inquiridos na sua maioria referem que visitaram anteriormente a região e que são habituais clientes do turismo natureza. Dos inquiridos cerca de (70%) mostraram-se muito satisfeitos com a experiência, admitindo não só um possível regresso como evidenciaram vontade em recomendar o estabelecimento de alojamento turístico de turismo natureza a terceiros.

Quadro 3.3 - Razões da escolha pelos hóspedes do alojamento turismo natureza %

Localização da unidade de alojamento 82,93

Contacto com a natureza 51,22

Tipo de edifício 46,34

Infra-estruturas e equipamentos 19,51

Serviços e actividades disponíveis 14,63

Preço 12,20

Gastronomia 12,20

Facilidade de acesso 4,88

Acessos para pessoas com deficiência 2,44

Fonte: Inquérito aos hóspedes no âmbito do estudo de caracterização do turismo no espaço rural e do turismo de natureza em Portugal, IESE (2008).

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