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Nossa segunda questão de pesquisa aborda a Alfabetização Científica e quais indicadores podem ser encontrados nas produções escritas, após as SEIs, que sirvam como evidências de que esse processo está ocorrendo. Foram encontrados 938 indicadores de Alfabetização Científica, sendo 203 nos 11 relatórios referentes a SEI de 2012, 368 nos 18 relatórios referentes a SEI de 2013 e 367 nas 52 conclusões individuais. Podemos considerar, devido ao grande número de indicadores de Alfabetização Científica, que a Alfabetização Científica está em processo. Também podemos considerar que os alunos envolveram-se com as investigações e as discussões propostas.

A ampla distribuição dos indicadores de AC encontrados nos permite considerar que as competências mais comuns utilizadas para a resolução, discussão e divulgação de problemas de quaisquer Ciências foram abarcadas, uma vez que nenhum dos indicadores deixou de ser observado em pelo menos um relatório (gráfico 5); claro que houve prevalência de indicadores (gráficos 2 e 3) e mesmo de grupos de indicadores (gráfico 4). Como pode ser observado no gráfico 5, os indicadores de Teste de hipóteses e Previsão foram os que apareceram em menos relatórios, respectivamente em 3 e 5 relatórios dos 29, mas os indicadores de Seriação de informações, Organização de informações e Justificativa aparecem em todos os relatórios e Classificação de informações em 28 e Listagem de materiais em 24 relatórios.

Também podemos observar no gráfico 5 que 8 dos 12 indicadores analisados aparecem em mais da metade dos relatórios, então não se trata apenas do número de indicadores, mas da distribuição desses que valida o entendimento que a Alfabetização Científica está em processo.

Acreditamos que características da SEI analisada influenciaram a prevalência de alguns grupos de indicadores de AC mais que outros. Sasseron e Carvalho (2008) e Sasseron (2008) agruparam os indicadores de Alfabetização Científica em 3 grupos, anteriormente apresentados no capítulo 5: grupo 1 compreende os indicadores relacionados ao trabalho direto com os dados empíricos (Listagem de materiais, Seriação de informações, Organização de informações e Classificação de informações); grupo 2 se relaciona à estruturação do pensamento e à construção de uma ideia lógica e objetiva (Raciocínio lógico e Raciocínio proporcional); grupo 3 é vinculado à procura do entendimento da situação analisada (Levantamento de hipóteses, Teste de hipóteses, Justificativa, Previsão, Explicação e Argumento).

Quando se observa o gráfico 4 percebe-se que nos relatórios o grupo 1 de indicadores, correspondente a ao trabalho direto com os dados empíricos, é o mais prevalente; são 389 marcas contendo algum dos indicadores deste grupo contra 32 marcas contendo indicadores do grupo 2 e 150 do grupo 3. Acreditamos que isso se deve à natureza experimental das SEIs, em que os dados foram empiricamente produzidos, depois coletados pelos alunos e ainda precisaram ser sistematizados e tratados, podendo ser apresentados em forma de inscrições literárias (de 29 relatórios, 20 relatórios apresentam gráficos e 16 contêm tabelas).

O grupo 2 é aquele em que os indicadores aparecem com menor frequência nos relatórios e nas conclusões individuais. Isso pode derivar do fato de que este grupo apresenta apenas dois indicadores enquanto que o grupo 1 apresenta 4 e o grupo 3 contem 6, mas mesmo levando isso em conta o número de indicadores deste grupo é bem inferior. É interessante comparar a diferente quantidade desses indicadores nos relatórios 2012 e 2013. Apesar de serem respectivamente 11 e 18 relatórios os indicadores do grupo 2 aparecem mais em 2012; Raciocínio lógico 13 em 2012 contra 7 em 2013 e Raciocínio proporcional 8 contra 4. Pensamos que essa diferença possa estar de alguma forma relacionada à troca do recipiente em que se desenvolveram as populações de Lemnas; em 2012 o recipiente era circular e por isso demandava um

raciocínio mais elaborado para o cálculo do número de indivíduos na população, diferentemente dos recipientes usado em 2013, os quais eram quadrados ou retangulares. A troca de formato dos recipientes foi uma decisão consciente da professora, que assim se expressa: “Minha avaliação, como professora, foi que o

formato do recipiente (circular) dificultou a amostragem correta da população, pois os alunos tiveram que fazer relações exponenciais entre a área amostrada e área total ocupada”. Outro fator que pode ter influenciado esta diferença é que a população em

2012 atingiu número de indivíduos muito superior do que em 2013 e isso pode, somado ao formato do recipiente, ter demandado um raciocínio mais elaborado dos alunos nos cálculos e, consecutivamente isso se refletiu nos relatórios.

O terceiro grupo de indicadores, que nos relatórios apareceu em quantidade significativa, mas inferior aqueles do grupo 1, nas conclusões individuais é o mais frequente, como se pode observar no gráfico 8. Para essa comparação é preferível analisar apenas os relatórios de 2013, já que as conclusões individuais derivam deles. Novamente apostamos nossas fichas que esta mudança de prevalência estaria de alguma forma relacionada às comandas dadas pela professora, agora não só as perguntas geradoras, mas também aquelas que explicavam a constituição de cada item dos relatórios. Vale ressaltar que Sasseron e Carvalho (2008) também valorizam as perguntas feitas pela professora no processo de Alfabetização Científica, evidenciando a importância de boas perguntas.

Possivelmente a pergunta das conclusões individuais fomentaria mais indicadores desse terceiro grupo que a pergunta geradora dos relatórios, já que explicitamente pedia uma conclusão justificada com evidências. Assim, o número de Justificativas que nos relatórios de 2013 constituía 10,6% dos indicadores apresentados, nas conclusões individuais foram 20,6%. Acreditamos que o reflexo de pedir conclusões justificadas com evidências contribua também para o aumento relativo de Argumentos, que nos relatórios constituiu 3,8% dos indicadores contra 10,4% nas conclusões individuais. Para reforçar a possível influência da comanda geradora, vale ressaltar que, as Explicações, são explicitamente pedidas na descrição do item interpretação dos relatórios e por isso podem aparecer tanto nestes quanto nas conclusões individuais.

Podemos entender que não só houve um aumento dos indicadores do grupo 3 nas conclusões individuais como houve uma diminuição dos indicadores do grupo 1. Essa

diminuição pode estar relacionada às comandas dos itens que os relatórios deveriam conter e que nas conclusões individuais não eram pedidos. Ao caracterizar que os relatórios deveriam conter uma metodologia assim descrita: “descrição detalhada dos

materiais e dos procedimentos realizados para coleta e produção de dados.”, é

esperado que o indicador de Listagem de materiais esteja amplamente presente; nos relatórios de 2013 correspondeu a 7,8% contra nenhuma aparição nas conclusões individuais e a Organização de informações passou de 26,9% nos relatórios para 9,2% na conclusões individuais.

É interessante notar que além das Explicações, anteriormente citadas, a Seriação de informações e a Classificação de informações também são quase tão freqüente em conclusões individuais que em relatórios. Isso é contrastante quando se consideram os grupos de indicadores, vide que nos relatórios o grupo 1 é mais freqüente que o grupo 3 e assim seria esperado que os indicadores que compõem o grupo 1 também fossem mais freqüentes nos relatórios que nas conclusões individuais, como pode ser observado em relação a Listagem de materiais e Organização de informações. Mas o que se observa (gráfico 3) é que a porcentagem de Seriação de informações e Classificação de informações se matem mais próxima (respectivamente 22,8% nos relatórios e 20,5% nas conclusões individuais e 14,4% contra 11,6%). Acreditamos a diminuição da frequencia de indicadores do grupo 1 nas conclusões individuais não ocorra em relação a Seriação de informações e Classificação di informações devido à necessidade de retomar os dados empíricos obtidos para Justificar (J) Argumentos ou mesmo compor Explicações. Lembrando que e a apresentação dos dados empíricos constitui-se em uma Seriação de informações.

7.3 Todas elas juntas (Respondendo as questões de pesquisa)