começar a intervenção para a pesquisa.
3.4 Instrumentos de pesquisa e procedimentos de coleta de dados
Tanto a teoria das IM quanto a Lingüística Aplicada sugerem instrumentos e procedimentos de coleta de dados semelhantes. No entanto, para a aplicação de uma abordagem que se utilize das IM, é necessário adotar um procedimento mais específico para essa abordagem. Para que o professor possa trabalhar com essa teoria é preciso
conhecer primeiramente suas inteligências mais desenvolvidas e menos desenvolvidas. A partir desse autoconhecimento, o professor poderá explorar ao máximo seus pontos fortes e procurar desenvolver seus pontos fracos.
3.4.1 Diário reflexivo
Durante todo o período de coleta de dados, de agosto de 2004 a julho de 2005, foi mantido um diário reflexivo, no qual foram registradas impressões ao se aplicar uma
atividade, intenções de mudanças no plano de aula, dificuldades encontradas no contexto de escola pública, discussões acerca das teorias que compõem essa proposta, observações dos comportamentos dos alunos e impressões a cerca dos resultados
alcançados. Também foram feitos registros nas sessões de visionamento das aulas de
vídeo, realizadas no intuito de analisar o funcionamento da aula, para que se pudesse
Por ser de fácil acesso e confecção por parte do professor-pesquisador, o diário
se constitui como o instrumento de análise de dados mais recorrente.
3.4.2 Gravações das aulas em vídeo
Foram gravadas ao todo oito aulas em vídeo. A princípio esperava-se utilizar
esse instrumento de forma muito mais incisiva, no entanto, devido a dificuldades
técnicas, tanto ao gravar as aulas quanto ao observá-las22, acabou sendo preterido e
assim foram adotados outros instrumentos que apresentam resultados mais
significativos e sem problemas técnicos. Sua principal função foi a de servir de instrumento de observação das aulas gravadas e de reflexão a partir do visionamento das mesmas.
3.4.3 Discussões com o grupo de professores
Mesmo não tendo feito nenhum trabalho formal interdisciplinar ou colaborativo, as discussões com o grupo de professores da escola foi de grande valia, principalmente no que diz respeito à análise das necessidades. Foram discussões realizadas
principalmente durante os HTPs (Horário de Trabalho Programado) e em reuniões
informais. A relevância desse momento para a pesquisa deu-se devido ao foco que é
dado nas necessidades e questões relativas à comunidade, à escola, à turma e aos alunos
de forma mais individual. Presta-se principalmente para que se ajuste o plano de aula à
programação da escola e às necessidades e questões da comunidade na qual está
inserida.
22
Infelizmente a maioria das aulas ficou inaudível. Também, devido à grande quantidade de alunos, era impossível de se captar todas as interações em sala de aula, inclusive as ações do professor.
3.4.4 Discussão com grupos de estudo
As discussões reflexivas, tanto referentes à pesquisa, quanto à prática em si,
foram realizadas junto a dois grupos distintos:, um, dos colegas de turma da pós- graduação, e outro dos do curso realizado junto com o Grupo Imagine.
As discussões com os colegas de turma da pós-graduação ocorreram
periodicamente nas disciplinas realizadas junto ao programa, e tiveram como foco
discussões relativas às teorias em Lingüística Aplicada e às metodologias de pesquisa.
O Grupo Imagine, grupo interdisciplinar e núcleo de estudos de Inteligências
Múltiplas – Araraquara, surgiu da inquietação pessoal de alguns educadores que já
utilizavam a teoria das IM em sua prática com excelentes resultados, mas que não
tinham oportunidade de discutir e multiplicar os resultados obtidos. O grupo, que tem o
compromisso de atuar sempre de acordo com o que sugere a teoria de Gardner,
trabalhando em sintonia com o Projeto Zero23, teve função imprescindível na formação
teórica e prática reflexiva do professor quanto à teoria das IM e suas aplicações para a
educação. O trabalho junto ao Grupo foi realizado na forma de um curso de extensão, com reuniões mensais de oito horas, além de discussões e tarefas on-line. O curso teve
como foco o estudo e reflexão da teoria das IM e suas aplicações para prática pedagógica, incluindo os trabalhos realizados diretamente com o grupo de alunos aqui estudado.
23O Projeto Zero (PZ)é uma instituição de pesquisa vinculada à Faculdade de Educação da Universidade
de Harvard, cujo trabalho é investigar o desenvolvimento dos processos de aprendizagem em adultos e crianças. O PZ foi fundado em 1967 com o propósito de estudar e melhorar a educação através das Artes. Tanto o trabalho arcabouço teórico, quanto o trabalho pedagógico propriamente dito, foi largamente baseado nos trabalhos desenvolvidos por estes dois grupos de pesquisa.
3.4.4 Entrevistas informais com os alunos
Por meio conversas informais com os alunos, é possível perceber pontos fortes e
fracos das atividades e do plano como um todo, as dificuldades e facilidades enfrentadas pelos alunos ao realizarem as atividades propostas, a motivação dos alunos e as novas necessidades não percebidas ou captadas por outros instrumentos. Assim, serve como instrumento de avaliação e direciona o planejamento de ações futuras.
3.4.5 Análise da produção dos alunos e os questionários
Os “produtos” dos alunos, seja a interação observada nas aulas gravadas ou percebidas pelo professor em sala de aula, seja pelas atividades avaliadas por meio do caderno dos alunos, ou dos trabalhos produzidos, são um instrumento palpável e concreto para se analisar os resultados obtidos e verificar se os objetivos estão sendo alcançados. O melhor meio de se ter certeza de que se alcançou alguma compreensão dos temas trabalhados é exatamente pelo que é produzido pelos próprios alunos.
Os questionários foram elaborados e aplicados no intuito de se obter informações a partir dos alunos. Eles funcionaram de duas maneiras: a primeira, de ordem prática, para checar a eficiência das atividades aplicadas e também inferir se os
objetivos estabelecidos para as atividades estão sendo alcançados; a segunda, para produzir dados fidedignos para ajudar a responder as perguntas de pesquisa propostas. Foram aplicados um total de três questionários (anexos 7 e 8), todos no segundo ano do Ensino Médio. Dois foram aplicados no primeiro bimestre no tema ‘Trabalho’ e um no segundo bimestre no tema ‘Trânsito’. Seguem as perguntas aplicadas e as razões
Pergunta 1 (múltipla escolha)
Quais inteligências você utilizou nesta atividade? (pode marcar quantas achar necessário).
Esta pergunta foi utilizada no intuito de checar a compreensão da utilização das IM na preparação das atividades. Tinha interesse em saber se os alunos seriam capazes de identificar quais inteligências eles utilizaram para realizar a atividade. Nesse sentido, ajuda a entender como os alunos utilizaram as inteligências nessas atividades.
Pergunta 2 (resposta aberta)
O que você aprendeu de inglês nesta atividade?
Essa pergunta ajudou a analisar se os objetivos propostos para as atividades
foram alcançados. Dentro das respostas dos alunos deveriam transparecer os objetivos propostos. Também ajudam a analisar até que ponto a proposta de trabalho com as IM estava surtindo efeito do ponto de vista acadêmico.
Pergunta 3 (múltipla escolha)
Qual o nível de dificuldade desta atividade?(fácil; difícil; razoável).
É necessário que se mantenha sempre um nível de dificuldade adequado nas atividades. Se a atividade for muito fácil ou então muito difícil, é provável que haja
desinteresse por parte dos alunos. Um nível adequado de dificuldade, ao mesmo tempo
em que se configura como um desafio para o aluno, não pode se tornar uma barreira impossível de se transpor. Outro dado importante a ser analisado é o fato de que as atividades focam habilidades de algumas inteligências em específico. Esse dado, em
comportamento dos alunos, prestou-se a fornecer informações sobre em quais tipos de
atividades e habilidades os alunos se saem melhor e quais precisariam ser mais
trabalhadas.
Pergunta 4 (múltipla escolha)
O que você achou da atividade? Gostou; Não gostou; Tanto Faz.
Essa pergunta forneceu ao professor informações quanto à receptividade das
atividades aplicadas. Vem complementar a facilidade ou não que os alunos têm em
alguns tipos de habilidades utilizadas nas atividades. A aceitação ou não por parte dos
alunos é importante, uma vez que poderia provocar alterações no plano de aula, tanto na
maneira como as atividades eram aplicadas quanto no conteúdo trabalhado com os
alunos.
Pergunta 5* (resposta aberta)
Dê sua opinião, sugestões, críticas e comentários.
Essa pergunta foi aplicada somente no último questionário, para a atividade ‘Map –From School to Home’, e foi incluída devido à necessidade percebida pelo professor de se ter uma opinião mais completa por parte dos alunos a respeito das
atividades das quais estavam participando. Alguns alunos apresentaram dificuldades
significativas em algumas das atividades, logo, era necessário saber com mais detalhes quais as dificuldades apresentavam e as razões dessas dificuldades.
3.5 Desenvolvimento e aplicação de atividades baseadas nas IM
A partir do objetivo deste trabalho, voltado para a prática em sala de aula, a
pesquisa, desenvolvimento e aplicação de atividades baseadas nas IM desempenha um grande papel. Uma abordagem que contemple as IM nada mais é do que as práticas do professor em sala de aula aqui representadas pelas atividades e todos os procedimentos
relacionados. Sendo assim, é seguido um procedimento padrão tanto para efeito de coleta de dados para a pesquisa quanto para a prática do professor propriamente dita, com objetivos antes pedagógicos do que somente científicos. Esses procedimentos
partem da concepção da teoria das IM e de suas sugestões pedagógicas definidas neste
trabalho.
Os procedimentos aqui descritos são definidos em Armstrong (2002) com as devidas explicações e modificações necessárias a esta pesquisa, conforme detalhado a seguir.
3.5.1 Focalizar um objetivo ou tópico específico
Para focalizar um objetivo ou tópico, foram utilizados, além de os Caminhos e os Pontos de Entrada (GARDNER, 1999), também os Temas Transversais (MEC, 1998), às vezes adaptados para se ajustarem às necessidades da prática e da pesquisa. Nessa fase são considerados as informações obtidas junto aos alunos, a comunidade e ao corpo docente, assim como outras informações angariadas na análise de necessidades
tais como gosto por algumas atividades demonstrado pelos alunos assim como é considerado o conjunto de inteligências e que podem influenciar o trabalho do professor. Sendo assim, é escolhido um tópico central para cada bimestre, o qual