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O objetivo da aula foi buscar uma visão mais ampla do ser vivo, discutindo quais elementos poderiam contribuir para que um ser humano possa ser feliz, em outras palavras, uma discussão que envolvesse aspectos físicos de constituição biológica e emocional, como promotores de um ser humano saudável e feliz. O tema foi discutido, inicialmente, em Ciências, pelas classes do 3º ano.

Sentados em círculo, na sala de ballet, os alunos ouviam uma música do Toquinho (“Seres Vivos”), que compara as plantas aos seres humanos. A professora Adriana18 observava atentamente os alunos, enquanto repetia algumas frases da letra da música. Nos primeiros turnos, fazia questionamentos sobre o que é um ser vivo, suas características, suas formas de alimentação, nascimento, reprodução e morte. Solicitava contribuições e ampliação de informações sobre as colocações dos alunos. Perguntava sobre qual seriam as necessidades para que um ser vivo possa crescer forte e feliz (no caso, a reflexão se estende a própria vida dos alunos, porque a relação já havia sido estabelecida).

5.1.2 – Apresentação do plano global da aula

O quadro abaixo apresenta o plano global da primeira aula gravada, expondo a síntese dos assuntos que foram discutidos.

TURNOS SÍNTESE DESCRITIVA

1 Audição da música “Seres Vivos” de Toquinho. A professora repete algumas frases da letra da música ao mesmo tempo em que os alunos ouvem-na. 2 – 6 A professora faz orientações de organização e procura acalmar um pequeno grupo que estava agitado.

7 A primeira questão controversa é lançada à classe: “Vocês sabem o que é um ser vivo?” 8 – 16 Alguns alunos tentam conceituar o que para eles é um ser vivo.

17 A professora retoma uma das regras da comunidade de investigação: “Levantar a mão e aguardar a vez de falar”. 18 – 38 Continuação do conceito de ser vivo com as opiniões de vários alunos. 39 – 40 A professora afirma que também somos seres vivos salientando as características semelhantes e introduz a segunda questão controversa: “O

que nós precisamos para crescer fortes e felizes?”

41 – 64 A discussão gira em torno de que para ser feliz é preciso ter amigos por diversas razões. 65 A aluna Gabriela Ortiz acrescenta que é preciso comer para ser feliz.

66 – 69 A professora procura fazer a discussão dessa ideia, remetendo a um questionamento para a concordância ou discordância de Beatriz Andrade. 70 – 72 Antes da finalização da opinião da Beatriz, Felipo toma o turno e inclui a necessidade de também termos uma boa medicação. 73 Adriana confronta a real necessidade de medicação no caso de haver uma boa alimentação. 74 – 79 Felipo e Letícia trazem suas explicações e apontam a possibilidade de doenças.

80 A professora questiona se quando estamos doentes ficamos felizes.

82 – 83 Felipo e Letícia debatem apenas entre eles se o médico dá ou recomenda o remédio. 84 – 86 Matheus manifesta sua opinião.

87 – 92

A professora percebe a falta de atenção de alguns alunos, entre eles, Pedro Gaia. Pede sua opinião em relação ao que foi colocado por Matheus. Ele não consegue expressá-la e admite a importância do ouvir para emitir opiniões sobre o assunto.

93 – 109 O foco da discussão muda para a importância da escuta atenta e o que se aprende ouvindo. Alguns relatam exemplos de aprendizagens cognitivas possibilitadas pela escuta.

110 A professora acrescenta que é importante ouvir quando há discussões como as que estão ocorrendo na aula de Filosofia. 111 - 127 Concluem que também se aprende ouvindo os outros colegas.

128 – 130 Matheus responde que para ser feliz deve-se fazer a coisa certa na hora certa, recuperando uma citação de fala anterior da professora, em outra aula. 131 A professora estabelece a quarta questão controversa: “E como é na aula de Filosofia fazer a coisa certa na hora certa?” 132 Matheus diz que é escutar a professora, colocar suas próprias opiniões, ajudar um amigo e dizer se concorda ou não.

134 A professora questiona se é importante dizer se concorda ou não, trazendo assim a quinta questão controversa. 135 – 141 Alunos manifestam suas opiniões sobre a importância de concordar ou discordar. 142 Felipo exprime que quando se discorda de um amigo, pode-se corrigi-lo e falar certo. 143 – 146 A professora questiona se é preciso corrigir alguma coisa na aula

147 – 151 Yolanda fala que sim, referindo-se à postura, não a atitudinal, mas à postura física. 152 A professora então traz a sexta questão controversa: “Ficar conversando sozinho com o meu amigo do lado vai me fazer crescer saudável, faz alguma

diferença?”

153 Por haver um impasse em relação a essa atitude, a professora esclarece que conversar em paralelo com a Vitória (que estava ao lado dela) não faz diferença para crescer saudável, mas fará para um crescimento feliz.

154 – 163

Muitos dizem que faz diferença. Beatriz Fiuza fica confusa. A professora tenta clarificar sua opinião, questionando, de modo hipotético, se nós ficamos felizes ao falarmos com alguém que só dá atenção à outra. Como Beatriz diz que sim, a professora propõe retomar essa discussão depois com ela.

164 A professora recoloca a questão para Mariana.

165 – 169 Mariana e Matheus opinam que é falta de educação e fica impossível falar. 170 Letícia diz que é preciso ficar feliz, porque ter raiva faz mal.

171 – 176 A professora solicita esclarecimento, Matheus tenta explicar por ela. Adriana solicita silêncio. Letícia reitera sua fala anterior 177 A professora após entendimento da colocação da Letícia lança a sétima questão controversa para o Henrique: “Você acha que ter raiva faz mal?” 178 – 181 Henrique diz que não, outros dizem que sim (entre eles o Pedro Aricó). Adriana solicita que o Pedro Aricó dê sua opinião. 182 - 190 Pedro fica meio confuso para o esclarecimento de sua ideia. Diz que é preciso soltar a raiva e que uma forma seria batendo na sua irmã. 191 – 197 Algumas crianças riem. A professora questiona se essa atitude é boa. Diante da negativa por parte do Pedro, pede esclarecimento, solicitando exemplo do

que ele faz com sua raiva.

198 Pedro diz jogar fora a raiva apertando massinha (citou ter sido uma orientação dada por sua psicóloga). Tentou iniciar essa explicação no turno 194, porém a concluiu no turno 198.

199

A professora elogia o exemplo de Pedro e retoma que, embora alguns colegas tenham rido, quando ele disse que ter raiva era bom, reforça a dica dada pelo aluno, como um jeito de exteriorizar a raiva. Questiona-o sobre o que pode ocorrer quando não se toma alguma atitude ao sentir raiva. Pergunta também quando isso ocorre, o que pode provocar.

200 – 204 Pedro diz doer o coração. A professora reitera a opinião e coloca que isso faz mal. Beatriz acrescenta que é preciso chorar e repete um movimento feito anteriormente pelo Pedro (apontar o coração), dizendo onde dói.

205 – 212

A professora aprova e retoma uma situação anterior, na qual Beatriz não conseguia chorar e a provoca para contar de quem recebeu a mesma dica: dela e do Pedro. Novamente, elogia a atitude do aluno e solicita que todos pensem no que seria necessário para crescer feliz. Diz que, antes de falarem, irão escrever e desenhar, distribuindo o material.

213 – 218 Retoma a questão, esclarece dúvidas e faz orientações. Circula pela turma, lê em voz alta algumas opiniões, questiona sobre elas. Coloca a música novamente, enquanto realizam a atividade.

219 – 227 Matheus conta à professora que, quando um amigo faz alguma coisa da qual ele não gosta, fica triste e com raiva, explicitando que esse fato já aconteceu entre ele e o Tiago Akira (Problemas com a frase).

228 A professora pede que cada um coloque oralmente a sua proposta à pergunta realizada.

229 – 325

Os alunos respondem, citando exemplos: ter amigos (legais, leais, honestos); ter pessoas que nos queiram bem; ter família; ter boa alimentação e medicação; não brigar; brincar com o outro; pôr a raiva para fora; prestar atenção em todas as coisas. Muitos repetem ou acrescentam o que foi dito anteriormente desde o início da aula.

326

A professora sugere que se levantem e se espreguicem. Solicita que, como para muitos ter amigos é importante para ser feliz, que se abracem para finalizar a aula. Eles se abraçam mutuamente, inclusive a professora e a pesquisadora também.

Quadro 12 – Síntese descritiva da aula 1.

5.1.3 Transcrição, análise e interpretação