• No results found

Ferreira & Otleys rammeverk for et helhetlig styringssystem

2. Teori

2.1 Økonomistyring og styringssystemer

2.1.2 Ferreira & Otleys rammeverk for et helhetlig styringssystem

Em relação à supressão do objeto como obra de arte, nos anos de 1970, Ligia Clark (1973) afirmou232 que o objeto foi substituído pelo corpo, seja do artista ou não. Assim, Clark acrescenta que:

O artista que perdeu sua autoria da obra teve inicialmente várias atitudes compensatórias. Cultivou a sua personalidade como obra, passou a ser a sua própria assinatura. Outros se voltaram para o misticismo, ainda na necessidade de uma poética transferente.233

Podemos propor que a poética transferente da obra objetual, em Reverón e Bispo, apresenta um caráter místico e revela a presença de uma mitopoética, que posteriormente foi associada ao mito do artista, quando os objetos adquiriram valores expositivos. Podemos acrescentar que o mito pessoal criado pelos dois artistas acabou imprimindo uma marca de assinatura da própria obra e se desdobrou em rituais performáticos, nos quais o corpo falava tanto quanto o objeto.

Não houve, no caso de Reverón e Bispo, a supressão de objetos construídos, pelo contrário. As performances geraram objetos de culto que, posteriormente, adquiriram valores artísticos na medida em que foram retirados dos espaços sagrados onde foram gerados: El Castillete de

231

Em 1982 o MAM de Rio de Janeiro realizou uma exposição titulada de À margem da vida. A princípio, Bispo se negou a participar, mas depois cedeu algumas obras. Na época, Morais ofereceu uma sala completa para ele se alojar e expor sua obra, mas não foi realizada, pois a “morte bateu à porta” da gruta de Bispo.

232

Posterior à declaração de Barthes sobre a morte do autor.

233

Clark, Ligia. Da supressão do objeto (anotações). In: FERREIRA, Glória e outros. Escritos de artistas, 2006, p. 351.

Reverón e a Gruta dos objetos de Bispo, ocupando os espaços expositivos dos museus e das galerias. Com tudo isso, qual seria a obra mais importante a ser analisada de forma mais detalhada em nossa pesquisa que visa ao ritual como paradigma da criação dos dois artistas? Em um primeiro momento a resposta poderia estar em outra pergunta: podemos neste estudo separar o mito pessoal dos dois artistas, do seu ritual e da obra objetual?

O grande conjunto da obra de Reverón e Bispo adquiriu, dentro de uma visão contemporânea, uma dimensão maior. Sob essa visão não valorizamos só a produção objetual construída, mas também a tridimensionalidade que o conjunto adquiriu, integrado às performances nas quais tempo e espaço se agruparam para gerar outra produção artística.

Nesta pesquisa será apresentada, no Capítulo três, a construção do mito pessoal pelos dois artistas e que, posteriormente, foi enriquecido pós-morte. Assim, em uma abordagem mística, Mircea Eliade afirma que a organização do mundo passa pela classificação e pela criação de um espaço sagrado, onde sagrado e profano estão bem demarcados. Esse espaço sagrado de que nos fala Eliade, em Reverón e Bispo, tem o nome de El Castillete e de Gruta dos objetos, respectivamente. Interessou-me analisar esses espaços enquanto a obra que contém a obra, a obra que se constrói na materialização e na ficção para conter os objetos e as ambientações. Para valorizar esses espaços partimos dos conceitos linguagem ficção e neutro, com os quais Maurice Blanchot define a Experiência do fora na Literatura, teoria esta contemporânea à criação objetual de Reverón.

Uma vez analisados os espaços de criação como a “outra obra”, analisaremos as performances de Reverón e de Bispo, que se desdobraram em marcas de autoria, seja pela via do mito, seja pela via do ritual. Para esta abordagem utilizarei alguns conceitos de Jaques Derrida (1991) para definir a autoria da obra de arte, como por exemplo, a assinatura em primeira pessoa, por meio do signo escrito e a fonte de um enunciado oral na forma “eu”. Também serão importantes como referências as propostas de Michel Foucault em O que é um autor? (1992). Assim, nessa seqüência, abordaremos primeiro a mitopoética; em seguida, o espaço sagrado:

El Castillete e a Gruta dos objetos; as performances e, por fim, chegaremos ao conjunto da

obra materializada.

Existem quatro características que são fundamentais no conjunto da obra materializada de Reverón e Bispo que são consequência de seu caráter místico, mítico e ritual. Estes conceitos

são: a tridimensionalidade234 do objeto, a aura branca e a aura azul 235, a dupla articulação ou efeito bricoleur236 e o simulacro237. Estes quatro conceitos serão referências para analisar o conjunto dos trabalhos de Armando Reverón: as Obras Brancas, as obras figurativas que incorporam as bonecas, as bonecas de pano e os objetos da década de 1940. De Arthur Bispo do Rosário, vamos analisar seus grupos de obras, aplicando os conceitos anteriores às

Assemblages e aos ORFAs. Para finalizar esta pesquisa reservamos um espaço especial para

as obras particulares, La Mantilla de Reverón e o Manto da Apresentação de Bispo.

234

Este conceito poderá ser estudado partindo da proposta de Donald Judd, a tridimensionalidade do objeto, para os novos objetos no Minimalismo. JUDD, Donald. Objetos específicos. In: FERREIRA, Gloria. Escritos de

artistas anos 60/ 70. Rio de janeiro: Jorge Zahar editor, 2006. Assim como algumas pesquisas de Lucy Lippard,

1997, em relação à desmaterialização do objeto artístico.

235

Pérez Oramas tangencia uma relação entre as brumas de Reverón e os mitos pesquisados por Lévi-Strauss na apresentação feita para a exposição do artista no MoMA (2007). Assim, reconhece nas notas dessa apresentação que esse tema foi sugerido por Paulo Mendes da Rocha durante a XXIV Bienal de São Paulo. Propomos nesta pesquisa aprofundar esse tema e ampliá-lo com relação à obra de Bispo. A aura dos ORFAs de Bispo é resultado do ritual que mistura o desfiar dos uniformes da Colônia, o recalque do objeto e sua dupla representação: significante e simbólica. Outros estudos importantes para a ideia da aura são os trabalhados de Walter Benjamin e George Didi-Huberman, assim como os rituais da dobra que Didi-Huberman analisa em relação às obras de Simone Hantaï. Serão referências DIDI-HUBERMAN, George. O que vemos. O que nos olha, 1998, e do mesmo autor, L´etoilement. Conversation avec Hantaï, 1998.

236

Este é um conceito da linguística que corresponde ao “efeito colagem” no universo das Artes Plásticas. Ele está relacionado com a mitopoética e a bricoler que Bispo utilizava como recurso para compor seu conjunto de obras. Lévi-Strauss utilizou a denominação dupla articulação para analisar a obra mítica do artista francês Nicolas Poussin e as obras de Okusai, chamadas As cem vistas do Monte Fuji. LÉVI-STRAUSS, Claude. Olhar,

escutar, ler, 1997. 237

Para este conceito, serão fundamentais, mais uma vez as pesquisas de Lévi-Strauss em relação ao mito e o significado da obra de arte em algumas culturas chamadas de primitivas. Também utilizaremos como referência Mario Perniola. In: PERNIOLA, Mario. Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo, 2000.

CAPÍTULO II

TANGENCIANDO CONCEITOS EM RELAÇÃO AO RITUAL NO CONTEXTO DA