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Felles, men ulikt ansvar 7.8 Norsk bistand: Resultater,

A proposição do construto auto-eficácia por Bandura (1982, 1994) é indissociável de sua especificidade. Ou seja, auto-eficácia, segundo este autor, deve ser medida em relação a tarefa, domínio e contexto particulares, em termos de dimensão, intensidade e generalidade. Auto-eficácia genérica, construto proposto e investigado por outros pesquisadores, é apontada por Bandura como uma

inadequação conceitual, de limitada validade teórica e empírica. O único atenuante deste requisito encontrado na literatura teoricamente afiliada à Bandura consultada nesse estudo é a referência de Pajares (2005) de que a mensuração das crenças de auto-eficácia deve ser realizada tendo por base um nível ótimo de detalhe correspondente à tarefa-critério. Este autor ressalva que a questão de pesquisa dita esse nível desejado, sendo possível, portanto, atingir níveis intermediários que proporcionem equilíbrio entre rigor e relevância — nem excessivamente genérico ou demasiado específico.

A ênfase dada por Bandura na abordagem de auto-eficácia como construto específico não deve ser equivocadamente entendida como supressão de seu atributo generalidade. Dentre os aspectos recomendados para mensuração propostos por Bandura (1982, 2006), dimensão e intensidade são os mais comumente usados (Lee & Bobko, 1994). A pequena presença de investigações medindo generalidade como originalmente concebida por Bandura pode decorrer das peculiaridades de sua generalização. Auto-eficácia varia entre tarefas, para diferentes pessoas, de maneiras distintas, conforme verificou Cervone (1997) em sua análise bottom-up da constelação de atributos psicológicos que compõem a individualidade humana. Assim, elevada heterogeneidade de padrões de generalização é obtida quando são consideradas as idiossincrasias das crenças sociais e auto-referentes dos sujeitos (Stajkovic & Luthans, 1998). É verificada, portanto, a generalidade de auto-eficácia, mas não como traço de personalidade descontextualizado.

A despeito do alerta de Bandura (1994) quanto à inadequação de medidas genéricas de auto-eficácia, entendidas por ele como inconsistentes com os pressupostos da teoria de cognição social, vários instrumentos foram criados com

esse propósito (e.g., Chen, Gully & Eden, 2001; Meneses, 2002; Riggs, Warka, Babasa, Betancourt & Hooker, 1994). Um das alegações das partes envolvidas no desenvolvimento desses instrumentos é de que a pesquisa na área se beneficiaria com uma medida genérica de auto-eficácia, descartando a necessidade de criação de novo instrumento para praticamente cada nova circunstância investigada e ampliando as possibilidades de comparação de resultados.

Chen, Gully e Eden (2001) avaliaram uma das medidas de auto-eficácia genérica mais utilizadas — desenvolvida por Sherer, Maddux, Mercandante, Prentice-Dunn, Jacobs e Rogers, em 1982 — que à época de seu trabalho já havia sido citada em mais de 200 pesquisas empíricas. A intenção dos autores que desenvolveram o instrumento era mensurar o conjunto de expectativas que os indivíduos levam consigo para uma nova situação. No entanto, a operacionalização desta medida, segundo Chen, Gully e Eden, mostrou-se inadequada, pois sua baixa validade discriminante e de conteúdo tornam seus resultados de difícil interpretação.

Não obstante, na proposição de Chen, Gully e Eden (2001) o construto auto-eficácia genérica também contribui para a compreensão da motivação e do comportamento humano. Sua importância para a pesquisa estaria relacionada ao atendimento de três condições: a) predizer auto-eficácia (específica) em situações e tarefas diversas; b) predizer desempenho medido em termos de critérios abrangentes; e c) proteger contra efeitos deletérios de experiências adversas na percepção de auto-eficácia (específica). Considerando as limitações da medida de Sherer e cols. (1982), associadas às suas proposições sobre o papel do construto, os autores desenvolveram nova medida de auto-eficácia genérica, que demonstrou validade de conteúdo e poder de predição superiores quando comparada à de Sherer e cols. Em testes posteriores, Chen, Gully e Eden (2004) reiteraram a

segregação entre auto-eficácia genérica e auto-estima, construtos altamente relacionados, porém distintos, visto a preponderância motivacional do primeiro frente à afetiva do segundo.

Ademais, ainda que se considere pertinente auto-eficácia genérica, não há como contestar que a profusão de medidas e de construtos motivacionais e auto-referentes agrava sobremaneira a dificuldade em se esclarecer definições e operacionalizá-las a contento. O grau de abrangência das medidas parece penetrar na maioria dos debates em torno do tema. Pajares (2005) alega que, então, o ponto central, ao menos em termos empíricos, é o que oferece maior poder de predição e melhor explicação do comportamento humano. Neste aspecto, há convergência no sentido de auto-eficácia, como originalmente proposta, ser a medida mais robusta.

As ponderações de Chen, Gully e Eden (2001), entretanto, têm grande impacto quando se considera o uso de tais construtos nas pesquisas em comportamento organizacional. Este impacto é ampliado pelos desdobramentos da época de mudança atual, em que o trabalho se torna mais complexo, o desenho de cargos mais abrangente e maleável, estrutura e regras cedem lugar a improvisação e aprendizagem contínua (Rousseau, 1997). Em tais circunstâncias, assim como no estudo da criatividade no trabalho aqui pretendido, sabe-se de antemão que a medida de auto-eficácia é condicionada pela fluidez do objeto investigado.

Recapitulando o tratado nesta seção, o construto auto-eficácia foi apreciado em sua definição clássica: capacidade percebida pelo indivíduo de organizar e executar cursos de ação necessários para a consecução de desempenhos almejados (Bandura, 1982; Pajares, 2004). Verificou-se que auto-eficácia varia conforme tarefa, contexto e domínio; sendo dado destaque à abordagem microanalítica recomendada por Bandura, na qual são mensuradas suas facetas

dimensão, intensidade e generalidade. Foram abordados, ainda, construtos motivacionais e auto-referentes correlatos, bem como diferentes abordagens usadas na investigação da auto-eficácia, no intuito de melhor caracterizá-la. Conclui-se pela necessidade de medida de auto-eficácia específica o suficiente para distingui-la de seus correlatos e predizer efetivamente o desempenho humano, mas cuja abrangência seja condizente com a expectativa de desempenho criativo no trabalho e os espaços ocupacionais maleáveis dela derivados.