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Feed Market

In document Climate Risk in Norwegian Aquaculture (sider 49-54)

6. Implications of Climate Risks on Aquaculture

6.1 Feed Market

As nstratégias da burgunsia para a dnsmobilização das classes trabalhadoras têm uma dimensão importantíssima e imprescindível que é ocupada pelas nstratégias burgunsas voltadas para a dnsarticulação do proletariado em seu espaço de trabalho. Assim, compõem as nstratégias mais amplas de dnsmobilização na produção e reprodução social as nstratégias dn dnsarticulação nos processos de trabalho.

Tais nstratégias dnsarticuladoras, no entanto, regularmente não se apresentam isolada e autonomamente na cotidianidade dos espaços laborais fabris. Não se prestam à aplicação decantada de outras nstratégias. Com alentada frequência perpassam e são perpassadas por nstratégias de naturezas dessemelhantes. Entremeiam-se, e não raras vezes, confundem-se. Estas nstratégias dn dnsarticulação da solidariedade de classes dos sujeitos sociais subalternos são, deveras, intrínsecas e parte constitutiva do conjunto de elementos da gnrência do processo de trabalho no modo de produção capitalista. São copartícipe da gnrência burgunsa. São parciárias nos métodos de gnstão n organização do trabalho nos marcos do sistema do capital. São consorte da função social operada pelas nstratégias gnrnnciais burgunsas, sintetizadas – no devido tempo histórico – nas chamadas Tnorias Administrativas ou Tnorias Gnrnnciais. São, pois, unidade indissociável.

Por serem assim, nstratégias dn dnsarticulação e nstratégias gnrnnciais do capitalismo não devem ser analisadas como que isoladas, reclusas. Devem ser versadas como extensão de um mesmo espaço. As nstratégias dn dnsarticulação não devem ser tratadas, senão, no interstício das nstratégias gnrnnciais do capitalismo.

Destacar, portanto, de saída, o propósito e o caráter de classe dessa forma de gnrência do procnsso dn trabalho, do qual a dnsarticulação lhe é partidária, nos parece prudente, sobretudo, aos desígnios desta dissertação.

2.1 – Mais-Valia e Lucro como a Essencialidade do Compromisso das Estratégias Gerenciais Burguesas ou o Caráter de Classe da Gerência de tipo Burguesa

Para sermos concisos e irmos direto à essencialidade mais geral – mas nem por isso nuclear – do propósito dessa forma de gnrência capitalista, podemos dizer condensadamente que o seu compromisso é com a constantn n incnssantn busca aos lucros! O lucro é o seu impulso vital e o seu critério mor. É tendo o lucro como horizonte que se dá o desenvolvimento destas nstratégias gnrnnciais. Para os capitalistas e seus representantes orgânicos, o lucro representa a vida, a produção e a reprodução de sua existência. Agir em sua função na universalidade de seus movimentos constitui, como expressa Netto e Braz (2006, p.96), o “objetivo, a motivação e a razão de ser do seu protagonismo social”.

A base dos cálculos de qualquer investimento típico do capitalismo não pode ser outro que não o do lucro. Para seus mandatários, só se vende, só se investe em mercadorias prontas, ou só se produz, só se investe em forças produtivas, quando há um retorno de uma quantia em moedas maior do que lhes eram pertencentes inicialmente. A burguesia atua conforme descreve Adam Smith (apud MARX, 2004, p. 46):

o único motivo que determina o possuidor de um capital a empregá-lo, seja na agricultura seja na manufatura, ou num ramo particular do comércio por

atacado ou varejista, é o ponto de vista de seu próprio lucro.25

Mesmo quando se diz respeito às leis do sistema judiciário, o lucro exerce sua pressão. Como demonstra o Juiz do Trabalho e professor do Direito, Sobrinho (2008, p.169), a regra determinativa é que:

[...] nas fronteiras da empresa capitalista, as análises são feitas sob a rubrica da lucratividade, pela subtração entre despesas e receitas, até mesmo os danos físicos e morais dos trabalhadores. Para o empregador, o cumprimento da legislação é algo calculado conforme a lógica de reprodução da relação capitalista.

A propósito, no modo de produção do capital, como se manifestou Walter

25 Quem também expressa com precisão e no mesmo sentido de Adam Smith, séculos depois, é o economista norte-americano, e destacado teórico capitalista dos ciclos econômicos, Wesley Clair Mitchell. Diz ele: "Onde predomina a economia comercial, os recursos naturais não são desenvolvidos, o equipamento mecânico não é utilizado, a habilidade do operário não é exercida, as descobertas científicas não são aproveitadas, a menos que as condições sejam de molde a prometer lucro em dinheiro aos que dirigem a produção" (apud HUBERMAN, p.237).

Lippmann (apud HUBERMAN, 1986, p.236) – comentarista político e assessor do presidente estadunidense Woodrow Wilson (1912-1921) – os capitalistas “não investirão para ganhar medalhas. Não o farão por patriotismo ou como ato de serviço público. O sistema capitalista é assim. É assim que funciona”.

O que lhes interessam genuinamente não é necessariamente a utilidade de uso de um produto, o seu valor de uso, mas o seu valor de troca, a sua utilidade ao mercado. Um produto tão somente pode ser usufruído em suas faculdades pelo usuário quando antes pôde ser desfrutado em seus pecúlios pelo comércio. A administração capitalista tem como um grande horizonte o incremento da produtividade geral do trabalho, mas não tem em vistas ao abastecimento da sociedade, apenas à expansão do capital. O provimento das necessidades humanas apenas acontece quando atende a requisitos do capital; apenas acontece quando promete lucros. A inclinação à venda ou à produção, como bem expressou Engels (apud HUBERMAN, 1986, p.237):

são determinados não pelo número de barrigas famintas, mas pelo número de bolsas prontas a comprar e pagar. As barrigas sem dinheiro, o trabalho que não pode ser utilizado para lucro, e portanto não pode comprar, ficam abandonados à sua sorte.

Por debaixo desta essencialidade mais geral, a do lucro, operando como sua base e impelidor, está a mais-valia26: este sim é a essencialidade nuclear do

propósito da gnrência burgunsa. É da mais-valia que emerge o lucro; é ela que o parteja, e da qual o lucro lhe é uma parte; da mais-valia, o lucro é sua expressão. O suporte objetivo da lucratividade é a mais-valia; a mais-valia apossada pelo capitalista. É, portanto, na apropriação da diferença entre o valor de uso da força de trabalho (o valor criado pela sua utilização) e o valor de troca desta força (o custo ao capitalista da reprodução física e social da força de trabalho) que se reside os exequíveis dividendos lucrativos. Na expropriação do valor, produzido pelo trabalhador, excedente ao valor que corresponde àquele que lhe é pago pelo capitalista, é que se advém as possibilidades outras de lucro e de acumulação de capitais27. Logo, é a extração da mais-valia e/ou a sua realização o compromisso

último das personificações do capital. As formas de gnstão n dn organização do trabalho têm que atender, dessa maneira, aos limites dados em última instância

26 Outras denominações à mais-valia também é possível, como: mais-valor ou sobretrabalho.

27 Nos termos marxiano, a expropriação do valor excedente corresponde ao "tempo de trabalho excedente"; enquanto que o valor que é pago pelo capitalista ao trabalhador corresponde ao "tempo de trabalho necessário".

pelos processos de criação de valor e pelos processos de valorização do valor. O trabalho na sociedade do capital, nos dizeres de Lessa (2007, p.60), “apenas pode se realizar no interior de um conjunto global de relações sociais muito mais ampla que ele próprio”; só pode se efetivar caso leve em conta a necessidade/finalidade social da extração da mais-valia.

Mas vale observar, a orientação ao lucro e o arrogar da mais-valia, portanto, a nxploração econômica, não tem seus fundamentos em discernimentos morais; não é uma escolha de valor ao sabor do burguês; não é uma responsabilidade de cunho individual; independe de qualidades humanas altruístas ou egoístas. Os seus encalços não levam em conta quaisquer eventuais receios ideológicos. Pouco importa se são considerados por seus perseguidores uma virtuosidade ou um indecoro; uma benevolência ou uma iniquidade. Não é uma questão de ter amor no coração ou uma máquina de somar no peito28. As suas

buscas são uma questão objetiva, concreta: a própria sobrevivência de seus empreendimentos e de sua posição de classe está hipotecada à peleja ao lucro e a mais-valia. Sejam pelos extremos da paixão ao frio metal, como no texto de Marx (2004, p.157-161), sejam pela "sede de nomeada" como confessa Brás Cubas (ASSIS, 2008, p.24), as aspirações ao lucro e à mais-valia não podem ser supressas. Para os integrantes das classes capitalistas, os seus não provimentos implicam em perecer-se econômica e socialmente; implica em vergar-se no andar “dos de baixo”, como diria Florestan Fernandes. Ou alimenta as realizações de tipos burguesas ou, em contrição, parte mediante marcha fúnebre para jazer sobre as carências da subalternidade.

2.1.1 – A Gerência Burguesa como uma Resposta às Demandas do Capital

Estes sentidos ao lucro e à mais-valia, também devem ser frisados, não são uma prerrogativa insulada dos métodos da gnstão n organização do trabalho. Estas vocações não são forjadas endogenamente nas e pelas nstratégias

28 Aqui fizemos uma alusão à música de Tom Zé, A Briga do Edifício Itália e do Hilton Hotel: “E o Hilton sorridente \ disse que o Edifício Itália \ tem um jeito de Sansão descabelado \ e ainda mais, só pensa em dinheiro \ não sabe o que é amor \ tem corpo de aço, \ alma de robô, \ porque coração ele não tem pra mostrar \ Pois o que bate no seu peito \ é máquina de somar.”

gnrnnciais. Tais forças sociais não são um construto próprio a estas nstratégias. Não são valores que circunscrevem apenas aos cuidados da gnrência burgunsa; não são propensões que se lhes são restritas. Suas premências extrapolam os limites gnrnnciais. O ímpeto ao lucro e à mais-valia tem seus esteios no sistema societário do capital; eles fazem parte dos fundamentos do modo de produção capitalista. Acossá-los é uma injunção social; é uma certa regra social, um valor supremo e estruturante que marca este sistema. Nele, o lucro e a mais-valia pautam – em todas as suas precedências e consequências, e em hegemonia solene – cada envolver das relações sociais, sejam elas do domínio da produção ou do domínio da reprodução.

Ou seja, o que as nstratégias gnrnnciais burgunsas fazem, a rigor, é absorver ou dar uma resposta às demandas cotidianas geradas e nutridas no sistema capitalista. Elas não podem ser entendidas como tendo necessidades próprias, afinal são uma urgência mais universal desta própria sociabilidade. Muito de suas características microcósmica terminam por tomar, como um complexo parcial determinado29, muitas das qualidades macrocósmicas da sociedade. É a

dinâmica do capital, pois, que dispõe sobre o seu desenvolvimento.

Quer dizer, as nstratégias gnrnnciais não são uma massa de técnicas desenvolvidas segundo a inventividade engenhosa dos feitores como se seus estabelecimentos genitores de proventos fossem uma redoma desconecto da totalidade social; elas não ficam sob a tutela das mentes dos chamados “gurus” da Administração. As nstratégias não são elaboradas tocadas pela sorte súbita e aleatória de algum acaso. Elas não se configuram como uma quimera. Tais nstratégias precisam de uma correspondência na realidade que as embasem, que lhes façam verossímeis; elas precisam ser um corpo coerente. É a dinâmica da sociedade que lhe dá este pressuposto. As nstratégias burgunsas do gnrnnciamnnto do procnsso dn trabalho têm o seu lastro, a sua base material, a sua razão de ser e o seu determinante, na cotidianidade do movimento do capitalismo. As exigências desta forma de gnrência são, assim podemos sintetizar, por conseguinte, e elas mesmas, as exigências do capital.

Mesmo em relação aos grandes nomes que muito colaboraram com a história da gerência, por mais que se achassem independentes do contexto social,

29 Lembrando, como indicamos na introdução, que é determinado, mas também determina, ainda que não dirija o processo.

com propostas avançadas, esses autores não conseguiram ir além das possibilidades dadas em sua época, não lograram ultrapassar as marcas de seu tempo; "o que é o fato mais natural", como enfatiza Wellen e Wellen (2010, p.14) em seu didático livro.

Não significa que se deva concluir, porém, que é na universalidade abstrata das demandas do capital que brotam, como que por magia, os métodos burgunsns dn gnrência; ou que, ao contrário, estes métodos não comportem as demandas singularizadas de um representante das classes privilegiadas; ou ainda que estes métodos não possam ser germinados ou aperfeiçoados na particularidade de alguma experiência empreendedora específica. Não é disto que se trata. O que tão somente tentamos exprimir, é que, apesar de as nstratégias gnrnnciais terem suas necessidades expressas no cotidiano privado dos estabelecimentos capitalistas, estes estabelecimentos e estas necessidades, em uma relação de determinações, estão sob a ambiência da totalidade social, e, portanto, visceralmente perpassadas por suas relações sociais de produção e reprodução condicionadas, como já dissemos, pelo capital. Ainda que em muitos casos, aparentemente, sejam os empreendimentos particulares que suscitam as demandas nstratégicas, são, adversamente, essencialmente suscitados pelas demandas mais amplas da dinâmica do capital. As demandas dos empreendimentos privados capitalistas são, destarte, mediações das demandas do capital.

O que também queremos ponderar é que, quando nos referimos à gnrência – às nstratégias gnrnnciais ou qualquer outra denominação que as demos aqui – e caracterizamo-as a qualificando como burgunsa, capitalista, ou do capital, estamos, assim, especificando a que tipo de gnrência e, em consequência, a que momento histórico estamos tratando.

As técnicas de gnstão n organização do trabalho não são uma entidade dispersa, solta, na correlação tempo-espaço. Não há nstratégias gnrnnciais atemporais. Não existem aquelas que como um modus opnrandi ad antnrnum possam subsistir ao anacronismo e à extemporalidade. Os métodos da gnrência correspondem a um dado modo de produção num contexto sócio-histórico determinado. Isto significa que não tem história própria; a sua história é a história do seu modo de produção correlato. O desenvolvimento de um certo tipo de gnrência é determinado por condicionantes histórico-sociais.

As nstratégias gnrnnciais burgunsas são, pois, os métodos da gnstão n organização do trabalho próprio ao modo de produção capitalista; são congruentes servidoras deste modo de organização da produção que o engendra e o fertiliza, que o profere necessidades e o confere possibilidades. As nstratégias gnrnnciais de um determinado tipo têm seus pilares teórico-metodológicos pautados pela dinâmica e pelos fundamentos teórico-metodológicos de sociabilidade provido por um determinado modo de produção. A plataforma de nstratégias da gnrência burgunsa tem, em vistas disso, imanência na construção sócio-político-econômico-cultural do modo de produção capitalista.

É evidente que – além das transformações e rupturas que decorrem das passagens de um modo de produção a outro – as nstratégias da gnrência passam por transfigurações, e até bastantes significativas em algumas épocas, dentro da vigência do transcurso histórico de um mesmo modo de produção. E não apenas essas nstratégias se alteram em função do desenvolvimento e do refinamento das suas técnicas; mas, igualmente, há aquelas alterações que se dão pelas modificações que ocorrem no interior do próprio modo de produção, aquelas que se dão pelas mudanças no chamado padrão dn acumulação.

As razões para as modificações das exigências que incidem sobre as nstratégias gnrnnciais são diversas; e não cabem em nosso objeto de pesquisa. São considerações atravessadas, entre outras, pelas crises estruturais do sistema societário e pelas lutas de classes, onde, aliás, se inserem as nstratégias dn dnsarticulação que tratamos nesta dissertação – e que, lembramos ao leitor, as faremos apenas em relação àquelas que se dão dentro do modo de produção capitalista.

Bem verdade é, entretanto, que no caso dos modos de produção precedentes ao do capital – escravismo, feudalismo, asiático, etc. – estas alterações eram mínimas ou, quando muito, bastante dissolvidas ao longo dos anos, décadas ou séculos. A dinâmica social nestes sistemas era pouco intensa; as inovações advinham parcamente. Já no modo de produção capitalista, a dinâmica das mutações nas suas nstratégias gnrnnciais, é especialmente acentuada e reiterada. O motivo é que, neste sistema societário, a sociabilidade cotidiana que lhe condiz é infinitamente mais complexa, é mais catalisada, é mais convulsiva que nos outros modos de produção até hoje preponderado. Nele, o dinamismo das relações sociais apresenta e descarta constantemente diferentes exigências e cenários às suas

nstratégias gnrnnciais. Exemplo desta atividade continuada são as várias formas de organização do trabalho que as Tnorias Administrativas refletem e induzem. O taylorismo, o fayolismo, o fordismo e o toyotismo, além da nscola dn rncursos humanos, são alguns dos exemplos mais importantes.

2.1.2 – O Desenvolvimento das Ciências às Necessidades do Capital

Com efeito, destacar esta enérgica e estreita conexão das nstratégias gnrnnciais com os modos de produção – e em particular as nstratégias gnrnnciais burgunsas com o modo de produção capitalista – é valioso e abalizador ao entendimento desmistificador da falácia ideológica que apostola a nnutralidadn da Ciência. Falácia ideológica esta que faz parte do arcabouço estratégico utilizado pelas classes privilegiadas do capitalismo em seu domínio sobre a sociedade e, particularmente, em seu exercício de soberania sobre as classes trabalhadoras. Isso, na medida em que tal mítica contribui decisivamente para a alienação dos sujeitos, criando uma cortina obscura na realidade que obstaculiza a percepção e o entendimento das relações de poder tecidas no cotidiano. A nnutralidadn cinntífica apresenta-se, portanto, como uma estratégia base que fundamenta as ideologias gerenciais burguesas.

De uma maneira geral, nem as Ciências tomada mais amplamente, nem as Ciências Administrativas, são neutras em relação às classes sociais, assim, aos sujeitos sociais, aos indivíduos da sociedade. Seja em razão da função social específica, dos resultados a que se chegau, do problema elaborado, do financiamento destinado, etc. – ainda que em alguns ramos da Ciência esta afirmação deva ser relativizada30.

Não dá para negar os imprescindíveis avanços das Ciências que, no geral, nos parecem incontestáveis. Os conhecimentos acumulados por elas têm contribuído, decisivamente, para arrefecer alguns dos aspectos mais ríspidos da condição humana. Com a compreensão adquirida pelas Ciências, o desenvolvimento das forças produtivas atingiram níveis e potenciais inimagináveis antes da (ou até a) revolução burguesa31. A perícia, em muitas de suas áreas, tem

30 Para uma reconhecida abordagem ao tema, ver Löwy (2007, p.99-114) e (2008, p.104-126).

avançado quase que exponencialmente. Todas estas benesses, no entanto, não eliminam o fato de que, mesmo de forma bastante mediada, indireta, e de modo contraditório, as pesquisas e suas aplicações relacionam-se com as vantagens particulares a uma classe e em relação com as lutas de classes.

Vejamos, como um exemplo, a maquinaria. A máquina, em seus avanços tecnológicos, expressa o desenvolvimento da capacidade produtiva humana; permite que os trabalhos sejam realizados mais eficientemente e que o tempo de trabalho necessário para a reprodução do ser social seja acentuadamente contraído; possibilita, enfim, a ampliação da qualidade de vida dos integrantes da sociedade; franqueia ter em vista a emancipação humana. Não obstante, ao invés de marcar a história reduzindo real e substantivamente o fardo da jornada de trabalho e barateando as mercadorias produzidas, a maquinaria foi utilizada para demitir um sem-número de trabalhadores, "substituir aparelhos humanos por aparelhos de aço" (REPORTO OF INSP apud MARX, 2006, p.493), e baratear aquela mercadoria produtora: a mercadoria força de trabalho. Ao invés de eliminar ou diminuir as atividades pesadas ou repetitivas para desobrigar o homem destes expedientes, a máquina o fez, entre outros motivos, para incorporar a força de trabalho de mulheres e crianças ao processo de produção32.

Sob o capital, o propósito da maquinaria não é auxiliar as classes trabalhadoras. No lugar de servir ao operário, é o operário quem a serve. Não é o trabalhador que subjuga ao seu poder a força da máquina, é a máquina que subjuga ao seu poder a força de trabalho. Ao invés de ser uma ferramenta para atender e estender a destreza do trabalhador, é um instrumento que assiste ao comando do capitalista. Neste sistema, a maquinaria vem a ser, para a maioria dos que integram as classes trabalhadoras, não uma fonte de liberdade, mas a de servilidade, não a de alargamento da vida, mas a do confinamento. Como diz Braverman (1987,

grande desenvolvimento das ciências proporcionado pela emersão do modo de produção capitalista. “A burguesia, em seu domínio de classe de apenas um século, criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais do que todas as gerações passadas em seu conjunto. A subjugação das forças da natureza, as máquinas, a aplicação da química na indústria e na agricultura, a navegação a vapor, as estradas de ferro, o telégrafo elétrico, a exploração de continentes inteiros, a canalização dos rios, populações inteiras brotando da terra como por encanto — que século anterior teria suspeitado que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social?”

32 Marx, em O Capital, desenvolve uma vistosa análise de como o capital incorpora em seus processos de trabalho, com o desenvolvimento da maquinaria na indústria, as forças de trabalho de mulheres e crianças. Ver o capítulo XIII, intitulado "A maquinaria e a indústria moderna" (MARX,

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