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4.4 Feature sets

As análises descritivas a partir de séries históricas de dados são extremamente importantes para a vigilância de doenças, porém, sabe-se que saúde pública e meio ambiente, estão intrinsecamente influenciados pe- los padrões de ocupação do espaço, o que torna necessário localizar onde os agravos estão acontecendo, que serviços a população está procurando, o local de potencial risco ambiental e as áreas onde se concentram situações sociais vulneráveis. Pela análise de difusão geográfica é possível gerar hipó- teses de investigação. Este tipo de análise, conhecida como análise espaci- al, pode ser feito comparando-se diversos mapas que sugerem os processos envolvidos na relação entre populações vulneráveis e fontes de risco, possi- bilitando melhorar as propostas de controle da doença70.

A análise espacial permite descrever e visualizar a distribuição espacial global e local, identificando padrões de associação espacial, situa- ções de não estacionaridade e áreas atípicas71. Além da percepção visual

da distribuição espacial do problema, é muito útil traduzir os padrões existen- tes com considerações objetivas e mensuráveis. A análise exploratória es- pacial é justamente a que vai além dos mapas temáticos, pois é capaz de mensurar por meio de cálculos estatísticos, por exemplo, os padrões espaci- ais e apresentá-los de forma mais clara e específica. A ênfase da análise espacial é mensurar propriedades e relacionamentos, levando em conta a localização espacial do fenômeno em estudo de forma explícita. A interpre-

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tação de um mapa não é feita apenas por observação humana, mas também por estatísticas que indicam, apresentam, desenham e explicam a relação entre os eventos e entidades da área em estudo72, possibilitando a formula- ção de hipóteses a respeito da ocorrência do evento estudado.

Toda atividade humana tem referencial espacial. As pessoas vivem em sociedades, constroem e modificam o habitat natural para assegu- rar a sobrevivência da espécie. Para tanto, criam complexos econômicos, políticos e sociais. Todos esses fenômenos humanos interferem na saúde da comunidade em determinado espaço geográfico. A análise espacial simplifi- ca a descrição das condições de saúde e doença em grupos populacionais. Diferentes métodos de representação auxiliam nesta análise, seja na visuali- zação das freqüências absolutas e relativas, da situação de saúde e suas tendências temporais, das alterações ambientais, do comportamento e dos fatores sociais ocorridos em determinadas áreas73. Basicamente, as análises

espaciais podem ser classificadas segundo os tipos de dados: 1) Análise de dados em forma de pontos e; 2) Análise de dados de áreas. Na primeira, tem-se a localização pontual (coordenadas geográficas) do evento. Neste caso, o que será analisada é a localização. A pergunta associada a este tipo de dado é “onde ocorre o evento?”, mesmo quando outras variáveis do indi- víduo são medidas. O outro tipo de análise proveniente de áreas geográfi- cas, geralmente é mais utilizado pelos serviços de saúde, embora sua impor- tância seja freqüentemente questionada devido à denominada falácia ecoló- gica. Aqui, pode ser feita a seguinte pergunta: quais os fatores associados à menor ou maior incidência dos casos74.

Diversos estudos utilizaram a técnica de análise espacial rela- cionada à vigilância e controle da malária. Daash e Colaboradores75 utiliza- ram um sistema de informações geográficas para subsidiar a tomada de de- cisão no controle da malária, no distrito de Koraput em Orissa, Índia. Este estudo utilizou mapas temáticos para análise da geomorfologia do solo, do uso da terra, da cobertura florestal, dos corpos d’água, das atividades de drenagem e dos povoados existentes no distrito. Mostrou as associações de variações na epidemiologia da malária nos diferentes ecótipos da região, i-

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dentificando os possíveis fatores de risco nas áreas com alta incidência da doença e recomendou as intervenções de controle baseadas nesses fatores. Outros estudos usaram sistemas de informação geográfica para realizar análises espaciais, objetivando mapear fatores associados e indicar medidas oportunas para a vigilância e controle da malária. Podem-se citar as pesqui- sas realizadas na África do Sul76, na Venezuela77, no Kênia78, em Trindad e Tobago79, em Mali80, em Papua Nova Guiné81 e na Etiópia82.

No Brasil, a análise espacial também foi utilizada como suporte para as ações de vigilância e controle da malária. No estado de Rondônia, Rodrigues e Colaboradores83 discutiram o uso da análise espacial para con- fecção de mapas de risco utilizando os índices de Moran Global e Local e, com base nos valores do Índice Parasitário Anual, afirmaram que os municí- pios que constituem a área de maior risco são os de urbanização mais re- cente, caracterizados por: maior crescimento populacional, maior número de famílias assentadas e elevado percentual de área desmatada. O Moran Map mostrou que os agregados de municípios com maior risco para malária so- freram processo de espalhamento para a região noroeste e nordeste do es- tado. Já nos municípios considerados como de menor risco, o processo se deu em direção ao sudeste. Pesquisas similares foram desenvolvidas no es- tado do Amazonas84, no estado do Pará85, em Machadinho D’Oeste-RO86 e no estado de Mato Grosso87. De formas diferentes, estes estudos mostraram a importância da análise espacial em saúde para subsidiar as tomadas de decisão.

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