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O Sophia Antipolis143 é outro exemplo de sucesso de PCT. Na década de 70 a Europa

decidiu criar um concorrente ao emergente Silicon Valley. O resultado foi Sophia

Antipolis, um grande parque tecnológico na região da Côte D’Azur, perto de Nice, no

Sul de França. A par com o Silicon Valley, é uma referência a nível mundial. Esta região, apesar de inicialmente não ter uma tradição industrial e universitária, foi a

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aposta do seu fundador, o deputado francês Pierre Laffitte, em criar um ambiente propício para a instalação da indústria de alta tecnologia, de universidades e institutos científicos e de investigação. A clara aposta em formação especializada e em programas de investigação possibilitou o seu desenvolvimento.

Após 30 anos de existência, este parque ainda está a tentar desenvolver um contexto viável. Foi inicialmente criado com a ideia da “cidade dos 20.000 cientistas”, e não tanto para empresas e start-ups de negócios. Em meados de 1990, dá-se outro grande impulso com a introdução em larga escala do apoio ao desenvolvimento empresarial com a criação de incubadoras de empresas e do acesso ao capital de risco. Mas o grande

turnaround dá-se com a criação de uma empresa de capitais mistos (públicos e

privados) e com a instalação dos serviços internacionais da Air France. Esta estratégia conseguiu atrair novas empresas para o parque, atraindo o investimento estrangeiro que preferencialmente era canalizado para a região de Paris. Como se pode verificar na figura seguinte, este parque já atravessou várias fases de desenvolvimento na sua história:

Figura 13 - Fases de desenvolvimento do Sophia Antipolis144

Depois da década de noventa, é que o parque adquiriu valências e competências importantes para um bom funcionamento como cluster tecnológico. Foi a partir destes anos que as instituições de ensino superior localizadas no Sophia Antipolis aumentaram

144 fonte: “Sohia Antipolis, Creation of a Greenfield Cluster - Conclusions of Study” by SMI – Strategic

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consideravelmente a sua reputação, expandindo e reforçando a sua colaboração com a existente comunidade empresarial. A partir de 1998, os centros de pesquisa e investigação começaram a criar as suas próprias incubadoras de negócios a fim de poderem apoiar a criação inovadora de start-ups e spin-offs, permitindo assim transferir os seus resultados para o mundo empresarial e dos negócios. Depois do primeiro “International Venture Capital Summit” em Dezembro de 1997, a dimensão financeira do Parque de Ciência de Sophia Antipolis expandiu-se fortemente, permitindo às empresas baseadas na inovação encontrar oportunidades de investidores a nível internacional. Existem duas razões essenciais para as empresas se instalarem neste parque. Em primeiro lugar para poderem operacionalizar uma ideia (start-up), para terem acesso a apoios para os negócios usufruindo dos factores específicos deste

cluster. Em segundo lugar para beneficiarem de centros de excelência de empresas

nacionais e internacionais já instaladas. No entanto, existe uma fortíssima razão que pode funcionar como polo de atracção para alavancar ideias e negócios - o Sophia

Antipolis é a principal porta de entrada de negócios internacionais para o mercado

francês, que de outra forma é de difícil penetração por estrangeiros.

Figura 14 - Sophia Antipolis, a porta de entrada para o mercado francês145

145 fonte: “Sohia Antipolis, Creation of a Greenfield Cluster - Conclusions of Study” by SMI – Strategic

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Actualmente, o parque Sophia Antipolis é a zona mais internacional de toda a França. Conta com mais de 70 países representados em cerca de 20 km2 (cerca de 1/4 da

dimensão de Paris), com cerca de 1.452 empresas, que representam 31.000 pessoas, das quais 4.500 são investigadores e 5.000 são estudantes. Do total de empresas, cerca de 170 são de capital estrangeiro e 40% estão ligadas directamente a I&D. Cerca de 53% da força de trabalho corresponde a quadros altamente qualificados, a maioria deles afectos a empresas de I&D intensivo. Na vertente do ensino, a Universidade de Nice

Sophia Antipolis (UNSA) tem um campus em Sophia e conta com um vasto portfólio de

cursos de alta qualidade onde existem diversas áreas a ser leccionadas, como Economia, Gestão, Direito, Engenharias e Ciências, assim como institutos de referência como o

Theseus, CERAM e Eurecom146.

O PCT Sophia Antipolis funciona como um hub da “Telecom Valley”, que se estende desde o Leste (Milão, Itália) a Este (Valencia, Espanha). Por esta razão, as suas principais valências assentam nas chamadas Telecom e TI, coexistindo, também investigação nas áreas de medicina. Cerca de 1/4 das empresas instaladas são companhias internacionais (multinacionais, transnacionais), na sua maioria americanas, tais como a IBM, Hewlett-Packard, Texas Instruments, Infineon Technologies, Cisco

Systems, Nortel Networks, Accenture e a alemã Siemens AG. Existem empresas de TI de

grande potencial técnico mas de dimensão mais pequena.

É neste PCT que está instalado o ETSI - European Telecommunications Standards

Institute147, organismo europeu de normalização das telecomunicações, que desempenha um papel importante para a definição das normas de telecomunicações a nível global. Também encontramos redes formais e informais de profissionais neste parque, que é fundamental como vantagem competitiva para os colaboradores e concorrentes. Este PCT é também um meio de entrada e conquista de uma posição no mercado francês. A incubação de empresas continua a ser a grande aposta do parque, aliando as universidades instaladas à experiência das várias empresas e também à forte necessidade de criação de start-ups e spin-offs.

As razões do sucesso do Sophia Antipolis estão associadas à instalação de grandes empresas de referência, que atraem outras empresas, mas é evidente que a presença da

146 fonte: Fondation Sophia Antipolis www.sophia-antipolis.org , consultado em 8 de Janeiro de 2012. 147 www.etsi.org , consultado em 8 de Janeiro de 2012.

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universidade assume um papel de destaque, onde funciona uma rede eficiente de conhecimentos entre o mundo universitário e o mundo empresarial. Por outro lado, existem razões geográficas. A singularidade mais evidente de Sophia Antipolis é provavelmente a sua localização numa área de espaço verde perto do mar Mediterrâneo e também próxima dos Alpes. O PCT foi criado numa área limitada de colinas cobertas de pinheiros e distante de qualquer grande centro urbano, mas perto de um aeroporto internacional. A existência de uma restrição ambiental que impõe que dois terços da área total tem que permanecer espaço verde, que se mantem válida apesar da expansão do parque. Tem sido empiricamente demonstrado148 que este ambiente harmonioso tem

sido um factor vantajoso que tem afectado positivamente a produtividade das pessoas que trabalham no espaço. Todas estas condições têm facilitado a atracção de novos talentos de nível mundial, bem como tem promovido a fixação de pessoas qualificadas dentro do parque.