Antes dos 65 anos
Depois dos 65 anos
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reforma acarreta alterações a vários níveis, nomeadamente: diminuição dos rendimentos económicos, a perda de oportunidades de contactos sociais (que deverão ser substituídos), e uma maior quantidade de tempo livre. Todas estas mudanças exigem que o idoso se reinvente, reformulando valores, rotinas e objetivos.
Como já referimos anteriormente, na passagem para a reforma o idoso é confrontado com muitas e novas situações de adaptação. De acordo com Fonseca (2011, p.42-43) as principais mudanças que ocorrem na passagem para a reforma são: “no domínio financeiro (a reforma implica, não raras vezes, a perda de rendimentos que se pode acentuar à medida que os gastos com a saúde aumentam ou quando se verificam elevados encargos financeiros); no estilo de vida (algumas pessoas transitam de uma situação de atividade permanente para situações de isolamento social e solicitações mínimas); no uso do tempo (a ocupação do imenso tempo livre nem sempre se consegue garantir com atividades úteis e que deem prazer); na saúde (é sempre de esperar uma quebra progressiva dos níveis de saúde real); na vida conjugal (mudanças de papéis na vida conjugal ou reformas temporalmente desfasadas podem comprometer o bem-estar psicológico nesta etapa); na vida familiar (a emergência do papel de avô/avó, a morte de alguns familiares e relações com os filhos dominadas por um caráter assistencial, podem dar origem a desafios consideráveis); nas relações sociais (a perda de relações sociais e o empobrecimento do dia-a-dia na sequência do abandono da vida profissional podem comprometer a integração social dos sujeitos); na mudança de residência (esta mudança, quando se verifica, pode contribuir para o corte de redes de relações, acentuando o risco de isolamento social); e a própria identidade pessoal e social (a entrada na reforma pode fazer desaparecer o poder e o reconhecimento social que advêm do estatuto profissional, fragilizando a identidade do sujeito e reforçando o sentimento de alguma indiferenciação social)”. Assim, todos os idosos passam por um processo de adaptação para esta nova etapa da sua vida, onde a satisfação e o bem-estar psicológico na fase de transição-adaptação à reforma dependem sobretudo de um conjunto de circunstâncias e recursos que os indivíduos tiveram ao seu alcance ao longo da sua vida e de que dispõem nesta etapa de transição, e também dependem da sua experiência individual que em tudo contribui para que as diversas situações que vão ocorrendo nesta fase sejam avaliadas e superadas de maneira distinta pelos indivíduos (Fonseca, 2011). Por exemplo, um indivíduo que tenha sido médico, irá compreender mais claramente o seu diagnóstico de saúde porque teve oportunidade de exercer uma profissão do ramo da
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saúde, enquanto um indivíduo que tenha sido operário fabril, como não teve tantas informações sobre saúde, poderá interpretar o seu diagnóstico de saúde de outra forma (porque não possuiu a oportunidade de aceder à mesma informação). Logo a experiência dos dois indivíduos é diferente.
De modo a compreender e a determinar quais os padrões de transição-adaptação à reforma, Fonseca (2004) realizou um estudo junto de uma amostra de 502 portugueses onde avaliou três dimensões de natureza psicológica: motivações para a reforma, satisfação com a vida e fatores de bem-estar. Através deste estudo o autor verificou que para os reformados portugueses a entrada na reforma era interpretada como um novo sentido para as suas vidas, uma vez que os indivíduos sentiam-se recompensados por poderem contar com o dinheiro da reforma após terem terminado a sua carreira profissional. Neste estudo, o autor não encontrou indicações de que a passagem à reforma fosse um acontecimento stressante. Antes pelo contrário, os indivíduos mais novos (50-64 anos), com grau de escolaridade elevado e com diversas profissões, alegaram que nesta fase da entrada para a reforma teriam mais liberdade do uso do tempo e poderiam concretizar interesses pessoais. Através desta informação podemos afirmar que são os indivíduos mais diferenciados ao nível sociocultural que demonstram que a motivação principal para a passagem à reforma é a satisfação dos seus interesses pessoais. Fonseca (2011, p.97) afirma que “a relação das pessoas com a profissão é uma relação que gira em torno do significado que o trabalho adquire para cada um (realização pessoal, modo de ganhar a vida, utilidade social, etc.), a reforma não significa apenas “deixar de trabalhar”, supondo igualmente a implementação de uma série de desejos e a emergência de uma série de oportunidades que acabam por refletir, naturalmente, a origem sociocultural dos indivíduos”. Esta situação acontece devido aos indivíduos possuírem um valor económico elevado das suas reformas, o que faz com que os seus interesses sejam diferentes dos indivíduos que possuem uma reforma de baixo valor económico. O facto dos indivíduos terem uma reforma elevada faz com que eles fiquem mais tranquilos e contribui também para que eles possam dedicar-se a atividades com preços elevados, sendo que os outros indivíduos com baixas reformas não podem fazê-lo. Assim, é claramente percetível que o estatuto socioeconómico é um factor de diferenciação no que concerne à adaptação à reforma.
O autor no seu estudo pretendeu também compreender e analisar a satisfação de vida através de situações/vivências e ou experiências da vida quotidiana dos indivíduos.
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Assim através das respostas obtidas, o autor concluiu que a residência e a vida familiar é o domínio que mais contribui para a satisfação dos reformados portugueses e é também o plano de vida com mais centralidade das pessoas, ou seja, os reformados casados ou aqueles que vivem com as suas famílias mais próximas, apresentam níveis de elevada satisfação com a vida. No entanto, através deste estudo o autor apurou que a saúde física é o domínio que menos satisfaz os indivíduos, não especificamente no processo de adaptação-transição para a reforma, mas ao longo de todo o processo de envelhecimento. Em suma, a saúde física é um aspeto que condiciona a satisfação dos indivíduos com a vida. Quando o autor analisou as variáveis de género e do estado civil concluiu que são os homens que revelam uma maior satisfação com a vida, e essa satisfação está, maioritariamente, dependente do casamento. Assim, neste estudo ficou percetível que o estatuto conjugal é um factor de proteção para os homens reformados.
Neste estudo o autor também concluiu que os aspetos mais apreciados pelos reformados são: a liberdade e o controlo da vida. Estes dois aspetos estão associados à concretização de interesses pessoais que são distintos dos compromissos profissionais geralmente associados a momentos de pressão e stress. O facto dos reformados adquirirem mais liberdade e controlo sobre as suas vidas faz com que a sua vida se torne mais agradável e que haja uma elevação do bem-estar individual. Os reformados deste estudo reforçaram ainda que a ausência de stress e a realização de atividades sociais são também fatores que contribuem para o seu bem-estar.
Através do seu estudo, Fonseca agregou três padrões dominantes da transição- adaptação à reforma dos reformados portugueses: o padrão AG (abertura-ganhos), o padrão VR (vulnerabilidade-risco) e o padrão PD (perdas-desligamento). No que concerne ao padrão AG (abertura-ganhos), é um padrão que se traduz numa atitude positiva à vida e abertura ao espaço exterior, ou seja, há uma abertura aos outros e a si mesmo, possibilitando assim a ocorrência de mudanças desenvolvimentais. Em relação ao padrão VR (vulnerabilidade-risco), verifica-se um aumento progressivo no que diz respeito às relações pessoais, relacionais e sociais e, com isto, uma diminuição do bem- estar com a vida, colocando assim em risco as possibilidades de desenvolvimento psicológico. Quanto ao padrão PD (perdas-desligamento), este carateriza-se por uma situação generalizada de perdas, insatisfação com a vida, solidão, ausência de bem-estar nas atividades do quotidiano e um acentuado desligamento das atividades sociais. Em conclusão, o autor afirma que a pertença a cada um destes padrões não é permanente, ou
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seja, um indivíduo pode pertencer a um padrão mas por algum acontecimento de vida, pode vir a pertencer a outro. O mesmo autor afirma que a mudança de um padrão para o outro depende, essencialmente, dos acontecimentos e efeitos relacionados com o processo de envelhecimento.
De acordo com Sousa et al. (2006, p.55), o grande desafio para o idoso que entra para a reforma é “reorganizar o quotidiano, descentrar a profissão e encontrar um papel que garanta a manutenção do sentido da utilidade”.
Tabela 2 – Profissões
Profissões Nº de idosos
Trabalhadores não qualificados –
Trabalhadores não qualificados da agricultura e pescas
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Trabalhadores não qualificados –
Trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio: vendedores ambulantes e trabalhadores similares (peixeira; feirante)
2 Pessoal administrativo e similares –
Empregados de escritório: secretárias e operadores de equipamentos e tratamento de informação (empregadas de escritório)
3 Operadores, artífice e trabalhadores similares
– Outros operários, artifícies e trabalhadores similares: trabalhadores dos têxteis e confeções e trabalhadores similares (5 empregados fabris); trabalhadores de preparação e confeção de alimentos e bebidas e trabalhadores similares (1 padeiro; 1 pasteleiro);
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Pessoal dos serviços e vendedores – Pessoal dos serviços diretos e particulares, de proteção e segurança: assistentes, cobradores, guias e trabalhadores similares (1 operadora
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de caixa); ecónomos e pessoal do serviço de restauração (1 ajudante de copa);
Trabalhadores não qualificados –
Trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio: pessoal de limpeza, lavadeiras, engomadores de roupa e trabalhadores similares (3 empregadas de limpeza)
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Técnicos e profissionais de nível intermédio – Profissionais de nível intermédio do ensino: profissionais do ensino não classificado em outra parte (professora de trabalhos manuais – sem qualificação);
1
À tabela nº 12 (relativa às profissões exercidas pelos idosos antes da reforma) acresce ainda referir que duas idosas ocupavam-se das tarefas do lar. Em relação às profissões desempenhadas pelos idosos podemos afirmar que estamos perante profissões pouco valorizadas socialmente, com pouco reconhecimento social e também mal remuneradas.
Através do gráfico 12 podemos concluir que a maior parte dos idosos era trabalhador por conta de outrem (67%), 22% era trabalhador por conta própria, e 11% era trabalhador em empreendimento familiar. Nenhum dos idosos foi patrão.
22%
67% 11%